Cactusamal

(Jornal do Grupo Cactus de Difusão Agroecológica)

N0 2, ano 1, novembro de 1998

 

Editorial

Comadres e Compadres:

Outra vez estamos aqui minha comadre e meu compadre para registrar o saber do homem do campo e dos cientistas em favor de uma agricultura agroecologica. Nesta edição você verá o que é possível fazer do Cajueiro (Anacardium occidentale), os eventos que irão acontecer por esses dias, seção de dicas, o que aconteceu no Cactus, um texto sobre Agrosilvicultura e outro sobre a explosão da agricultura familiar em Pernambuco e dentre outros. Aproveite.

 

Cercas Vivas

Cerca viva é o plantio de árvores nas margens da propriedade ou entre plantios e tem como uma de suas principais características a proteção, delimitação e fornecimento de madeira para o proprietário. A cerca viva se constitui de uma forma inteligente e racional de uso da terra, pois com isso o agricultor/silvicultor pode ganhar algum dinheiro com a madeira. Na região nordeste uma das espécies que melhor tem potencial para isso é o Sabiá (Mimosa caesalpiniifolia). Da árvore de Sabiá podemos tirar da parte mais grossa, madeira para mourões e estaca. A parte mais fina serve para fazer varas para construir cercas sem arame, de cama ou de faxina. É uma madeira que o cupim não ataca, portanto dura mais tempo.

 

CACTUNDICA

(Seção de dicas do Jornal Cactusamal)

Fritada de caju

Corte o caju em rodelas finas, coloque sal e passe-as no ovo batido, frite e tempere com alho, tomate, cebola e pimenta a gosto.

Mel de caju

Apanhe cajus maduros, lave e retire as castanhas. Esprema os cajus normalmente e apare o suco em uma vasilha, reservando o bagaço enxuto para o lado, com o qual é feito o doce. Leve ao fogo em caldeirão de ferro, alumínio ou zinco, mexendo o tempo todo. Cada vez que for fervendo, vai formando uma espuma que deve ser jogada fora. O Cozimento é demorado pois as mexidas, as retiradas de espuma e a renovação do fogo acontecem até ser totalmente apurado. Neste processo é retirada toda água e concentrados os nutrientes do caju.

Fique atento para o momento do ponto. O mel precisa ficar numa consistência que não venha a endurecer ou ficar ralo.

Folhas de Batata-doce

As folhas de Batata contém mais proteina, ferro e vitamina do que a própria batata (em mesma quantidade).

Quando se usa flores em chás medicinais, estas devem serem colhidas antes que estejam totalmente abertas.

Macerar 4 dentes de alho em um litro de água e deixar amolecer por doze dias. Diluir em 10 litros de água e pulverizar sobre as partes atacadas por pulgões.

Para controlar o carrapato:

3 cabeças de alho;

1 punhado de sal;

1 punhado de raspa de Canafistula;

1 punhado de raspa de marmeleiro.

Modo de preparar;

Pisar o alho e misturar com o sal dá ao animal pela boca.

Colocar raspa de canafistula de molho durante meia hora, coar e dar para o animal beber em 1 litro .

Colocar a raspa do marmeleiro de molho durante 30 minutos agitar, coar e dá para o animal beber em 1 litro.

 

As folhas e flores da Batata-doce se usa no tratamento do reumatismo e inflamação de garganta.

Que para acelerar o enraizamento do bambu, pode-se fazer um corte na estaca e colocar caldo-de-cana no bulbo, e fechar, após e só plantar. Isso leva a uma pega mais rápida.

CACTUNET

 ( Seção de Informática e Internet do Jornal Cactusamal)

Divulgamos que já está no ar a página da lista de agricultura sustentável, no seguinte endereço: gir.npde.ufrpe.br/~agrisust.

Dica de site, www.pnfc.org/ , lá você encontra informações e livros sobre agricultura familiar.

www.jornal-do-meio-ambiente.com.br lá você encontrará mais de 500 páginas sobre assuntos ligados ao meio ambiente, as quais são atualizadas mensalmente.

Aconteceu no Cactus

Discutirmos Composto orgânico, silo, Agricultura orgânica na Europa e Brasil, Percolação Florestal, O Estatuto, estivemos pressente no Seminário nacional Agenda 21. Com o trabalho de percolação florestal, apresentado por Adriana podemos perceber que a agricultura agroecológica pode caminhar de mãos atadas a física e a matemática, e não apenas as coisas comuns dessas como reação, equação de volume, regras de três, mais sim a ciência pura, a pura física. É até difícil de acreditar, porém Adriana forneceu subsídios e mostra que o seu trabalho tem um pouco disso. O trabalho de dispersão florestal, tem estudado o raio de dispersão de sementes florestais e sua germinação, a partir desse dados, a mesma através de análise de regressão e modelagem matemática tem buscado criar uma formula que tenha um bom ajuste para a dispersão. E com essa, ela esta criando um programa computacional para que através da alimentação de algumas informações tenhamos a provável percolação com margem de erro, probabilidade e etc. Como essa paranóia científica pode ser aplicada na agricultura agroecológica? da seguinte forma, pensemos que vamos trabalhar com Agrosilvicultura e a nossa intenção é recuperar a vegetação, ou seja é chegar a uma floresta para a produção de produtos florestais, e que em nossa propriedade tem uma mata, então a física começa a atuar agora, como assim? através da identificação das espécies de uma certa área da mata, teremos probabilidade de saber qual o crescimento marginal das florestas ou seja, das bordas, com isso indicaremos qual a melhor distância entre o plantio Agrosilvicultural e a floresta, para que tenha uma recuperação mais rápida possível, e que uma não concorra com a outra, pois se caso venhamos a fazer o plantio muito próximo em virtude da dispersão de sementes da floresta as culturas agrícolas serão prejudicadas. No caso de pragas a percolação se aplicaria ao caso em que em certo raio, área, existe a atuação de uma praga sobre certas condições, então através da inclusão de uma série de fatores poderei informar qual as chances de minha área ser atacada e qual o melhor lugar em minha propriedade para que isso não ocorra. Isso é percolação, movimento é física pura.

 

Lista de Agricultura Sustentável

Após quatro meses de intenso esforço a lista tem a cada dia se aproximado mais e mais de seu objetivo primordial, que é ser um espaço de discussão permanente sobre agricultura sustentável. Atualmente temos 180 inscritos e até então circularam cerca de 750 mensagens, temos discutido recentemente agricultura transgênica, banana em terrenos arenosos, trofobiose, soro de queijo em silagem, fabulas dos porquinhos e sustentabilidade. Para participar contactar: crisol@netpe.com.br, corpo de mensagem: inscrição agrisustentavel.

 

Ficha da Planta

Nome vulgar: Mandacaru

Nome cientifico: Cereus jamacaru

Família: Cactacea

Informações cientifica:

O mandacaru pode atingir 10 metros de altura, em seu caule existe a presença de muitos espinhos, espinhos esses que chegam atingir 20 cm de comprimento. A madeira do mandacaru serve para confeccionar portas e janelas, e os ramos queimados servem para a alimentação de bovinos, caprinos e suínos. O mesmo é considerado pelos técnicos do CPATSA/EMBRAPA uma boa forrageira. O que tem mais vantajoso no mesmo e a sua resistência a seca.

 

Eventos

Dias 30 e 01 de dezembro na SUDENE, haverá o Seminário nacional: Desenvolvimento e Gestão dos Recursos Hídricos. 081 4612883.

Dias 27 e 28 de novembro Curso Produção de Mudas Ornamentais, promoção Departamento de Ciência Florestal (081 – 4414577 R341).

Seminário sobre AGRICULTURA FAMILIAR: DESAFIOS PARA A SUSTENTABILIDADE. Centro de Convenções de Sergipe, em Aracaju - SE, no período de 09 à 11/12/98.

 

Livros

Livro de Ademar Ribeiro Romeiro, intitulado "Meio ambiente e dinâmica de inovações na agricultura (São Paulo: Annablume : FAPESP, 1998). Contactar: (011) 212 6764

http://www.annablume.com.br

SUBSÍDIOS PARA A PRÁTICA DA AGRICULTURA ECOLÓGICA, autor: Ernani Fornari. Contato: coonatura@geocities.com ou 021- 580.8504

 

Econotícias

Desmatamento

Relatório denuncia extinção de árvores

O WWF (Fundo Mundial para a Natureza) divulgará em Genebra, Suíça, o inventário Lista mundial de árvores ameaçadas, de todas as árvores ameaçadas de extinção no mundo. A pesquisa foi feita em conjunto com o Centro Mundial

de Monitoramento da Conservação (WCMC) e União para a Conservação Mundial (IUCN), em 197 países detectou que 8753 espécies correm risco. O Brasil está em 3º lugar, com 462 espécies, atrás de Malásia e Indonésia. O WWF insiste na proteção de árvores em áreas específicas, manejo sustentável e recuperação dos habitats florestais com controle das espécies. (Jornal do Brasil, Ciência, 25/08/98, pág. 14, [2x15,5]); (O Globo, o país, 25/08/98, pág. 10, [4x11], Jornal Ecopress)

 

Agrossilvicultura

Por: Cristiano Cardoso Gomes

A palavra agrossilvicultura é relativamente nova, não obstante a prática de agrosilvicultura não é, agrossilvicultura é o ato de consorciar de forma intencional árvores com culturas agrícolas. A agrossilvicultura é uma prática antiga, todavia o crescimento econômico e o mercantilismo, fez da silvicultura e agricultura um balcão de negócios, e dessa forma não mais há uma relação harmoniosa entre homem e natureza, a terra outrora era tratada como uma divindade religiosa, considerada uma deusa, hoje não mais é. Porém a agrosilvicultura sucessional busca essa tendência harmoniosa entre homem e ambiente. A mesma ressurgiu das cinzas em virtude de um estudo intitulado de "Trees Food and People and Managemat in the Tropics (Bene et al, 1977). Foi a partir desse estudo que foi criado o Conselho Internacional Para Pesquisas Sobre Agrossilvicultura (International Council For Research on Agroforestry - ICRAF). Com isso houve investimentos e incentivos para pesquisas e difusão da agrosilvicultura em algumas localidades do mundo. Para alguns especialista agrossilvicultura é a prática de se consorciar árvores e culturas agrícolas, em mesmo tempo, a fim de que uma ajude a outra no desenvolvimento e se tenha um ciclo de colheita mais duradouro que no monocultivo. E para Kins & Chandler (1978). agrossilvicultura é um sistema viável de uso da terra, o qual além de aumentar o rendimento da área, combina a produção de culturas (incluindo culturas arbóreas e espécies florestais).

 

ESPASEU

Formação do Campesinato na mata Sul de Pernambuco (1530-1822)

Cristiano Wellington & Simone Souza

A existência de Sesmaria (1530) , que durou até 1822, pôs fortes restrições à propriedade fundiária em todo o país. A zona da mata de Pernambuco primordialmente sua parte sul, concentrou o maior número de engenhos de açúcar do estado, os quais nasciam ligados à demanda do mercado internacional. Subordinado a esta economia dominante e ocupando terras permitidas pelos senhores de engenho, o campon6es dedicava-se ao cultivo de subsist6encia, tanto para a sua família, como para o abastecimento da casa grande. O presente artigo traça um perfil do aparecimento dos primeiros camponeses da Zona da Mata Sul de Pernambuco e a importância de seu papel na economia açucareira, convivendo sob o Sistema de Sesmarias. O estudo de obras de autores como Alberto Passos Guimarães, Caio Prado Jr., Celso Furtado, Gilberto Freyre, José Graziano da Silva, Manuel C. de Andrade e outros permitiu-nos clarificar o processo de formação do campesinato e da economia canavieira na mata Sul. Como primeiros camponeses, da região, vamos encontrar brancos pobres e mestiços (filhos bastardos dos senhores de engenho e/ou de seus familiares com mulheres negras escravas e índias); excluindo do direito à posse da terra e vivendo na qualidade de moradores das grandes empresas agro-mercantis (os engenhos), onde em troca da possibilidade de cultivar uma pequena parcela de terra prestavam serviços gratuitos ou pagavam com sua produção de alimentos. Este campesinato era bastante relevante na economia da monocultura da cana, já que em suas graves crises a produção de subsistência mantinha as pessoas que habitavam os complexos rurais canavieiros.

 

EXPEDIENTE

Jornal do Grupo Cactus de Difusão Agroecológica (GRUCADA).

Periodicidade: mensal

Editores: Cristiano Cardoso Gomes e Lya Tatiana de A. Ramos.

Colaboradores: Roberta, Lya, Cristiano, Vitor, Cristiano Ramalho, Simone Souza, Maurício e Carmem.

Correspondência:

UFRPE - Grupo Cactus de Difusão Agroecológica

Av. Dom Manoel de Meideiros s/n. Cep: 52171-900 - Dois Irmãos - Recife - PE.

E-mail: crisol@netpe.com.br ou agrisust@gir.npde.ufrpe.br

Lembre-se o ESPASEU é um espaço aberto para textos seus.

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