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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 307 - 14 de julho de 2006

Car@s Amig@s,

Um estudo recente realizado nos Estados Unidos revelou que mulheres que consumiram produtos derivados de leite tiveram uma propensão cinco vezes maior a dar à luz a gêmeos do que as vegetarianas. A pesquisa, publicada em maio no The Journal of Reproductive Medicine*, sugere que o uso de hormônio transgênico para aumentar a produção de leite de vacas pode estar relacionado ao alto nível de nascimentos múltiplos. Sabe-se que o hormônio de crescimento bovino (BGH, na sigla em inglês) aumenta o número de gêmeos em vacas leiteiras. Além disso, a taxa de gêmeos em humanos nos Estados Unidos, onde o BGH é usado, é duas vezes maior que na Inglaterra, que proibiu o hormônio. O produto foi desenvolvido pela Monsanto.

A somatotropina bovina afeta a reprodução por aumentar o fator de crescimento insulina símile-1 (IGF1, insulin-like growth factor-1), uma proteína do leite que estimula a ovulação e pode ajudar na sobrevivência de embriões em estágio inicial de formação. Um outro estudo mostrou que os níveis de IGF em vegetarianas era 13% menor do que nas mulheres que se alimentam de laticínios.

O Brasil é um dos poucos países do mundo que permite o uso do hormônio transgênico. Dois produtos comerciais são vendidos aqui: o Lactotropin, da Elanco, e o Boostin, da Schering-Plough. Nenhuma das empresas informa que o produto é transgênico. O máximo que dizem é que se trata de “Somatotropina bovina recombinante”. A Schering-Plough afirma que “O produto não requer período de carência para a carne e nem descarte do leite de animais tratados com o produto”. Já a Elanco, divisão agropecuária da Eli Lilly, afirma que os testes realizados concluíram que produto é usado “sem impacto na reprodução”.

A licença para comercialização do Lactotropin no Brasil venceu no último dia 28 de abril. O Ministério da Agricultua, Pecuária e Abastecimento (MAPA) informou, no entanto, que iria renovar automaticamente sua licença sem exigir novos estudos sobre a segurança do produto. O procedimento do MAPA só foi revisto após a publicação de uma matéria do jornal Correio Braziliense (25/04) denunciando a ilegalidade. O Ministério resolveu então atender ao memorando da sua própria Coordenação de Fiscalização de Produtos Veterinários (CPV), encaminhado à Câmara dos Deputados, informando no dia 6 de março que antes da renovação das duas licenças os casos seriam reavaliados para “atualizar as informações sobre segurança do uso do produto”, e uma nova análise seria feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A licença para o Boostin vence em setembro.

Apesar da suspensão da licença e da necessidade de um parecer da CTNBio, onde o pedido da Elanco já tramita, a AS-PTA ligou esta semana para uma casa agropecuária do Espírito Santo que continua vendendo o produto. “R$ 489,33 a caixa com 25 ampolas”, informou o técnico agropecuário que atendeu à ligação. Quantas outras casas do ramo continuam a vender ilegalmente o produto?

A reportagem do Correio informou que, segundo o Ministério da Agricultura, no ano passado, produtores de leite brasileiros compraram 745 mil doses do hormônio. “Como a venda ocorre em diversas regiões do país e o leite originário de diferentes pecuaristas é misturado no processo de produção de grandes empresas, não há como saber quais lotes de leite provêm de vacas que receberam o medicamento”.

Assim como os outros transgênicos no mercado, a aprovação do hormônio da Monsanto é repleta de irregularidades, que incluem a manipulação de informações, influência política e perseguição de cientistas que apontam riscos no produto.

Em 1994, a administração Clinton, nos Estados Unidos, publicou um relatório afirmando que “não há evidências de que o hormônio apresente riscos aos humanos ou aos animais”. No mesmo ano, um grupo de pesquisadores ingleses revelou que durante três anos a Monsanto havia bloqueado a divulgação das evidências que eles recolheram mostrando que o BGH aumenta a susceptibilidade das vacas a infecções no úbere. Estes mesmos pesquisadores mostraram que os dados apresentados pela Monsanto à agência reguladora dos Estados Unidos haviam sido filtrados.

No Canadá, a Monsanto ofereceu fartos recursos para pesquisa aos funcionários da Agência de Saúde do país durante o processo de aprovação do produto, quando os cientistas da Agência queixaram-se pressionados e inibidos. Posteriormente, esses pesquisadores foram demitidos.

Devemos estar atentos à decisão que a CTNBio tomará em relação ao hormônio e cobrar do MAPA a fiscalização dos pontos de venda e a retirada do produto do mercado.

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* Steinman, G. Mechanisms of Twinning: VII. Effect of Diet and Heredity on the Human Twinning Rate. The Journal of Reproductive Medicine, May 2006, p. 405-410.

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Neste número:

1. Empresa usa bebês de cobaias para transgênicos
2. Governo revê caso Orlando Palocci
3.
Syngenta não paga multa por plantio ilegal de transgênicos
4. Caramuru revê resistência a transgênicos
5. Expectativa de queda de preço com mais oferta de orgânicos
6.
Produto brasileiro é alvo de reclamações na Suíça

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Sistema Mandalla de produção integrada de alimentos

Dica sobre fonte de informação
Células-tronco sem corrupção moral, artigo de Eric Cohen e Robert P. George
O Estado de São Paulo, 09/07/2006.
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=38973

Evento
Lançamento do Relatório “A indústria de alimentos e os transgênicos” - Mercado Brasileiro Greenpeace, Dia 18 de Julho, às 10h.
Local: Auditório da Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento de Mercado de Capitais) Rua São Bento, 545, 5ª sobreloja - São Paulo - SP.

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1. Empresa usa bebês como cobaias para transgênicos
Crianças peruanas foram usadas como cobaias para avaliar os efeitos de um tipo de arroz transgênico com genes humanos. A experiência é desenvolvida pela empresa Ventria. Estas crianças em fase de amamentação estão internadas no Instituto Especializado em Saúde de crianças e no Instituto de Pesquisa Nutricional de Lima [conforme denúncia feita pela Associação Médica Peruana].
Segundo informações da Agência Servindi, foram feitos estudos clínicos com cerca de 140 crianças escolhidas aleatoriamente. A essas crianças foi administrada uma solução líquida para hidratá-las que incluía um tipo de arroz geneticamente modificado com genes humanos (os genes que sintetizam as proteínas Lactoferrina (LF) e Lisozima (LZ)).
Não se sabe se as mães das crianças utilizadas como cobaias conheciam todos os impactos que seus filhos poderiam enfrentar ao serem tratados com estes produtos transgênicos, que não foram aprovados em nenhum país do mundo.
Um médico pediatra consultado afirmou que este não é o procedimento padrão para cuidar de crianças com diarréia. Este tratamento está abaixo do padrão. Para ele, a preocupação não está nos cálculos estatísticos, mas sim no fato de os funcionários de uma empresa norte-americana irem ao Peru realizar os estudos. E se fizeram isso, é porque os padrões exigidos para pesquisas com humanos no Peru não são tão rigorosos como nos EUA.
Em geral, é impróprio testar drogas em crianças quando elas não têm nada a ganhar, pois a terapia de reabilitação de crianças com diarréia funciona bem e é totalmente desnecessário mantê-las no hospital por 48 horas. Algumas horas com uma enfermeira que ajuda os pais a superar a crise é suficiente. Logo o bebê pode voltar para casa. É, portanto, difícil imaginar que qualquer uma dessas crianças tenha sido beneficiada com o experimento. Houve um grupo de bebês usados como controle. Para estes, o tratamento oferecido foi abaixo do padrão, de modo a parecer que os resultados com arroz transgênicos foram superiores. [Há farta literatura médica mostrando que uma solução à base de arroz (não-transgênico) é muito mais rápida e efetiva para tratar de casos de diarréia aguda, segundo o pediatra Jim Diamond].
Outro aspecto é que algumas crianças teriam apenas 3 meses de vida e deveriam estar recebendo LF e LZ no leite de suas mães, não de uma fonte transgênica. Não se sabe se estas crianças foram privadas de receber leite materno durante o tratamento.
Adital, 06/07/2006.

2. Governo revê caso Orlando Palocci
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário do Ministério da Agricultura, Márcio Portocarrero, disse ontem estar examinando a participação do engenheiro agrônomo Orlando Palocci em três comitês do governo que criam normas para cultivo de produtos com menos agrotóxicos. Como o Correio revelou ontem, Orlando, irmão do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, trabalha para a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), entidade que reúne os maiores fabricantes de agrotóxicos do país.
Um dos comitês, no qual Orlando atua como subcoordenador, foi criado no ano passado e implantou projetos-piloto de cultivo de batata para elaborar regras a serem adotadas em lavouras. Os produtos que seguirem as normas ganharão um selo de qualidade do governo, o que deve facilitar sua aceitação no mercado. Em sua outra atividade, o irmão do ex-ministro dá palestras e cursos em nome da Andef. Ele participa de seminários nos quais representa, ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura e os fabricantes. Um desses eventos foi realizado em março em Mucugê, na região central da Bahia, onde o uso excessivo de produtos químicos na plantação de batata está intoxicando trabalhadores e gerando risco ambiental.
Portocarrero informou ter solicitado documentos do evento para ver se Orlando Palocci se apresentou mesmo como porta-voz do programa do governo. “Se ele foi pago pela Andef, não poderia dizer que estava representando o ministério”, afirma. Na região do evento, não há dúvidas sobre a atuação do agrônomo. “Quem representou o Ministério da Agricultura aqui foi um tal de Palocci, irmão do ex-ministro”, lembra Ivo Borre, presidente da associação que reúne os produtores de batata de Mucugê e da vizinha Ibicoara.
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário lembrou que Orlando Palocci está no comitê oficialmente como representante de bataticultores. “Vamos avaliar se o papel que ele tem desempenhado tem sido coerente com o papel do produtor”, acrescentou.
Privilégio
O deputado João Alfredo (PSol-CE), membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, encaminhou ofícios à Procuradoria Geral da República e à Corregedoria Geral da União pedindo apuração e providências em relação à atuação de Orlando Palocci nos comitês e na Andef. “Parece-me que existe efetivamente um prejuízo do interesse público e uma dupla militância”, disse o deputado em discurso na tribuna.
O engenheiro agrônomo Roberto Romanelli Barata, que mora em Pouso Alegre (MG), no mesmo município em que Orlando Palocci planta sementes de batata, acusou ontem o comitê do Ministério da Agricultura de privilegiar em experimentos o uso de agrotóxicos em detrimento de produtos agroecológicos. Ele participou de reuniões do comitê e disse que todas as sugestões de utilização de produtos ecológicos foram rejeitadas. “É um jogo de interesses muito grande”, criticou. “Nada do que a gente apresentou foi aprovado, e nossos produtos não foram nem cogitados.” Orlando Palocci disse à reportagem que não há conflito de interesses porque os fabricantes de agrotóxicos apóiam o trabalho dos comitês do governo.
Correio Braziliense, 12/07/2006.        

3. Syngenta não paga multa por plantio ilegal de transgênicos
A transnacional suíça de sementes Syngenta, que fatura anualmente de cerca de R$ 18,5 bilhões, ainda não pagou a multa de R$ 1 milhão que recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em março deste ano. Segundo as informações da organização não-governamental Terra de Direitos, a empresa é acusada de fazer cultivo experimental de soja transgênica em área de segurança ambiental, o que é proibido pela legislação do país. O plantio de 123 hectares foi feito nos arredores Parque Nacional do Iguaçu, no município de Santa Tereza do Oeste (PR). Um hectare equivale ao tamanho de um campo de futebol.  O local dos experimentos ilegais da Syngenta foi ocupado em março por famílias ligadas à Via Campesina, organização que reúne os movimentos camponeses do mundo. O objetivo da ação era denunciar as investidas da empresa contra a biodiversidade. Segundo Maria Rita Reis, da coordenação jurídica da Terra de Direitos, o acampamento da Via Campesina, que permanece até hoje no local, reforça a necessidade de punição da multinacional. “Até agora a empresa não pagou a multa e nem apresentou os recursos administrativos. Isso prova que o acampamento da Via Campesina no local é fundamental para manter a atenção da sociedade sobre a ilegalidade cometida [pela Syngenta] e sobre a necessidade de punição da empresa. Certamente, se não tivesse acontecido o acampamento, a esta altura todo mundo já teria se esquecido das irregularidades e provavelmente este já seria mais um caso de impunidade”.
Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que integra a Via Campesina, cerca de 100 famílias permanecem acampadas no local. Os camponeses pretendem transformar o ex-campo de experimentos com transgênicos, em uma área de sementes crioulas e modelo de produção agroecológica.
Agência Notícias do Planalto, 11/07/2006.

4. Caramuru revê resistência a transgênicos
A Caramuru Alimentos, que sempre optou pela produção de soja convencional, começa a repensar sua tradicional resistência aos transgênicos. A empresa, maior processadora de grãos de capital nacional, reuniu-se recentemente com clientes europeus e avalia a possibilidade começar a utilizar grãos geneticamente modificados (OGMs) a partir da próxima safra. "Houve um arrefecimento na cobrança por não-OGMs em alguns mercados. Vamos procurar saber como se dará a oferta desses produtos para definir a melhor estratégia", adianta César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru. Na semana passada, o executivo visitou alguns de seus principais clientes na Holanda, na Itália e na Alemanha. O mercado europeu, segundo ele, continua impondo fortes restrições a produtos destinados ao consumo humano produzidos a partir de transgênicos. No caso da lecitina de soja, por exemplo, os europeus chegam a pagar por um produto sem OGMs o dobro do valor de uma lecitina que contenha algum índice de transgenia. “E é essa combinação de produtos não transgênicos e de alto índice de proteínas é o que tem nos salvado até agora em termos de rentabilidade”, pondera Sousa. Ele observa, porém, que os produtores de carnes arrefeceram a cobrança por produtos não-transgênicos. “Como as carnes não são rotuladas por uso de ração transgênica, os produtores ficaram menos exigentes”. Mas, segundo Sousa, o mercado europeu ainda paga prêmio de até 10% sobre o preço internacional de óleo e farelo produzidos com soja convencional. A empresa definirá, no mês que vem, se começará a aceitar soja transgênica na safra 2006/07. Tudo dependerá da relação de oferta e demanda internacionais pelos produtos não-transgênicos e os prêmios pagos por esses itens. “Hoje os não-OGM são um nicho rentável. Quando deixarem de oferecer prêmios, a saída para o Brasil será exportar grãos massivamente”, prevê Sousa.
(...) Sobretudo em razão dos resultados de sua aposta nos produtos não-transgênicos, a Caramuru deverá faturar R$ 1,517 bilhão em 2006, ante R$ 1,369 bilhão em 2005. A empresa tem capacidade para esmagar 1,2 milhão de toneladas de soja e 677 mil toneladas de milho e refinar 230 mil toneladas de óleos vegetais por ano. O grupo emprega 2,4 mil pessoas e opera cinco fábricas - Itumbiara e São Simão (GO), Apucarana (PR), Petrolina (PE) e Fortaleza (CE).
Valor Econômico, 11/07/2006.

5. Expectativa de queda de preço com mais oferta de orgânicos
Cerca de 30 tipos de alimentos orgânicos são produzidos no Brasil atualmente, segundo especialistas. Mas a expectativa do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos Oliveira, é que a oferta de itens cresça ainda mais. Além disso, com o aumento da produção e da oferta, o preço tende a cair.
- Ainda estamos aquém de outros mercados. Enquanto nos Estados Unidos o segmento fatura cerca de US$ 21 bilhões por ano, no Brasil as vendas anuais chegam a US$ 300 milhões - diz o presidente da Abras.
Mas, no geral, quem trabalha com esses produtos só tem a festejar. É o caso da cervejaria Sudbrack, que lançou a cerveja orgânica Eisenbahn.
- Estamos abrindo mercados novos e nossas vendas sobem cerca de 20% ao ano - diz o diretor de Marketing da empresa, Juliano Mendes. (...)
Segmento também estimula a integração social
Essa atividade se estende à área social. Em várias cidades, entidades públicas e privadas se unem na produção de hortas coletivas de vegetais orgânicos, cultivados por famílias de baixa renda.
- São ex-catadores de lixo, sem-teto, moradores da periferia, que aproveitam espaços coletivos, como escolas, e até fundos de quintal. Cria-se uma mentalidade ambiental com aumento de renda, e ainda é garantida uma alimentação saudável - diz Maria Leonice de Freitas, coordenadora de Planejamento da Emater, no Rio Grande do Norte, que atende a 425 famílias.
O coordenador-geral de Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, destaca que, com a regulamentação que está para sair, será possível, por exemplo, saber que insumos foram utilizados na produção.
- É preciso garantir qualidade ao produto e dar segurança ao consumidor - ressalta Dias.
O Globo, 09/07/2006.

6. Produto brasileiro é alvo de reclamações na Suíça
Na Suíça, agora é a vez do frango brasileiro ser alvo de campanha contrária, acusado de ser alimentado por soja geneticamente modificada. A ONG Greenpeace invadiu nessa quinta-feira (13/07) um supermercado da rede Migros, em Zurique, encheu um carrinho de carnes e foi jogá-lo em frente ao escritório da direção do grupo varejista.
O objetivo é pressionar para que a Migros pare de vender produto com transgênico ou pelo menos informe claramente ao consumidor se a carne que compram é proveniente de animais alimentados com esse tipo de produto.
De acordo com o Greenpeace, a Suíça passou a importar uma enorme quantidade de frango brasileiro em substituição ao produto asiático depois que a crise da gripe aviária assolou a região. A suspeita, no entanto, é que boa parte do produto é alimentada com a soja modificada.
Outros tipos de carnes de diferentes países também são visados por serem alimentados igualmente com soja brasileira transgênica. O Greenpeace promete fazer campanha semelhante em toda a Europa.
A entidade admite que não está claro até hoje se forragem e alimentos geneticamente modificados têm efeitos negativos para a saúde humana. Mas acusa as culturas transgênicas de usarem mais pesticidas, de dizimar a biodiversidade, de tornar a agricultura biológica impossível e de acelerar a destruição do meio ambiente.
Valor Econômico, 14/07/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Sistema Mandalla de produção integrada de Alimentos

Quem vê pela primeira vez acha a idéia um pouco estranha. Ao invés de uma plantação tradicional, os canteiros são circulares, formados ao redor de uma fonte d'água. A inspiração vem da mandala, símbolo cultivado desde a antiguidade que representa a relação do homem com o universo ou ainda os planetas ao redor do sol.
Idealizado pelo administrador Willy Pessoa, o sistema mandalla vem revolucionando a vida de agricultores familiares. A nova forma de cultivo faz parte da vida de mais de três mil pessoas que vivem em 50 cidades de 12 estados brasileiros.
O sistema tem até nove círculos concêntricos de dois metros de largura. No reservatório de água, o agricultor pode criar peixes e patos, cujas fezes fertilizam os canteiros. Os três primeiros círculos servem ao plantio de hortaliças. Os próximos cinco, para culturas diversas. E o último canteiro serve à proteção ambiental, podendo receber plantas nativas, medicinais ou frutíferas.
Com custo de 1.250 reais a mandalla deve ser implantada em área de 2,5 mil metros quadrados, podendo ser feita em dois dias. Não é necessário construir todos círculos de uma vez. Trabalhe o primeiro até estar todo cultivado e aí prossiga ao segundo até chegar ao último. As quantidades de materiais para a construção variam segundo o diâmetro das esferas. A primeira tem 31,4 metros de mangueira e a última, 131 metros.

Aprenda como montar a sua!

Material:
Para montar o reservatório e o sistema de distribuição de água são necessários:
- 6 sacos de cimento
- 36 sacos de areia
- 40 metros de tela de galinheiro fio 22 de 1,45 metro de largura
- 30 m2 de tijolo
- 1 litro de cola branca comum
- 1 bomba submersa de dois mil litros/hora com saída 3/4 (33 milímetros)
- 1,8 metro de mangueira 3/4 (33 milímetros)
- 5 metros de arame número 18
- 1 sistema aranha, com seis saídas, entrada de 3/4 e rosca interna
- 1 adaptador 3/4 de polegada
- 6 caibros de quatro metros
- 1 metro de ferro de cinco milímetros de espessura
- 6 mangueiras de 32 milímetros, com 22 metros cada´

Para fazer os canteiros são necessários:

- 726 metros de mangueira de 16 milímetros
- 54 junções em Y de 16 milímetros cada
- 54 válvulas cilíndricas de 16 milímetros cada
- 12 caixas de cotonete com 75 unidades cada
- 365 piquetes de madeira de 50 centímetros de comprimento
- 1 metro de arame número 18

1º passo
Para construir o reservatório, crave no centro do terreno uma estaca de 50 centímetros e amarre a ela uma corda de três metros. Na outra ponta, coloque um pedaço de madeira e trace um círculo. Escave essa área demarcada como se fosse um funil. O centro deve ter 1,85 metro de profundidade e uma “cuia” onde será colocada a bomba submersa.
2º passo
Na borda do reservatório, faça calçada de 50 centímetros de largura por um metro de altura, colocando uma fileira de tijolos para dar suporte ao vértice de sustentação da bomba.
3º passo
Coloque a tela de galinheiro nas paredes do reservatório, preocupando-se em trançar cada peça. Para prendê-la, use arame farpado. Prepare argamassa com um saco de cimento e seis de areia, rebocando todo o buraco, a borda e a calçada. Após secar o cimento, impermeabilize tudo com cola branca. Espere secar e encha o depósito com água.
4º passo
Faça em cada caibro um furo a cinco centímetros de uma das pontas. Pegue o ferro de cinco milímetros e passe-o pelos buracos, unindo as peças de madeira. A estrutura ficará em formato de pirâmide e deve ser apoiada na borda do reservatório. Coloque no topo o sistema aranha. Embaixo, a um palmo da água, coloque uma isca luminosa. Ela atrairá insetos que servirão de alimento para os animais criados no reservatório.
5º passo
Coloque a bomba submersa no fundo do reservatório. Ela deve ser conectada ao sistema aranha com o pedaço de 1,8 metro de mangueira 3/4 e o adaptador de 3/4 de polegada. Para a instalação elétrica, siga atentamente as instruções do fabricante. Nas seis pernas da aranha fixe as mangueiras de 32 milímetros, que serão linhas mestras por onde a água passará até chegar aos canteiros.
6º passo
Em cada canteiro insira uma junção em Y nas linhas mestras. Ponha válvulas em uma ponta da peça. Nas outras duas coloque as mangueiras dos círculos, que devem ser presas com arame nos piquetes de madeira.
7º passo
A distribuição da água nos canteiros é feita por microaspersores. Para fazê-los, pegue os cotonetes, coloque-os de molho na água e tire o algodão das hastes. Aqueça uma das pontas e aperte com o alicate. Pelo outro lado, insira um pedaço de arame. Faça pequeno corte transversal na haste até tocar o arame, retirando-o em seguida. Fure a mangueira e instale o microaspersor. Não coloque mais de 28 cotonetes por canteiro para não sobrecarregar o sistema.
8º passo
A água também pode chegar às plantas por gotejadores. Faça um furo no meio de uma tampa de garrafa PET para passar um cotonete com pedaço de cinco centímetros de arame. Faça uma curva na ponta do fio que ficará do lado de fora da garrafa. Feche a tampa. Monte tripé com gravetos para dar suporte ao vasilhame. Corte o fundo da garrafa.
Texto por Gustavo Laredo
http://www.agenciamandalla.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=98
NE: No link acima também encontram-se ilustrações do sistema mandalla.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: livredetransgenicos@aspta.org.br ]

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