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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 346 - 25 de maio de 2007

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O Greenpeace conduziu estudos de campo sobre o milho transgênico na Alemanha e na Espanha e chegou a conclusões que colocam em xeque não só os dados apresentados pela indústria, como também a segurança ambiental e a própria eficiência agronômica do milho inseticida Bt da Monsanto, o MON810.

O milho Bt teoricamente produz uma toxina idêntica à das bactérias Bacillus thuringiensis (Bt), que ocorrem naturalmente em solos. Segundo a Monsanto, sua tecnologia é “eficiente” no controle de lagartas, “protege a cultura durante todo o seu ciclo”, é “altamente confiável” e “garante o controle de pragas sem a manifestação de efeitos negativos em espécies benéficas à produção agrícola e também ao homem”.

Mais de 600 amostras de folhas de milho foram coletas em 12 diferentes localidades entre maio e outubro de 2006 e enviadas para análises de laboratório. Os resultados mostram que há uma enorme variação na concentração da toxina Bt nas plantas. Variações de até 100 vezes foram observadas em plantas de uma mesma área e coletadas no mesmo dia. Uma outra pesquisa publicada pouco antes mostrou resultados semelhantes, apontando grande variação dos níveis de Bt entre plantas de uma mesma área e entre locais estudados.

O Greenpeace concluiu que as concentrações de Bt verificadas a campo não conferem com os dados que a Monsanto apresenta quando solicita a liberação comercial da variedade. As evidências coletadas também sugerem que as plantas de MON810 não apresentam características biológicas estáveis.

Esses dados são importantes por dois principais motivos. Primeiro porque ajudam a preencher o vácuo deixado pela ausência de estudos semelhantes e que acaba por criar a falsa impressão de que o MON810 produz níveis estáveis e constantes da proteína inseticida. Segundo porque essa variação tem implicações ambientais e agronômicas. Altas doses do Bt podem afetar insetos benéficos e não-alvo que contribuem para o controle biológico e o equilíbrio do agroecossistema como um todo. E doses baixas podem não ser suficientes para controlar as lagartas do milho e acabarão por acelerar o desenvolvimento de resistência das pragas ao Bt.

Uma ampla revisão da literatura científica publicada recentemente mostra que as proteínas do grupo Cry, como a do MON810, afetam insetos não-alvo e conclui que seus mecanismos de ação devem ser melhor examinados.

Para a Monsanto, “A linhagem de milho MON810 foi criteriosamente avaliada quanto à segurança ambiental por diversos cientistas independentes da Monsanto” (sic).

A liberação comercial desta variedade pelo governo brasileiro está engatilhada para a reunião de junho da CTNBio. Tempo há para que essas novas evidências sejam consideradas. Mas a se repetir o caso do milho da Bayer, o bloco majoritário pró-transgênicos da Comissão não as incluirá dentro das evidências que eles próprios consideram válidas. Afinal, acreditam que os benefícios dos transgênicos vão sempre superar (ou justificar) seus riscos.

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Referências:

Greenpeace (2007). How much Bt toxin do genetically engineered MON810 maize plants actually produce?
http://www.greenpeace.de/fileadmin/gpd/user_upload/themen/gentechnik/

greenpeace_bt_maize_engl.pdf

H.T. Nguyen ; J.A. Jehle. Quantitative analysis of the seasonal and tissue-specific expression of Cry1Ab in transgenic maize Mon810. Journal of Plant Diseases and Protection. Vol. 144, jan. 2007.
http://www.ulmer.de/IHIZ2DHIlC1+m7Y37F1omB1YsAH2+.HTML?UID=A6

234684B06ED008A695A228097913526689199B1E4F663E

Hillbeck A. and Schmidt J., (2006) Another View on Bt Proteins - How Specific are they and What Else Might They Do? Biopestcide. In: 2 (1): 1-5.
http://www.gmo-guidelines.info/public/publications/download/HilbeckSchmidt06.pdf

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A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança aprovou em maio o uso comercial do milho transgênico Liberty Link da Bayer. Em um processo cheio de controvérsias e irregularidades a Comissão mostrou que não tem qualquer compromisso com o meio ambiente e nem com a população brasileira.

A decisão ainda precisa passar pelo CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança), composto por 11 ministros. O CNBS pode, entre outras coisas, exigir que a Bayer faça os estudos de impacto ambiental, que nunca foram pedidos pela CTNBio.

Você pode enviar agora mesmo uma mensagem para os 11 ministros do CNBS exigindo que eles revejam a decisão da CTNBio de liberar o milho da Bayer, através do site do Greenpeace, no endereço:
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/?cyber=7&codigo=111

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Neste número:

1. TRF nega pedido da CTNBio para fechar reuniões
2. Movimentos sociais pedem indeferimento da liberação de milho transgênico
3. França seguirá Alemanha na moratória de fato ao milho transgênico
4. Duras críticas constrangem a Monsanto
5. Professores da Universidade de Iowa processam a Monsanto por roubo de patente
6. Glifosato altera DNA de Equatorianos

Glossário do linguajar biotecnológico, por Jean-Pierre Berlan
Neste número: “Ética”, que não passa de “verniz”

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Assentados gaúchos exportam arroz ecológico

Dica de Fonte de Informação
Milho transgênico a caminho
, artigo de Gabriel Fernandes, da AS-PTA.

“A única saída para evitar a contaminação é não plantar o milho transgênico e mobilizar os vizinhos para também não plantarem. Este debate deve ser levado para dentro das associações, sindicatos e demais organizações dos agricultores. Mesmo um canteiro plantado só para conhecer a semente já é suficiente para contaminar plantações vizinhas.”
http://www.agenciachasque.com.br/conteudoimpresso2.php?idtitulo=3cb2a9

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1. TRF nega pedido da CTNBio para fechar reuniões
O Tribunal Regional Federal (TRF) manteve liberada a entrada de qualquer cidadão nas reuniões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A decisão foi tomada no final da tarde de ontem pelo juiz federal David Wilson Pardo, negando pedido feito pela CTNBio. Desde abril, já vigora decisão judicial que mantém reuniões abertas ao público. Em seu despacho, o juiz argumenta que não vê como o mero acesso de pessoas às reuniões da Comissão possa interferir nas condições psicológicas dos membros participantes, como ponderou a CTNBio no pedido de restrição feito à Justiça. Ainda, o magistrado acrescenta que também não há razão para constrangimentos dos conselheiros pelos votos dados, uma vez que as decisões da Comissão são amplamente divulgadas. A CTNBio foi procurada ontem, mas não havia ninguém para falar sobre o assunto.
Gazeta Mercantil, 18/05/2007.

2. Movimentos sociais escrevem ao CNBS pedindo indeferimento da liberação de milho transgênico
Trabalhadores rurais sem terras, agricultores familiares, assentados, quilombolas, riberinhos, indígenas, estudantes, pesquisadores, professores universitários, advogados, trabalhadores do serviço público, representantes de organizações e movimentos sociais de luta pela reforma agrária, reunidos no Encontro Terra e Cidadania, ocorrido em Curitiba, nos dias 15 a 18 de maio de 2007, enviaram carta aos 11 ministros que compõem o CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança), expressando sua preocupação com a decisão da CTNBio de autorizar a liberação comercial do milho transgênico "Liberty Link", da Bayer.

Na carta, os participantes do Encontro argumentam que “não é aceitável que o meio ambiente e a alimentação dos brasileiros sejam colocados em risco para beneficiar apenas empresas de biotecnologia” e solicitam “que o CNBS corrija a decisão da CTNBio, indeferindo o pedido de liberação comercial do milho transgênico ‘Liberty Link’ e outros, até que o Brasil tenha uma efetiva política de biossegurança que defenda os interesses da sociedade brasileira”.
Encontro Terra e Cidadania, Curitiba, 18/05/2007.

3. França seguirá Alemanha na moratória de fato ao milho transgênico
Segundo novo ministro de meio ambiente da França, Alain Juppe, o país deverá seguir o exemplo alemão implementando uma moratória ao milho transgênico.

Segundo a imprensa francesa, a declaração de Juppe, que já foi primeiro ministro da França, se refere ao milho transgênico da Monsanto MON 810, o que significa que ele só poderá ser vendido se a Monsanto fornecer um plano de monitoramento para analisar os impactos do milho no meio ambiente. Até o momento a empresa não apresentou nenhum plano neste sentido.

Segundo a imprensa, Juppe também declarou que “Acabaram de descobrir que a toxina inseticida do milho está sendo secretada de maneiras que não eram precisamente esperadas”. O ministro disse ainda que a questão mais ampla dos transgênicos na França será analisada em uma revisão nacional de políticas ambientais, que será conduzida no mês de outubro.

France could follow Germany in GM corn restriction (via GM WATCH daily list)
http://www.expatica.com/actual/article.asp?subchannel_id=25&story_id=40199

4. Duras críticas constrangem a Monsanto
Patrocinadora de um simpósio nacional sobre milho, a Monsanto foi submetida ontem a um constrangimento público com um duro questionamento feito durante o evento pelo agrônomo Marco Antônio de Carvalho, especialista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em uma surpreendente intervenção de dez minutos no painel sobre as perspectivas para o milho, Carvalho acusou a multinacional de usar suas sementes transgênicas apenas como “veículo de promoção” de seus agrotóxicos. “É uma venda casada, está claro. Na soja, eles vendem o Roundup barato e ganham no volume”, disse. “E os produtores de milho também vão comprar essa propaganda porque não têm necessidade de comprar uma semente muito mais cara para combater uma praga que aparece muito ocasionalmente”, afirmou.

A Monsanto aguarda a liberação comercial do milho transgênico “YeldGard” tolerante a insetos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Presente à palestra do evento, o diretor da Monsanto, Rodrigo Almeida, limitou-se a emitir sinais de contrariedade ao balançar a cabeça, mas não respondeu publicamente ao representante da Conab. (...)
Valor Econômico, 25/05/2007.

5. Professores da Universidade de Iwoa processam a Monsanto por roubo de patente
Professores da Universidade do Estado de Iowa ingressaram com ação judicial contra a Monsanto. Eles desenvolveram e patentearam uma variedade de soja com baixos teores de ácido linoleico. Posteriormente (e sem acordo prévio, segundo a universidade), a empresa inseriu nesta variedade o gene de resistência ao herbicida Roundup e passou a licenciar a terceiros a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de Iowa.
Fonte: The Associated Press, 24/05/2007.
http://www.law.com/jsp/article.jsp?id=1179944585486

6. Glifosato altera DNA de Equatorianos
Pesquisa realizada no Equador e que será publicada no próximo número da revista Genetics and Molecular Biology concluiu que o DNA de pessoas que vivem até 3 km da fronteira entre Equador e Colômbia - área que vem sendo pulverizada com Roundup, herbicida fabricado pela Monsanto, para controle da coca -, apresentam danos no DNA entre 600 a 800 vezes maiores do que as pessoas que vivem a 80 km de distância da fronteira. No programa de combate às drogas, as aplicações de herbicida são 20 vezes maiores do que as “recomendadas”.

As alterações no DNA podem provocar câncer e má formação de embriões. A conclusão dos pesquisadores da Universidade Católica do Equador contradiz a afirmação dos vizinhos colombianos que insistem em dizer que as pulverizações não causam qualquer dano.
Fonte: http://www.scidev.net/News/index.cfm?fuseaction=readNews&itemid=3622&language=1

A revista Genetics and Molecular Biology é uma publicação da Sociedade Brasileira de Genética e o próximo número deverá estar disponível em breve na base Scielo: http://www.scielo.br/revistas/gmb/iaboutj.htm


Glossário do linguajar biotecnológico, por Jean-Pierre Berlan
Em seu livro Guerre au Vivant: OGM & mystifications scientifiques (Guerra aos Seres Vivos: transgênicos e mistificações científicas), o pesquisador francês Jean-Pierre Berlan, do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola da França (INRA), apresenta um glossário de termos -- ou eufemismos -- da “nova língua biotecnológica”.

Estamos reproduzindo, a cada número deste Boletim, a explicação e a tradução de um dos 13 conceitos tratados por Berlan.

Neste número: “Ética”, que não passa de “verniz”

Invocada com lágrimas de crocodilo e uma fascinação doentia a cada vez que uma fronteira da instrumentalização dos seres vivos é atravessada, a ética é, junto com a advocacia de má fé, um dos domínios onde as necrotecnologias criam mais empregos. Convém generalizar o que Erwin Chargaff diz a propósito das diretivas éticas em matéria de técnicas de reprodução adotadas pela Sociedade Americana de Fertilidade: “a mais voraz das cabras não teria escrito um manual de jardinagem mais permissivo”.

No próximo número: à guisa de conclusão

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Assentados gaúchos exportam arroz ecológico

Agricultores da região metropolitana de Porto Alegre exportam arroz ecológico produzido em seis assentamentos de Nova Santa Rita, Charqueadas, Viamão, Guaíba, Eldorado do Sul e Tapes. A primeira carga foi enviada aos Estados Unidos na última terça-feira.

Foram carregadas 20 toneladas de arroz branco e 20 toneladas de arroz integral, em sacos de 25kg da marca “Arroz Ecológico”, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O cultivo possui certificações de produto orgânico para os mercados brasileiro, europeu e norte-americano, emitidas pelo Instituto de Mercadologia Ecológica de São Paulo.

O engenheiro agrônomo Nathaniel Schmid, que presta assistência técnica, relata que os agricultores já exportavam o arroz, mas esta é a primeira vez em que os assentados participaram de todo o processo. No ano passado, conheceram a empresa Fazenda e Casa, de Santa Catarina, e desde então realizam a parceria. Os grãos de arroz saíram da Coopan, cooperativa do MST em Nova Santa Rita, e foram beneficiados e embalados na Coopat, a cooperativa dos assentados de Tapes. A empresa só ficou com a parte de comercialização.

Para os assentados, a exportação de arroz surge como mais uma alternativa econômica, como explica Nathaniel.

"Além de consolidar o mercado local é também tentar criar parcerias com empresas regionais e estaduais para tentar diversificar a comercialização. E é um pouco diferente de comercializar esse arroz com a Conab porque ela compra o arroz convencional e ecológico e mistura as duas qualidades, ela não diferencia as duas qualidades", afirma.

O projeto de produção de arroz ecológico do MST envolve 130 famílias de agricultores da região metropolitana. Na safra que está sendo concluída, foram produzidos cerca de 55 mil toneladas de arroz, em 680 hectares. O cultivo não utiliza nenhum tipo de agrotóxicos e também emprega a técnica da rizipiscicultura, que consorcia a produção de arroz com a criação de peixes. Como os animais fazem o trabalho de eliminar parasitas e plantas invasoras, não é preciso o uso de venenos.
 
Além de ser exportado, o arroz ecológico é vendido em feiras de agricultores em Porto Alegre e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, atendendo escolas, hospitais e comunidades carentes. No entanto, os agricultores não pretendem consolidar a exportação, como conta Nathaniel.

"O objetivo a longo prazo não é consolidar a exportação e querer exportar mais e mais. O objetivo é consolidar o mercado regional e divulgar o produto, fazendo com que esse arroz agroecológico e saudável fique aqui no país, que a população realmente aproveite esse arroz aqui. Mas, por enquanto, para segurar uma renda e um retorno econômico desse arroz, estamos exportando", diz.

O próximo carregamento deve ocorrer no dia 29. Serão 80 toneladas de arroz.

Fonte: Agência de Notícias Chasque, 19/05/2007.
http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=7286


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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected] ]

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