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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 311 - 11 de agosto de 2006

Car@s Amig@s,
A forte pressão visando liberações rápidas de transgênicos pôde ser bem sentida nestas duas últimas semanas e já foi tema do último boletim (Boletim 310). Os alvos do momento são a redução do quorum para liberações comerciais e a liberação rápida de milho transgênico.
 
No dia 03 de agosto, foi realizada uma reunião dos ministros que compõem o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS para definir medidas com vistas a “agilizar” os trabalhos da CTNBio. Mas, os pró-transgênicos não estão satisfeitos e o Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, já anunciou que irá encaminhar ao Presidente Lula uma proposta de alteração do decreto de biossegurança (Decreto 5.591/05) para reduzir o quorum necessário para liberação comercial de um OGM. Hoje, são exigidos 2/3 (dois terços) de votos favoráveis dos membros, ou seja, 18 votos.
 
Em resposta, organizações da sociedade civil e movimentos sociais enviaram carta ao Presidente Lula e à Ministra Chefe da Casa Civil (confira a carta na íntegra, no email "Carta ao Presidente") contestando os frágeis argumentos do lobby pró-transgênico e exigindo que haja rigor na avaliação dos impactos de cada OGM na saúde, no meio ambiente e na agricultura.
 
A imensa articulação e pressão em curso podem ser notadas ainda sob as vestes de Fórum de Competitividade de Biotecnologia – iniciativa coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Ministério da Saúde (MS).
 
Contando com a participação da Associação Brasileira de Agribusiness - ABAG, da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes - ABRASEM, da Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos - AENDA, da Associação Nacional de Biossegurança -
ANBIO, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia - CIB, da Monsanto, entre outras, o Fórum lançou no último mês de julho o que chamou de Estratégia Nacional de Biotecnologia – Política de Desenvolvimento da Bioindústria.
 
Sob a alegação de levar o Brasil a alcançar competitividade no mercado mundial de biotecnologia, o que pretende o Fórum é fortalecer o sistema de propriedade intelectual. O documento propõe a revisão do escopo da matéria patenteável para permitir o patenteamento de moléculas isoladas, em seu estado natural; “remover empecilhos ao uso sustentável da biodiversidade” e “revisar e fortalecer a legislação nacional de proteção de cultivares”, entre outras medidas.
 
A ampliação da proteção de propriedade intelectual trará graves impactos para o Brasil, especialmente no tocante ao acesso aos medicamentos e aos alimentos, ao livre uso e circulação de sementes essenciais para a agricultura familiar, povos indígenas e comunidades locais. Por outro lado, será muito bom para grandes empresas – especialmente as transnacionais. Basta lembrar que 90% de todas as patentes concedidas no mundo estão registradas em nome de pessoas e de empresas sediadas em países desenvolvidos. No caso brasileiro, apenas 5% das patentes requeridas pertencem a titulares brasileiros.
A sociedade civil apóia o investimento em ciência e tecnologia voltado à solução de problemas prioritários do país, como pesquisas para doenças negligenciadas. Mas, lamentavelmente, esta não parece ser a intenção do governo.
 
Será necessário ampla mobilização das organizações, movimentos sociais e cidadãos para fazer frente às pressões que chamam qualquer iniciativa de transparência e critérios de avaliação de risco ou solicitação de reavaliação de decisão técnica da CTNBio, com base em fundamentos técnicos, de radicalismo ou motivações políticas e ideológicas.
 
A seguir declarações que refletem bem o contexto atual:
 
"O mundo não vai esperar as decisões burocráticas brasileiras. Não podemos mais ficar esperando", afirmou Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Valor Online, 02/08/06, às vésperas da reunião ministerial sobre o assunto
 
"É mais fácil destituir o presidente da República do que aprovar um transgênico, porque precisa de mais gente para aprová-lo", afirmou Abelardo Lupion (PFL-PR), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Valor Online, 02/08/06, às vésperas da reunião ministerial sobre o assunto
 
“Com enorme atraso, sacudido por numerosos alertas, o Planalto parece ter enfim despertado para os efeitos da bem-sucedida guerrilha administrativa movida pelos intratáveis opositores dos transgênicos e do agronegócio em geral, com assento na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Incumbe a esse colegiado multidisciplinar de 27 membros, criado em 1995 e reformulado no último ano, julgar os eventuais riscos para a saúde e a natureza de espécies geneticamente modificadas que se pretendam cultivar para fins comerciais e de pesquisa.
(...)
O trabalho de sapa dos partidários menos ou mais ostensivos do medieval movimento "Por um Brasil livre de transgênicos" - em especial os representantes dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, e ainda do Ministério Público Federal - consiste essencialmente em multiplicar os empecilhos e manobras protelatórias para travar as deliberações da comissão.
(...)
Piores ainda, do ponto de vista institucional, são os indícios de seu desmanche. Os cientistas que ali representam a comunidade acadêmica e que procuram se guiar pela objetividade no seu cotidiano profissional têm escasso tempo e paciência quase nenhuma para ouvir asnices e presenciar demonstrações explícitas de má-fé em sessões aborrecidas, intermináveis e, afinal, estéreis. Em conseqüência, de reunião em reunião diminui o comparecimento de integrantes sérios do órgão, alguns dos quais, entre eles um geneticista, um botânico, uma médica e um agrônomo, já pediram para deixá-lo.”
O Estado de São Paulo, 03/08/06
 
Pensa em sair da CTNBio?
Estou cansado, mas posso "ser saído" antes. Pode ser que o ministro ache que eu fale demais, sou muito transparente. Além disso, há toda uma polêmica sobre a minha indicação (que não teria sido bem divulgada na época, desrespeitando o regulamento). Recentemente o ministro recebeu um pedido de uma procuradora do Meio Ambiente para meu afastamento embasado na indicação. Estou com a Espada de Dâmocles na cabeça. Se for decapitado, tudo o que ocorreu durante minha gestão ficará sob risco de ser anulado. Tem muita gente que vai aplaudir.
A quem isso interessaria?
Tem gente que, por questões psicológicas, não aceita transgênico. Fico torcendo para que esses radicais se tornem dependentes de insulina, um produto transgênico. Eu sou diabético, uso insulina. O País perde uma oportunidade e tanto de progresso. De economia.
Presidente da CTNBio, Walter Colli, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, 09/08/2006

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Neste número:

1. Milho transgênico: lobby quer liberação comercial para próxima safra
2. População ainda têm dúvidas sobre transgênicos
3.
Na contramão
4. Algodão transgênico gera corrida no campo
5. Importador negocia gengibre do Paraná
6. Jogo educa crianças na prevenção ao uso de agrotóxicos
7. A União Européia

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Dinâmica da matéria orgânica em agroecossistemas

Dica sobre fonte de informação
Governo quer tornar mais ágil comissão que avalia transgênicos.
A pedido do presidente Lula, onze ministros se reuniram para sugerir mudanças na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). Lobby pró-transgênicos, que pedia o afastamento de alguns representantes do governo, saiu derrotado.
Carta Maior, 08/08/2006.
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=11912
 
Evento
"Cadeia Produtiva Orgânica e Exportação no Estado do Rio"
Dia 12 de agosto, sábado, das 14:00 às 18.00hs,
Local: Feira Centro-Sul Negócios, em Três Rios, RJ.
Mais informações: http://www.centrosulnegocios.com.br/
Os lugares são limitados, para garantir sua presença , por favor clique na página
abaixo e preencha o cadastro.
http://www.planetaorganico.com.br/sem-3rios.htm 
 
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1. Milho transgênico: lobby quer liberação comercial para próxima safra
Ambientalistas acusam empresas interessadas na liberação acelerada do milho transgênico de querer atropelar as regras que elas mesmas criaram para a CTNBio.
Na opinião das organizações do movimento socioambientalista reunidas na Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos, a verdadeira intenção por trás do lobby que tentou convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a promover uma “caça às bruxas” na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é liberar o plantio comercial do milho transgênico já para a próxima safra, prevista para outubro.
Dirigente da Campanha e também da organização Terra de Direitos, a advogada Maria Rita Reis acusa as empresas interessadas na liberação acelerada do milho transgênico de querer atropelar as regras que elas mesmas criaram para a CTNBio: “Querem, com a bola rolando, alterar as regras do jogo que eles mesmos criaram. Só conseguirão aprovar o milho transgênico para outubro se passarem por cima das regras da CTNBio. Essas regras determinam que os processos devem ser distribuídos para todos os conselheiros e que cada um deles pode pedir vista. Isso sem falar que também estão previstas consultas públicas. Liberar o milho para a próxima safra, só se for na base do golpe”, diz.
Os diversos pedidos de liberação comercial de milho transgênico que aguardam na fila da CTNBio dizem respeito a cinco variedades de grãos geneticamente modificados, entre eles o milho RR, desenvolvido pela transnacional norte-americana Monsanto, e o milho Bt, desenvolvido pela transnacional suíça Syngenta. A Bayer e a BASF também têm pedidos de liberação de variedades de milho encaminhados à Comissão.
O último boletim da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos afirma que a pressão por mudanças imediatas na CTNBio nasceu de um racha entre os setores que defendem a liberação facilitada dos transgênicos: “A lista de temas sobre os quais a CTNBio se debruçou desde janeiro é extensa e as pautas foram elaboradas por proposta da presidência, ou seja, segundo os interesses dos defensores da liberação desregulada dos transgênicos. Se ela não agradou aos lobistas das empresas é porque os cientistas preferiram acelerar as decisões sobre os certificados de qualidade em biossegurança dos laboratórios e as liberações de pesquisas cujos pedidos estavam parados há dois anos. Para as empresas, estes são interesses menores, pois o que querem é a liberação comercial do milho transgênico ainda para a safra 2006/2007”, diz o documento.
O boletim também refuta a idéia de que os setores contrários aos transgênicos estariam politizando excessivamente os debates e sabotando os trabalhos da CTNBio: “Os defensores dos transgênicos na Comissão têm se revelado pouco afeitos ao debate de idéias e consideram que todo argumento contrário ao seu credo é político. Não interessa se as posições são defendidas com sólida argumentação científica baseada em pesquisas publicadas em revistas especializadas, os xiitas pró-transgênicos a tudo desqualificam como ideologia ou política. Embora sejam amplamente majoritários, já que o ministro da Ciência e Tecnologia os escolheu a dedo entre os militantes pró-transgênicos, alguns cientistas que compõe a Comissão se enervam com o debate e querem decidir sem argumentação contraditória. No fundo, o que eles querem é uma comissão do pensamento único”.

Carta a Lula
Diversas organizações enviaram nessa terça-feira (8) uma carta a Lula na qual alertam o presidente sobre as reais intenções dos lobistas: “Neste momento, o que querem os lobistas é uma rápida liberação do cultivo comercial do milho transgênico ainda para a semeadura da safra 2006/2007. No entanto, não há como iniciar a análise das solicitações de liberação comercial sem antes definir os critérios de avaliação de risco que serão usados pelos pareceristas, distribuir os pedidos de liberação para avaliação dos especialistas e discutir em plenária os pareceres, que precisam obter dois terços dos votos dos membros da CTNBio. Estes procedimentos ainda não foram iniciados porque há uma extensa pauta de normas e decisões de liberação de pesquisas que foram colocadas em discussão prioritária pela maioria da Comissão”.
A carta das ONGs a Lula afirma que a aprovação da Lei de Biossegurança “foi muito comemorada pelo lobby das empresas de biotecnologia e pela bancada ruralista, porque subtraiu as competências do Ibama e da Anvisa relativas à avaliação de riscos ao meio ambiente e à saúde, concentrando poderes na CTNBio”. Agora, denunciam os ambientalistas, “estes mesmos setores questionam duramente a atuação da Comissão, solicitando mais mudanças na legislação e criticando a atuação de representantes de alguns ministérios e da sociedade civil. Eles querem que a CTNBio seja um mero guichê de aprovação dos transgênicos”. Os ambientalistas também exortaram o presidente a respeitar o compromisso com o Princípio da Precaução assumido pelo Brasil na Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU.

Reunião positiva
Na opinião de Maria Rita Reis, a reunião dos onze ministros do Conselho Nacional de Biossegurança foi positiva: “Apesar do carnaval que fizeram na mídia, ficou claro que os atrasos que existem na CTNBio não são causados pelos ‘ecofundamentalistas’ e que não existe nenhum movimento de sabotagem da parte dos conselheiros que defendem uma posição de maior cautela em relação aos transgênicos”, avalia. Ela, no entanto, considera “complicadíssima” a mudança na metodologia de trabalho da Comissão: “É impossível avaliar corretamente os pedidos de liberação comercial sem que sejam revistas todas as instruções normativas à luz da Lei de Biossegurança”, diz.
Maria Rita afirma apoiar a criação de uma estrutura para dar suporte ao trabalho dos conselheiros da CTNBio: “Sempre defendemos que a CTNBio tivesse uma boa estrutura para facilitar o seu funcionamento. É um absurdo imaginar que uma comissão de apenas 27 membros, todos com atividades paralelas prioritárias, possa ser responsável pela definição da política de biossegurança de um país”.
Agência Carta Maior, 09/08/2006.

2. População ainda têm dúvidas sobre transgênicos
Divergências entre cientistas e ambientalistas sobre a tecnologia geram insegurança em relação ao consumo desses produtos.
A primeira safra comercial de soja transgênica foi semeada há dez anos, por fazendeiros norte-americanos. A rápida adoção dessa tecnologia fez com que ambientalistas, organizações ligadas ao meio-ambiente e consumidores rejeitassem esses produtos. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Abastecimento, os principais pontos de preocupação em relação aos transgênicos para os ambientalistas incluem a capacidade do gene escapar e ser potencialmente introduzido em populações selvagens, a persistência do gene após o organismo geneticamente modificado (OGM) ser colhido, a estabilidade do gene e o aumento do uso de produtos químicos na agricultura.
A segurança de se consumir alimentos transgênicos também é questionada. Segundo informações do Ministério da Agricultura, “cada alimento geneticamente modificado e sua segurança devem ser avaliados caso a caso.”
Apesar da aprovação da Lei de Biossegurança ter aberto caminho para a expansão da soja transgênica no Brasil, muitas companhias optaram por não produzir nem comercializar produtos com organismos geneticamente modificados. Essa foi a principal conclusão do “Relatório Brasileiro de Mercado: a Indústria de Alimentos e os Transgênicos”, divulgado pelo Greenpeace, e é o caso da Caramuru Alimentos, grande processadora de grãos de capital nacional do Brasil, que investe, desde 2000, na produção e exportação de derivados de soja não-transgênicos para o mercado europeu.
A pesquisa do Greenpeace constatou também que nenhuma das empresas consultadas quis ter seu nome associado aos produtos transgênicos, temendo rejeição dos consumidores. Desde 2002, quando o Greenpeace encomendou a primeira pesquisa sobre a opinião dos consumidores brasileiros a respeito dos produtos geneticamente modificados, o índice de rejeição aos transgênicos é superior a 70%.
Atualmente, alimentos transgênicos encontrados no mercado internacional passaram por avaliações de risco e, provavelmente, não apresentam danos para a saúde humana, de acordo com informações do Ministério da Agricultura. Por enquanto, nenhum efeito à saúde humana foi demonstrado como resultado do consumo destes alimentos pela população, nos países onde foram aprovados.
Cientistas e produtores que confiavam na tecnologia estão cada vez mais certos de sua segurança e benefícios. Em contrapartida, ambientalistas e defensores da agricultura familiar ainda classificam os transgênicos como uma ameaça e a população continua insegura em relação ao consumo desses produtos.
Folha de Londrina, 05/08/2006.

3. Na contramão
Quem acha que a biotecnologia é a salvação dos custos pode se surpreender com os dados do Usda. O custo de sementes geneticamente modificadas subiu 8,3% em 2005, acumulando alta de 27% em quatro anos nos EUA.
Folha de São Paulo, 05/08/2006.
 
4. Algodão transgênico gera corrida no campo
Em plena campanha pela legalização da produção irregular de uma variedade de algodão transgênico resistente a insetos proibido no país, alguns produtores da pluma ignoraram as instruções da fiscalização do Ministério da Agricultura. Os fiscais identificaram casos de "flagrante desrespeito" à proibição de colheita, beneficiamento e transporte dos produtos interditados por meio de autos de infração emitidos desde maio. Segundo relatório de fiscalização do ministério, o caso mais grave foi identificado em Paracatu (MG), na Fazenda Ouro Branco, onde o produtor Cornélio Sanders plantou 2,9 mil hectares com sementes transgênicas ilegais. Com 27 amostras positivas para a semente Roundup Ready nos testes de campo, Sanders ignorou o embargo da produção. "Ele estava colhendo sem comunicar nada ao ministério. Fomos lá e lacramos um galpão. Os outros produtores identificados poderão ser interditados também", diz José Neumar Francelino, coordenador de Sementes e Mudas do ministério. "Vamos ter problemas com produtores e associações? Vamos. Mas temos apoio para cumprir a lei. Eles apostaram alto e terão que responder por isso". O caso de Sanders é considerado grave porque ele ocupa o cargo de 1º Tesoureiro na diretoria da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Por isso, o ministério teme que o exemplo de Sanders seja seguido por produtores de outras regiões. "Isso é crime. Quem fizer, responderá na Justiça. Se desobedecer, agravará o crime e estará sujeito até mesmo a prisão", diz Neumar. No Brasil, foram identificados 18 mil hectares de lavouras de algodão ilegal, o equivalente a 11% do total fiscalizado até agora. O Ministério da Agricultura estima ter havido plantio ilegal em 100 mil hectares das principais regiões produtoras. Em sua defesa, Sanders, que é reincidente no uso de algodão transgênico ilegal, admite ter ignorado a determinação do ministério para evitar um "prejuízo maior". "Eles me proibiram de tirar a mercadoria de dentro da fazenda. Mas fui lá e tirei porque depois não justificaria nem mesmo a colheita". Segundo ele, a idéia era apenas beneficiar o algodão e deixar armazenado na fazenda. "Não tenho um barracão. E ia apodrecer na chuva". Sanders acusa a lentidão do ministério. "Eles não dão resposta. Em 2005, demoraram oito meses para dizer o que iam fazer. Entre perder e apostar que vai liberar, optei por não perder no campo". Ele diz que "tem gente plantando no Brasil inteiro" e que admite ter comprado semente "contaminada" em 2003. "Reproduzi no campo e eles detectaram em 2005. Tem algodão em cima de algodão. A semente cai no chão, renasce e contamina de novo", explica o produtor. "Vou ter que parar por dois anos para erradicar essa semente plantando soja". O presidente da Abrapa, João Carlos Jacobsen, diz que tem trabalhado no governo por uma "solução" para liberar a venda da pluma e do caroço à indústria. "Não deveria ter plantado, mas plantou. Quero evitar um desespero maior". Segundo ele, a produção dos 18 mil hectares embargados pela fiscalização somam R$ 90 milhões. E admite "desconforto" com o caso de Sanders, mas afirma que a Abrapa defende a "legalidade" na produção. "É absolutamente desconfortável para mim. Mas recomendo que se cumpra o determinado. Se quer colher, entre na Justiça e peça uma liminar. Não vamos recomendar nada ilegal". O diretor da associação de Mato Grosso (Ampa), João Luiz Pessa, arrisca uma explicação. "Tem muito algodão comprometido com CPRs que já tinha sido vendido bem antes do plantio. Se o produtor não honrar a entrega, pode vir um arresto da produção", diz Pessa. E dá uma dica: "Quem plantou e não foi fiscalizado deve estar procurando colher para escapar de uma punição", afirma ele.
Valor Econômico, 07/08/2006.

5. Importador negocia gengibre do Paraná
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN) e do Projeto Orgânicos Brasil, recebeu ontem o presidente da importadora americana Yogi Botanicals, Ranbir Singh Bhai, que visita o Estado com o propósito de conhecer produtores de gengibre, erva-mate e temperos orgânicos. Bhai ficará no Paraná até o dia 6 de agosto, cumprindo agenda preparada pelo CIN.      
A multinacional não importa nenhum produto do Brasil, mas desde março vem estudando o potencial dos produtores brasileiros. A Yogi espera conseguir no Paraná, de imediato, o fornecimento de 1.000 a 1.500 toneladas anuais de gengibre orgânico. O primeiro contato com o País foi realizado na feira de orgânicos realizada na Califórnia, através do Projeto Orgânicos Brasil, uma iniciativa da Fiep, Agência de Promoção de Exportações do Brasil e Instituto Paraná de Desenvolvimento (IPD).
A Yogi Botanicals é uma empresa importadora e processadora de produtos orgânicos com escritórios na Alemanha e EUA. Com grande preocupação ecológica, a Yogi apóia iniciativas de pequenos e médios produtores. Nos últimos dez anos, a empresa desenvolveu mais de 75 ervas e especiarias orgânicas vindas do mundo todo. Sua linha de produtos inclui chás de ervas, cereais, bebidas e doces naturais e produtos para cuidado com o corpo.

Agenda
O presidente da empresa, Ranbir Singh Bhai, é responsável pelo desenvolvimento de todos os projetos da Yogi Botanicals, desde o controle de qualidade, integridade orgânica de cada produto até a fixação de fontes de confiança.
No Paraná, Bhai vai conversar com 30 produtores de gengibre orgânico, em Morretes e no Vale do Ribeira; com representantes de chá mate orgânico da Triunfo, em Curitiba, e com 15 produtores de erva-cidreira, menta, capim-limão e calêndula orgânica, em Cascavel.
A vinda do presidente da Yogi ao Paraná faz parte do Programa Comprador, do Projeto Orgânicos Brasil, e será a primeira de seis visitas de importadores agendadas no Estado. As outras visitas estão programadas para acontecer até o final de outubro, quando será realizada a feira Biofach América Latina, em São Paulo.
A Mack Multiples - principal importadora da Inglaterra, a Lehman Natur - importadora da Alemanha, a Organic Valley - principal cooperativa de produtos orgânicos dos Estados Unidos, e a Pacific Organics já confirmaram a vinda ao Paraná.

Projeto Orgânicos Brasil
O Projeto Orgânicos Brasil nasceu de uma necessidade do setor de produtos orgânicos e é uma iniciativa conjunta da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e Agência de Promoção de Exportações do Brasil (APEX-Brasil). O Instituto Paraná de Desenvolvimento (IPD) é responsável pela sua gestão no Estado.
Com enfoque nacional, a iniciativa visa a promoção da exportação de produtos orgânicos. A previsão para sua realização é de dois anos, podendo ser renovado por mais dois. O projeto começou no Paraná e poderá ser replicado nos demais estados com potencial para o desenvolvimento da agricultura orgânica. Mais informações podem ser obtidas no site: www.organicosbrasil.org.br
O Estado do Paraná, 02/08/06.
 
6. Jogo educa crianças na prevenção ao uso de agrotóxicos
Nesta segunda-feira (14/8) a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da Fiocruz lança o Jogo dos amigos do meio ambiente – Jama, criado e desenvolvido pela pesquisadora Rosane Curi
O objetivo é educar e divertir crianças e adolescentes por meio de um jogo que relaciona meio ambiente, uso de agrotóxicos, trabalho agrícola e saúde humana.
Rosane explica que a idéia de elaborar o jogo surgiu dos resultados de estudos feitos com filhos de agricultores, que ajudam suas famílias no trabalho no campo.
"Procuramos criar um material educativo que colaborasse, de forma lúdica, para o debate sobre tais temáticas, possibilitando a interação entre jovens, pais, professores, profissionais das áreas da saúde, do meio ambiente e da agricultura, além de incentivar ações coletivas visando à melhoria da qualidade de vida e preservação do meio ambiente".
O Jama é destinado a crianças a partir de 10 anos e adolescentes, podendo ser disputado com a participação de adultos. Tem como objetivo a reflexão sobre a relação entre meio ambiente, saúde, trabalho agrícola e agrotóxicos, levando os participantes ao debate e à busca de estratégias para sensibilizar a população para os problemas socioambientais, sugerindo alternativas para minimizá-los ou resolvê-los.
O lançamento será realizado na Tenda do Ciência em Cena, no Museu da Vida, às 14h. O Museu da Vida fica no campus da Fiocruz, na Avenida Brasil 4.365, em Manguinhos.
Agência Fiocruz de Notícias, 10/08/2006.

7. A União Européia
A União Européia decidiu que a soja transgênica importada da Argentina não viola patentes da firma americana Monsanto, que pedia royalties sobre produtos de soja derivados de sementes da empresa.
O Estado de S. Paulo, 11/08/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Dinâmica da matéria orgânica em agroecossistemas

Sistemas conservacionistas de manejo aumentam o conteúdo de matéria orgânica (MO) do solo, contribuindo para a qualidade ambiental e para a sustentabilidade em
agroecossistemas. Objetivou-se compreender a dinâmica da MO em sistemas
agroecológicos a fim de subsidiar o estabelecimento de estratégias de manejo que garantam o incremento do conteúdo de MO e a qualidade ambiental e do solo. A adoção de sistemas de cultura com alta adição de resíduos vegetais ao solo e com a inclusão de espécies leguminosas, associadas a semeadura direta e/ou cultivo mínimo do solo, em adição as demais práticas conservacionistas de manejo, são indispensáveis para a manutenção ou aumento do conteúdo de matéria orgânica do solo e conseqüentemente, para a sustentabilidade de agroecossistemas.

http://www.agroecologiaemrede.org.br/upload/arquivos/P442_2005-11-24_110106_068.pdf

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: livredetransgenicos@aspta.org.br ]

Para acessar os números anteriores do Boletim e outros documentos publicados pela Campanha, clique em: http://www.aspta.org.br.

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