Transgênicos: biosegurança e cidadania
Por: Prof. Livre Docente.Maria Alice Garcia Departamento
de Zoologia, Inst. De Biologia, UNICAMP
Muita confusão e pouca informação tem chegado ao cidadão comum sobre
os riscos ambientais e para a saúde associados aos alimentos transgênicos.
A realidade é que a promessa da biotecnologia não se cumpriu na área
de alimentos, uma vez que os produtos que hoje chegam ao mercado não trazem
qualquer tipo de vantagem em qualidade para o consumidor e tampouco são mais
baratos. Os possíveis benefícios ao produtor também são
questionáveis, tendo em vista que não se alcança maior produtividade com
plantas alteradas. Trata-se muito mais de uma corrida comercial.
O interesse em recuperar rapidamente os investimentos de grandes corporações
e de garantir mercados futuros de sementes faz com que esses
produtos sejam empurrados goela abaixo de governos e da população, atropelando
a legislação e a demanda de pesquisas que garantam a
biosegurança, em relação à saúde e meio ambiente.
Muitos desses produtos, como as sementes modificadas para tolerância a herbicidas,
representam o que chamamos de produtos da biotecnologia suja, pois adiciona
aos riscos já existentes do uso de agrotóxicos, dos quais continua dependente,
os riscos da nova tecnologia, tais como: rápido desenvolvimento de resistência
em ervas daninhas, desenvolvimento de superpragas, invasão de áreas naturais.
Da mesma forma, plantas modificadas para produzir seu próprio inseticida,
com a adição de genes que as tornem letais para alguns insetos, também podem
levar rapidamente à seleção de linhagens de insetos resistentes, ao surgimento
de novas pragas, à morte de espécies não alvo, reduzindo a biodiversidade.
Podem levar, ainda, a mudanças nos processos de ciclagem de nutrientes após
incorporação dos restos culturais ao solo, com implicações imprevisíveis
para a fertilidade e outras características da microbiota, da fauna e da flora
de agroecossistemas. Como o desenvolvimento de resistência será apenas
uma questão de tempo, caso o uso desses transgênicos se generalize, essa tecnologia
eliminará uma das importantes ferramentas do controle biológico de pragas, que
é o uso, no momento certo, da mesma bactéria de onde foi extraído o gene para
modificar as plantas.
Somam-se aos riscos ambientais aqueles relacionados à saúde humana.
Esses riscos derivam mais da insegurança a respeito da estabilidade da modificação
genética e de sua expressão. Derivam também do fato das modificações genéticas
promovidas serem mais complexas do que a inserção de apenas uma característica
de um organismo em outro. Genes promotores e marcadores acompanham o gene
exógeno a ser inserido. A combinação de efeitos de possíveis modificações
de localização desses genes, para a planta e para seres humanos, ainda é uma
incógnita. Entre os riscos apontados estão a possibilidade desses genes
virem a se inserir em partes do genoma onde promovam a produção de novas substâncias
que poderão ser tóxicas, ou outros produtos nocivos.
É, portanto, plenamente legítima a inquietação dos cidadãos a respeito dos
transgênicos. A rotulagem dos produtos é importante mas não oferece
respostas a essas inquietações. O que está em jogo é também a responsabilidade
dessa geração, incluindo o poder público, em zelar pelas condições do ambiente
e de qualidade de vida no presente e das
Prezado João
Escrevi um artigo de divulgação sobre transgênicos, que foi publicado no
Jornal do Engenheiro, número 151, de 16 a 31 de agosto. Estou colocando
em anexo, para você divulgar na rede, colocando a procedência, se achar
conveniente.
Abraço
Prof. Maria Alice