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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 297 - 28 de abril de 2006

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Dizer que a liberação comercial de transgênicos passa por processos insuficientes de avaliação de risco onde prevalecem os dados das empresas não é novidade. A novidade está no movimento de revisão desses critérios em curso na União Européia. Liderada pela Áustria e com o apoio de vários outros estados membros, a iniciativa levou a Comissão Européia a promover mudanças práticas nos procedimentos da Autoridade Européia para Segurança Alimentar (EFSA) adotados para a liberação de transgênicos. O objetivo dessa revisão é conferir maior consistência científica e transparência às decisões da EFSA, tidas como enviesadas a favor das empresas de biotecnologia.

A bandeira foi levantada pelos comissários de meio ambiente, Stavros Dimas, e de saúde e defesa do consumidor, Markos Kyprianou. Para Dimas, as avaliações de risco feitas pela EFSA se baseiam demais nas informações fornecidas pelas empresas. "Assim, a EFSA não pode garantir a consistência científica de suas decisões. Eles apenas avaliam estudos sobre impactos no curto prazo e não levam em consideração as opiniões dos estados membros."

As propostas feitas por Dimas e Kyprianou têm como objetivo promover melhorias que garantam aos países membros e à sociedade de forma geral que as decisões sejam baseadas em avaliações científicas de alta qualidade e que garantam elevada proteção à saúde humana e ao meio ambiente. A Comissão poderá suspender os procedimentos para autorização para apreciar novas questões científicas relevantes apresentadas por estados membros e que não tiverem sido contempladas pelo EFSA.

O lobby pró-transgênicos de pronto se posicionou contrário às medidas e disse que elas atrasarão os projetos em biotecnologia. Eles não querem nem ouvir falar em estudos de médio e longo prazo sobre os efeitos dos transgênicos. Além disso, tentam minimizar as preocupações sobre os riscos dos transgênicos via ações na Organização Mundial do Comércio. Porém, a Comissão Européia se adiantou dizendo que "as mudanças se darão dentro do atual marco legal, em acordo com o Comissão Européia e a OMC, e evitando qualquer atraso indevido nos procedimentos de avaliação".

Diante disso, os estados nacionais reafirmam o interesse e a importância de defender seu povo, a despeito do poder das empresas da área. Da mesma forma, fica mais uma vez evidente a fragilidade dos argumentos e postas em questão as motivações que levam autoridades a afirmar que os transgênicos hoje no mercado são seguros para a saúde e o meio ambiente.

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Neste número:

1. MAPA chancela hormôno transgênico no leite
2.
Soja "sustentável" embala avanço da paranaense Imcopa
3. Cooperativas exportam mais produtos orgânicos
4. Farelo transgênico é exportado desde 2003
5. Paranaguá embarca soja transgênica

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Mato: inimigo ou companheiro no café orgânico?

Dicas sobre fontes de informação

Brasil de Fato, um jornal independente compromissado com os movimentos sociais e os interesses do povo. www.brasildefato.com.br

Soya convencional y transgénica en Bolivia: ¿Quiénes realmente se benefician? Por Red Bolivia Libre de Transgénicos.
“A expansão do cultivo de soja na Bolívia durante os últimos 15 anos foi de 411% a custa do desmatamento de mais de um milhão de hectares de floresta. A taxa de desmatamento para preparar a terra para a cultura da soja é de quase 60 mil hectares por o ano”.
http://www.ecoportal.net/content/view/full/58531

Evento
3º Encontro Nacional da Rede Bionatur de Sementes Agroecológicas
Data: 9 a 11 de Maio de 2006 - Candiota, RS
Contatos: Fernanda ou Patrícia - tel. 53 3245 8000 [email protected]

A Rede Bionatur é uma iniciativa organizada pelo MST na perspectiva de enfrentar o atual modelo agrícola e tecnológico imposto pelo agronegócio e pelas grandes empresas transnacionais que controlam o mercado de sementes no Brasil e no mundo. A Rede busca contribuir com a luta pela reforma agrária agroecológica e a agricultura camponesa, pautada pela justiça socioambiental, com alimentos sadios, diversificados, éticos, livres de agrotóxicos e transgênicos.

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1. MAPA chancela hormôno transgênico no leite
Governo descumpre compromisso assumido com a Comissão de Meio Ambiente da Câmara e decide renovar licença para venda de hormônio, proibido na Europa, usado no aumento da produção de leite.
O uso da somatotropina bovina recombinante é uma polêmica mundial. Mais conhecido por sua sigla em inglês, BST, esse hormônio é considerado uma espécie de precursor dos transgênicos e usado para fazer com que vacas produzam mais leite. Cercado por suspeitas de danos à saúde de consumidores, o medicamento divide opiniões e tem sua comercialização proibida na Europa e no Canadá, mas permitida nos Estados Unidos e em outros países. O Brasil adotou a linha norte-americana e em 1990 autorizou dois laboratórios a venderem aqui o BST.
Um memorando da Coordenação de Fiscalização de Produtos Veterinários (CPV), do Ministério da Agricultura, encaminhado à Câmara dos Deputados, informou no dia 6 de março que antes da renovação das duas licenças os casos seriam reavaliados para “atualizar as informações sobre segurança do uso do produto”, e uma nova análise seria feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A promessa foi ignorada. A licença mais antiga vence sexta-feira, dia 28, e o Ministério da Agricultura já decidiu renová-la sem fazer nenhuma reavaliação nem submeter o caso à CTNBio.
A somatotropina é um hormônio de crescimento natural secretado por alguns animais. No começo da década de 1980, ainda no nascedouro das experiências transgênicas, cientistas conseguiram produzi-la em laboratório por meio da chamada técnica do DNA recombinante. O medicamento começou a ser vendido para produtores para ser injetado em vacas, que passaram a produzir mais leite (ver infográfico). As críticas não demoraram. Já em 1988, pesquisadores norte-americanos mandaram cartas a publicações científicas alertando para potenciais risco do leite resultante do uso do BST. No final da década de 1990, especialistas da Harvard Medical School e cientistas contratados pelo governo do Canadá reforçaram os temores.
Riscos
Os ataques ao BST se dão em duas frentes. Na primeira, pesquisadores afirmam que o aumento na produção de leite gera inflamações nas mamas das vacas, aumentando a necessidade de uso de antibióticos. O resíduo desses remédios no leite prejudicaria o sistema imunológico humano. Na segunda frente, o fato de o BST injetado aumentar a produção do Insuline-like Growth Factor (IGF-1), um hormônio semelhante à insulina, é apontado como potencial causador de câncer e outras doenças. Mesmo dentro da Embrapa, o respeitado centro de pesquisa do governo que defende transgênicos, o perigo do BST é levado a sério. “O risco para a saúde de quem toma o leite é muito pequeno, mas realmente existe”, afirma Leovegildo Lopes de Matos, gerente do Núcleo Sul da Embrapa Gado de Leite.
A defesa do uso do BST também começou cedo nos Estados Unidos. Em 1993, a Food and Drug Administration (FDA), a agência norte-americana reguladora de alimentos e remédios, declarou formalmente que o uso do hormônio não implica problemas para as vacas nem para quem bebe o leite. Diversos outros artigos publicados em revistas científicas e estudos realizados por pesquisadores da Universidade Cornell e por outras instituições também concluíram que o BST não é perigoso para os consumidores. Os principais argumentos dos especialistas que se enquadram nesse grupo são a inexistência de vínculo concreto entre a utilização do BST e inflamações em mamas de vacas, que exigiriam maior uso de antibióticos, e também a não comprovação de resíduos no leite de IGF-1 que não pudessem ser eliminados pelo aparelho digestivo humano e, assim, se tornassem perigosos. “Não existe nenhum risco para a saúde”, diz Jaco Tormes, diretor de Assuntos Corporativos da Elanco, um dos laboratórios que vende o BST no Brasil.
Falta de identificação
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que no ano passado, produtores de leite brasileiros compraram 745 mil doses de BST. Como a venda ocorre em diversas regiões do país e o leite originário de diferentes pecuaristas é misturado no processo de produção de grandes empresas, não há como saber quais lotes de leite provêm de vacas que receberam o medicamento. Ao contrário do que já ocorre nos Estados Unidos, não há tradição no Brasil de uso da informação “leite sem BST” em rótulos de produtos retirados de vacas livres do hormônio.
O governo liberou a venda do BST em 1990. O laboratório Eli Lilly, do qual a Elanco é a divisão para produtos animais, foi autorizado a vender o Lactotropin, hormônio produzido pela Monsanto, a gigante mundial na área de transgênicos, e o Schering Plough Saúde Animal conseguiu licença para comercializar o Boostin, o BST produzido pelo sul-coreano LG. A licença do Boostin tem validade até setembro, mas a do Lactotropin vence na sexta-feira.
No começo do ano, o deputado Edson Duarte (PV-BA), membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, encaminhou um pedido de informações ao Ministério da Agricultura sobre a comercialização do BST. “Resolvemos buscar as informações para que a comissão possa tomar providências que forem necessárias”, diz o deputado. “É um assunto que nos preocupa”. Foi na resposta a esse pedido de informações que o ministério prometeu reavaliar a liberação do produto. O memorando número 033/2006, preparado pela Coordenação de Fiscalização de Produtos Veterinários com o endosso do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários e da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério, afirma isto na página 3: “Esclarecemos que, quando da renovação da licença, e com o objetivo de atualizar as informações sobre segurança do uso do produto, o MAPA solicitará nova análise da CTNBio”.
A Elanco encaminhou no começo de abril um pedido de renovação da licença e está convencida de que não haverá problemas. “Nossa expectativa é que tudo corra de forma normal”, diz Clea Camargo, gerente da Área Técnica e Recursos da Elanco, acrescentando não haver nenhuma necessidade de o processo passar pela CTNBio, um colegiado técnico de assessoramento do governo na área de modificações genéticas. Apesar de contrariar o memorando enviado à Câmara, é essa a linha que o Ministério da Agricultura assumiu na prática.
Sem problemas
Na última quarta-feira, Flordivina Mikami, coordenadora de Fiscalização de Produtos Veterinários do ministério, foi categórica ao afirmar que a licença será renovada. “Não há nada de novo em termos de informações”, afirmou. Ela disse ter consultado técnicos do órgão e concluído não haver nenhum “problema” para a renovação ser feita e descartou a necessidade de quaisquer novas análises ou avaliações. No dia seguinte, depois de saber que o Correio havia contatado a Elanco, a coordenadora amenizou um pouco o tom e foi menos taxativa, mas ainda assim afirmou que “hoje não teria nenhum problema” renovar a autorização. A licença do Lactotropin deverá ser anunciada pelo governo até a próxima sexta-feira para evitar que as vendas do hormônio dessa marca precisem ser suspensas.
Correio Braziliense, 25/04/2006.

2. Soja “sustentável” embala avanço da paranaense Imcopa
Nesta semana, a esmagadora paranaense Imcopa embarca para a Europa o primeiro navio com farelo de soja produzido de forma sustentável no país com a certificação ProTerra, reconhecida pela organização não-governamental World Wide Fund for Nature (WWF). São 60 mil toneladas de farelo produzido a partir de soja não-transgênica, proveniente de propriedades onde não há desmatamento desde 1994, não há trabalho infantil nem trabalho escravo e onde o uso de agroquímicos tem controle rigoroso, entre outros requisitos. Essas exigências fazem parte de um programa chamado Critérios Basel (Basiléia) para Produção Responsável de Soja, desenvolvido há cerca de dois anos por iniciativa da Coop Switzerland, uma rede de varejo da Suíça que busca comercializar apenas produtos ecológica e socialmente responsáveis, explica o diretor de operações da Imcopa, Enrique Traver. O nome se deve ao fato de a Basiléia ter sido a sede da reunião que definiu os requisitos do programa . A rede varejista se juntou ao WWF para desenvolver o Critérios Basel, e a certificação do programa é feita pela empresa CertID. “O consumidor está cada vez mais preocupado com questões como desmatamento da floresta amazônica e trabalho infantil ou escravo”, observa Traver, para justificar o interesse da Coop. A Imcopa, que esmaga só soja não-transgênica desde 1998, decidiu aderir ao programa em função de sua importante participação no mercado suíço de farelo - 75% -, de acordo com Traver. Para isso, patrocinou a certificação de produtores das 12 cooperativas paranaenses que fornecem soja para esmagamento em sua indústria. De acordo com Enrique Traver, o Estado do Paraná tem condições que favorecem a adesão à produção responsável de soja, como o fato de ter uma agricultura antiga - assim, dificilmente, há casos de desmatamentos recentes nas propriedades do Estado - e a existência de pequenas propriedades, onde é mais fácil controlar a produção de soja. Por enquanto, são dois os clientes da Imcopa que exigem o farelo certificado - a Fenaco, na Suíça, e a Evvos, na Noruega - , mas, no mês passado, outras empresas desses países, além de Alemanha, Suécia e Dinamarca - estiveram no Paraná fazendo uma auditoria da produção sustentável de soja. Segundo Traver, foram visitadas a fábrica da Imcopa, em Araucária (PR), o porto de Paranaguá e cooperativas que fornecem a soja em grão para esmagamento pela empresa paraense. A perspectiva é de que novos negócios sejam fechados. Com a Fenaco, que já é cliente da Imcopa, a empresa assinou contrato de venda de 70 mil toneladas de farelo de soja certificado neste ano. A Fenaco é uma organização que reúne produtores e agroindústrias, e realiza compra de insumos e venda de produtos na Suíça. A empresa fornece ração para criação de aves, cuja carne é comercializada na rede varejista Coop. Já a norueguesa Evvos utiliza o farelo para produção de salmão. O número de clientes que exigem a certificação que comprova a produção responsável de soja ainda é restrito, mas Traver acredita que ele deve crescer. “A tendência a longo prazo é de que seja um requisito mundial”, prevê. Por isso, avalia, a expansão deste mercado, que ainda é um pequeno nicho, deve ocorrer mais rapidamente que o de não-transgênicos, outro nicho. Aderir ao programa não significa necessariamente prêmios elevados sobre o valor do farelo - e eles podem até deixar de existir no futuro -, pondera Traver. Atualmente, os clientes da Imcopa pagam US$ 2 a mais por tonelada de farelo de soja com o certificado ProTerra. Já o farelo certificado como não-transgênico tem prêmio de US$ 12 por tonelada. Traver explica que, para aderir ao programa, a Imcopa teve de certificar toda sua produção de farelo, já que não é inviável fazer segregação. A empresa esmaga por ano 2,4 milhões de toneladas de soja. Grupo diversifica produção e deve faturar US$ 750 milhões De São Paulo A Imcopa, que deve faturar US$ 750 milhões este ano - foram US$ 650 milhões em 2005 -, está investindo na diversificação de sua produção. Como subproduto do farelo de soja concentrado (um dos itens produzidos pela empresa), a Imcopa está produzido etanol do cereal, que no próximo ano será usado para fabricação do biodiesel de soja pela empresa, sediada em Araucária (PR). O diretor de operações da companhia, Enrique Traver, explica que para obter o farelo de soja concentrado (60% de proteína), é feita a extração dos carboidratos (açúcares). Nesse processo sobra um melaço que dá origem ao álcool. A Imcopa está produzindo 10 mil litros de álcool por dia atualmente, e constrói uma nova planta que permitirá produzir 70 mil litros de etanol diariamente. De acordo com Traver, por enquanto o etanol está sendo utilizado no processo de produção do farelo concentrado na própria Imcopa, mas a partir de 2007 será destinado à produção de biodiesel de soja, numa planta que será erguida também em Araucária. Isso porque, no biodiesel, há um percentual de 15% de etanol. A fábrica, que terá investimentos de US$ 6 milhões, produzirá 100 mil toneladas de biodiesel por ano, com possibilidade de dobrar o volume, segundo o executivo. Além desses investimentos, a Imcopa também está abrindo no porto holandês de Roterdã uma divisão de distribuição de ingredientes à base de soja para alimentação humana - como lecitina e óleo de soja - para ampliar as vendas no mercado europeu. Nos últimos 18 meses, conforme o diretor, a Imcopa investiu US$ 45 milhões numa nova fábrica para produção de farelo de soja concentrado, numa planta-piloto para extração de álcool de soja e na compra da uma esmagadora em Cambé (PR). Para até 2007, estão previstos investimentos de US$ 32 milhões. Além dos US$ 6 milhões na planta de biodiesel, serão US$ 8 milhões na fábrica de álcool e US$ 12 milhões para duplicação da fábrica de farelo concentrado e o restante para modernização.(AAR)
Valor Econômico, 24/04/2006.

3. Cooperativas exportam mais produtos orgânicos
Com uma produção em crescimento e mais organizada, as cooperativas de agricultores familiares e de assentados da reforma agrária estão descobrindo o caminho da exportação.   
As portas do mercado externo estão sendo abertas com foco nos produtos orgânicos certificados. O assunto será discutido em seminário durante a 1a Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária, que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) promove entre os dias 11 e 14 de novembro, no Parque da Cidade, em Brasília.
É a primeira vez que o governo reserva um espaço para apresentar os resultados e a experiência dos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. A agricultura familiar é responsável por 70% da produção agroecológica no País. Mas apesar de uma demanda de US$ 130 bilhões no mercado mundial, segundo a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), essas organizações ainda têm dificuldades de ampliar sua atuação, principalmente pela falta de capital de giro. 
Agrol, 26/04/06.
  
4. Farelo transgênico é exportado desde 2003
Um dos principais argumentos usados pelos terminais privados para obter na Justiça Federal a liminar que permitiu o escoamento de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá foi o fato de a estrutura portuária ser usada desde 2003 para a exportação do farelo feito com esse tipo de grão. Os armazéns recebem essa carga sem restrições e podem embarcá-la por qualquer uma das áreas de atracagem (berços) do corredor de exportação - que atende a sete empresas e ao silo público. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o escoamento de farelo contendo material geneticamente modificado foi autorizado no fim de 2003. O produto, obtido após o esmagamento da soja para a obtenção de óleo, é exposto a um alto risco de mistura entre grãos convencionais e transgênicos. O óleo “herda” porcentuais muito baixos de transgenia. “Já no farelo as características dos grãos transgênicos se mantêm e são facilmente identificáveis”, diz Marcelo Malaghini, responsável pela área de biologia molecular do laboratório Frischmann Aisengart - empresa habilitada pelo Ministério da Agricultura para fazer testes em organismos geneticamente modificados. O especialista diz que pode se detectar a presença de transgênico em quantidades muito pequenas, de até 0,1% de uma carga. Os exames também são capazes de detectar a mistura entre grãos convencionais e farelo feito com soja transgênica. “Alguns países, como Estados Unidos e Argentina, permitem qualquer nível de mistura”, diz Malaghini. No Brasil, a lei determina a rotulagem quando a composição de um produto tiver mais de 1% de transgênicos. Para evitar o risco de mistura, a Appa restringe a movimentação de farelo aos silos particulares e faz o embarque de forma separada. Nada impede, porém, que os mesmos berços sejam usados para escoar os dois tipos de mercadoria. “Depois de cada embarque é feita a higienização das correias”, diz Carlos Albuquerque, assessor da presidência da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Ele destaca que em 2004 a versatilidade do porto foi testada com a exportação simultânea de soja, farelo e milho, e com a importação de fertilizantes. Por isso, os terminais privados podem continuar a briga na Justiça para eliminar a única restrição imposta pela Appa para o embarque de soja transgênica: só uma área de atracação será usada para esse tipo de produto no corredor de exportação.
Gazeta do Povo, PR, 25/04/2006.

5. Paranaguá embarca soja transgênica
O Porto de Paranaguá embarcou ontem a primeira carga de soja transgênica, desde que o governador Roberto Requião iniciou sua cruzada contra a presença de organismos geneticamente modificados no Paraná, há três anos. O navio Tonga, com bandeira de Malta e fretado pela Cargill, deve ter deixado o porto durante a madrugada em direção à França. O navio chegou ontem e recebeu 6 mil toneladas de grãos geneticamente modificados e outras 20 mil toneladas de soja convencional, além de 15 mil toneladas de farelo de soja. A carga transgênica e a convencional foram depositadas em porões diferentes. “Vamos torcer para que seja mantida essa posição do administrador do porto. Mas agora cabe só à justiça decidir, é decisão liminar e ele (o administrador) tem que cumprir”, comemorou Wilem Manteli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), entidade que obteve a decisão liminar da Justiça Federal de Paranaguá que autoriza o escoamento da soja modificada. Ainda ontem os terminais privados que exportam soja pelo Porto de Paranaguá decidiram que vão continuar a disputa jurídica para que todos os pontos de embarque (berços) do corredor de exportação sejam autorizados a movimentar soja transgênica. Eles dizem entender que a liminar obtida pela ABTP para liberar o embarque de grãos geneticamente modificados estende-se a toda a estrutura portuária, sem restrições. “A ordem de serviço divulgada pelo porto para regulamentar o escoamento de soja transgênica não atende completamente a liminar”, afirma o presidente da ABTP. “Pode haver uma demanda superior à capacidade de embarque do berço reservado pela Appa”, completa. O advogado Marcelo Teixeira, que representa a associação, diz que estudará nos próximos dias a melhor forma de apresentar o pedido à Justiça Federal. Para atender à liminar, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) reservou um dos três berços do corredor de exportação (o 214) para o embarque de soja transgênica - os outros dois ficarão disponíveis para outras cargas, como soja convencional, milho e farelo de soja. Os exportadores temem que essa medida cause prejuízos ao impedir o carregamento simultâneo de dois navios com soja transgênica. Já a Appa diz que apontou uma solução que evita longas paradas no corredor de exportação para a limpeza das correias que transportam os grãos.
Gazeta do Povo, PR, 26/04/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Mato: inimigo ou companheiro na produção de café orgânico?
por Sérgio Pedini.    

O advento do herbicida mudou completamente o modelo tecnológico de produção de várias culturas, e o café não foi exceção. Parece haver uma verdadeira guerra contra as “ervas daninhas”, onde o arsenal de venenos cresce dia-a-dia. Na produção orgânica, o mato deve deixar de ser encarado como um problema e passar a ter um papel fundamental na cultura. Nesse sentido, existe uma unanimidade: aposentar as enxadas. A ordem é conviver com o mato e passar a roçá-lo ao invés de capiná-lo, aumentando a biomassa, mantendo o solo coberto e, principalmente, elevando a matéria orgânica. É preciso que o produtor perca o hábito cultural de deixar a cultura sempre “no limpo”, mesmo que a vizinhança passe a chamá-lo de preguiçoso e suspeite que ele esteja passando por dificuldades financeiras.
Outra forma de produzir biomassa e manter o solo coberto é se valer da adubação verde. Na prática, contudo, não é muito fácil conciliar o cultivo de espécies intercalares sem atrapalhar os tratos culturais, como pulverizações e colheita. Alguns princípios, no entanto, podem ser seguidos: utilizar espécies rasteiras, não trepadoras, para facilitar o manejo; evitar sombreamento das saias; cuidado com espécies que multiplicam nematóides como o lab-lab. Algumas espécies usadas com êxito: crotalárias, mucuna-anã, feijão-de-porco e guandu (no meio da rua).
Organismo agrícola e organismo planetário
É evidente que a busca pelo organismo agrícola sempre foi a máxima da agricultura orgânica, que aliás tem no termo “orgânica” a referência ao organismo, à organicidade do sistema. Nesse sentido, a integração animal-vegetal-florestal tem sido nossa meta em qualquer cultura e o café não fugiria à regra. Produções de leite, carne e ovos integradas a uma lavoura de café, se utilizando na própria casca como cama para os animais, retendo, assim, esterco e urina, são modelos de produção bastante eficientes.
Para que possamos reproduzir tal modelo, é necessário levarmos em consideração algumas características intrínsecas da produção, tais como: aptidão do agricultor (ele gosta da produção animal?), aptidão da região, preços de mercado, etc. Emergindo do microcosmo da propriedade agrícola, no entanto, nos deparamos com um sem número de fontes de matéria orgânica, tais como lixo urbano, resíduos agroindustriais, restos culturais que, em caso de ausência de contaminantes poderiam ser perfeitamente utilizados na produção agrícola. Talvez seja o momento de ampliarmos o conceito de organismo agrícola para uma noção mais ampla de organismo planetário, sem o qual ninguém sobreviveria.
Fonte: http://www.agroecologica.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=231&Itemid=2

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