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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 404 - 02 de agosto de 2008

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A crise dos alimentos está tão presente no noticiário como nas estratégias das multinacionais de biotecnologia. Mesmo contra todas as evidências mostrando que os transgênicos não são necessários para garantir a alimentação humana, as empresas vêm usando a alta do preço dos alimentos para renovar suas promessas e campanhas de propaganda.

Recentemente o Dr. Doug Gurian-Sherman, pesquisador sênior da Union of Concerned Scientists, publicou artigo em um jornal americano criticando a “cultura dos exageros” ligada à promoção dos transgênicos. Para ele, após 20 anos de pesquisa e 13 de uso comercial da transgenia já é possível avaliar suas perspectivas futuras.

O pesquisador da organização científica baseada em Washington relembra que até o momento os transgênicos proporcionaram progressos mínimos para as grandes questões ligadas à produção de alimentos, como produtividade, tolerância a adversidades ambientais e aumentos da sustentabilidade agrícola. Além disso, ainda é preciso resolver o problema dos frouxos processos regulatórios de avaliação da segurança alimentar e ambiental dos transgênicos.

A agricultura é responsável por cerca de 70% da água consumida pelo ser humano. Somado a isso, a agricultura industrial é grande responsável pela degradação do solo e pela geração de poluição com agrotóxicos, fertilizantes e gases causadores do efeito estufa. A conclusão evidente é que esse quadro precisa ser revertido para que a produção de alimentos seja feita sem degradar o meio ambiente.

Para Gurian-Sherman é preciso ser claro em relação aos transgênicos. Até hoje nenhum transgênico comercializado aumentou a produtividade das plantações. Da mesma forma, não há nenhum transgênico no mercado que tenha sido geneticamente modificado para resistir a secas ou reduzir a poluição por fertilizantes. Nenhum.

Por outro lado, os conhecimentos gerados recentemente no campo da genética a partir de novos enfoques estão aumentando a versatilidade das técnicas de melhoramento genético sem a necessidade de se recorrer à transgenia.

Em muitos casos, afirma Gurian-Sherman, a ciência da agroecologia produz resultados equivalentes ou mesmo superiores, mas usando tecnologias mais baratas. O uso de inseticidas pode ser reduzido pela diversificação e rotação de culturas. A erosão dos solos pode ser controlada pela adoção de adubos verdes e de cobertura morta. Estas e outras práticas melhoram o solo, que por sua vez retém mais água e favorece os cultivos em períodos sem chuvas. Os sistemas de irrigação por gotejamento, por exemplo, são bastante eficientes e reduzem o consumo de água.

Muitos desses temas foram discutidos em publicação recente conveniada pela ONU e pelo Banco Mundial sobre o estado da pesquisa agrícola no mundo. Como conclusão, o relatório aponta que o papel dos transgênicos no aumento da segurança alimentar deve ser secundário em relação a outros enfoques.

O pesquisador conclui dizendo que até o momento as promessas infladas da indústria da biotecnologia não encontram respaldo científico e que a retórica por ela empregada obscurece nossas opções.

Para Gurian-Sherman, isto pode afastar investimentos no melhoramento genético convencional e na agroecologia, embora os resultados históricos mostrem que estes sim deveriam liderar a agricultura para alimentar o mundo.  

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O artigo citado foi publicado no jornal The San Diego Union Tribune (18/06/08).

http://www.signonsandiego.com/uniontrib/20080618/news_lz1e18gurian.html

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Neste número:

1. Paraná critica veto à nomeação para CTNBio
2. Crise dos alimentos: Monsanto aumenta preço de sementes de milho
3. Ministro do Meio Ambiente do Peru promete consulta pública


Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são a solução para a agricultura


Canteiro econômico otimiza uso de água na Paraíba

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1. Paraná critica veto à nomeação para CTNBio
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, vetou a recondução do professor Rubens Nodari, indicado pelo Ministério do Meio Ambiente para voltar a ocupar a vaga de representante do ministério na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

Para o engenheiro agrônomo Valdir Izidoro Silveira, presidente da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), "o professor Nodari é considerado um inimigo das multinacionais das sementes porque ele defende o meio ambiente brasileiro, a saúde das pessoas e a soberania da produção agrícola brasileira".

Valdir Izidoro afirma que "quem manda efetivamente hoje na CTNBio são as multinacionais das sementes. O veto ao professor Nodari é a prova cabal da dependência deste órgão aos interesses dos defensores dos transgênicos".

Gabriela Vuolo, do Greenpeace, argumenta que "o professor Nodari há muito tempo vem refreando o avanço irresponsável da transgenia. Na verdade, ele tem pedido aquilo que qualquer um que preze pela imparcialidade e pelo rigor científico solicitaria: estudos de impacto ambiental, garantias científicas de que não há riscos para a saúde e informações precisas sobre as modificações genéticas - estudos que qualquer empresa que investiu milhões em uma variedade transgênica deveria ter. Mas não tem. Tanto que esses estudos nunca apareceram".

Fonte:
Agência Estadual de Notícias - PR, 23/07/2008.


2. Crise dos alimentos: Monsanto aumenta preço de sementes de milho
A Organização para Mercados Competitivos (OCM, em inglês) declarou que o poder de mercado da Monsanto está elevando os preços das sementes e arruinando agricultures e suas comunidades. Esta semana a organização enviou uma carta para os procuradores gerais de 23 estados americanos explicando as implicações econômicas dos preços de sementes da Monsanto sobre as comunidades rurais. A OCM ainda incentiva os procuradores de vários estados a aprofundar suas investigações anti-truste sobre as práticas anti-competitivas praticadas pela Monsanto na indústria sementeira dos EUA.

Segundo Keith Mudd, presidente da OCM, “a falta de competição e inovação no mercado de sementes reduziu as opções dos agricultures e permitiu à Monsanto aumentar seus preços de forma irrefreável”.

Executivos da Monsanto recentemente declararam à agência de notícias DTN que e a empresa pretende aumentar o preço de algumas variedades de sementes de milho para U$ 300 - cerca de U$ 95-100 de aumento por saca, ou 35% em média. Segundo Mudd, não há impedimento competitivo para este aumento de preço.

“Um aumento de preços como este é um tremendo baque para a América rural”, disse Fred Stokes, diretor executivo da OCM. “Digamos que um agricultor de Iowa que cultive 400 hectares plante uma destas variedades caras no próximo ano. O seu custo bruto terá um aumento de mais de U$ 40 mil. E não há base científica alguma para justificar este aumento de preço. Como podemos permitir que as empresas sigam adiante com isso?”

“A falta de opções na indústria de sementes, assim como o aumento de preços, só irá aumentar daqui em diante. Quando o boom do etanol diminuir a Monsanto não reduzirá os seus preços e os agricultures irão à falência, e a causa disso será a falta de uma medida anti-truste no mercado de sementes”, acrescentou Stokes.

Fonte:
Organization for Competitive Markets, 22/07/2008.

http://www.opednews.com/articles/During-a-world-food-crisis-by-Linn-Cohen-Cole-080723-548.html

3. Ministro do Meio Ambiente do Peru promete consulta pública

Durante o Encontro Cidadão “Defendamos nossos recursos genéticos e nossa agrobiodiversidade ante a entrada e a liberação de cultivos transgênicos”, realizado no Peru em 24 julho, diante de uma delegação de 20 representantes de organizações da sociedade civil, o ministro do meio ambiente do Peru, Antonio Brack, declarou que, “por decisão do Presidente da República e do Conselho de Ministros, antes que seja aprovada, a nova norma de biossegurança do setor agrícola será submetida a um debate nacional, do qual participem todos os atores envolvidos e se recolham os aportes técnicos, ambientais, econômicos e sociais sobre as implicações da norma em relação ao desenvolvimento do país.”

O ministro disse ainda “que é competência do Ministério do Meio Ambiente velar pela proteção, uso e aproveitamento sustentável da biodiversidade, em especial da agrobiodiversdade, e os recursos genéticos representam patrimônio e potencial econômico para o desenvolvimento do país. Portanto, serão tomadas todas as medidas necessárias para reduzir e evitar os riscos que a liberação de cultivos transgênicos pode gerar.”

Fonte:
Nota à imprensa da Red de Acción en Agricultura Alternativa, 25/07/2008.


Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são a solução para a agricultura


Canteiro econômico otimiza uso de água na Paraíba

No sítio Umbuzeiro, na região de Caiçara, município de Soledade (PB), mora a família de seu Zé Brejeiro e Dona Geralda. Eles e seus seis filhos trabalham na propriedade com métodos de aproveitamento da água, através de um sistema integrado de barragem subterrânea, tanques de pedra e cisterna.

A família consegue, mesmo em épocas de bastante estiagem, manter uma produção diversificada, cultivando milho, feijão e tomate. Também utilizam a técnica do canteiro econômico, através da qual cultivam diversas hortaliças. O projeto nasceu da parceria entre o PATAC, a UTOPIA e agricultores, em razão da necessidade do racionamento da água e seu uso continuado.

Unindo estratégias e experiências vividas, bem como aprendidas em visitas de intercâmbio e viagens a outros estados, os agricultores puderam elaborar de maneira simples, de fácil manutenção e a baixo custo o canteiro econômico, que eles ensinam a fazer com as seguintes instruções:

Bater o nível da terra e forrar o local escolhido com uma lona. Colocar tijolos de forno em volta da lona, enfileirando-os. Furar um cano de PVC de dentro pra fora, a cada 20 centímetros. Colocar o cano em cima da lona com um "joelho" de PVC em cada ponta. Cobrir o cano com mato seco ou telha para não entupir os buracos. Por último, cobrir com terra adubada. Esperar 5 a 6 dias para plantar. Para obter um resultado mais rápido, molhar bem e esperar 3 dias para plantar.

As diferenças entre o canteiro normal e o econômico são logo percebidas pelo agricultor. No econômico as condições naturais do solo são melhor utilizadas, bem como o aproveitamento da água. No inverno, segundo Seu Zé Brejeiro, são necessárias apenas duas latas de água para cada canteiro em dias alternados. Já no convencional esse número sobe para 12 a 14 latas diárias. O período até a colheita dura em média 29 dias.

O canteiro econômico proporciona diversos benefícios para a família: pode-se diversificar a produção agrícola, melhorar a alimentação e a renda familiar, além de incentivar a integração entre os agricultores e o mercado local, produzindo alimentos saudáveis e ecologicamente responsáveis.

Fonte:
Agroecologia em Rede

http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=145


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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

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