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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 360 - 06 de setembro de 2007

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Ficou para a próxima quarta-feira a votação do projeto de lei que propõe a liberação das sementes estéreis (terminator). A votação estava prevista para esta quarta na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, mas foi adiada a pedido do relator, Gervásio Silva (DEM - SC), que não pôde comparecer à sessão.

O deputado apresentou parecer favorável à aprovação do texto, o que significa apoiar a liberação da pesquisa, do registro e do patenteamento das sementes estéreis e a comercialização de plantas biorreatoras com a tecnologia terminator.

Se aprovado, o projeto de lei ainda terá que passar pelas comissões de Agricultura e de Constituição e Justiça da Câmara. Caso rejeitado na Comissão de Meio Ambiente, o projeto segue o mesmo caminho, mas com chances muito reduzidas de virar lei.

É importante que cartas continuem sendo enviadas aos parlamentares para evitar que esse atentado à agricultura e à alimentação seja aprovado.

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Neste número:

1. Grupo vê genoma de uma espécie em outra
2. Milho transgênico é mais susceptível a afídeos
3. Dow AgroSciences promete milho Bt com tolerância ao herbicida 2,4-D
4. Transgênicos elevam custo de herbicidas

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Uso de defensivos naturais para o controle de pragas e doenças em hortas orgânicas no sertão de Pernambuco

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1. Grupo vê genoma de uma espécie em outra
Bactéria parasita introduziu todos os seus genes no genoma da mosca-de-fruta.

É quase um esconde-esconde. Cientistas americanos encontraram o genoma completo de uma espécie dentro do genoma de outra. É a primeira vez que um “transplante de genoma” como esse é observado - um fenômeno que os pesquisadores acreditam que pode ser bastante comum entre bactérias e organismos multicelulares.

A dona do genoma invasor é uma bactéria, a Wolbachia, um dos microrganismos parasitas mais comuns do mundo, encontrado em 70% de todos os invertebrados. Ela invade o hospedeiro, geralmente um inseto, coevolui com ele, e atinge os órgãos reprodutivos, para garantir que será passada para a próxima geração.

No trabalho publicado na revista "Science" desta semana, eles investigaram espécies normalmente parasitadas pela Wolbachia e encontraram genes da bactéria introduzidos no genoma da mosca-de-fruta Drosophila ananassae. Como se fossem parte de um só genoma.

Se a transferência de genes entre espécies diferentes (a chamada “transferência lateral") for tão comum, isso terá implicações importantes para o estudo da evolução. Com ela, espécies podem adquirir novos genes (e novas funções) de forma bem rápida. Algo do tipo, há poucos anos, seria considerado ficção científica.

G1, 31/08/2007.
http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUI96514-5603,00.html

N.E. A transferência horizontal de genes é apontada por muitos pesquisadores como um dos principais riscos dos transgênicos justamente pelo potencial de, ao embaralhar genes, criar novos elementos infecciosos. Na CTNBio, simplesmente se afirma que o evento é muito raro de acontecer e que não chega a ser relevante.

2. Milho transgênico é mais susceptível a afídeos
Cristina Faria e seus colegas na Universidade de Neuchâtel pesquisaram o efeito das plantas transgênicas sobre afídeos [insetos sugadores, como os pulgões].

Os pesquisadores observaram que a maioria das linhagens de milho transgênico era significativamente mais susceptível ao Rhopalosiphum maidis quando comparadas às variedades convencionais.

"Estudamos seis linhagens de milho Bt contendo um gene inseticida derivado da bactéria Bacillus thuringiensis. Cinco das linhagens continham até o dobro do número de afídeos”.

Os afídeos secretam uma substância açucarada que pode atrair insetos benéficos, como vespas. Esses parasitóides [parasitas de parasitas] ajudam no controle biológico de lagartas.

Assim, um aumento no número de afídeos pode ajudar a controlar lagartas em áreas onde elas representam um problema. “No entanto, em regiões onde os afídeos são considerados praga, o cultivo do milho Bt pode ser problemático”, complementa á bióloga. Os afídeos podem prejudicar as plantas transmitindo vírus ou favorecendo o aparecimento de fungos, e o uso do Bt pode aumentar esses problemas.

Mas de onde então vêm esses efeitos não esperados do milho Bt? A inserção do gene Bt poderia afetar outros genes, mas pesquisadores do NCCR Plant Survival preferem supor que por produzir a toxina Bt, a química da planta é alterada de alguma forma. Eles mediram concentrações mais elevadas de aminoácidos nas plantas Bt, que são nutrientes essenciais aos afídeos. Além disso, a planta pode mobilizar energia para a produção da toxina ao custo de produzir substâncias que produziria normalmente para sua proteção.

Science Daily, August 30/08/2007.
http://www.sciencedaily.com/releases/2007/08/070829143556.htm
Fonte: Public Library of Science

A pesquisa está disponível na íntegra na página http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=1899225
High Susceptibility of Bt Maize to Aphids Enhances the Performance of Parasitoids of Lepidopteran Pests

3. Dow AgroSciences promete para 2012 milho Bt com tolerância ao herbicida 2,4-D
A Dow espera com o lançamento de sua nova versão de milho transgênico em 2012 e da soja entre 2013 e 2014 tomar boa parte do mercado da Monsanto a partir da crescente presença de plantas espontâneas resistentes ao herbicida glifosato desenvolvidas pela Monsanto.

http://www.infocampo.com.ar/agricultura/9877-dow-agrosciences-prometio-un-maiz-bt-con-tolerancia-a-2-4-d-para-el-ano-2012/, 28/08/2007.

N.E.: O herbicida 2,4-D, vendido com o nome comercial Tordon, é um dos componentes do desfolhante Agente Laranja usado pelos americanos na guerra do Vietnã.

4. Transgênicos elevam custo de herbicidas
Como já previa a lei da oferta e da procura, os preços dos herbicidas para soja transgênica estão mais altos nesta safra, enquanto o defensivo para as lavouras convencionais está cerca de 50% mais barato ao produtor.

Se os custos continuarem a subir, em duas ou três safras o produtor de soja pode retornar ao cultivo da convencional, segundo o analista da Agra-FNP, Fábio Turquino Barros.

Em Mato Grosso, estado que mais ampliou área de soja transgênica no País, a elevação dos custos com herbicidas foi de 44% para a planta geneticamente modificada. Enquanto isso, os preços do defensivo para controle de ervas daninhas na lavoura convencional estão 45% menores que na safra passada, segundo a Agra-FNP.

"Se o preço do glifosato continuar subindo e impactar no custo do produtor, muitos deles vão repensar essa tecnologia e podem retornar total ou parcialmente ao cultivo da convencional", diz Luís Nery Ribas, gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), maior estado produtor de soja do Brasil.

A partir de: Gazeta Mercantil, 28/08/2007.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Uso de defensivos naturais para o controle de pragas e doenças em hortas orgânicas no sertão de Pernambuco

Os agricultores e agricultoras do Sertão Central de Pernambuco reuniram-se em uma oficina para discutir os principais produtos naturais utilizados na região no controle de pragas e doenças.

Eles lembram que esses produtos, apesar de serem naturais, devem ser aplicados sempre na quantidade e na freqüência certa, somente quando necessário. Quando conhecer uma nova receita, eles aconselham antes testar o modo de usar e a concentração do produto numa pequena porção da horta até comprovar o efeito da dosagem sem comprometer a produção. Por fim, eles lembram que mesmo não sendo agrotóxico, um defensivo natural é um produto ativo e tem que esperar pelo menos dois dias após a aplicação para colher as hortaliças.

Os produtos mais usados no Sertão Central de Pernambuco são:

Farinha de trigo com detergente: dissolver 1 quilo de farinha em 20 litros de água e meio litro de detergente neutro. Aplicar de manhã em cobertura total. A aplicação será mais eficiente em dias quentes e secos. Pode combater a mosca branca, ácaros, pulgões e lagartas de horta.

Pimenta malagueta: bater 500 gramas de pimenta vermelha ou malagueta em um liquidificador com 2 litros de água. Coar o preparado e misturar com 5 colheres das de sopa de sabão de coco em pó, acrescentando mais 2 litros de água. Pulverizar as plantas atacadas por pulgões, vaquinhas, grilos e lagartas. Aguardar 12 dias para colher.

Folha de nim: misturar 250 gramas de folhas e ramos verdes picados em 20 litros de água. Aguardar um dia. Coar e pulverizar. Serve como repelente para uma grande variedade de insetos.

Fumo: mistrurar 250 gramas de fumo em 20 litros de água e 500 ml de detergente neutro. Aguardar 24 horas. Excelente inseticida contra pulgões, vaquinhas, cochonilhas, lagartas etc.

Alho: dissolver um pedaço de aproximadamente 50 gramas de sabão de coco em 4 litros de água. Juntar 2 cabeças picada de alho e 4 colheres de pimenta vermelha. Coar em pano fino. O alho é um bom repelente de insetos, bactérias, fungos e nematóides.

Urina de vaca: Deixar curtir a urina de vaca em um recipiente fechado por 4 dias. Depois misturar um copo da urina em 20 litros de água. Serve principalmente para combater ataques de moscas, pulgões e largadas, ao mesmo tempo em que serve como adubo para as hortaliças.

Angico: Deixar 1 quilo de folhas e vagens de angico de molho em 10 litros de água durante 5 a 8 dias. Coar e diluir 1 litro da solução em 5 a 10 litros de água. Indicado no comabete de pulgões, lagartas e formigas.

Fonte: http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=576

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