[Rede de Agricultura Sustentável]
 

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 385 - 19 de março de 2008

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O Conselho de Estado da França reafirmou nesta quarta-feira (19) a moratória aos transgênicos no País. O mais alto corpo administrativo do país rejeitou queixa da Monsanto contra a decisão de banir do território francês sua variedade de milho transgênico MON 810. Até o ano passado, cerca de 22 mil hectares eram cultivados com a semente modificada no país. Como esta era a única variedade transgênica autorizada, com essa decisão a França se torna livre de transgênicos.

Esta mesma variedade foi liberada aqui no Brasil pela CTNBio e posteriormente contestada pela Anvisa e pelo Ibama dada a ausência de dados que possam confirmar sua segurança. A divergência foi resolvida politicamente pelo Conselho Nacional de Biossegurança, que optou pela liberação.

Um dos pontos questionados pelo Ministério do Meio Ambiente foi que a empresa não forneceu informações cruciais do ponto de vista da biossegurança, como a seqüência de DNA inserida e o nível da toxina produzida por diferentes partes da planta de milho. É muito comum que os testes apresentados pelas empresas sejam feitos com a proteína nativa, como encontrada na bactéria, e não com a proteína transgênica produzida pela planta. A CTNBio se baseou nesse tipo de dado, que do ponto de vista da biossegurança não esclarece muita coisa, já que as duas proteínas são diferentes. Isso na verdade equivale dizer que o milho transgênico que será cultivado não foi avaliado.

Para agravar a situação, há pesquisas que indicam que as plantas transgênicas, entre elas o milho MON 810, são geneticamente instáveis. Esses fatos já haviam sido apontados por pesquisadores espanhóis em 2003 [1] e foram confirmados recentemente na Índia [2]. Os pesquisadores indianos mostraram inclusive a presença do gene marcador de resistência ao antibiótico neomicina no milho, fato que é negado pela Monsanto e pela CTNBio.

Em outras palavras: a empresa apresenta uma coisa, a CTNBio aprova outra e o agricultor planta e colhe outra ainda. Assim, não se sabe o que chega à mesa do consumidor.

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Com informações da Agência Reuters, 19/02/2008.

[1] Hernández M, Pla M, Esteve T, Prat S Puigdomènech P and Ferrando A.  A specific real-time quantitative PCR detection system for event MON810 in maize YieldGard based on the 3’-transgene integration sequence. Transgenic Research 2003, 170-89.
[2] Singh CK, Ojka A, Kamle S and Kachru DN. Assessment of cry1Ab transgene cassette in commercial Bt corn MON810: gene, event, construct & GMO specific concurrent characterization.  Nature Protocols  2007, DOI: 10.1038/nprot.2007.440, http://www.natureprotocols.com/2007/10/23/assessment_of_cry1ab_transgene.php

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Neste número:

1. Italianos escolhem Paraná para fornecer soja orgânica e convencional
2. ONGs investigam mortes na fazenda da Syngenta
3. Glifosato modifica a flora de lagoas

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Extrato de melão de São Caetano no controle do pulgão da erva-doce

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1. Italianos escolhem Paraná para fornecer soja orgânica e convencional
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento vai firmar parcerias na área do agronegócio entre o Paraná e a região Emilia-Romagna, na Itália, e um dos projetos será o de fornecer soja orgânica e convencional para aquela província. O tema foi tratado durante visita de técnicos em 14/03, representando agricultores, universidades, secretarias de Agricultura e a Organização Não-Governamental ICEA ao secretário de Agricultura do Paraná, Valter Bianchini.

O fornecimento de soja será efetivado a partir da execução de vários projetos, que serão administrados por um escritório da região italiana que funcionará em Curitiba a partir de junho. O processo de cooperação entre o Paraná e a província de Emilia Romagna terá ainda a parceria com o Sebrae-PR, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Fonte: Agência Estadual de Notícias - Paraná, 14/03/2008.
http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=35930

2. ONGs investigam mortes na fazenda da Syngenta
Os sem-terra reiteraram ontem [13/03] que foram vítimas de uma operação montada com a intenção de executar os líderes do movimento no confronto ocorrido em 21 de outubro do ano passado, quando um sem-terra e um segurança morreram a tiros na área da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste.

Os sem-terra receberam ontem [13/03] uma missão da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, uma rede de 32 movimentos e organizações sociais do país. Os relatores vieram investigar denúncias de violação de direitos humanos levadas pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar [do Paraná].

Além de visitar a área da multinacional hoje ocupada por 60 famílias da Via Campesina, os relatores tomaram depoimento de 10 agricultores que estiveram envolvidos no conflito. A missão também se reuniu com o Ministério Público e com a Polícia Federal para juntar material que será usado para compor um relatório, que será divulgado em 30 dias.

O documento será levado a autoridades brasileiras e à ONU. O grupo não entrou em contato com os seguranças envolvidos no confronto. “Tentamos uma audiência com a Syngenta, que nos disse que não iria receber a comissão porque não iria comentar um caso subjudice”, disse um dos relatores, Clóvis Roberto Zimmermann.

Fonte:
Gazeta do Povo - Curitiba, 14/03/2008.

3. Glifosato modifica a flora de lagoas
Um trabalho recente dirigido pelo Dr. Horacio Zagarese, pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina) e do Instituto Tecnológico de Chascomús (Intech), junto com o Dr. Carlos Bonetto, do Instituto de Limnologia de La Plata, e pesquisadores do Laboratório de Limnologia da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires concluiu que o glifosato pode alterar os ambientes aquáticos naturais, produzindo modificações na flora de lagos e lagoas.

As pesquisas mostraram que a inoculação de diferentes concentrações de Roundup (formulação da Monsanto à base de glifosato) em lagos artificiais aumentou a concentração total de fósforo na água. Mas o objetivo principal era investigar o efeito do glifosato nos microrganismos presentes na água, e o estudo mostrou que a adição do formulado gerou mudanças significativas na estrutura e função das comunidades de algas.

Um fato interessante observado foi que enquanto a maioria das espécies de algas foi negativamente afetada pelo glifosato, um grupo de cianobactérias pequenas que formam o “picoplâncton” [onde se incluem as bactérias e também algas e vários tipos de vírus] não só se mostrou resistente ao herbicida, como teve seu crescimento fortemente estimulado pela sua presença.

Nos experimentos de maior duração os pesquisadores observaram que mesmo passado o prazo requerido para que o glifosato se degradasse, os efeitos sobre as algas continuavam, não havia recuperação das comunidades de algas e a quantidade de fósforo na água continuava alta.

Os pesquisadores sublinham que o glifosato provoca mudanças que levam a conseqüências ecológicas importantes, pois está afetando a biodiversidade em geral e, portanto, o funcionamento do ecossistema.

Fonte:
Centro de Divulgación Científica de la Facultad de Ciencias Exactas y Naturales de la UBA, publicado em LaNacion.com (edição impressa de 17/03/2008).
http://www.lanacion.com.ar/edicionimpresa/cienciasalud/nota.asp?nota_id=996225

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Extrato de melão de São Caetano no controle do pulgão da erva-doce

O melão de São Caetano, também chamado de melão Caetano ou erva-de-lavadeira, é uma planta muito comum na Paraíba e conhecida por suas propriedades medicinais.

Agricultores experimentadores em parceria com professores e alunos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a AS-PTA realizaram um estudo sobre o uso do melão de São Caetano no controle alternativo de pragas. Atualmente, a planta vem sendo conhecida pelos agricultores como repelente natural de algumas pragas, como o pulgão da erva-doce e do feijão-macassa.

Para a extração do sumo da planta podem ser adotadas duas técnicas. Na primeira é utilizado um extrator, equipamento para a extração da seiva, no qual são misturadas as ramas da erva com álcool. A outra técnica utilizada é mais simples e não necessita de extrator: consiste em pegar um quilo de ramas verdes, pisotear e em seguida misturar com água e meio litro de álcool. Após dois dias, deve-se espremer as ramas para retirar o concentrado que ficou retido. Essa solução pode ser pulverizada nas plantas. Os agricultores que utilizaram o extrato no combate ao pulgão, aprovaram o resultado.

Fonte:
Agroecologia em Rede
http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=27

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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