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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 305 - 30 de junho de 2006

O Banco Mundial se prepara para aprovar um mega projeto de 5 milhões de dólares visando facilitar a abertura de países da América Latina aos transgênicos. O objetivo é criar uma metodologia padrão para avaliação de riscos ecológicos e dos impactos sócio-econômicos dos transgênicos, que servirá para influenciar os países da região a adotarem os mesmos procedimentos. Cinco cultivos transgênicos “alvo” foram escolhidos como modelos (milho, batata, algodão, mandioca e arroz), dos quais 4 são originários da região (exceção para o arroz). Estes serão testados no Brasil, na Colômbia, no México, na Costa Rica e no Peru. Com isso, nas palavras do projeto, pretende-se fazer com que o processo de tomada de decisão sobre transgênicos seja mais “científico”, “balanceado” e com “menos alarmismo”.

Dizendo ter o objetivo de cumprir os artigos 22 e 14 do Protocolo de Cartagena de Biossegurança, que tratam respectivamente de capacitação e de arranjos regionais, os formuladores do projeto passam por cima de um terceiro artigo do mesmo acordo, ao qual parecem não dar muita importância: justamente o que trata da participação da sociedade civil (artigo 23). Todo o processo está sendo conduzido no Brasil sem nenhuma consulta à sociedade civil.

Entre os parceiros do projeto estão grupos ligados às multinacionais de biotecnologia, como o Public Research and Regulation Innitiative, que se opõe à participação do público nas decisões sobre transgênicos, o AgBio e o AfricaBio. O consultor brasileiro para o projeto é do CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia, entidade de propaganda dos transgênicos financiada pela empresas de biotecnologia.

O projeto tem como justificativa a rápida expansão do uso de transgênicos na América Latina, só perdendo para os Estados Unidos, segundo o projeto. Acontece que, no caso, o Brasil sozinho, com a soja transgênica, responde por todo o rápido crescimento dos transgênicos na região alegado no projeto. Colômbia, Costa Rica, México e Peru sequer aparecem nas estatísticas sobre uso das sementes modificadas. A ONG Grain deu uma explicação muito mais plausível para a seleção dos países, dizendo tratar-se de “uma estratégia de longo prazo do Banco Mundial e do governo dos Estados Unidos para harmonizar as regras para transgênicos nas regiões como forma de se abafar os processos nacionais, que são muito mais susceptíveis à oposição local. A idéia é estabelecer normas favoráveis em poucos países cujos governos são abertos aos transgênicos e depois usá-las como modelo que pode ser imposto aos países vizinhos através de acordos regionais” [1].

A proposta apresentada ao GEF (Global Environmental Facility - fundo para projetos ambientais composto por doações de países e gerenciado por agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial) se organiza em torno de três principais eixos: desenvolvimento de metodologias de avaliação de risco e de impactos sócio-econômicos dos transgênicos, incidência sobre processos de tomada de decisão e um último sobre comunicação, focando em formadores de opinião. Através da Embrapa (via Cenargen - Centro Nacional de Recursos Genéticos), o Brasil ficará responsável por avaliar os casos de mandioca, milho, algodão e batata.

Com o viés com o qual se apresenta, o projeto deveria ser rejeitado. Caso contrário, a tendência é que ele circunscreva à sua metodologia de análise de riscos apenas os procedimentos preconizados pelos promotores dos transgênicos. Delimitando no método apenas as perguntas para as quais aparentemente se tem resposta, sua aplicação em outros casos surpreenderá se encontrar maiores problemas resultantes da liberação de transgênicos. Dessa forma pode-se chegar, cientificamente, à conclusão de que milho, algodão, batata e mandioca transgênicos podem ser liberados seguramente em suas regiões de origem e diversificação. O que dizer do resto?

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[1] A nota do Grain, em inglês, está disponível em: http://www.grain.org/front/?id=92

O projeto do Banco Mundial está disponível em:
http://www.thegef.org/Documents/Council_Documents/GEF_C28/WP.html , item 24.

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Neste número:

1.
Transgênicos comerciais só em 2011
2. Berinjela GM nas Filipinas e em Bangladesh
3. Variedade de milho GM é recomendada na Europa
4.
Justiça libera berço da Soceppar para transgênicos
5.
Transgênicos em campo
6.
Ações contra algodão transgênico ilegal dividem a cadeia produtiva
7.
Cocamar nega uso de soja transgênica em seus produtos
8.
Empresa desenvolve teste que detecta 3 tipos de transgenia
9.
Monsanto cobrará royalties mais baixos para sua soja RR

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle de pragas e doenças, por Silvio Roberto Penteado

Dica sobre fonte de informação
Relatório oficial do Terceiro Encontro das Partes do Protocolo de Cartagena de Biossegurança, MOP 3, da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
http://www.biodiv.org/doc/meetings/bs/mop-03/official/mop-03-15-en.pdf

Relatório oficial da Oitava Conferência das Partes, COP 8, da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). http://www.biodiv.org/doc/meetings/cop/cop-08/official/cop-08-31-en.pdf

Evento
Terceira Feira Estadual de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares, dia 07 de julho, Canguçu - RS. Informações: (53) 3252 4216 ou [email protected]

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1. Transgênicos comerciais só em 2011
Companhias brasileiras estão se preparando para lançar variedades comerciais de cana-de-açúcar geneticamente modificadas já entre 2010 e 2011, embora a aprovação governamental dessas variedades possa demorar até 2011 e 2013 devido à oposição de grupos ambientalistas, disseram fontes do setor.
O Centro de Tecnologia da Cana (CTC), estabelecido em São Paulo, principal centro privado de pesquisa da cana no País, espera que lá para o fim do ano o governo aprove testes experimentais de campo dos híbridos de cana do centro com níveis entre 10% e 15% de sacarose mais elevados do que os congêneres não-transgênicos.
A partir daí em diante, “provavelmente serão necessários de quatro a cinco anos para concluir todos os testes de campo bem como mais testes com o consumidor, para depois obter liberação comercial”, disse William Burnquist, diretor de tecnologia do CTC.
A companhia de biotecnologia Allelyx, subsidiária do Grupo Votorantim pretende também lançar uma variedade de cana transgênica.
(...) Essa tecnologia é decisiva para o Brasil continuar como principal exportador mundial de açúcar e de etanol no futuro. “É importante desenvolver essa linha de pesquisa, porque se o Brasil não se preparar, poderá perder participação de mercado para outros países”, disse Gil Barabach, da Safras & Mercado.
O Brasil já legalizou sementes de soja e algodão transgênicas para plantio comercial, mas os híbridos de cana transgênica estão levando mais tempo para se desenvolver no mercado doméstico e global por causa da complexidade do genoma da cana e da falta de interesse de multinacionais como Monsanto, disseram cientistas.(...)
Gazeta Mercantil, 21/06/2006.

2. Berinjela GM nas Filipinas e em Bangladesh
O Comitê de Aprovação de Engenharia Genética (GEAC) do Governo da Índia aprovou a exportação de sementes de berinjela geneticamente modificada (GM) para as Filipinas e para Bangladesh. A medida visa potencializar um projeto asiático de desenvolvimento de variedades do legume resistentes a insetos-praga. Os países importadores realizarão experimentos de campo patrocinados pelo fundo norte-americano Agricultural Biotechnology Support Project.
Agrow , 23/05/2006.

3. Variedade de milho GM é recomendada na Europa
A Autoridade Européia em Segurança Alimentar (EFSA) afirmou, por meio de seu Painel Científico sobre Organismos Geneticamente Modificados “ser improvável que o milho transgênico 1507 x NK603, resistente a insetos e a herbicidas, cause efeitos adversos à saúde e ao meio ambiente”. A conclusão teve base em ensaios científicos, sustentados em diversos países da União Européia, que consideraram a caracterização molecular dos transgenes, a expressão de suas proteínas, a composição de nutrientes e os riscos de alergenicidade e toxicidade.
De acordo com pesquisadores da entidade, as propriedades nutricionais deste milho GM e os possíveis efeitos provocados por ele ao meio ambiente “não são diferentes das variedades convencionais do grão”.
EFSA, 09/06/2006.

4. Justiça libera berço da Soceppar para transgênicos
O juiz federal substituto da Vara Federal de Paranaguá, Carlos Felipe Komorowski, determinou que a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) libere o uso do berço de atracação da Soceppar, no Porto de Paranaguá, para o embarque de produtos transgênicos.
O despacho do juiz foi concedido dentro de um mandado de segurança concedido pela Justiça Federal à Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP). O prazo para o cumprimento da decisão do juiz terminou na última sexta-feira. O advogado da ABTP, Marcelo Teixeira, explicou que agora estão liberados para exportação de transgênicos o berço 214 do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá, o 206 que pertence à Bunge e o 201 da Soceppar. Os berços 212 e 213 do Corredor de Exportação não estão liberados para produtos geneticamente modificados.
A briga pelo embarque de soja transgênica no porto começou com uma liminar obtida pela ABTP. Mas, foi seguida de diversos recursos na Justiça por parte do Governo do Estado e da ABTP. A Appa não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição.
Folha de Londrina, 22/06/2006.

5. Transgênicos em campo
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou os testes em campo de duas novas variedades de sementes transgênicas de algodão desenvolvidas pela Dow AgroSciences, subsidiária da americana Dow Chemical Co., segundo a agência Dow Jones Newswires. Os testes de outras 13 variedades, incluindo sementes de milho desenvolvidas pela Monsanto e a própria Dow, tiveram seus pedidos negados pela CTNBio.
Valor Econômico, 26/06/2006.

6. Ações contra algodão transgênico ilegal dividem a cadeia produtiva
A determinação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para o que o Ministério da Agricultura destrua 16,2 mil hectares plantados ilegalmente com algodão transgênico abriu uma acalorada guerra de bastidores entre produtores e empresas de sementes. Ambos os lobbies tentam convencer o governo de sua razão com argumentos técnicos e muita pressão política a partir do Congresso. De um lado, a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e a Associação Brasileira de Obtentores Vegetais (Braspov) querem todo o rigor da lei para punir quem contrabandeou e plantou sementes transgênicas proibidas no país. De outro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e suas filiadas nos Estados busca restringir as punições à esfera administrativa para garantir a venda da produção da atual safra, que acaba de ser colhida os principais pólos. Em meio às pressões, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, defende a aplicação da legislação em vigor. “Estou dizendo a eles que a lei é a lei e que tem de ser cumprida”, afirmou ao Valor. Cobrado pelas empresas desde 2005, o ministro determinou neste ano a realização de fiscalizações para identificar e punir os responsáveis pelo plantio irregular. Desde o início de maio, os fiscais examinaram amostras de 115 mil hectares (13,2% do total plantado) da cultura em 66 propriedades de 16 municípios de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Encontraram sementes ilegais em 14% das áreas fiscalizadas, segundo relatório final obtido pelo Valor. A situação mais alarmante foi identificada em Minas, onde 99% das lavouras fiscalizadas tinham variedades proibidas. Das 280 amostras coletadas, 152 deram resultado positivo para transgenia. Vinte produtores foram autuados e dezenove tiveram a produção interditada. As empresas de sementes sentem-se lesadas e vão recorrer ao Conselho Nacional de Combate à Pirataria do Ministério da Justiça. “A lei existe para ser cumprida. Temos um prejuízo anual de R$ 500 milhões. Isso não está certo”, resumiu o presidente da Abrasem, Ywao Miyamoto. De acordo com ele, a evasão fiscal da "pirataria" chegaria a R$ 150 milhões por ano. Em sua defesa, os produtores alegam que o “desespero” causado pela atual crise de renda e liquidez do segmento empurrou os cotonicultores a “driblar” a lei - ainda que as perspectivas apontem para uma retomada do plantio em 2006/07. “Como não há regulamentação [da liberação], não temos como comprar sementes 100% livres de transgênicos”, disse o presidente do conselho da Abrapa, João Luiz Pessa. A CTNBio permitiu a presença “adventícia” (traços) de até 1% de transgênicos nas variedades de algodão. “Porque é proibido plantar se é permitido importar?”, questionou o produtor Álvaro Salles, de Rondonópolis (MT). “O produtor cometeu um crime, mas sempre dissemos para ele não plantar”, afirmou Salles. No campo, os fiscais identificaram sementes ilegais de várias empresas, sobretudo da Monsanto. Na maioria das lavouras, encontraram a variedade resistente a insetos da multinacional americana, chamada Bollgard, que obteve autorização da CTNBio para plantio comercial em março de 2005. Mas houve indícios da presença da “Bollgard 2”, resistente a outros dois insetos que a Bollgard autorizada não cobre, e da Roundup Ready (RR) - ambas da Monsanto. E o registro de combinações entre essas tecnologias e até da recém-lançada RR “flex”. Protegidas pelas leis de Sementes e da Proteção de Propriedade Intelectual, as variedades não podem ser comercializadas ou plantadas. Nem mesmo a Bollgard, segundo avaliação da Coordenação de Biossegurança e do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do ministério. Embora autorizada pela CTNBio, a variedade precisaria obter o registro nacional de cultivares, o que demoraria “no mínimo dois anos” a partir de 2005, segundo o diretor Álvaro Nunes Viana e o coordenador Marcus Vinicius Coelho. Além disso, a semente exigiria cuidados adicionais, como zonas de exclusão, áreas de refúgio e práticas para destruição total dos restos do plantio.
Valor Econômico, 28/06/2006.

7. Cocamar nega uso de soja transgênica em seus produtos
Das 780 mil toneladas de soja processadas até o fim deste ano pela Cocamar, cooperativa sediada em Maringá, no Noroeste do Paraná, nenhum grão utilizado pela empresa será de conteúdo transgênico. A cooperativa até aceita receber soja transgênica de seus cooperados, mas separa esses grãos para exportação ou venda para outras indústrias. A informação foi divulgada nessa terça-feira (27/06) na agência de notícias do governo estadual.
A empresa produz óleo de soja refinado com as marcas Cocamar e Purity, maionese de soja, bebidas à base de soja com sabores de frutas, farelo, creme e leite condensado de soja. Segundo o gerente comercial da Cocamar, José Cícero Aderaldo, a empresa adota essa postura para evitar a necessidade de rotulagem dos seus produtos. “Sabíamos que teríamos que fazer a rotulagem se misturássemos a soja transgênica. Como a quantidade de soja transgênica que recebemos é relativamente pequena, optamos por separá-la”, comentou Aderaldo.
A possibilidade de que a iniciativa da cooperativa seja explorada comercialmente não está descartada. “Não estamos anunciando que vamos usar a recusa aos transgênicos como diferencial de mercado dos nossos produtos. Vamos esperar o mercado se definir”, declarou o gerente. Em 2005, a Cocamar conquistou 15 posições no ranking das 400 maiores empresas do agronegócio brasileiro, saltando do 85º para a 70º lugar.
Gazeta do Povo, 28/06/2006.

8. Empresa desenvolve teste que detecta 3 tipos de transgenia
A Gehaka lança Kit Triple Trait, um teste de identificação de organismos geneticamente modificados (OGMs) em grãos de milho, apontando a presença ou não (qualitativo) das proteínas CP4 EPSPS, Cry3Bb e Cry1Ab produzidas por genes derivados da Agrobacterium sp. (CP4 EPSPS) e Bacillus thuringiensis (Cry3Bb e Cry1Ab). “O teste usa um duplo anticorpo no formato de sanduíche, o que permite analisar a presença ou não de todas essas proteínas em uma única análise. O aparecimento de uma linha (controle) na tira indica um resultado negativo. O aparecimento de duas ou mais linhas na tira indica um resultado positivo”, explica a gerente da divisão de microbiologia da Gehaka, Fabiola Franco.
As tiras de fluxo lateral fornecidas no Kit podem ser usadas na folha ou no grão de milho e o teste pode ser realizada tanto no campo como em ambiente laboratorial. “Este teste é destinado a detecção de milho NK603 Roundup Ready, YieldGard Rootworm e YieldGrad em níveis específicos e determina se a amostra está acima ou abaixo do nível de contaminação (entre 0,5% e 1%) em apenas 5 minutos”, diz a gerente. As informações são da assessoria de imprensa da Gehaka.
Agrolink, 28/06/2006.

9. Monsanto cobrará royalties mais baixos para sua soja RR
A Monsanto do Brasil deve divulgar hoje as regras para a cobrança de royalties sobre a utilização de sementes de soja transgênica com a tecnologia “Roundup Ready” (RR). O valor será de 1% sobre a soja colhida, independentemente se a origem da semente era legal ou não. Os produtores que utilizarem a semente original, no entanto, receberão um desconto de 22% sobre o valor cobrado. “Trata-se de um bônus para premiar o produtor por incentivar as pesquisas de tecnologia, já que o valor pago pela semente pirata não remunera o uso da tecnologia e não é revertido para pesquisas”, comenta o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto. O executivo afirma que as negociações com a Monsanto caminharam bem, mas que ainda não havia sido formalizado um acordo. “Essa proposta é satisfatória, mas o martelo não foi batido”, diz. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), Ivo Carraro, as negociações estavam praticamente acertadas, mas a Monsanto não deu sua versão final. “O anúncio será uma surpresa, mas se de fato a empresa acatar a nossa última proposta, será muito bom”, avalia Carraro. Vendas maiores
Para Miyamoto, a Monsanto tem margem para reduzir seus royalties em relação à última safra porque ganhará mais com o volume produzido, já que a Abrasem espera um crescimento na área plantada com variedades transgênicas. “Enquanto na safra 2005/2006 o volume ficou entre 25% e 30% da produção de soja, neste ano a soja RR deverá ultrapassar 40% da produção nacional”, estima Miyamoto. No Paraná, a produção de sementes transgênicas de soja saltará de 1,1 milhão de sacas de 50 quilos para aproximadamente 2,1 milhões de sacas na próxima safra, de acordo com estimativa do diretor executivo da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes (Apasem), Eugênio Bohatch. “Tínhamos o receio de que as questões com o governo estadual com a soja transgênica pudessem restringir o plantio, mas o produtor acaba escolhendo a semente modificada devido aos custos de produção”, acrescenta Bohatch. Para o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, os royalties da multinacional estarão em patamares mais baixos que na safra passada, o que pode incentivar a utilização da variedade RR. “Espero que isso compense o fato de o royalty cobrado sobre a semente pirata estar muito próximo da semente original”, ressalta Silveira, que é sojicultor e revendedor de produtos agrícolas. “Além do bônus, o produtor tem que subtrair do custo da semente legal a garantia e a assistência técnica nela inseridas”, rebate Miyamoto. Na safra passada, os royalties foram de R$ 0,88 por quilo de semente original ou 2% da soja colhida a partir de sementes ilegais. Lucros no mundo A Monsanto anunciou ontem um aumento de 600% no lucro no terceiro trimestre fiscal, comparado com igual período de 2005. Os fortes aumentos nas vendas de sementes e agroquímicos da companhia foram os maiores responsáveis pelo desempenho. A multinacional lucrou US$ 334 milhões no trimestre, contra US$ 47 milhões no mesmo período do ano passado. As vendas de sementes de alto desempenho cresceram 26% para US$ 1,34 bilhão no período. Já as vendas de agroquímicos e fertilizantes cresceram 3%, para US$ 1,01 bilhão. No Brasil, o espanhol Alfonso Alba assumirá a presidência da empresa a partir de 1º de julho. Rick Greubel deixou a presidência por decisão própria e retorna aos Estados Unidos para estar mais perto da família.
DCI, 30/06/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Receitas caseiras para o controle alternativo de pragas e doenças

Calda Bordalesa
Fornece proteção contra moléstias fúngicas e bacterianas. Preparado a frio com a mistura de sulfato de cobre + cal hidratada + água. As caldas cúpricas (Bordalesa e Viçosa), devem ser utilizadas a critério da certificadora.

Calda Viçosa
Além da proteção contra moléstias, atua como nutriente foliar. Os ingredientes são a mistura de sulfato de cobre + micronutrientes (zinco, boro, magnésio,etc) + cal hidratada + água, em preparo a frio. Caso contenha como ingredientes a uréia, cloreto ou nitrato de potássio, a calda viçosa não é aceita na agricultura orgânica.

Biofertilizantes
Produzido com a fermentação do esterco bovino misturado a água, num vasilhame, geralmente fechado, é utilizado como adubo e fortificante foliar. Vêm sendo muito empregados ultimamente na agricultura ecológica, devido resistência contra pragas e moléstias

Outras medidas
Rotação de culturas, desinfecção de sementes com produtos naturais, extrato de plantas defensivas (alho, cavalinha, etc), biofertilizantes, cinzas de madeira, vermicomposto, enxofre simples e suas preparações (Calda Sulfocálcica), pó de pedra, iodo, cal hidratada, homeopatia, entre outros.

MEIOS CONTRA INSETOS-PRAGAS
Iscas e armadilhas.
Medida auxiliar no controle de insetos nocivos ou para o monitoramento (determinação de infestação), visando o combate biológico. Emprega iscas atrativas com substâncias naturais (sucos de frutas, vinagre, etc), armadilhas mecânicas, feromônios em armadilhas, adesivos e placas atrativas, etc.

Controle Biológico
Uso de microrganismos que sejam patógenos de insetos nocivos, fazendo o controle natural. Visam introduzir, aumentar e conservar a população de inimigos naturais na propriedade, como preparados prontos ou extratos de insetos , como fungos entomopatogênicos, bactérias, vírus, etc.

Calda Sulfocálcica
Tem ação protetora contra ácaros, insetos-pragas e moléstias de forma curativa. Os ingredientes são a mistura de enxofre ventilado (25 kg) + cal hidratada (16 kg) ou cal virgem (12,5 kg) + 60 ou 70 litros de água, em preparo a quente de 100 litros.
Para recomendações de aplicação da calda, consulte http://www.emater.tche.br/docs/agroeco/revista/ano2_n1/revista_agroecologia_ano2_num1_parte11_dica.pdf

Plantas defensivas:
As plantas fitoprotetoras como o alho, Nim, urtiga, cravo-de-defunto, arruda, cavalinha, entre outras, tem ação contra insetos-pragas, repelência ou fortificante, sendo opção na substituição a muitos defensivos agressivos.

Plantas companheiras:
A instalação de linhas de plantas companheiras pode ser benéfico para a repelência de pragas nocivas.: Alecrim, Alho, Hortelã, Tomilho, etc.

Plantas benéficas
São plantas que servem de abrigo e reprodução dos insetos que se alimentam das pragas (inimigos naturais), como: Ageratum conyzoides (mentrasto), Raphanus raphanistrum (nabo forrageiro), entre outras.

Outras medidas
Coleta de insetos, barreiras vegetais, tratamentos com calor, solarização do solo, preparados biodinâmicos, emulsões oleosas (sem inseticidas químicos-sintéticos), produtos naturais (sabão natural, óleos vegetais e minerais, cinzas de madeira, urina animal, pó de rocha, etc).

Biofertilizantes
Para fazer um adubo orgânico natural, num tambor de 200 litros colocam-se 50 a 60 kg de esterco de gado fresco, misturados a 100 a 120 litros de água. Adicionando açúcar ou melaço favorece a fermentação. Fecha-se hermeticamente e coloca-se uma mangueira plástica (para evitar explosão dos gases), com a ponta imersa num balde com água. Depois de 30 dias estará pronta. Diluir 1 parte em 2 a 3 partes de água.

Extrato de Plantas
Uso das folhas do tomateiro para controle de pulgões: Tomar 25 Kg de folhas e talos de tomateiro picados + 100 g de carbonato de sódio + 10 litros de água. Ferver estes ingredientes por uma hora. Depois de fervido, coar, completar para 100 litros de água e pulverizar sobre as plantas.

Eng. Agr. Silvio Roberto Penteado
http://www.agrorganica.com.br/


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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected] ]

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