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Biometano na disputa pelo hidrogênio

 

Por ser equivalente ao gás natural, o biometano pode usar a infraestrutura usada hoje na produção de hidrogênio a partir de gás – o hidrogênio cinza – para produção de hidrogênio verde a um custo competitivo, explica Tamar Roitman, gerente executiva da ABiogás.

 

“Essa solução do biometano já está pronta. Podemos produzir o hidrogênio usando exatamente a mesma rota do gás”, diz.

 

A Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) calcula que o Brasil tem potencial para produção de 20 mil toneladas por dia de hidrogênio a partir de biometano, ou sete milhões de toneladas por ano.

 

Dependendo da tecnologia, cada 4 ou 5 metros cúbicos de biometano produzem 1 kg de hidrogênio.

 

“Com a mistura de biometano no gás natural, a gente já pode ter teores renováveis no hidrogênio. Mas ele pode ser totalmente verde se o gás natural for substituído pelo biometano. É uma substituição totalmente drop-in”, conta Tamar.

 

A rota de produção de hidrogênio verde a partir de biocombustíveis como etanol e biometano foi incluída pelo governo federal nas diretrizes do Programa Nacional de Hidrogênio (PNH2).

 

Além de aproveitar a infraestrutura existente, a rota ainda tem como vantagem o fato de o biometano ser produzido a partir de resíduos.

 

“Com o biogás no Brasil, estamos produzindo mais energia sem competir por terras ou com a produção de alimentos”, destaca Tamar.

 

Mercado


Para Alessandro Gardemann, presidente da ABiogás, o grande desafio está em desenvolver o mercado.

 

“Está todo mundo falando na rota da eletrólise e quando se fala em reforma a vapor é só gás fóssil. Estamos propondo a mesma solução do gás fóssil para o gás renovável, usando ativos existentes”, conta.

 

Segundo Gardemann, 95% do hidrogênio mundial é feito a partir de reforma de metano fóssil e a proposta da associação é fazer isso no Brasil a partir de reforma de metano renovável.

 

“Temos potencial para descarbonizar as indústrias existentes hoje que consomem hidrogênio, já temos um grande parque industrial abastecido com hidrogênio fóssil, que poderia ser abastecido com hidrogênio verde”, diz.

 

Levantamento da S&P Global Platts Analytics aponta que a demanda global por hidrogênio puro (H2) deve crescer 4% em 2021, alcançando 73,8 milhões de toneladas.

A proposta da ABiogás é produzir hidrogênio verde tanto para o mercado interno quanto para exportação.

 

“Além de mais barato que o hidrogênio verde a partir da eletrólise, a rota a partir do biometano é competitiva hoje. Como existe tecnologia nessa escala, conseguimos hoje atingir os custos projetados para a rota de eletrólise no futuro”, defende.

 

E, a exemplo do etanol, o biometano também funcionaria como um portador de energia, ou energy carrier.

 

“Tem muito conceito sendo desenvolvido para fazer hidrogênio a partir de eletrólise, transformar em amônia ou metanol para conseguir transportar, para no destino voltar a recuperar o hidrogênio.

 

O interessante é que o metano já é um energy carrier. Já existe uma infraestrutura global de distribuição de gás natural liquefeito e o biometano pode usar essa infraestrutura para desenvolver isso”, explica.

 

Mais: Os desafios para viabilizar a demanda por hidrogênio de baixo carbono


Regulação


As diretrizes do Programa Nacional de Hidrogênio lançadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na semana passada indicam os caminhos que a política nacional deve seguir, mas o setor ainda aguarda uma regulação para tomar decisões de investimentos.

 

“Para investimentos de mais longo prazo, o mercado vai querer alguma regulação, mesmo que seja para dizer que, neste momento, não é necessária uma autorização prévia para produção”, avalia Lívia Amorim, sócia do Souto Correa Advogados.

 

Ao comentar o PNH2, ela explica que o investimento na produção de H2 é recuperável no longo prazo, o que requer estabilidade e segurança jurídica para os investidores.

“Uma regulação que dê segurança para todas as partes envolvidas, seja operativa ou de qualidade do produto. O que não quer dizer micro gestão e imposição de um custo de transação maior do que os benefícios que a regulação gera”, destaca.

 

Outro ponto é que essas decisões precisam de agilidade.

 

“É um mercado que todo mundo está aprendendo, então vai ter que se tomar as ações com agilidade”, diz.

 

Já em termos de competitividade para o hidrogênio limpo, ela vê os mecanismos de precificação de carbono desempenhando um papel importante.

“Para acelerar perspectivas de viabilidade econômica — hoje os cenários apontam para 2030, 2040 — precisamos ter mecanismos de precificação da redução de emissões sendo um fator importante também”, completa.

 

Curtas


A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais lançou nesta quinta (12) o programa Minas do Hidrogênio. A proposta é aproveitar a grande oferta de energia fotovoltaica, biometano e etanol para produção de hidrogênio limpo…

 

…E destinar o H2V para descarbonizar a indústria local, em atividades de mineradoras, siderúrgicas e do agronegócio, além da malha viária, que é a maior do país. epbr

O governo do Rio Grande do Norte assinou um memorando de entendimento com a Enterprize Energy para desenvolver projetos de eólicas offshore e produção de hidrogênio verde (H2V) e amônia verde na costa do estado…

 

…O processo de produção do H2V será via eletrólise. A eletricidade utilizada será fornecida pelas eólicas, enquanto a água virá de um processo de dessalinização da água do mar. epbr

 

O estudo Biogás: energia limpa para a Amazônia (.pdf) do Instituto Escolhas indica um potencial de produção de 537 milhões de m3 de biogás por ano para gerar 1,1 TWh de eletricidade nos estados da Amazônia. Potencial está no aproveitamento dos resíduos urbanos e resíduos da piscicultura e da produção da farinha de mandioca.

O Comitê Técnico Combustível do Futuro aprovou os planos de ação dos subcomitês do Programa Combustível do Futuro. Entre eles, propor marco legal para captura e armazenamento de carbono associada à produção de biocombustíveis. MME

 

O Prêmio Connected Smart Cities divulgou os dez finalistas com negócios inovadores para qualidade de vida em cidades conectadas e sustentáveis. Projetos vão desde compostagem e comercialização de adubo orgânico a identificação de obras irregulares e desmatamento, passando por mobilidade elétrica na periferia.

Carvão sustentável, a nova cloroquina do setor elétrico é o título de uma nota de repúdio (.pdf) de organizações do terceiro setor ao Programa para Uso Sustentável do Carvão Mineral Nacional do MME…

 

…Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidos, o programa vai na contramão da ciência e dos esforços globais em favor da redução do uso dos combustíveis fósseis e contraria a transição energética global.

 

A primeira escola de eletricistas exclusiva para mulheres realizou sua aula inaugural, na segunda (9). De mais de 3.400 inscrições, 32 candidatas foram selecionadas e contarão com bolsa-auxílio durante o curso. O programa é uma iniciativa da EDP para promover igualdade de oportunidades entre gêneros.

 

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Fointe:EPBr em 12-08-2021 por Nayara Machado

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