Estudo do governo aponta sérios riscos de danos graves ao ecossistema local, inclusive com o aumento da caça
BRASÍLIA - Um dos mais graves impactos detectados pelo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da transposição das águas do Rio São Francisco será sentido no
ecossistema local.
Só durante a fase de implantação do projeto, serão desmatados 430 hectares para dar lugar aos canais, reservatórios, canteiros de obra, estradas de serviço e locais de extração de terra e pedra.
Durante a fase de operação, a abundância de água deve atrair mais gente para a beira do rio, o que acabará de prejudicar as extensões de mata nativa.
Com isso, os animais perderão seus habitats naturais e várias espécies serão afetadas. Durante o desmatamento, pode haver perda de filhotes e de animais adultos, que podem morrer ou se separar de seu grupo.
A fragmentação de populações é apontada como uma das principais causas da perda de biodiversidade.
Além disso, ainda há o risco de aumento da caça. Com a abertura de acessos e estradas, os animais antes protegidos por áreas pouco acessíveis e bem conservadas ficarão expostos a caça para alimento e comércio de carne e peles. Com a caça, a população se reduzirá ainda mais. Entre as espécies mais caçadas, estão algumas apontadas como vulneráveis ou ameaçadas de extinção na região.
É o caso dos mamíferos tatu-bola, onça, onça-vermelha, macaco-prego, tatu-do-rabo-mole, tatuí, porco-do-mato e as aves jacu e inhambu.
Transposição do São Francisco trará riscos para patrimônio arqueológico
00:08 20/09
Vladimir Netto, repórter iG em Brasília
Região por onde passaria o novo rio São Francisco é rica em vestígios como ossadas e sítios rupestres
BRASÍLIA - A obra de transposição das águas do rio São Francisco, defendido pelo governo, poderá destruir parte do patrimônio arqueológico brasileiro.
É o que aponta o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) encomendado para a obra. Na região em que o projeto será implantado há inúmeros sítios com vestígios arqueológicos identificados. Segundo o relatório, a perda deste patrimônio certamente ocorrerá.
Sítios rupestres, particularmente os de gravuras, estão na maior parte das vezes localizados em áreas baixas, nas margens e até nos leitos dos rios.
Segundo o Rima, o risco se concentra durante as obras de escavação e depois, nas áreas destinadas a reservatórios e no curso dos rios onde o volume de água será alterado.
Nos municípios de José da Penha, Pau dos Ferros, Luís Gomes, Monteiro, Salgueiro, Verdejante, Floresta e Petrolândia, onde uma grande área será afetada pela construção, há uma grande incidência de relatos dando conta de vestígios arqueológicos.
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