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| http://www.terra.com.br/cgi-bin/index_frame/mundo/2000/05/28/021.htm,
Agência Estado Domingo, 28 de maio de 2000, 11h36min |
O pesquisador alemão Hans-Hinrich Kattz divulgou,
na semana passada, o registro da primeira transferência genética conhecida
entre uma planta geneticamente alterada e outros seres, no caso, fungos
e bactérias. A informação foi divulgada pela Greenpeace e pela televisão
alemã. |
Segundo Kaatz, uma seqüência de DNA geneticamente
alterada de canola foi encontrada no material genético de bactérias
e fungos que estavam no intestino de uma abelha. A abelha teria se
alimentado do pólen da canola geneticamente alterada. O pesquisador
Kattz, da Universidade de Jena, fez testes durante os últimos três
anos com abelhas em campos experimentais de canola transgênica, na
Saxônia, Alemanha. O campo de testes foi desenvolvido pela AgrEvo. |
Kattz construiu redes no campo de
testes e permitiu que as abelhas voassem livremente entre as redes.
Estas abelhas eram, mais tardes, capturadas, e o pólen de canola encontrado
nas patas das abelhas era colhido para alimentar abelhas jovens dentro
do laboratório. Depois, estas abelhas criadas em laboratório tiveram
seus intestinos retirados e os microorganismos existentes em seu interior
analisados. |
Foi neste material que as bactérias com
DNA alterado foram encontradas, conta Augusto Freire, gerente
de negócios da Genetic ID. Segundo ele, a descoberta do professor
Kattz é importante porque provou que uma seqüência de DNA geneticamente
alterada pode ser transferida para outro organismo que não seja planta.
O problema é que não se sabe o que pode acontecer a partir desta
transferência de material transgênico, disse. |
Freire afirma que, como as bactérias apresentam
um caráter de fácil mutação genética, pode ser que esta transferência
de genes mude seu comportamento. Ela pode alterar a digestão
das abelhas, por exemplo, disse. Já houve uma desordem
genética que não teria acontecido naturalmente. |
Segundo ele, os biotecnologistas têm uma visão
muito linear do processo de alteração genética mas não levam em conta
que o gene alterado em uma planta, por exemplo, pode interagir com
outros seres vivos e mesmo com o meio ambiente e provocar conseqüências
ainda não previsíveis. |
| Um outro caso envolvendo abelhas e transgênicos assustou os britânicos recentemente. Na semana passada, pólen geneticamente modificado foi encontrado em mel produzido em locais próximos a campos experimentais de transgênicos. A descoberta foi divulgada pela organização ecológica Friends of the Earth (Amigos da Terra) que agora está reivindicando a suspensão imediata de testes com safras de canola e milho geneticamente modificados feitos ao ar livre. |
Os testes foram realizados pelo cientista Andreas
Heissenberger, da Agência Federal de Meio Ambiente da Áustria. Os
criadores de abelha que possuem colméias próximas a campos de testes
estão sendo advertidos para que retirem suas abelhas das imediações.
Os criadores se queixam de não terem sido avisados sobre a vizinhança
e agora a Associação dos Criadores de Abelhas da Inglaterra - que
representa 350 produtores em todo o país - quer compensação pela perda
de renda provocada pela mudança das colméias. |
O mais importante é que agora temos evidências
de que as culturas transgênicas podem contaminar o mel, disse
Pete Riley, da Friends of Earth. |
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