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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 306 - 07 de julho de 2006

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Agricultores do Mali, na África, deliberaram pela não utilização de transgênicos no país em júri popular realizado em janeiro deste ano. O evento, que durou cinco dias, foi realizado em Sikasso, região do sul do país que produz cerca de dois terços da principal fonte de renda do Mali, o algodão.
 
A Assembléia Regional de Sikasso convidou produtores de algodão de todas as regiões do país para compor o júri e avaliar de forma aberta e democrática os riscos e os potenciais benefícios da introdução dos transgênicos na agricultura local. A iniciativa surgiu como resposta à forte pressão de multinacionais como a Syngenta e a Monsanto para a liberação das sementes transgênicas. O interesse destas empresas está no controle sobre a produção de algodão da África Ocidental, que é a terceira maior do mundo. Com as sementes patenteadas, os produtores são proibidos de replantá-las, sob risco de processos judiciais, e devem adquirir as sementes das empresas todos os anos. Representantes da Syngenta e da Monsanto recusaram todos os convites feitos para participarem do júri.
 
Um dos participantes enfatizou a preocupação que tem com a preservação dos laços de cooperação entre os agricultores: “Temos como costume ajudar uns aos outros. O perigo é que os transgênicos destruam esse senso de amizade e solidariedade. Se eu planto transgênicos e meu vizinho não, os problemas de contaminação tenderão a criar conflitos entre nós”, disse Birama Kone.
 
Os resultados do júri não trazem obrigações para o estado, mas a expectativa dos participantes é que eles influenciem as decisões sobre transgênicos no país. O projeto de lei em discussão prevê a realização de consultas públicas nacionais antes da introdução de qualquer transgênico, mesmo para pesquisa.

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Arca de Noé
O governo da Noruega começou a construir um banco de sementes numa ilha próxima ao Pólo Norte para proteger as espécies agrícolas e assim, a própria humanidade, de eventuais catástrofes naturais ou humanas que possam ameaçá-las. Segundo o primeiro-ministro noruguês Jens Stoltenberg, o objetivo do projeto é “proteger [da extinção] as sementes de espécies importantes para a alimentação e a agricultura”. Seguramente a liberação de transgênicos é uma das origens de perda e contaminação da diversidade agrícola. Como seus impactos nunca foram testados pra valer, ninguém garante o que pode acontecer no futuro. Muito menos as empresas de biotecnologia, tanto é que Syngenta e Monsanto estão entre as patrocinadoras do banco de sementes apelidado de “Arca de Noé”.
 
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Neste número:

1. Syngenta reavalia investimentos no Brasil
2.
Cultivo de transgênico perto do Parque do Iguaçu rendeu multa
3.
Porto barra soja convencional declarada como transgênica
4.
Apreciação do pedido de intervenção em Paranaguá é suspensa
5. Filipinas se prepara para ser grande produtora de transgênicos
6. Algodão transgênico vetado é encontrado em MS
7.
Liberação para plantio de transgênico é restrita
8. Uruguai: soja transgênica e agrotóxicos

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Comportamento de dez cultivares de morangueiro em cultivo orgânico

Dica sobre fonte de informação
O desastre da soja transgênica no Paraguai. Assista ao vídeo em: http://youtube.com/watch?v=w5KPmBy5rYI

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1. Syngenta reavalia investimentos no Brasil
A multinacional suíça Syngenta, maior empresa em sementes e defensivos agrícolas no Brasil, está reavaliando seus planos de investimentos no País, mercado que até recentemente era considerado estratégico por ser o maior da companhia depois dos Estados Unidos. O motivo é a invasão e a ocupação das instalações da sua área de pesquisas e desenvolvimento de sementes no Oeste do Paraná por militantes da organização Via Campesina, há quase quatro meses.
"O investimento para o ano que vem certamente vai tender a zero", afirma o diretor geral da Syngenta Seeds, o argentino Pedro Rugeroni. Este ano a empresa programou investimento de US$ 12 milhões para o Brasil, mercado onde fatura US$ 800 milhões por ano.
Até agora, a empresa estima que teve prejuízos de cerca de US$ 1,5 milhão com a invasão. Se a ocupação persistir, a situação pode piorar. "Temos uma perda potencial de quatro ou cinco anos, equivalente a US$ 50 milhões, por conta do material que estava armazenado nas câmaras frias do centro de pesquisa", explica Rugeroni. Ele se refere às sementes melhoradas ou em vias de melhoramento, chamadas de germoplasmas. São sete mil linhagens e oito mil híbridos guardados cuidadosamente por pesquisadores em saquinhos de papel de 200 gramas ao longo dos últimos 20 anos.
Os problemas da Syngenta, empresa que fatura US$ 8 bilhões por ano no mercado mundial, começaram no dia 14 de março, quando cerca de mil agricultores da Via Campesina ocuparam a estação de pesquisa da cidade de Santa Tereza, criada em 1987. Os invasores exigem que a área de 123 hectares seja transformada num centro modelo de agroecologia, com a destruição das áreas de cultivo de sementes transgênicas. Eles alegam que a invasão foi feita para denunciar o experimento ilegal de transgênicos na área localizada próxima ao Parque Nacional do Iguaçu. Segundo eles, o cultivo na área é crime ambiental.
A Syngenta alega que não praticou nada ilegal e que o cultivo foi liberado pelo Ibama. A empresa reclama que os invasores levaram porcos, gado e cavalos e que estão danificando as plantações experimentais. Também estão retirando madeira da área de preservação ambiental de 50 hectares para construir barracos.
Cinco dias após a invasão, a companhia obteve na Justiça a reintegração de posse. O juiz concedeu mais cinco dias para a desocupação pacífica. Vencido o prazo, o governador do Paraná, Roberto Requião, deveria ser notificado para determinar a desocupação com força policial.
Um grupo de associações empresariais ligadas ao agronegócio e as principais empresas do setor procuraram o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Manifestaram preocupação sobre a sensação de falta de segurança para os investidores. "O ministro concordou que é necessário defender a pesquisa e a inovação, mas poderia ter feito uma crítica mais explícita aos invasores", diz o executivo da Syngenta.
O Estado de São Paulo, 03/07/2006.

2. Cultivo de transgênico perto do Parque do Iguaçu rendeu multa
Os militantes da Via Campesina invadiram a área da Syngenta alegando que a multinacional estava plantando transgênicos a seis quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu. A chamada “zona de amortecimento” impede esse tipo de cultivo a menos de dez quilômetros do parque. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) esteve na propriedade poucos dias depois da invasão, e multou a empresa em R$ 1 milhão por desrespeitar a zona de amortecimento.
Além da área da Syngenta, outras 20 propriedades foram embargadas pelo Ibama por plantarem transgênicos dentro da zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. “Antes do auto de infração, a empresa apresentou somente uma autorização de 2001 da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), para o plantio do milho transgênico”, diz o superintendente do Ibama na região de Cascavel, Walter Gonçalves dos Santos.
A Syngenta argumenta que possuía autorizações da CTNBio e do próprio Ibama para o plantio de soja, milho e algodão transgênicos. Por entender que não descumpriu a lei, a empresa ainda não pagou a multa de R$ 1 mi-lhão. Mas, em maio, atendendo a reivindicações da Via Campesina e a determinação do Ibama, colheu toda a soja (12 hectares) e o milho (1 hectare) transgênicos cultivados na área. O milho foi destruído, enquanto a soja vai ficar depositada em um armazém da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), em Cascavel, até que a Justiça Federal decida o destino das sementes.
A Via Campesina quer também a desapropriação do campo experimental, que passaria a abrigar um laboratório de sementes crioulas. De acordo com a Syngenta, dos 123 hectares da propriedade, 51 eram de reflorestamento, dentro da chamada reserva legal. Depois da invasão, a empresa encaminhou algumas denúncias ao Ibama, relatando o corte de árvores da reserva legal e o despejo de lixo dentro da área de preservação permanente.
Essas infrações foram comprovadas pelo Ibama, e renderiam multa de R$ 1,5 mil por hectare desmatado e até R$ 50 mil por conta do lixo despejado no local. Entretanto o movimento não chegou a ser autuado. “O inconveniente é que não há quem possamos responsabilizar. A Via Campesina não tem CNPJ, e nenhum militante forneceu sua documentação para que pudéssemos fazer o auto de infração”, diz o superintendente regional do Ibama.
Gazeta do Povo, 03/07/2006.

3. Porto barra soja convencional declarada como transgênica
Em um estado que por três anos tentou se apresentar como “livre de transgênicos”, o Porto de Paranaguá - maior símbolo da resistência do governo estadual aos grãos geneticamente modificados - tem sido palco de um acontecimento curioso. Desde maio, oito caminhões foram barrados porque tentavam entrar no terminal com soja convencional, variedade que é defendida com unhas e dentes pelo mesmo governo. O motivo da retenção é que a documentação apresentava pelos caminhoneiros declarava que os grãos eram transgênicos. De acordo com a Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), a primeira vez que isso ocorreu no terminal foi em 25 de maio, com três carretas, e desde então outras cinco foram retidas pelo mesmo motivo.
De acordo com a Administração dos Portos de Antonina e Paranaguá (Appa), as cargas e a documentação dos caminhões foram encaminhadas à delegacia de polícia e ao Ministério Público de Paranaguá para “abertura de ilícito penal por falsidade ideológica”. A Claspar não divulgou os nomes dos proprietários das cargas. O presidente do órgão, Valdir Izidoro Silveira, aponta dois motivos para a inusitada prática de rotular grãos convencionais como se fossem transgênicos: descobrir se a fiscalização está rigorosa e também manipular as estatísticas de embarques de soja por Paranaguá. “As empresas fazem isso para ver se a Claspar está atenta para, na seqüência, fazer o contrário, ou seja, tentar embarcar soja transgênica como se fosse convencional”, disse Silveira. “Querem prejudicar a imagem do Paraná como o maior exportador de soja convencional do país.”
O diretor de um dos terminais privados do porto apresentou outra explicação. “Isso acontece quando o exportador possui estocada uma certa quantidade de soja transgênica, e vai formar um lote com uma carga convencional que está chegando. Para não ter que separar os grãos, como o porto exige, ele já declara que é tudo transgênico". O diretor, que pediu para não ser identificado, sugeriu que da próxima vez os donos das cargas “joguem um balde de soja transgênica na carga convencional” - assim, o conteúdo da carga ficará de acordo com a documentação.
Os exportadores, que há pouco mais de dois meses venceram uma antiga disputa com o governo estadual e conseguiram o direito de embarcar grãos geneticamente modificados por Paranaguá, ameaçam voltar à Justiça em breve para não terem de segregar os grãos dentro dos navios. Hoje, a soja transgênica precisa ser desembarcada em porão separado. “Quando o cliente não se importa se a soja é convencional ou transgênica, a Appa não tem que se meter nisso. O porto não é vendedor nem comprador”, reclama o diretor, argumentando que nos portos de Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC) a separação não é necessária. A Appa interpreta que, pela Lei de Biossegurança, a soja geneticamente modificada precisa ser separada dos grãos convencionais mesmo dentro dos navios.
Apesar dos recentes episódios, a retenção de cargas transgênicas que apresentam documentação de soja convencional ainda é mais comum no porto. Desde o início do mês, 51 caminhões e oito vagões de trem foram flagrados nessa situação.
Gazeta do Povo, 03/07/2006.
N.E. O Porto de Paranaguá é o primeiro do Páis a se adequar às normas internacionais para transporte de transgênicos estabelecidas pelo Protocolo de Cartagena de Biossegurança da Convenção da Diversidade Biológica.

4. Apreciação do pedido de intervenção em Paranaguá é suspensa
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisará, a partir de agosto, o pedido de intervenção do porto de Paranaguá, no Paraná, segundo maior terminal marítimo em importância no País. O julgamento foi suspenso porque, por maioria, os ministros entenderam que o Estado do Paraná e a autarquia que administra os portos de Paranaguá e Antonina devem participar como litisconsortes no processo. O mandado de segurança foi apresentado pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) contra o ministro de Estado dos Transportes, que estaria se omitindo em fiscalizar as atividades do porto de Paranaguá no que diz respeito ao trânsito e embarque de produtos geneticamente modificados. A Anec conta que, em 2003, uma ordem de serviço da Administração dos portos Paranaguá e Antonina (APPA) proibiu o embarque para exportação de soja transgênica no Porto de Paranaguá, ao argumento de que não haveria condições de isolar o produto. Alega que exportações estimadas em US$ 340 milhões teriam deixado de ser cumpridas em razão da vedação. A entidade conseguiu reverter essa determinação na Justiça Federal, entendimento confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão judicial, em 2006, sobreveio outra ordem de serviço da APPA que, segundo os exportadores, continuaria a impor restrições que seriam ilegais ao trânsito e embarque de soja transgênica. A autarquia destina apenas um terminal para atender os exportadores e exige o controle de rastreabilidade sobre os caminhões e vagões que transportam a soja, bem como a certificação prévia dos grãos pela Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar). A entidade afirma, ainda, que estaria informando, constantemente, ao ministro dos Transportes sobre a situação do porto de Paranaguá. Diz que os custos do setor aumentam, por terem os produtores de buscar saídas alternativas, como o porto de São Francisco do Sul (SC) e de Santos (SP). No entanto a autoridade não teria tomado nenhuma providência. Pede, por fim, que seja determinada a intervenção no porto de Paranaguá. Paraná Por meio de um convênio celebrado no final de 2001, o Ministério dos Transportes outorgou ao Estado do Paraná a exploração e a administração dos portos de Paranaguá e Antonina, o que foi efetivado com a criação da autarquia APPA. Daí o pedido de participação, por parte do Estado do Paraná, como litisconsorte necessário no processo. O litisconsórcio é um vínculo formado pela participação, na causa, de várias partes.
DCI, 04/07/2006.

5. Filipinas se prepara para ser grande produtora de transgênicos
As Filipinas poderão se tornar um grande produtor de safras biotecnológicas em cerca de cinco anos com a esperada aprovação pelo governo de safras geneticamente modificadas, disse hoje um especialista americano em biotecnologia.
“Esperamos que as Filipinas liberem para comercialização as safras transgênicas que estão sendo atualmente desenvolvidas em cerca de cinco anos, e isso tornará o país líder tecnológico nesse campo”, disse nesta segunda-feira (03/07) a jornalistas Hector Quemada, gerente do Programa para Biossegurança do Sistema de Biotecnologia/Interface Biodiversidade (PBS-BBI, pela sigla em inglês) da Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional.
Quemada observou que as Filipinas atualmente estão desenvolvendo diversas variedades de plantas com o uso da biotecnologia. Como exemplo, citou o Instituto de Criação de Plantas da Universidade de Philippines-Los Banos, que submeteu recentemente à aprovação do Comitê Nacional de Biossegurança, para testes em campo, uma variedade geneticamente modificada do mamão papaia, resistente ao vírus ringspot [mancha anelar], e uma variedade de amadurecimento mais demorado, que aumentaria o período de estocagem da fruta.
A agência também está desenvolvendo um Bt (Bacillus thuringiensis) de berinjela que seria resistente a insetos, como a mosca-branca. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado, 03/07/2006.

6. Algodão transgênico vetado é encontrado em MS
Técnicos da SFA (Superintendência Federal de Agricultura) encontraram algodão transgênico da variedade RR, proibida pela CNTBio (Comissão Nacional de Biotecnologia), em 3,2 mil hectares de lavouras em Chapadão e Costa Rica (MS), o que representa mais de 10% da área plantada no Estado. As amostras seguirão para exame de DNA, os produtores terão prazo para apresentar seus argumentos e caso sejam considerados culpados por desrespeito à Lei de Biossegurança (11.105) poderão ser condenados de um a dois anos de reclusão e pagamento de multa que vai de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.
A presença de algodão RR foi encontrada em todos os estados que produzem algodão (Bahia, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais). Agora as superintendências federais de agricultura esperam orientações da CTNBio do tratamento que será dispensado às culturas, uma vez que em cada estado se encontra em um estágio. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, as lavouras estão em fase de colheita.
A CTNBio autorizou o uso da variedade Bt, mas as sementes só deverão estar disponíveis para comercialização a partir do ano que vem. Essa variedade geneticamente modificada confere resistência da planta a pragas. Já a RR, cujas sementes são trazidas de forma clandestina de outros países, promete resistência ao herbicida usado para controle de ervas daninhas. A área total plantada com algodão em Mato Grosso do Sul é de 30 mil hectares. Mesmo para a Bt há restrições de plantio para algumas áreas no País. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o zoneamento agrícola exclui a região do Pantanal dentre as áreas passíveis de receberem a semente transgênica.
Dourados News, 04/07/2006.

7. Liberação para plantio de transgênico é restrita
Há um gene geneticamente modificado de algodão com permissão de plantio no Brasil. Trata-se do Bollgard, da multinacional americana Monsanto. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) autorizou o plantio comercial em março de 2005. Mas as sementes ilegais encontradas em 14% das 66 propriedades fiscalizadas são na sua maioria do gene da Roundup Ready (RR), o mesmo usado na soja, mas não liberado para comercialização nem plantio. Além deste gene, as amostras analisadas revelaram também indícios do uso de outro gene não liberado, o Bollgard 2.
“Estes dão garantia de redução de custo de produção”, avalia Álvaro Sales, da diretoria da Associação Mato-grossense dos Produtores de algodão (Ampa).
A redução, conforme Sales, varia de US$ 30 a US$ 60 por hectare nas lavouras de algodão. Já o algodão RR pode trazer uma economia de mais US$ 50/ha. E o Bt2 reduz o custo de produção por hectare de algodão em US$ 100.
O Bt1, como é popularmente conhecido o Bollgard autorizado pela CTNBio, tem resistência a insetos mas é deficiente, conforme Álvaro Sales, no controle de outras pragas, como a falsa-medideira e spodoptera, as que mais atacam a lavoura de algodão. E as outras sementes geneticamente modificadas garantem melhor controle de ervas daninhas.
“Sabendo destas vantagens das cultivares e estamos preocupados com a garantia de renda e com o custo de produção. Muitos produtores burlaram a lei e plantaram variedades ainda não liberadas. A não liberação ocasiona estas situações”, afirma Sales.
A reportagem procurou insistentemente a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para obter maiores informações sobre a fiscalização das lavouras de algodão plantadas com sementes ilegais, mas não recebeu retorno.
Produção
A região sul de Mato Grosso responde por mais de 35% da produção de algodão no estado, equivalente a 150 mil hectares. A produtividade na região deve chegar em torno de 3,5 mil quilos por hectare. O custo de produção por hectare está avaliado, segundo a Ampa, entre US$ 1.5 mil a US$ 1.8 mil.
Diário de Cuiabá, 04/07/2006.

8. Uruguai: Soja Transgênica e agrotóxicos
No povoado de Palmitas, distrito de Soriano, Uruguai, só uma rua estreita separa as plantações de soja transgênica das moradias de seus habitantes. A distância entre as casas e a produção chega a ser de quatro metros.
Soriano concentra 44,1% da superfície semeada com soja no país, segundo o Anuário Estatístico Agropecuário de 2005, do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca. O plantio de soja começou em Palmitas em 2002, e muitos dos campos semeados pertencem a argentinos.
A soja é cultivada com agrotóxicos altamente perigosos. Segundo a regulamentação vigente, a distância entre uma zona povoada e uma plantação nunca deve ser inferior a 300 metros em casos de pulverização terrestre (como em Palmitas) e de 500 metros para pulverização aérea.
O povo sofreu e segue sofrendo os efeitos desta infração. O chefe de higiene da prefeitura de Soriano, Ovídio Oliveira, comunicou à junta departamental que presume que o uso indevido de agrotóxicos pode ter aumentado os casos de câncer.
80% das mortes no povoado são causadas por esta doença, afirmam moradores. No entanto, o médico Walter Martinez, que trabalha há 10 anos na policlínica local, mas não vive em Palmitas, nega terminantemente que os agrotóxicos tenham promovido este efeito.
(...) Em três das quatro inspeções realizadas em Palmitas foi comprovado que as denuncias estavam corretas. Até o momento, a única coisa que se sabe é que as empresas responsáveis pelas pulverizações devem ser multadas.
Questiona-se a falta de controle por parte do Estado e, segundo a maioria dos atores envolvidos, é urgente legislar e reforçar as sansões.
La Diaria, Uruguai, 13/06/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Comportamento de dez cultivares de morangueiro em cultivo orgânico

Devido à suscetibilidade das principais cultivares de morangueiro a diversas doenças e pragas, tem sido praticado o uso intensivo, muitas vezes indevido, de agrotóxicos. Segundo levantamento realizado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em sete estados brasileiros, 54% dos morangos comercializáveis tem índices de resíduos de agrotóxicos acima do permitido na lei.      
A conscientização sobre os riscos decorrentes do uso de agrotóxicos tem levado ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de sistemas de produção orgânicos. No entanto, os programas de melhoramento genético do morangueiro no Brasil, assim como nos demais países, caracterizam-se pela avaliação e seleção de clones em sistema de cultivo convencional. Dessa forma, as cultivares então recomendadas têm menor desempenho no cultivo orgânico. Novos patamares de eficiência na agricultura sem agrotóxicos serão alcançados se programas de melhoramento objetivarem o desenvolvimento de clones adaptados ao cultivo orgânico.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de dez cultivares de morangueiro em cultivo orgânico, em Viçosa-MG, na perspectiva de identificar potenciais genitores em programas de melhoramento.
Materiais e Métodos
Plantas matrizes isentas de vírus das cultivares Camarosa, Campinas, Dover, Oso Grande, Princesa Isabel, Selva, Sequóia, Sweet Charlie, Toyonoka e Tudla, doadas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), foram cultivadas em vasos previamente preenchidos com solo e composto orgânico misturados na proporção de 3: 1, respectivamente, e mantidas sobre estrado em casa de vegetação. De dezembro de 2000 a março de 2001, as mudas provenientes dos estolões das plantas matrizes foram enraizadas em sacos plásticos (350 mL) contendo o mesmo substrato dos vasos. Devido ao manejo empregado no processo de produção, as mudas foram consideradas orgânicas e utilizadas no ensaio de competição. O ensaio de competição foi realizado na horta orgânica do Departamento de Fitotecnia da UFV, no período de maio de 2000 a dezembro de 2001, em solo classificado como argissolo vermelho amarelo distrófico. O delineamento experimental foi blocos ao acaso (DBC) com quatro repetições. O plantio foi realizado em 21/05/2001, em canteiros com 0,8 m de largura e 0,2 m de altura.
O espaçamento entre plantas foi de 0,4 x 0,4 m. Os canteiros foram previamente cobertos com filme de polietileno preto de 150 mm de espessura. As parcelas com área de 1,28 m2 (0,8 m x 1,6 m), continham oito plantas. A adubação de plantio consistiu na aplicação de 40 t/ha de composto orgânico, com aproximadamente 50% de umidade (cama de frango e capim Napier, enriquecido com torta de mamona e farinha de ossos). Em 10/08/2001, foram aplicados 40 g/planta do mesmo composto, em cobertura. Os tratamentos fitossanitários consistiram na retirada de folhas senescentes e/ou com sintomas de doença, periodicamente, e nas pulverizações de calda sulfocálcica, 1,5 L de calda em 100 L de água, após o primeiro mês do plantio e calda bordalesa a 0,5% e Supermagro a 4% a cada três semanas, aproximadamente, entre o segundo e o quinto mês de cultivo. Foram realizadas duas colheitas por semana no período entre 14/07 e 02/12/2001. O comportamento dos cultivares foi avaliado segundo as seguintes características: número, massa (g) e massa média (g) de morangos comercializáveis (massa fresca superior a 3,5 g, desprovidos de injúrias e doenças), não comercializáveis e total produzidos por planta; número de folhas por planta no terceiro e sexto meses após o plantio; área foliar (cm2/folha) no sexto mês após o plantio; incidência de micosferela (Mycosphaerela fragariae); incidência de formiga-lava-pé (Solenopsis saevissima); qualidade dos morangos in natura (pH, sólidos solúveis totais, acidez total titulável e avaliação sensorial dos atributos acidez, doçura, sabor, aroma, cor, formato e textura); e conservação pós-colheita (avaliação sensorial de morangos comercializáveis, colhidos nos meses de agosto e novembro, conservados em refrigerador doméstico a aproximadamente 10 OC por 1, 3 e 6 dias após a colheita).
Os dados foram submetidos à análise de variância complementada por comparações múltiplas de médias, pelo teste de Duncan, utilizando-se o programa computacional GENES. Os dados de produtividade (massa de morangos comercializáveis), qualidade do morango, aceitação geral após conservação em refrigerador (por até 6 dias) e resistência a doenças foram utilizados no cálculo do índice de desempenho dos cultivares. O nível de resistência foi estimado pela média ponderada entre a nota referente à severidade de micosferela (peso 4) e a porcentagem de morangos comercializáveis em relação ao total (peso 6), já que os morangos com sintomas de doença foram considerados não comercializáveis. Os dados foram padronizados, sendo divididos pelo desvio padrão respectivo de cada característica, e transformados em escala de 5 a 15, na qual o valor 10 correspondeu à média da característica. O índice de desempenho foi estimado atribuindo-se peso 4 à produtividade; 1 à resistência a doenças; 1,5 tanto ao flavor, quanto à aparência dos morangos; e 2 à qualidade pós-colheita.
Resultado e Discussão
As cultivares Princesa Isabel e Dover se destacaram quanto ao número de morangos comercializáveis produzidos por planta (médias de 70,1 e 62,5, respectivamente); maiores produções, em massa de morangos comercializáveis por planta, foram detectadas nas cultivares Camarosa (média de 761,4 g), Tudla (698,4 g), Princesa Isabel (660,5 g), Sweet Charlie (600,6 g) e Oso Grande (567,6 g); Oso Grande e Tudla produziram frutos com maior massa média (13,9 e 12,8 g, respectivamente); os frutos de Sweet Charlie foram os preferidos quanto ao sabor e aroma e aceitação geral nos testes sensoriais; e melhor qualidade na conservação pós-colheita foi verificada nos morangos de Oso Grande, Sweet Charlie e Toyonoka.
A cultivar Princesa Isabel foi uma das mais afetadas por micosferela, manifestando grande número de lesões. Já na cultivar Selva, a ocorrência das lesões causadas por Mycosphaerella fragariae foi baixa. A incidência de formiga-lava-pé não diferiu significativamente entre as cultivares. As plantas de Dover tiveram o maior número de folhas no terceiro mês após o plantio (média de 15,2 folhas). No sexto mês, Tudla teve a maior média, com 45,6 folhas por planta, todavia, diferindo significativamente apenas dos cultivares Sweet Charlie, Oso Grande e Dover. Maior área foliar média foi verificada nas cultivares Toyonoka e Sequóia (121,3 e 101,3 cm2 por folha, respectivamente).
A cultivar Sweet Charlie teve a maior estimativa do índice de desempenho (13; em escala de 5 a 15); seguido por Camarosa (12,7) e Tudla (12,1). O desempenho dos cultivares evidencia a potencialidade do cultivo orgânico e reforça a perspectiva de ganhos por meio de melhoramento genético. Os cultivares Camarosa, Oso Grande, Sweet Charlie, Toyonoka e Tudla são recomendáveis nos cruzamentos em programas de melhoramento visando o cultivo orgânico (CNPq).

Por Ricardo Lima de Castro e colaboradores
http://www.portaldoagronegocio.com.br/index.php?p=texto&&idT=708

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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