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Espécie de abelha tropical pouco conhecida se alimenta de carne

O apetite diferenciado da "abelha abutre" lhe rendeu um intestino habitado por bactérias semelhantes às encontradas em animais que se alimentam de carniça, como hienas e urubus


Nada de pólen ou néctar de flores. Uma espécie pouco conhecida de abelha desenvolveu o gosto particular por carne — ou, melhor, carniça, restos de animais encontrados nas florestas tropicais. Este apetite incomum teria se desenvolvido provavelmente devido à intensa competição por néctar, e gerou, ao longo de dezenas de anos, uma configuração diferente de microorganismos e bactérias intestinais nos insetos.

“Estas são as únicas abelhas no mundo que evoluíram para usar fontes de alimentos não produzidas por plantas, o que é uma mudança notável nos hábitos alimentares”, disse o entomologista Doug Yanega, da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR), um dos autores da pesquisa publicada na revista mBio, da Sociedade Americana de Microbiologistas.

Dado o apetite diferenciado dessa espécie popularmente chamada de "abelha abutre" ou "abelha carniceira", a equipe de cientistas do UCR se perguntou se as bactérias intestinais desses insetos diferiam das de uma abelha vegetariana típica.

Em testes na Costa Rica, onde a espécie é encontrada, os cientistas penduraram pedaços de frango cru em árvores para atraí-las. Eles observaram as "abelhas abutres" se alimentando da proteína animal e reservando alimento extra para a colmeia.

eralmente, as abelhas sem ferrão têm uma espécie de cesto nas patas traseiras para coletar o pólen. No caso das carniceiras, a equipe observou que elas usavam essas estruturas para coletar a isca. “Elas tinham pequenas cestas de frango”, disse Quinn McFrederick, outro entomologista da UCR.

O resultado de uma dieta exclusiva de carne rendeu ao grupo de abelhas um microbioma com bactérias diferentes das encontradas em outros parentes da espécie que se alimentam de recursos das flores ou que possuem dieta mista, de flores e carnes.

“O microbioma da abelha abutre é enriquecido com bactérias que amam acidez. São bactérias semelhantes às encontradas em abutres reais, bem como hienas e outros comedores de carniça, provavelmente para ajudar a protegê-los de patógenos que aparecem na carniça”, explicou McFrederick.

Na lista de bactérias aparecem o Lactobacillus, presente na biota humana, e Carnobacterium, associado à digestão da carne. Estudos sobre a composição do microbioma das abelhas podem ajudar os pesquisadores a entender melhor o impacto das bactérias e microorganismos na saúde geral desses insetos. Embora de alimentarem de carne, as "abelhas abutres" produzem um mel doce e comestível, garantem os pesquisadores.

O resultado de uma dieta exclusiva de carne rendeu ao grupo de abelhas um microbioma com bactérias diferentes das encontradas em outros parentes da espécie que se alimentam de recursos das flores ou que possuem dieta mista, de flores e carnes.

“O microbioma da abelha abutre é enriquecido com bactérias que amam acidez. São bactérias semelhantes às encontradas em abutres reais, bem como hienas e outros comedores de carniça, provavelmente para ajudar a protegê-los de patógenos que aparecem na carniça”, explicou McFrederick.

Na lista de bactérias aparecem o Lactobacillus, presente na biota humana, e Carnobacterium, associado à digestão da carne. Estudos sobre a composição do microbioma das abelhas podem ajudar os pesquisadores a entender melhor o impacto das bactérias e microorganismos na saúde geral desses insetos. Embora de alimentarem de carne, as "abelhas abutres" produzem um mel doce e comestível, garantem os pesquisadores.

Fonte: Um Só Planeta em 25/11/2021

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