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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 329 – 19 de janeiro de 2007

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TERRA SEM LEI
 
Ao que parece os governos Fernando Henrique e Lula têm cacoetes idênticos no que diz respeito à afirmação da autoridade do Estado. O primeiro inaugurou a era da permissividade no trato dos cultivos ilegais de transgênicos, deixando de fiscalizar tanto o contrabando de sementes da Argentina como o seu plantio no Rio Grande do Sul. Com isto, ao arrepio das leis do país, criou-se uma situação econômica e social explosiva no começo do governo Lula, com cerca de 3 milhões de toneladas de soja transgênica produzida não só pelos grandes e médios produtores mas por milhares de pequenos. Buscou-se uma solução que permitisse o cumprimento da lei sem criar uma crise social na agricultura do RS, mas o governo preferiu “legalizar” o ilegal, oficializando uma postura de leniência com atos que podem levar riscos para os consumidores, para o meio ambiente, para a economia do país.
 
O presidente parece não ter se dado conta de que autoridade pública não é para ser usada de acordo com os interesses momentâneos de um ou outro lobby ou de uma ou outra categoria ou grupo econômico. Com isto, passou para a sociedade uma horrível impressão de que estamos no faroeste e que vale tudo para fazer valer os interesses particulares frente aos interesses coletivos pois as leis não são outra coisa senão isto, a garantia do interesse maior da sociedade como um todo.
 
Na terra sem lei em que se transformou o Brasil de Lula as empresas seguem com sua estratégia de contaminação geral da agricultura com a introdução de novas culturas transgênicas nos mesmos moldes da experiência da soja. No caso do algodão transgênico o caso é mais grave ainda pois mesmo o “pretexto social” avocado no caso da soja não pode ser usado, já que o número de agricultores flagrados com culturas ilegais é mínimo e não são pequenos. A própria CTNBio, com sua ativa maioria combatente pela liberação dos transgênicos não ousou propor uma legalização pós fato e orientou os fiscais do governo para destruir o algodão transgênico ilegal. Isto não foi feito devido à atitude de complacência do governo, que já esperava que o Congresso desse a volta em mais esta ilegalidade e mudasse as regras para ajusta-las a uma situação de fato.
 
O Congresso não vacilou em seguir a mesma linha de colaborar com o descumprimento das leis e, com a combativa contribuição do deputado Paulo Pimenta (que enfrentou a oposição de toda a bancada do PT) aprovou a legalização da cultura irregular de algodão transgênico.
 
Os cientistas que dão duro na CTNBio deveriam todos renunciar e deixar de discutir a questão da biossegurança pois esta lei, claramente, não veio para vingar. Os cientistas militantes pró transgênicos na comissão não acreditam que existam problemas de biossegurança nos transgênicos e atuam exatamente para não deixar que esta questão seja discutida a fundo, a pretexto de que se está “travando a ciência”. Por outro lado, os agricultores já entenderam a “mensagem”, e nem procuram mais esconder os cultivos ilegais. Nem o congresso que votou a Lei de Biossegurança, nem o governo que tem que faze-la cumprir parecem dar a mínima para legislação. 
 
A sociedade civil organizada é quem está lutando para que a Lei seja cumprida e para que o presidente não perca a sua autoridade, mas neste pragmatismo irresponsável que vem caracterizando o trato deste tema pelo governo não há muitas esperanças de que Lula entenda que o que está em jogo não é só a sua relação com a bancada ruralista ou com as empresas de biotecnologia mas o princípio republicano de que a lei é válida para todos e que não se pode torce-la a cada pressão de um ou outro lobby. O presidente deveria assumir que é a principal garantia da manutenção da lei e vetar a espúria emenda do deputado Paulo Pimenta que tornou legal o ilegal após o crime cometido. Deixe que a CTNBio trabalhe, presidente, e que ela avalie se o algodão transgênico tem ou não riscos de biossegurança e o libere ou não de acordo com a lei a qual, o senhor mesmo prometeu em reunião com a sociedade civil no CONSEA, seria “a mais avançada lei de biossegurança do mundo”.
 
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Neste número:
 
1.
Relatório global dos cultivos transgênicos ultrapassa a realidade
2. Transgênicos avançam na marra no Brasil
3. Invasoras resistentes
4.
União Européia inspecionará soja transgênica brasileira
5.
Transgênicos no porto
6. Cinco produtores de Maharashtra, na Índia, cometem suicídio por causa do algodão transgênico
7. Greenpeace destaca aumento na rejeição a transgênicos após caso da Bayer
8. Dúvidas na escolha

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Colégio Maria Imaculada e sua horta orgânica

Dica sobre fonte de informação

A morte de um constrangimento
Por Leonardo Sakamoto
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=26676&edt=1
 

Evento

Workshop Internacional
“South American Regional Biosafety Course: “Holistic Foundations for Assessment and Regulation of Genetic Engineering and Genetically Modified Organisms”(SARBioC)
Data: 19 - 24 de março de 2007
Local: Lima – Peru
Maiores informações: http://asdmas.com/workshop/
 
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1. Relatório global dos cultivos transgênicos ultrapassa a realidade
Uma revisão anual da indústria de manipulação genética mostra que o desenvolvimento dos transgênicos segue estático, ha muito tempo. Um relatório do ISAAA foi publicado, hoje, e algumas informações que podem ser encontradas no link a seguir,foram comentadas por Bob Phelps, diretor do Gene Ethics ( www.isaaa.org/Resources/Publications/briefs/default.html).
 
“ISAAA faz afirmações insustentáveis, aumenta os números e ignora os impactos negativos dos cuiltivos geneticamente modificados” disse Bob Phelps (Gene Ethics Director)
 
“Por exemplo, o Irã é erroneamente listado com 50,000 hectares de arroz transgênico plantado para fins comerciais, que, na realidade, não é aprovado e não está sendo plantado.” ele disse.
 
“A Romênia também é listada possuindo 100,000 hectares de soja transgênica, mas esse produto, atualmente, é banido e o país adotou uma política de descontaminação para voltar a ser zona livre de transgênicos” ele disse.
 
“ISAAA afirma que o comercio de transgênicos é global, mas seu próprio relatório mostra que 99% cresceram somente em oito países, no ano passado - USA 53.5%; Argentina 17.6%; Brazil 11.3%; Canada 6%; India 3.7%; China 3.4%; Paraguai 2%; e África do Sul 1.4%," ele disse.
 
“O alcance dos transgênicos também ficou estático desde 1996 quando quatro cultivos foram liberados comercialmente – soja, milho, algodão e canola – foram os primeiros a serem plantados. Nenhum foi adicionado desde então” ele disse.
 
“O governo australiano não seria tolo de permitir a comercialização de canola transgênica na Austrália porque, mesmo fraca, a canola transgênica deixa a desejar” ele disse.
 
“O relatório é enfático ao dizer que 10.3 milhões de produtores cultivaram transgênicos em 2006, mas isso corresponde a 0.7% dos produtores mundiais. E somente 600,000 são cultivados por 85% de produtores em fazendas industriais na América do Norte e do Sul. Os pequenos produtores do terceiro mundo são usados na guerra do ISAAA” ele disse.
 
“A tecnologia transgênica foi substituida por uma mais inteligente, mais precisa e bem sucedida ciência genética em sintonia com os métodos tradicionais” ele disse.
 
“O ISAAA está chicoteando um avalo morto” ele disse.
 
“Consumidores e produtores assegurarão a rejeição às sementes, aos cultivos e aos alimentos transgênicos ao redor do mundo” Sr Phelps conclui.
Gene Ethics News Media, 19/01/2007.
 
2. Transgênicos avançam na marra no Brasil
Agricultores implantam tecnologias sem a licença da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e depois contam com a complacência do Legislativo e do Governo federal. O mais recente lance nesse jogo ocorreu no final de dezembro, quando a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória (MP) 327, que estabelece regras para o plantio de OGMs em áreas de conservação ambiental. O relator Paulo Pimenta (PT- RS) acatou propostas de emendas que devem regularizar o algodão transgênico plantado ilegalmente e facilitar a aprovação, pela CTNBio, de liberações comerciais de OGMs no meio ambiente. A proposta tramita no Senado. Para Paulo Pacini, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o campo assiste à “política do fato consumado”, como ocorreu com a soja transgênica em 2003 (veja quadro). O algodão resistente ao glifosato foi plantado ilegalmente em 18 mil hectares de mais de 40 propriedades de Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Goiás e deveria ter sido destruído, por orientação da CTNBio. Mas não foi isto o que aconteceu, e agora o projeto de lei poderá permitir que os agricultores faturem com a venda das fibras algodão irregular para a indústrias têxtil e dos caroços para produtores de biodiesel.
(...)
Hoje em Dia - BH, 14/01/2007.
 
3. Invasoras resistentes
Produtores de soja transgênica do Rio Grande do Sul estão enfrentando um problema: algumas plantas invasoras se tornaram resistentes ao glifosato, o princípio ativo dos herbicidas usados no manejo da lavoura.

O agricultor Guido Schneider planta soja transgênica em Vacaria, na serra gaúcha, desde 2002. Ele disse que optou por este cultivo porque o manejo é mais fácil. Senhor Guido usa um só princípio ativo para o controle das invasoras: o glifosato. Ele mata muitas plantas, menos a soja transgênica. Isto porque o grão transgênico tem dentro dele um gene que confere resistência ao glifosato.

Mas em dezembro do ano passado, na hora de preparar o solo para o plantio da soja, senhor Guido se deparou com um problema. Depois de fazer a primeira aplicação com o herbicida, ele percebeu que algumas plantas invasoras sobreviveram, caso da buva, uma espécie nativa do Rio Grande do Sul.

"Tivemos problemas com o glifosato de um litro e meio por hectare. A gente viu que ficou alguma mancha na lavoura, reaplicamos e mesmo assim não controlou. Aí tivemos de trocar o produto", conta.

Na época, a convite do Globo Rural, dois pesquisadores visitaram a fazenda de seu Guido: o agrônomo Leandro Vargas, da Embrapa, e o agrônomo da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi. Eles constataram no campo o que já era sabido nas pesquisas: algumas ervas invasoras estavam resistentes ao glifosato.

Embora o maior impacto da descoberta seja nas lavouras de soja transgênica, o problema começou num pomar também em Vacaria. Foi numa empresa exportadora de maçãs com 1,5 milhão de pés, que o agrônomo César Orlandi notou a resistência pela primeira vez. O agrônomo conta que a empresa usa há décadas o glifosato para matar as plantas invasoras, principalmente o azevem, outro capim nativo do Rio Grande do Sul. "A gente em 2003 buscou informações e o auxílio da Embrapa e começou um trabalho de pesquisa na área. Foi detectado que o azevem estava realmente resistente ao glifosato", relembra César.

O material foi levado para a Embrapa Passo Fundo, para análise. No laboratório, várias plantas invasoras foram testadas. O objetivo era saber se elas estavam de fato resistentes. Dr. Leandro explica o procedimento:

"Sobre uma planta foram aplicadas duas vezes a dose recomendada de glifosato. Sobre outra foram aplicadas quatro vezes, e sobre uma terceira planta, oito vezes a dose recomendada. Mesmo recebendo oito vezes a dose recomendada de glifosato, a última planta sobreviveu e vai produzir sementes. Já sobre as plantas sensíveis, elas morrem com a menor dose ou com a dose recomendada do herbicida. A resistência é um fenômeno natural. Ela vai acontecer sempre que nós utilizarmos um produto demasiadamente. Ela está acontecendo com o glifosato porque nós estamos aplicando repetidamente o mesmo produto na mesma área sobre as mesmas plantas. E as plantas possuem um grande número de genes, e alguns deles são capazes de proporcionar resistência à herbicida. Então não há uma transferência de gene; a própria planta já tem esses genes - eles simplesmente se manifestam devido ao uso repetido de um herbicida".

De acordo com a Embrapa existem hoje cerca de 10 espécies diferentes de plantas invasoras em todo o mundo que não morrem quando submetidas ao glifosato, três delas no Brasil. A que causa mais problemas é o azevem. Isto porque o capim é cultivado no Rio Grande do Sul e vendido para os produtores de soja fazerem cobertura do solo onde será semeada a soja. É o sistema chamado de plantio direto. Não se limpa a terra toda; deixa o capim para preservar o solo.

"A disseminação do azevem, por exemplo, ocorre de duas formas: uma delas é através do pólen, que é carregado pelo vento e se distribui em toda a área. E a outra que nós temos detectado é através do comércio de sementes. Produtores que produzem semente de azevem vendem para outros produtores e esses acabam então introduzindo em suas áreas azevem resistentes muitas vezes sem nem saber", explica o agrônomo Leandro Vargas.

Quase um mês depois de visitarmos a lavoura de senhor Guido encontramos a lavoura bem desenvolvida. As ervas invasoras foram combatidas com outro produto, usado na época da soja convencional, além do glifosato. O resultado foi um custo bem maior do que ele esperava. "Nós usamos um produto que deu um custo a mais de R$ 40,00 por hectare".

"O agricultor vai ter de fazer uma análise de custo-benefício. O plantio da soja transgênica que nós vínhamos fazendo até agora tinha um custo mais baixo do que esse plantio de soja transgênica com espécies resistentes. Ele vai ter de pesar bem a questão do royaltie, a questão do custo dos novos herbicidas e tomar a decisão se vale a pena economicamente continuar plantando a soja transgênica ou retornar por um ano ou dois anos à utilização de soja convencional", pondera o agrônomo da Universidade de Passo Fundo, Mauro Rizzardi.

A Monsanto nos enviou uma nota sobre o assunto. A empresa afirma que a resistência de plantas daninhas ao glifosato ou a qualquer outro herbicida é um fenômeno natural. A Monsanto diz também que o glifosato, entre os herbicidas, é o princípio ativo que apresenta o menor número de plantas resistentes.
Globo Rural TV, 14.01.2007.

4. União Européia inspecionará soja transgênica brasileira
A União Européia (UE) irá inspecionar a produção e exportação de soja transgênica no Brasil. Uma missão de especialistas europeus desembarcará no País em março na primeira inspeção já realizada por Bruxelas nesse setor da agricultura brasileira. O País, na condição de maior fornecedor de produtos agrícolas para a UE entre os países emergentes, ainda será alvo de um número recorde de inspeções em 2007. No total, seis visitas de veterinários e especialistas europeus ocorrerão até julho.
 
Em 2006, o Brasil esteve perto de ter sua exportação barrada na Europa por causa de problemas fitossanitários. Países europeus que sofrem com a concorrência brasileira aproveitaram para pressionar a Comissão Européia para que estabelecesse embargos a certos produtos. Em alguns casos, como mel e pescado, novas exigências foram criadas para que os produtos pudessem entrar no mercado europeu.
 
Para 2007, o cenário não será diferente. Uma série de missões avaliará a situação da produção de carne, irá vistoriar o setor avícola, a pesca, a situação dos resíduos tóxicos, o sistema de rastreabilidade do gado, febre aftosa e produtos contaminantes no café e outros alimentos. Para diplomatas, essa quantidade de missões reflete a importância do Brasil para o abastecimento de alimentos dos europeus. Dos US$ 49 bilhões exportados pelo País em 2006 no setor agrícola, 31% acabaram nos mercados europeu.
 
A primeira missão européia ao Brasil ocorre já no próximo mês. Já as outras cinco devem ocorrer até maio, o que está exigindo uma coordenação entre o Itamaraty, Ministério da Agricultura e setor privado.
Além dos setores tradicionais da agenda agrícola entre o bloco europeu e o Brasil, 2007 ainda irá inaugurar o debate sobre as exportações e produção de sementes transgênicas nacionais. O foco da Europa será o de conhecer como é feita a produção, quais leis existem para controlar o uso de sementes e, acima do tudo, se existe alguma medida para evitar que a produção de soja tradicional não seja misturada ao produto modificado.
 
Os europeus já realizaram no ano passado uma missão para conhecer e verificar a produção na Argentina e, neste ano, selecionaram o Brasil e os Estados Unidos. Até 2004, os europeus tentavam rejeitar qualquer entrada de produto transgênico no bloco. A posição da Europa chegou a ser questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelos Estados Unidos e Argentina. Os europeus se recusavam a consumir o milho MON 819 produzido pela Monsanto e o milho T25 da alemã Bayer.
 
Uma moratória ainda foi imposta para aprovação de novas espécies entre 1997 e 2000. Bruxelas acabou flexibilizando sua posição, também graças ao fato de que a Espanha começou a produzir milho transgênico em quantidades expressivas.
 
O tema, porém, ainda não está resolvido. Um dos debates se refere à exigência de que um selo seja colocado no produto para comprovar que não contem sementes modificadas. Outro temor que os europeus vêm mostrando é o da mistura das produções tradicionais com sementes transgênicas.
No final do ano passado, a descoberta de arroz transgênico importado dos Estados Unidos dentro de pacotes supostamente sem alimentos modificados gerou fortes protestos na União Européia e o temor de que as importações de outros países também contenham produtos não-orgânicos.
Estadão, 15/01/2007.
 
5. Transgênicos no porto
A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) informou que liberou os berços 212 e 213 de Paranaguá para a movimentação de soja transgênica em setembro de 2006, atendendo à Justiça Federal. Também o berço 214, conforme a APPA, está sendo utilizado com a mesma finalidade. Não se justificaria, dessa forma, uma nova intervenção da Justiça para a liberação dos berços.
Valor Econômico, 16/01/2007.
 
6. Cinco produtores de Maharashtra, na Índia, cometem suicídio por causa do algodão transgênico
Cinco produtores de algodão em Vidarbha, região de Maharashtra, cometeran suicídio após problemas com o cultivo, aumentando o numero de suicídios para 33 desde o Ano Novo.
(...)
A saga dos suicídios continua e desmente a afirmação do governo de uma colheita superabundante de algodão, disse Tiwari. (...)
“A difícil realidade dos produtores suicidas expõe a falácia do algodão Bt (algodão geneticamente modificado) em condições de chuva” disse o líder da VJAS, acrescentando que a ajuda do estado e do governo central somente beneficiou aos bancos cooperativos, compensando-os contra os empréstimos cedidos aos produtores.

A situação dos produtores de algodão pode ser medida a partir do que acontece em Koljhari, uma vila no distrito de Yavatmal, que começou o ano prometendo não cultivar algodão algum mais, disse Tiwari.
“O governo precisa compensar os produtores de algodão por suas perdas, como fez no ano passado, porque ele promoveu a venda do algodão Bt comercializado pela companhia americana, Monsanto.” disse Tiwari.
Indo Asian News Service, 15/01/2007.
http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=7463
 
7. Greenpeace destaca aumento na rejeição a transgênicos após caso da Bayer
A organização internacional Greenpeace publicou nesta quinta-feira um relatório no qual destaca a rejeição aos transgênicos manifestada por diferentes governos e empresas.

O representante do Greenpeace, Jeremy Tager, denunciou em comunicado que "há provas irrefutáveis de que governos, agricultores e consumidores de todo o mundo reconhecem que a engenharia genética é pouco confiável, inviável e perigosa".

Tager ressaltou que a rejeição à manipulação genética aumentou consideravelmente desde o escândalo na empresa Bayer, em 2006, desencadeado quando uma variedade proibida de transgênico, a LL 601, foi descoberta em cultivos de arroz de grão longo nos EUA.

O Greenpeace destacou as reações contrárias aos transgênicos de empresas como a espanhola Ebro Puleva, que, segundo a organização ambientalista, decidiu produzir arroz livre de manipulação genética por causa do escândalo da Bayer.

Além disso, diversos produtores da Califórnia pediram a proibição do cultivo de arroz transgênico nesse estado. Segundo os ecologistas, iniciativas semelhantes surgiram na Tailândia, na Índia, no Vietnã e na China.

O Greenpeace publica estas reações horas antes da divulgação do relatório anual do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (ISAAA), organismo que promove o cultivo de transgênicos.
EFE, 18/01/2007.
 
8. Dúvidas na escolha
Os produtores do norte do Paraná que optaram pelo plantio de soja transgênica -esta foi a primeira vez em que houve o plantio em grande escala na região- estão em dúvida se fizeram a escolha certa. O clima favorável nesta safra, na qual não faltou chuva, fez com que a soja se desenvolvesse bem e "abafasse" as ervas daninhas, que, em geral, provocam elevados custos para os produtores.
Um dos motivos da opção pela soja transgênica é a redução de custos no combate às ervas daninhas. Diante do bom desenvolvimento da soja tradicional neste ano no norte do Paraná - onde a semente tradicional vem sendo testada há anos-, os agricultores aguardam a colheita para fazer comparações, já que não têm experiência com a soja transgênica.
Folha de São Paulo, 18/01/2007.
 
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Colégio Maria Imaculada e sua horta orgânica
 
O colégio internacional Maria Imaculada, mais conhecida como Chapel School, na região da Chácara Flora, zona sul de São Paulo, além de promover ações culturais e de meio ambiente em suas atividades, também cultiva uma horta orgânica junto aos alunos do 6º ano.
 
A iniciativa partiu do Professor de Ciências e Geografia, Evandro César dos Santos com objetivo de gerar maior interatividade com seus alunos.
 
Os alunos são organizados em "grupos de trabalho" e sua atividade foi incrementada com a visita da Vila Orgânica, iniciativa da Fundação Fórmula Cultural, em parceria com a FMO - Fundação Mokiti Okada - com um de seus integrantes mais atuantes em diversas comunidades, entre elas cooperativas de produtores e escolas, o Engo. Agrônomo Leandro Amado. 
 
O motivo da visita visou atender às necessidades de informações do colégio nos conceitos e procedimentos para um bom cultivo da horta, de gerar contato dos alunos com profissional especializado e objetivar o trabalho das duas fundações na divulgação do conceito da agricultura sustentável e alimentação saudável.
 
Com uma linguagem simples e de fácil compreensão, a atividade proporcionou a participação dos alunos com diversas questões, resultado das aulas prática e teóricas passadas pelo Prof. Evandro. 
Perguntas como:
"Apareceu uma mancha branca em nossa couve, o que pode ser?"
"A agrotóxico pode chegar a matar a planta?" 
"As pragas podem atacar a raiz de nossas plantas?"
"Como podemos saber se elas estão afetadas em suas raízes?" e até...
"Mas se os orgânicos/naturais são tão benéficos pra saúde por que então se coloca tantos fertilizantes químicos e agrotóxicos nas culturas?",
 
O Professor Evandro César dos Santos, também falou-nos sobre seu trabalho com os alunos na horta do colégio:
 
VO: Quando teve início sua idéia do cultivo de uma horta e por que orgânica/natural?
EC: A idéia surgiu à partir do trabalho de um ex-aluno , O Bruno Follador que veio estagiar na escola e me trouxe a proposta de trabalhar uma horta escolar.  A proposta de trabalho sempre foi orgânico devido aos objetivos de aprimorar o relacionamento das crianças com a natureza.
 
VO: Qual o objetivo buscado dentro da matéria proposta?
EC: Dentro do conteúdo programático de geografia está prevista o trabalho com os temas da água, solo e meio ambiente.  Deste modo resolvi trabalhar estes temas através da aplicação dos conceitos na horta, que é uma forma do aluno poder se relacionar diretamente com a natureza, tomando consciência do nosso papel no meio ambiente, principalmente pela nossa forma de alimentação.
 
VO: Qual o resultado colhido junto aos alunos?
EC: O principal trabalho não é mensurável diretamente: que é uma "sementinha plantada" nos nossos alunos para refletirem sobre nossa alimentação e nosso relacionamento com o meio ambiente, sem ficar no jargão de devemos proteger a natureza.
 
O Colégio Chapel School como é mais conhecida, é uma escola internacional com alunos de mais de 45 nacionalidades diferentes.  Seu curriculum atende alunos desde os 3 aos 18 anos preparando-os tanto para as universidades estrangeiras (com inclusão do programa IB - International Baccalaureate/Bacharelado Internacional) como também as brasileiras.
(...)
Escola Maria Imaculada - Chapel School
Tel. 11.2101.7400
www.chapelschool.com.br
http://www.vilaorganica.com.br/portal/main_noticia.asp?id_tipo_noticia=4&id_secao=3&id_noticia=178
 

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