Há dúvidas sobre regulamentações e, também, se o negócio proporciona as reduções de emissões reivindicadas
A Suíça e a Tailândia foram responsáveis pela primeira troca de créditos de carbono entre países ao abrigo do artigo 6.2 do Acordo de Paris. Na transação, um grupo suíço de combustíveis fósseis comprou as compensações de uma operadora tailandesa de energia renovável e veículos elétricos.
As duas nações disseram que este foi um “momento farol para a ação climática” e “um marco muito importante”. Porém, a iniciativa está enfrentando críticas sobre regulamentações e, também, dúvidas se proporciona as reduções de emissões reivindicadas.
Acordo entre Suíça e Tailândia
A transação efetivada entre os dois países faz parte de um acordo mais amplo assinado no início de 2023. O projeto é coordenado pela South Pole, empresa suíça que é uma das principais vendedoras mundiais de créditos de carbono.
Na Tailândia, a Energy Absolute é a responsável por gerar créditos através da conversão, em Bangkok, de milhares de veículos privados movidos a gasolina para modelos elétricos.
A Fundação Klik, da Suíça, que representa os importadores de combustíveis fósseis no país, financia o programa através da compra de créditos. E vale destacar que, embora o negócio seja executado por companhias privadas, os créditos são transferidos para o governo federal, que os contará para suas metas de redução de emissões, segundo o Climate Home News.
Críticas
Umas das críticas ao acordo entre os dois países é que a mudança para carros elétricos na Tailândia “teria certamente acontecido” sem o incentivo destas compensações.
Mas os promotores do projeto da nação asiática afirmam que, sem o financiamento garantido pela venda dos créditos de carbono, isso não teria sido economicamente viável. De acordo com eles, as compensações reduzirão as emissões para além do que teria acontecido de qualquer forma, argumentam.
Isto, explica o Climate Home News, é conhecido como “adicionalidade”. Mas a Alliance Sud contesta esse ponto, levantando dúvidas sobre a integridade dos créditos.
Em um dossiê de investigação, a entidade enfatizou que “a adicionalidade é, na melhor das hipóteses, não transparente e, na pior das hipóteses, inexistente” e que a justificativa econômica do projeto não levou em conta os benefícios a longo prazo do investimento direto do grupo Energy Absolute.
Também constatou que o mesmo operador de transportes participante do acordo já operava autocarros elétricos em Bangkok em 2021, muito antes do início do regime de compensação.
“Este projeto mostra que é basicamente impossível ter uma garantia de que estes certificados possam ser um verdadeiro substituto das reduções de emissões internas nas quais a Suíça deveria concentrar-se”, disse Delia Berner, analista de política climática internacional da Alliance Sud, ao Climate Home News. “A Suíça lidera de forma negativa”.
Um porta-voz da Fundação Klik comentou que as reivindicações da entidade são “pura especulação”. “A Energy Absolute precisa de apoio financeiro através da compra de créditos para viabilizar o projeto”, observou.
Fonte: Por Redação, do Um Só Planeta em 10-01-2024 <https://umsoplaneta.globo.com/clima/noticia/2024/01/10/suica-e-tailandia-fazem-1a-troca-de-creditos-de-carbono-ao-abrigo-de-novo-mecanismo-do-acordo-de-paris-acao-enfrenta-criticas.ghtml>
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