No município de Porto União, norte de Santa Catarina, vem sendo realizado um programa de transição da agricultura convencional para a agroecologia, incentivado pelos trabalhos do produtor Aires Niedzielski, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região e do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CEPAGRI). Este trabalho vem trazendo inúmeros resultados como a criação de uma associação de produtores de frutas ecológicas.
Em pouco mais de um ano de funcionamento já são 20 famílias
envolvidas, principalmente jovens, todas com o pomar desenvolvido ou em fase de
plantio. O produto predominante é o pêssego, com mais de mil árvores já
plantadas. Existem alguns sócios que estão investindo em laranja e caqui. O
objetivo dos sócios é ambicioso. No começo eles pretendem implantar uma
pequena indústria de transformação para agregar maior valor aos produtos e
melhor aproveitar a produção.
De acordo com um dos membros da associação, o grupo estabeleceu alguns critérios
rígidos para seguir. Por exemplo, todos devem produzir sem agrotóxicos, todos
devem fazer um trabalho de recuperação dos solos, a aquisição das mudas e
dos insumos deve ser feita em conjunto, os produtos in natura inicialmente deverão ser comercializados de forma conjunta e mais adiante será
implementada uma pequena indústria de transformação coletiva. "Nós
precisamos destas regras porque o consumidor quer a garantia de que o produto é
agroecológico", explica Aluir Freislieber, outro jovem associado.
Alguns pomares de pêssego já produziram nesta última
safra. Mas a maioria está fazendo um trabalho para melhorar as condições dos
solos e também o manejo do pomar que foi implantado há pouco tempo.
Produtores de frutas ecológicas. In: Agroecologia em Santa Catarina. Lages: Centro Vianei de Educação Popular, n 1, outubro de 1996, p. 20.
Publicado no Boletim 73 - Por Um Brasil Livre de Transgênicos. Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura.
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