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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 298 - 05 de maio de 2006

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Prática tão antiga quanto a própria agricultura é deixar os animais pastarem os restos de cultivo. Enquanto aproveitam a palhada e outras plantas remanescentes, os animais estercam a área, recompondo sua fertilidade. No entanto, pastores de ovelhas na Índia estão colhendo sérios e preocupantes resultados após deixarem seus animais pastar os restos de algodão transgênico.

Um relatório preliminar sobre um levantamento realizado em quatro comunidades do distrito de Warangal, Andhra Pradesh, indicou mortalidade de 13 a 25% entre os ovinos que se alimentaram de folhas e frutos do algodão Bt. Apesar de as comunidades estarem distantes entre si cerca de 20-25 Km, os relatos dos pastores entrevistados foram bastante semelhantes. Em Ippagudem, que tem 100 propriedades, a equipe de técnicos responsável pelo levantamento reuniu 40 pastores e 10 agricultores. Eles relataram que os animais começaram a morrer cerca de uma semana após o pastejo na área de algodão Bt.

Um dos pastores disse que cultivou o algodão Bt no ano anterior e deixou seu rebanho pastar na área. Como ele perdeu alguns animais, este ano ele não deixou seus animais se alimentarem de restos de algodão Bt e suas ovelhas não morreram.

Em Valeru os depoimentos foram idênticos, inclusive descrevendo os mesmos sintomas que afetaram os animais. De um total de 2.168 ovelhas, 549 morreram (25,3%). Nesta última safra as sementes Bt foram empregadas em maior escala na comunidade, mas como o desempenho das lavouras foi ruim, os agricultores abandonaram muitos campos, o que aumentou o pasto de algodão Bt para os animais. O mercado local de carne também foi afetado com tamanha mortandade de animais.

A equipe visitou a diretora assistente do Centro de Saúde Animal do Departamento de Pecuária, que, a pedido de alguns pastores, havia examinado alguns dos animais mortos. Segundo a diretora, embora a situação indique que as mortes podem resultar do efeito da toxina Bt presente no algodão transgênico, não se pode tirar uma conclusão definitiva uma vez que os agricultores também pulverizam as lavouras com diferentes agrotóxicos. Nos 3 ou 4 animais autopsiados, ela observou manchas pretas no intestino, aumento do duto biliar, descoloração do fígado e acúmulo de líquido pericárdico.

O relatório oficial do governo ainda é aguardado pela equipe, mas já se sabe que os sintomas relatados pelos pastores apontam para uma intoxicação e não coincidem com aqueles das doenças mais típicas que atingem os rebanhos neste período.

Não há relatos na literatura científica sobre morte de ovinos em função da toxina Bt. Apesar disso, já foi demonstrado em laboratório que uma das toxinas produzidas pela bactéria Bt pode provocar diarréia e irritação intestinal em ratos. Assim, pode ser que as ovelhas alimentadas exclusivamente de restos de cultivos Bt tenham apresentado uma concentração da toxina Bt em seu intestino. No entanto, como não há estudos que simulem as condições às quais esses animais foram submetidos, somente novas pesquisas e um aprofundamento da questão poderá realmente esclarecer as causas dessas mortes.

O relatório não deixa claro o que aconteceu com os animais que se alimentaram de restos culturais de algodão não-transgênico.

Enquanto essas questões não forem esclarecidas, o mínimo que se deve esperar dos governos é o estabelecimento de uma moratória total sobre todos os cultivos transgênicos Bt.
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Fonte: http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=6494

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Após a denúncia veiculada pelo Correio Braziliense no último dia 25, o Ministério da Agricultura recuou e não renovou automaticamente de forma ilegal a licença para comercialização do hormônio transgênico para bovinos, da Monsanto. O pedido da Elanco, empresa que comercializa o produto no Brasil, deve ser analisado pela CTNBio levando em consideração as novas evidências científicas sobre o risco do hormônio.

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Neste número:

1. Fetraf quer proibir embarque de transgênicos
2. Polônia proíbe venda de sementes transgênicas
3. Árvores transgênicas crescem secretamente na Inglaterra
4. Pressão sobre a CTNBio
5. Alemanha aprova três variedades de milho transgênico da Monsanto
6. Índia permite importação de óleo de soja transgênico rotulado

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Abacaxi Orgânico

Dica sobre fonte de informação
O papel central da indústria avícola na crise da gripe aviária. Grain, 2006. Disponível em www.aspta.org.br, seção Textos para download.

Eventos
V Encontro Paraibano de Agroecologia
Data: 8, 9, e 10 de Maio de 2006.
Contato: Rejane - ASA-PB, tel. 83 3341 3463
Informações: [email protected]

Seminário Fluminense de Agroecologia
Data : 9 e 10 de Maio de 2006.
Informações: [email protected]

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1. Pequeno agricultor quer entrar na Justiça contra OGMs em Paranaguá
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) pretende entrar com ação na Justiça contra a decisão que liberou o embarque de transgênicos no porto de Paranaguá. Segundo a entidade, a liberação teria provocado a perda de um contrato de exportação de 60 mil toneladas de soja, com prejuízo de R$ 23 milhões.
A liminar que liberou o embarque de organismos geneticamente modificados (OGMs) acatou pedido da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) e foi confirmada no último dia 10 pelo Supremo Tribunal Federal. “Perdemos um contrato de exportação de 60 mil toneladas de soja devido à possibilidade da contaminação da soja convencional com a transgênica no porto”, disse Marcos Rochinski, coordenador da Fetraf-Sul.
O governador do Paraná, Roberto Requião, que é contra o plantio, armazenagem e comercialização de transgênicos no estado, anunciou apoio à Fetraf na condução da ação judicial.
Na sexta-feira passada, outra instituição já havia manifestado posição contrária ao embarque de transgênicos. O Greenpeace enviou carta para o governo federal pedindo que intervenha na decisão do STF de obrigar Paranaguá a exportar soja transgênica por todos os seus terminais.
Paranaguá fez o seu primeiro embarque (8 mil toneladas) de soja transgênica no último dia 25 de abril. Para atender a liminar, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) determinou que todos os terminais possam armazenar o grão, mas liberou apenas um dos três berços do corredor de exportação para a atracação dos navios para transgênicos. A medida, segundo a APPA, visa obedecer a lei de Biossegurança, que prevê a segregação da soja modificada.
A medida desagradou os terminais que obtiveram a liminar, que querem que toda a estrutura portuária em Paranaguá possa ser utilizada. Os advogados da ABTP prometem entrar hoje na justiça com pedido de utilização dos demais berços.
Gazeta Mercantil, 03/05/2006.

2. Polônia proíbe venda de sementes transgênicas
O parlamento polonês aprovou uma lei que remove sementes geneticamente modificadas do registro nacional, banindo efetivamente sua venda, conforme disse um oficial nesta sexta-feira.
“Isto deve ser interpretado como a proibição da venda de sementes geneticamente modificadas na Polônia”, disse à AFP Wojciech Mojzesowicz, chefe da comissão de agricultura no parlamento.
Mas de acordo com o ministério Polonês de relações européias, a proibição vai contra as diretivas da União Européia. Polônia uniu-se à UE em maio de 2004.
A lei precisa ser endossada pelo Presidente Lech Kaczynski antes de produzir seus efeitos.
Cerca de 76% dos consumidores poloneses são contra os organismos geneticamente modificados, de acordo com uma pesquisa de opinião conduzida pelo Greenpeace.
Sapa AFP, 28/04/2006.
http://www.int.iol.co.za/index.php?set_id=1&click_id=24&art_id=qw1146219840472B214

3. Árvores transgênicas crescem secretamente na Inglaterra
Governos do mundo todo manifestaram um alerta sem precedentes sobre a maior das ameaças biotecnológicas até o momento: as árvores transgênicas.
Cerca de 16 países estão desenvolvendo árvores transgênicas pelo mundo, e mais de um milhão delas foram plantadas na China. Ao menos 24 espécies foram modificadas. As espécies mais utilizadas nos programas de engenharia genética são o álamo (Populus spp.), o pinus e o eucalipto.
Contudo, ministros reunidos no Brasil para o Oitavo Encontro da Convenção da Biodiversidade, mostraram-se preocupados com a possibilidade dos genes modificados se dispersarem pelo vento para grandes distâncias e para além das fronteiras nacionais. O pólen das árvores pode viajar por mais de 2.000km. E, como as árvores podem viver por séculos, os exemplares modificados são ameaças de longo prazo para as florestas mundiais.
A contaminação por genes que conferem rápido crescimento, por exemplo, poderia fazer uma espécie prevalecer sobre outras na floresta; genes que produzem substâncias inseticidas poderiam dizimar ecossistemas tropicais, os mais ricos do planeta; e genes que reduzem o teor de lignina poderiam tornar as árvores mais suscetíveis a pragas.
O Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais negou que árvores transgênicas estivessem sendo cultivadas na Inglaterra, até o The Independent dar os detalhes, no domingo.
Todas as plantações foram destruídas por manifestantes ou derrubadas ao fim dos experimentos. Na Inglaterra, as únicas árvores GM são os olmos, resistente à praga do olmo holandês, e crescem em um ambiente controlado em algum lugar, em Dundee.
Os cientistas que desenvolveram estas árvores disseram que não plantariam nenhuma em outros lugares por temerem o “terrorismo” por parte dos manifestantes. Eles não revelaram precisamente onde estão ou quantas são, mas confirmaram que existem mais de cem delas.
The Independent, 30/04/2006.
http://news.independent.co.uk/environment/article361056.ece

4. Pressão sobre a CTNBio
A Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados fará audiência pública para debater a demora nas análises e deliberações da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A audiência será em conjunto com as comissões de Meio Ambiente e de Agricultura. Autor da proposta, Francisco Gonçalves (PPS-MG) disse que, apesar da reestruturação da CTNBio, áreas da ciência e tecnologia e do campo reclamam da morosidade na análise de 540 pedidos já protocolados. Participam da audiência Embrapa, USP, Academia Brasileira de Ciências e Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas.
Valor Econômico, 05/05/2006.

5. Alemanha aprova três variedades de milho transgênico da Monsanto
Agricultores alemães poderão cultivar a partir desta safra três variedades transgênicas de milho Yieldgard, resistente a insetos-praga, desenvolvido pela Monsanto.      
Segundo o ministro da Agricultura e Consumo da Alemanha, Horst Seehofer, em entrevista à agência de notícias alemã Deutsche Welle, a promoção de alimentos geneticamente modificados é uma das políticas do novo governo alemão, formado por uma grande coalizão e liderado por Ângela Merkel.
De acordo com o texto, empresas do setor da biotecnologia e produtores esperam que as alterações na lei alemã dêem aos transgênicos o mesmo status dos produtos convencionais. Com as mudanças, os agricultores estão livres a usar novas tecnologias desenvolvidas por meio da transgenia para aumentar e proteger sua produção.
Desenvolvido para proteger a lavoura de milho dos ataques de insetos-pragas, o milho MON 810 YieldGard tem inserido em seu código genético um gene da proteína do Bacillus thuringiensis (Bt), uma bactéria encontrada naturalmente no solo, que possui ação inseticida em larvas de alguns tipos de pragas-alvo. 
Agrol, 03/05/06.

6. Índia permite importação de óleo de soja transgênico rotulado
A Índia irá permitir a importação de óleo de soja transgênico desde que o produto seja claramente rotulado e certificado como seguro para o consumo humano, afirmou uma autoridade do governo local.
“O Comitê de Aprovação de Engenharia Genética tomou uma decisão provisória permitindo importações de óleo de soja que contenham identificação de que o produto é extraído da soja (transgênica) Roundup Ready”, disse a autoridade. (...)
Os exportadores também devem garantir que o produto é seguro, acrescentou a autoridade.
Segundo operadores de tradings, o país importa cerca de 2 milhões de toneladas de óleo de soja, principalmente do Brasil e da Argentina, onde a soja Roundup Ready é amplamente cultivada.
Cerca de 40 por cento dos 11 milhões de toneladas de óleo comestível que a Índia precisa por ano é importado. Sob as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o óleo de soja carrega tarifa de importação de 45 por cento na Índia.
Reuters, 03/05/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Abacaxi Orgânico

Algumas práticas recomendadas para a produção do abacaxi orgânico são:

Controle da vegetação
Quando necessária esta operação deve ser manual, separando-se o material mais “grosseiro”, do mais “fino” (galhos e folhagens) e incorporando-o ao solo, com o uso de máquinas dependendo da quantidade, após alguns dias. Em nenhum momento fazer uso de queimadas.
A época mais adequada para realizar esta operação é antes do período chuvoso, pois o processo de decomposição do material vegetal necessita de umidade para ativação dos microrganismos.

Esterco ou composto orgânico
É importante para a cultura e principalmente, para o solo, o uso do material orgânico, pois melhora suas propriedades físicas e biológicas. O esterco mais usado é o bovino, sempre curtido.
O composto é bem mais interessante do que simplesmente os estercos (bovino, caprino, ovino). Além de aumentar a quantidade de material a ser usado, o composto é um produto de qualidade superior, que pode ser enriquecido, dependendo da condição financeira de cada produtor.
É essencial que se tenha água próximo do local da compostagem. O tempo de decomposição se dará, normalmente, em torno de 90 dias. Com relação à quantidade a ser usada, é bastante variável, dependendo muito do solo.

Fosfato natural
Os nossos solos são, geralmente, pobres em fósforo. Seria interessante, dependendo do resultado de uma análise de solo, o uso de fosfatos naturais. Por sua reatividade, sofre um processo gradual e contínuo de solubilização, liberando progressivamente o fósforo, o que possibilita um melhor aproveitamento ao longo do ciclo das culturas, além do mais, tende a elevar os teores de fósforo e cálcio do solo. Os mesmos podem ser incorporados com o material proveniente da supressão vegetal ou quando da incorporação do coquetel verde.
A distribuição pode ser a lanço, em todo o terreno, ou localizada, em sulcos ou covas, antes mesmo de realizar o plantio de adubo verde (quando feito), ou antes, do plantio da cultura do abacaxi.

Coquetel verde
É o plantio de diferentes espécies vegetais, não especificamente leguminosas. Cada um destes vegetais se comporta diferentemente em relação ao desenvolvimento da parte aérea e exploração do sistema radicular em diversas profundidades.
Você é quem organiza seu coquetel, usando inclusive espécies locais. O importante é o desenvolvimento de espécies que possam formar uma massa vegetal suficiente, chegando-se a obter 50ton./ha de massa verde. O corte do coquetel fica a critério: mecanicamente ou manualmente.
O coquetel sugerido é o de ciclo longo (corta-se em torno de 100 dias). Mas isto não impede do mesmo ser cortado em menor tempo, o que dependerá da massa vegetal formada. Caso você não tenha sistema de irrigação na propriedade, recomenda-se plantar o coquetel no período de chuvas. Com relação ao plantio, escolha o mais fácil para você.

Seleção de mudas
Indiscutivelmente, o sucesso do plantio do abacaxi está na escolha e seleção das mudas. Estas devem ser de boa procedência, livres de problemas fitossanitários e com o máximo de uniformidade.
 
Plantio
O plantio pode ser realizado em fileiras simples, duplas ou até maiores. O uso de fileiras simples facilita os tratos culturais, principalmente, devido ao uso de variedades com folhas espinhosas. O espaçamento é variável, sendo que 0,90m x 0,40m, mais adensado, demonstrou ser viável, já que sua produtividade suplantou a média nacional. No entanto, o espaçamento duplo (1,50m x 0,50m x 0,40m), está sendo recomendado naquela região por propiciar um maior espaço entre as fileiras, o que possibilitará maior diversificação de culturas para os produtores e diminuirá o número de capinas, reduzindo o custo de produção.
 
Tratos culturais
Na cultura do abacaxi realiza-se, segundo os produtores, uma limpa por mês. Durante a limpa é importante não causar dano às folhas nem às raízes, evitando-se ainda que caia terra na roseta foliar. O material vegetal que está sendo capinado deve ser utilizado como cobertura vegetal.
 
A colheita
A determinação do ponto de colheita é muito importante, pois os frutos colhidos muito verdes não adquirem coloração mínima aceita para a venda, e sua qualidade é péssima, tanto pelo teor de açúcar quanto pela elevada acidez. Por outro lado, os frutos não podem ser colhidos muito maduros, para não chegarem ao consumidor em fase adiantada de amadurecimento, iniciando a senescência e com maior percentual de lesões pela pouca resistência durante o manuseio, transporte e armazenamento.
Fonte: Revista Agroecologia Hoje, Ano IV, Nº 27, Outubro de 2004.

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