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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 376 - 18 de janeiro de 2008

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A ausência de relatos de impactos à saúde é um dos argumentos mais repetidos pelos proponentes dos transgênicos como forma de alegar a segurança desses produtos. Repetem-no à exaustão como se ausência de provas significasse ausência de impactos.

Contudo, uma revisão da literatura científica desde 1980 sobre riscos à saúde relacionados às plantas transgênicas, publicada no final de 2007, mostra que esses estudos são surpreendentemente raros.

O Dr. José Domingo, autor da pesquisa e pesquisador do Laboratório de Toxicologia e Saúde Ambiental da Universidade Rovira I Virgili, Espanha, relata que os dados experimentais sobre potenciais efeitos tóxicos dos transgênicos são muito escassos. Além disso, Domingo destaca que a maioria das pesquisas corresponde a estudos de curto prazo, principalmente estudos nutricionais, com limitadas informações toxicológicas.

A apresentação do estudo está organizada por espécie e inclui: batata, milho, soja, arroz, abóbora, tomate, ervilha, pimentão e canola. Também está presente no texto uma crítica ao enfoque do princípio da equivalência substancial, que é usado em muitos casos como único método para se testar a segurança das plantas transgênicas. “Mas por que deve-se assumir que duas plantas (GM e não-GM) com a mesma capacidade nutricional deveriam implicar em riscos semilares à saúde (ou sua ausência)?”, questiona o pesquisador.

Em 2000, Domingo e um colega haviam publicado pesquisa semelhante e chegado às mesmas conclusões de 2007, mostrando que apesar de um número considerável de comentários, notícias e opiniões ter sido publicado no período em periódicos científicos respeitáveis, o mesmo não aconteceu com pesquisas sobre avaliação toxicológica dos transgênicos.

A conclusão do estudo não poderia ser diferente, e Domingo pergunta: “onde estão as evidências científicas mostrando que as plantas e os alimentos transgênicos são toxicologicamente seguros, como assumido pelas empresas de biotecnologia envolvidas na comercialização desses produtos?”.

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Fonte: Domingo, José L. (2007) 'Toxicity Studies of Genetically Modified Plants: A Review of Published Literature', Critical Reviews in Food Science and Nutrition, 47:8, 721-733.

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O Ministério da Saúde não renovou o mandato do professor Walter Colli para a CTNBio, nomeando em seu lugar a médida Graziela Almeida, indicada pelo Conselho Nacional de Saúde.

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Esta semana Organizações da Sociedade Civil enviaram Carta Aberta ao Ministério da Ciência e Tecnologia, à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, Academia Brasileira de Ciência e para a Comissão Ad hoc instituída pelo Ministério da Ciência e Tecnologia alertando-os para que os critérios a serem adotados na seleção dos novos membros da CTNBio evitem casos de conflitos de interesses na Comissão.

Leia a carta em: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/campanhas/mct-inicia-nomeacoes-para-ctnbio

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Neste número:

1. Bunge rotula óleos Soya como transgênicos
2. França confirma bloqueio ao milho transgênico
3. Camponeses impedem fumigação de herbicida em soja no Paraguai
4. Campanha contra o glifosato na Argentina

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Um passeio pela Festa da Semente da Paixão, por Emanoel Dias da Silva e Paula Almeida

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1. Bunge rotula óleos Soya como transgênicos
Começaram a chegar às prateleiras dos supermercados brasileiros os primeiros produtos rotulados como transgênicos desde que a lei de rotulagem entrou em vigor em 2004. O óleo Soya, um dos mais vendidos do mercado brasileiro, é o primeiro a ostentar o símbolo de produto geneticamente modificado (uma letra T no meio de um triângulo amarelo) no país. A embalagem também traz o aviso: “Produto produzido a partir de soja transgênica”.

A rotulagem do óleo Soya em todo o território nacional só aconteceu graças à denúncia que o Greenpeace fez em outubro de 2005, comprovando que a soja usada pelas empresas Bunge (fabricante do óleo Soya) e Cargill (fabricante do óleo Liza) era geneticamente modificada. Em setembro do ano passado, o Ministério Público de São Paulo se baseou na denúncia do Greenpeace para entrar na Justiça com uma ação civil pública exigindo a rotulagem de ambos os produtos.

“É uma tremenda vitória, mas ainda há muito o que fazer. As margarinas e maioneses da marca Soya, por exemplo, não estão rotuladas ainda”, afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, lembrando ainda que a Cargill também foi citada na ação judicial mas não rotulou nenhum de seus óleos e demais produtos.

Os outros produtos da linha Soya e as outras marcas da empresa (como Primor, Salada e Delícia) ainda não estão sendo rotuladas.

Fonte: Nota à imprensa do Greenpeace Brasil, 14/01/2008.

2. França confirma bloqueio ao milho transgênico
A França está de fato lançando mão da cláusula de salvaguarda da União Européia para proibir o cultivo da única variedade transgênica autorizada no país, o milho inseticida MON 810, da Monsanto. A notícia foi divulgada oficialmente na última sexta-feira pelo primeiro ministro francês François Fillon.

A iniciativa foi tomada com base numa recomendação do comitê de especialistas indicados pelo governo, que concluiu na semana passada pela necessidade de análises adicionais sobre os efeitos de longo prazo do milho MON 810 sobre a saúde e o meio ambiente.

O cultivo do milho transgênico seguirá suspenso até que as autoridades européias reavaliem a autorização para sua comercialização.

Com a notícia, o agricultor e militante francês José Bové e mais 15 apoiadores encerraram a greve de fome iniciada no dia 03 de janeiro, com o objetivo de pressionar o governo a cumprir sua promessa feita em novembro último de suspender o cultivo do milho transgênico no país.

Com informações de:
- Reuters, 12/01/2008.
http://in.reuters.com/article/businessNews/idINIndia-31365420080111

- Agence France Presse, 11/01/2008.
http://money.cnn.com/news/newsfeeds/articles/djhighlights/200801111633DOWJONESDJONLINE0007

77.htm

- The Associated Press, 11/01/2008.
http://ap.google.com/article/ALeqM5hq-PHd96BpmEGZYsFUZ4_KEto5zAD8U3VO802

3. Camponeses impedem fumigação de herbicida em soja no Paraguai
Em 7 de janeiro deste ano uma centena de camponeses conseguiu impedir uma fumigação de agrotóxicos em lavoura de soja transgênica em Ybypé, uma comunidade no norte do Paraguai, apesar da força policial que protegia os tratores. As lideranças locais conseguiram evitar o confronto entre os policiais e os agricultores.

Muitos agricultores do lugar venderam lotes de terra a sojicultores brasileiros, que desmataram a área e formaram monoculturas de soja transgênica. Os agricultores locais, cientes dos perigos que os agrotóxicos representam, conseguiram impedir todas as tentativas de aplicação de agrotóxicos durante o verão, montando guardas 24 horas.

Está se articulando um movimento popular cada vez mais forte na região contra a aplicação de agrotóxicos nas monoculturas de soja transgênica. Com recursos judiciais respaldados pela Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai (CODEHUPY), os agricultores estão conseguindo chamar a atenção pública para o não cumprimento de medidas de proteção, como a instalação de barreiras vivas contra a deriva de agrotóxicos.

Fonte:
www.lasojamata.org
http://upsidedownworld.org/main/content/view/1081/1/

4. Campanha contra o glifosato na Argentina
Às vésperas da época de plantio de soja na Argentina, a organização Centro de Proteção à Natureza CeProNat) iniciou uma campanha contra o uso de glifosato na agricultura.

O CeProNat adverte sobre os perigos dos agrotóxicos, especialmente o herbicida glifosato, tanto em suas distintas formulações como nas combinação com outros venenos formando os chamados coquetéis, sumamente perigosos, onde efeitos nocivos dos produtos são potencializados.

Efeitos cancerígenos, ação mutagênica, contaminação de alimentos e persistência do produto no solo e em cultivos já foram demonstrados de forma fidedigna, o que motivou, por exemplo, sua reclassificação pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) para produto “altamente tóxico”.

A campanha do CeProNat também visa mudar a classificação do glifosato no país de “produto que não oferece perigo” (tarja verde) para “produto sumamente perigoso” (tarja vermelha).

No Brasil o glifosato também é classificado como “pouco tóxico” (classe IV). A campanha argentina contra a fumigação e pela reclassificação deste veneno é um bom exemplo a ser seguido por aqui.

Com informações de:
Red Nacional de Acción Ecologista
www.renace.net

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Um passeio pela Festa da Semente da Paixão, por Emanoel Dias da Silva e Paula Almeida

A Articulação do Semi-árido Paraibano (ASA-PB) já conta com uma rede estadual composta por 228 bancos de sementes comunitários, que envolvem 6.561 famílias residentes em 63 municípios e que conservam mais de 300 variedades de milho, feijão, fava, mandioca, girassol, amendoim e espécies forrageiras e frutíferas resgatadas nas próprias comunidades. Em parceria com organizações da Via Campesina, a ASA-PB decidiu aceitar o desafio de organizar, em julho de 2007, a Festa da Semente da Paixão.

O evento reuniu mais de 2 mil agricultores e agricultoras na cidade de Patos para celebrar o trabalho e planejar ações futuras. Ao passear pela feira de saberes e sabores organizada pelos(as) agricultores(as) durante a festa, podia-se obter informações sobre as diferentes experiências familiares, comunitárias ou regionais e conhecer a Rede Sementes da Paraíba. Logo no início da feira, as primeiras barracas chamavam a atenção: coloridas com mosaicos de sementes em garrafas, potes, em sacos e enfeitando arupemas, peneiras da herança tradicional indígena típicas da região. Nesse espaço também havia grande diversidade de sementes vindas de todos os recantos do estado e usadas para as mais diversas finalidades e gostos.

Via-se muitos agricultores e agricultoras trocando suas sementes, levando para seus vizinhos e compadres e para seus bancos de sementes. Podia-se ainda observar que os agricultores encaram esse tipo de troca não somente como meios para enriquecer os seus roçados, mas também como forma de fortalecer os laços de solidariedade e confiança entre as famílias e diferentes grupos envolvidos. Eles sabem que as sementes da paixão trazem em si muito mais do que boa qualidade genética para a produção segura no semi-árido. Elas são portadoras de lembranças, costumes e histórias de seus antepassados.

O espaço chamado cenário vivo foi armado pelos organizadores da festa para mostrar como uma família agricultora vive em sua propriedade na Paraíba. Ali visualizavam-se as muitas inovações que os agricultores e agricultoras vêm introduzindo em suas propriedades nos últimos anos para aprimorar suas estratégias de convivência com o semi-árido. O arredor da casa, por exemplo, foi composto por muitas plantas medicinais e fruteiras, diferentes raças de galinhas, patos, cabras, ovelhas, guinés, porcos, gansos, além das vacas. Também podia-se compreender as diferentes formas de estocar água e forragens para atravessar os períodos secos do ano, bem como os anos secos. A combinação das estratégias de diversificação com as de estocagem constitui o pilar que tem permitido às famílias do semi-árido construírem crescentes níveis de segurança alimentar e estabilidade econômica.

Já no final da feira, Joaquim Pedro de Santana, agricultor de Montadas, declamou  seus versos, revelando a perfeita harmonia entre os saberes técnicos e as formas de expressão cultural da região. Assim como outros agricultores e agricultoras poetas, Joaquim traz na ponta da língua seus conhecimentos em forma de versos.

O passeio pela festa permitiu observar que todo esse trabalho realizado pelas famílias agricultoras no semi-árido vem apenas confirmar o zelo que a agricultura familiar tem pela natureza e, em particular, pela biodiversidade.

Fonte: Revista Agriculturas: Experiências em agroecologia, Volume 4, Número 3 - Sementes da biodiversidade.

Leia este artigo na íntegra em http://agriculturas.leisa.info:80/index.php?url=magazine-details.tpl&p[_id]=191288

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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