Salvador, 8 de dezembro de 2000 - O método tradicional de estímulo à
floração da manga 'tommy atkins', com o uso do agroquímico paclobutrazol
(PBZ), poderá ganhar nova alternativa de produção orgânica, nos próximos
anos, nas áreas de cultivo irrigado do Nordeste. Esse é, pelo menos, o
objetivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que
realiza experimentos com a indução floral por estresse hídrico nos pólos
frutícolas de Assu-Mossoró (RN), região com cerca de 900 hectares irrigados
com a fruta, e de Petrolina (PE).
Pelo sistema de estresse hídrico, a quantidade de água destinada ao pomar é reduzida, de modo a atingir níveis de irrigação que provoquem na planta o mesmo efeito do PBZ, que atua como inibidor do crescimento, forçando a sua floração.
O coordenador do trabalho, Manoel Teixeira de Castro Neto, diz que testes realizados no meio do ano já mostraram uma boa resposta ao método, sob a influência de temperaturas mais baixas.
'Agora, estamos concentrando os experimentos nesse período de temperaturas mais altas, que começou em novembro e vai até janeiro, para avaliar os resultados com as safras de fim de ano.' Ele lembra que o estresse hídrico não é uma tecnologia nova, mas ainda vem sendo pouco utilizada no País. Daí a iniciativa de intensificar os testes para difundir os benefícios junto aos produtores.
A principal vantagem do estresse hídrico é o seu custo menor. Hoje, os gastos com o PBZ representam cerca de 25% dos custos de produção da manga nos perímetros irrigados. A despesa atinge R$ 1.000 por hectare, já que o litro do produto está em torno de R$ 250 e são necessários quatros litros por hectare.
'Além de ser um método que oferece um fruta sadia, sem aplicação de produtos químicos, o estresse pode reduzir os custos em mais de 30% e tende a garantir preços de exportação melhores para o produtor.
Fonte:O Estado de S. Paulo, Sexta-feira, 8 de dezembro de 2000
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