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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 295 - 7 de abril de 2006

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“O principal dessa história é que nós sentimos que a Monsanto vem mentindo para a gente, desrespeitando completamente produtores e técnicos que têm muitos anos de experiência no cultivo de algodão no Texas”. A declaração de Francis Krenek, consultor para a cultura do algodão no Texas, foi feita após anos de trabalho no apoio a agricultores visando que eles pudessem produzir mais a partir do uso de sementes geneticamente modificadas.

De acordo com Krenek, os agricultores na região onde ele atua foram de certa forma forçados a usar sementes transgênicas contendo a tecnologia Roundup Ready (RR), da Monsanto (a mesma da soja plantada no Brasil). Em muitos casos, algumas variedades de sementes só são disponíveis em conjunto com uma variedade com o gene da Monsanto.

Quando o sistema RR falha, a Monsanto culpa o clima, nunca sua tecnologia. Agora, produtores estão protestando e se uniram para processar a empresa pelos prejuízos sofridos, que eles avaliam como resultado do fracasso do sistema RR.
 
“Logo após o início da floração, notamos que nossas áreas de algodão Roundup Ready que haviam sido pulverizadas com o herbicida Roundup estavam apresentando significativa queda de frutos”, explica Krenek. “O capulho do algodoeiro abriga suas sementes e fibra. Parecia que os campos tratados tinham sido atacados por insetos ou por uma chuva pesada”, disse Krenek. Ele explicou que um número anormal de frutos apresentou problemas de má-formação. “Nossa impressão é que a quantidade de frutos abortados e defeituosos está diretamente ligado às quantidades aplicadas e ao número de pulverizações feitas com o herbicida Roundup", completou Krenek.

Em casos mais extremos, houve campos de algodão RR nesta safra que só produziram próximo ao final de seu ciclo. Em alguns desses casos as plantas foram destruídas pois não compensaria colhe-las. “Nós vimos o mesmo padrão de prejuízo no ano passado, mas não com essa severidade”.

Os técnicos da Monsanto que avaliaram as perdas do algodão disseram que suas causas estavam estreitamente ligadas ao clima adverso. No entanto, Krenek afirma que suas lavouras de algodão RR que não foram tratadas com o herbicida e também suas áreas com outras variedades produziram normalmente naquele ano.

Krenek e os produtores texanos com quem ele trabalha agora sabem com que agricultores ao redor do mundo vêm tendo que lidar a anos: com a arrogância da Monsanto.

Os agricultures que compram sementes da Monsanto devem assinar um termo de compromisso. Neste documento, consta que caso o produtor tenha problemas com a Monsanto, eles devem procurar uma solução negociada. Mas se a empresa tem problemas com o agricultor, aí o caso vai para a Justiça.

Quando a Monsanto descobriu que os agricultores estavam se organizando, ela processou 158 produtores, forçando-os a honrar os termos do acordo para uso da tecnologia.

Estes problemas no Texas, em 2005, são a repetição do ocorrido no Mississipi e na Georgia em 1997. Na ocasião, a comissão de sementes do Mississipi conduziu o caso e julgou a Monsanto culpada.

Embora a Monsanto alegue que o problema ocorrera em função do clima, o produtor Alan Stasney disse ter evidências do contrário em sua propriedade. Uma faixa de quatro fileiras por três mil plantas de algodão de comprimento acidentalmente não foi pulverizada com o herbicida e produziu 1.170 kg/ha, enquanto as plantas que receberam o herbicida produziram 851kg/ha.

Stasney conta que o prejuízo vai lhe custar mais de 250 mil dólares e está forçando-o a renegociar sua fazenda.

Além dos prejuízos no campo, estudos com animais vêm mostrando que o glifosato está ligado a tumores no fígado, tireóide e pâncreas.


Traduzido a partir de: Monsanto Hurts Texas Farmers - Cotton Farmers Sue Monsanto for Crop Loss, March 27, 2006. http://www.panna.org/resources/panups/panup_20060327.dv.html
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Errata: ao contrário do que foi afirmado no Boletim de 31/03, as decisões na antiga CTNBio dependiam da presença de 2/3 de seus membros, mas eram tomadas por maioria simples e não por 2/3 de votos favoráveis.

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Neste número:

1. TRF mantém liberado o embarque de transgênicos em Paranaguá
2. Governo volta ao STF para impedir transgênicos no Porto de Paranaguá
3. Soja transgênica frustra agricultor do Maranhão
4. Contaminação transgênica na Espanha
5. Sakura evita transgênicos
6. Greenpeace: McDonald's devasta Amazônia
7. Ato político defende ocupação da Syngenta
8. MMA comemora proibição de árvores transgênicas na COP-8

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Algodão orgânico supera o transgênico

Dica sobre fonte de informação
No lugar de Croplife, Cropdeath, a nova face das indústrias das “ciências da vida”. Saiba mais em: http://www.cropdeath.org/

Ciências da vida ou necrotecnologias, Entrevista com Jean-Pierre Berlan, diretor de pesquisa do INRA - Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola, França. Disponível em: http://www.scientiaestudia.org.br/revista/PDF/02_03_06_EntBerlan.pdf

Evento
Piscicultura e Qualidade da água, de 18 a 20 de abril, Piracicaba  SP. Informações: (19) 3417-6604, www.fealq.org.br ou [email protected].
Realização: Centro Ecológico Flora Guimarães Guidotti e FEALQ

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1. TRF mantém liberado o embarque de transgênicos em Paranaguá
A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre (RS), manteve hoje decisão da 1ª Vara Federal de Paranaguá (PR) que permitia o embarque de soja transgênica no porto da cidade. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) [leia-se Cargill], a turma avaliou pedido de reconsideração da entidade, que buscava reverter decisão anterior. A relatora do processo, a juíza federal Vânia Hack de Almeida, foi vencida no julgamento por dois votos a um.
A disputa entre exportadores e o governo do Paraná na Justiça Federal já está no seu terceiro round. Os exportadores recorreram aos tribunais para tentar embarcar soja transgênica por Paranaguá. O escoamento do produto pelo porto foi vetado pelo governo do Paraná, que administra o complexo por concessão do governo federal.
Em primeira instância, a juíza federal substituta Giovanna Mayer, deu ganho de causa para os exportadores na quarta-feira passada. O governo Roberto Requião (PMDB) recorreu ao TRF e teve recurso acolhido pela juíza Vânia Hack de Almeida, na quinta. Hoje, o colegiado da 3ª turma voltou a decidir em favor dos exportadores.
Agência Estado, 03/04/2006.

2. Governo volta ao STF para impedir transgênicos no Porto de Paranaguá
O governador Roberto Requião disse nesta terça-feira (4) que o Governo Paraná voltará ao Supremo Tribunal Federal (STF) para defender o direito de o Porto de Paranaguá exportar apenas soja convencional. Foi uma resposta à decisão da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, em Porto Alegre, que revigorou liminar liberando a exportação de transgênicos pelo terminal paranaense.
“Esta é uma briga séria. Estamos, de novo, nos reportando ao STF para ver se conseguimos garantir que o Paraná seja esse nicho de excelência de qualidade, o que vai significar, dentre alguns anos, uma diferença extraordinária aos nossos produtores”, garantiu Requião.
O governador lembrou que a decisão do TRF em permitir o embarque de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá fere a legislação federal. “A decisão do TRF determina que o porto descumpra legislação nacional e que cometa um crime, previsto nas leis federais, de misturar soja trasngênica com a convencional produzida no Paraná”.
Segundo o governador, a legislação brasileira libera o plantio de soja transgênica, mas ela tem que ser segregada e rotulada. “O nosso Porto de Paranaguá tem um silo público e um shiploader (carregador de navio) e ele só pode exportar um tipo de soja. Noventa por cento da soja paranaense, sem nenhuma sombra de dúvida, é convencional. É uma soja que tem preço superior no mercado internacional”, disse Requião na Escola de Governo.
(...) Requião reafirmou que a posição do governo é em defesa dos interesses do Paraná, que busca garantir uma posição privilegiada do Estado no mercado internacional. Ele lembrou as manifestações do Supremo Tribunal Federal, em favor do Paraná, em junho do ano passado, quando por unanimidade o STF julgou improcedente a ação do PFL que alegava que o governo impunha dificuldades para a utilização do Porto de Paranaguá, tanto para estocagem como para embarque de produtos transgênicos.
O ministro Marco Aurélio do STF - disse Requião - votou pela improcedência da reclamação e foi acompanhado pelos demais juízes. Segundo o parecer do ministro, o PFL não demonstrou na época que o governo estivesse desrespeitando a decisão do STF.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto, lembrou que os juízes da 3ª Turma foram levados ao erro ao pensar que, se for permitido o embarque de soja transgênica, não haverá contaminação. “Haverá, sim, a contaminação se for permitido o embarque de soja transgênica, já que existe apenas um corredor de exportação com shiploader (carregador de navio)”.
Paraná, Agência Estadual de Notícias, 04/04/2006.

3. Soja transgênica frustra agricultor do Maranhão
Não bastassem as incertezas com a comercialização da safra este ano e a crise de rentabilidade, o produtor que plantou soja transgênica na região do cerrado do Maranhão e do Piauí enfrenta ainda outra adversidade: a baixa produtividade de uma variedade geneticamente modificada recomendada para a região. A cultivar 8787, da Monsanto, indicada para plantio no Nordeste, vem apresentando produtividade abaixo do esperado em lavouras da região de Balsas, no sul do Maranhão. O potencial produtivo da variedade é superior a 50 sacas por hectare, segundo a Monsanto, mas produtores da região do Coco, em Balsas, relataram produtividade entre 30 e 40 sacas durante visita do Rally da Safra, no fim de março. A pesquisadora Ana Cláudia Barneche de Oliveira, da Embrapa Soja, de Londrina, explica que, como a variedade 8787 é precoce, o veranico (que ocorreu na região no mês de janeiro) afetou as lavouras justamente no período de florescimento das plantas (30 dias após a semeadura). Isso prejudicou a produtividade da soja, situação que também se repetiu em áreas do Piauí. Para a pesquisadora da Embrapa, esse quadro deve baixar a média de produtividade das lavouras no Maranhão, onde estimativas de produtores indicam que a área plantada com soja transgênica é de 20% do total. Ana Cláudia pondera que num clima melhor, o desempenho da cultivar 8787 pode ser mais favorável. Lembra, porém, que períodos sem chuva já são esperados nessa época do ano na região, o que pode prejudicar as variedades mais precoces. Claudiomir Abatti, gerente de pesquisa Soja Norte da Monsanto, afirma que todas as variedades de sementes passam por estudos preliminares por dois anos e com base nisso é feita a recomendação para plantio em determinada região do país. Segundo ele, a cultivar 8787 teve produtividade "aceitável", acima de 50 sacas por hectare nas duas últimas duas safras. Abatti reconhece que o veranico prejudicou a produtividade da 8787, que caiu para até 25 sacas por hectare em casos mais graves. Como "é difícil descobrir se o veranico vai acontecer em janeiro ou fevereiro", diz Abatti, a recomendação é que o produtor da região tente adequar o plantio da cultivar, que ocorre entre novembro e dezembro. "É recomendável evitar o plantio muito antecipado", afirma. Ele acrescenta que regiões do sul do Maranhão, como a do Batavo, que plantaram a soja 8787 em dezembro obtiveram melhor rendimento, de 48 a 50 sacas. O produtor Célio Weiler obteve produtividade de quase 50 sacas por hectare plantando a variedade modificada 8787. Mas afirma que o resultado ficou abaixo das variedades convencionais, com as quais conseguiu rendimento de 60 sacas por hectare. "O agrônomo recomendou que eu plantasse 20 hectares de soja transgênica, mas plantei 500 hectares", afirma o produtor, que tem uma área total de 4.500 hectares de soja. Abatti, da Monsanto, afirma que a empresa irá disponibilizar para plantio na safra 2006/07 mais três variedades de soja transgênica (8925, 9056 e 9146) recomendadas para o Norte e Nordeste. Com ciclos mais longos que a 8787, essas cultivares são mais produtivas e têm maior capacidade de recuperação no caso de períodos sem chuva, explica o executivo. (AAR)
Valor Econômico, 03/04/2006.

4. Contaminação transgênica na Espanha
O aumento exponencial dos cultivos de milho transgênico na Espanha está causando uma contaminação massiva das lavouras convencionais e orgânicas e já ameaça o sustento dos agricultores do país, afirma novo relatório do Greenpeace, “Coexistência Impossível”, que estudou a viabilidade da coexistência entre cultivos transgênicos e não-transgênicos durante sete anos naquele país.
Segundo o relatório, o cultivo de milho transgênico na Espanha - o único país da União Européia que permite esse tipo de plantio em larga escala - está arruinando a biodiversidade agrícola e deixando o consumidor sem escolha. O documento foi lançado nesta terça-feira em Viena (Áustria), na abertura de reunião da Comissão Européia que discute a futura política do bloco econômico para a coexistência da agricultura convencional e do plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs).
Realizado em conjunto com a organização de agricultores Assemblea Pagesa e o grupo da sociedade civil Plataforma Trangênicos Fora!, o relatório fez testes de laboratório com amostras retiradas de campos de milho de 40 agricultores orgânicos e convencionais, e comprovou a contaminação não intencional com OGMs em quase um quarto dos casos. O nível de contaminação em algumas amostras chegou a 12,6%.
Em três casos, a contaminação ocorreu em variedades locais de milho, também conhecidas como crioulas, selecionadas durante anos, que não podem mais ser usadas para plantio futuro. As contaminações ocasionaram prejuízos econômicos sérios para os agricultores, que não puderam mais vender seu produto com o prêmio pago a produtos convencionais e orgânicos.
“Esse relatório é um alerta para a Europa sobre os perigos da produção transgênica,” disse Geert Ritsema, coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace Internacional. “Apesar da garantia do governo espanhol de que restrições e controles iriam garantir a segurança e a escolha de consumidores e agricultores, na realidade isso não aconteceu”, afirmou.
Segundo testemunhos de agricultores espanhóis, a indústria de transgênicos representa agora a maior ameaça ao seu sustento, especialmente nas regiões de Aragón e da Catalunha, onde o milho transgênico é cultivado em grande escala.
“A falta de regulamentação na Espanha é um tapa na cara dos agricultores orgânicos e convencionais que têm dado sangue, suor e lágrimas aos seus negócios e agora vêem os interesses de grandes empresas de biotecnologia, como Syngenta e Monsanto, serem colocados acima das comunidades locais e arruinando seu sustento”, disse Antonio Ruiz, presidente do Comitê de Agricultores Orgânicos de Aragón, que esteve na entrevista coletiva do Greenpeace em Viena.
O Greenpeace exige que as autoridades espanholas suspendam imediatamente o cultivo de milho transgênico no país e que a União Européia e a Comissão Européia determinem o fim do cultivo transgênico nos outros países do bloco. “A experiência espanhola mostra que a coexistência de transgênicos e não-transgênicos é uma mentira, e os ministros europeus devem levar isso em conta”, disse Ritsema.
Leia na íntegra o relatório em inglês “Coexistência Impossível (sete anos de transgênicos contaminaram milho convencional e orgânico: uma análise dos casos da Catalunha e de Aragón)” no endereço: www.greenpeace.org/international/press/reports/impossible-coexistence
Greenpeace, 04/04/2006 .
http://www.greenpeace.org/espana/news/ecologistas-y-agricultores-rev

5. Sakura evita transgênicos
Ele foi criado há 2.500 anos por monges budistas e ainda é produzido segundo a tradição milenar, que demanda nove meses desde a mistura da soja com outro grão e com salmora para fermentação até o envase. Mas, desde a liberação do plantio de soja transgênica no país, uma nova etapa foi incluída ao processo de fabricação do shoyu, o tradicional molho de soja da culinária oriental: a produção integrada, parta garantir a rastreabilidade da matéria-prima.
Líder no segmento de molhos no Brasil, a Sakura Nakaya Alimentos adotou a produção integrada para garantir a qualidade da soja que utiliza em seus molhos. Paulo Takahashi, diretor industrial, diz que durante seis anos a empresa pesquisou bancos de germoplasma da Embrapa, da Fundação MT e de grupos privados até selecionar as variedades mais adequadas.
“O passo seguinte foi escolher produtores em regiões próximas às fábricas e que não plantassem transgênicos”, afirma Takahashi. Dois produtores, em Iaras (SP) e Uberaba (MG), plantaram juntos 700 ha. O primeiro teste foi feito em 2005, com a produção de 1,1 mil toneladas de soja. Este ano, os produtores fornecerão entre 1,6 e 1,8 mil toneladas, substituindo todo o volume que a empresa antes comprava de tradings.
“O processo de produção integrada permitiu ter um controle mais efetivo dos grãos e melhorou a fermentação dos molhos, com o uso da variedade mais adequada da soja”, afirma Roberto Ohara, diretor de projetos da Sakura.
Ele diz que o controle de grãos foi reforçado para atender às exigências de clientes internacionais e de empresas para as quais produz com marca própria no Brasil, como Carrefour, Wal-Mart e Masterfoods. (...)
Roberto Ohara - que como Paulo é neto fundador da Sakura - observa que, graças à adoção desse sistema, a empresa negocia com grupos da Ásia a venda de soja convencional para a fabricação de produtos como o queijo (tofu) e molhos de soja. (...)
Valor Econômico, 06/04/2006.

6. Greenpeace: McDonald's devasta Amazônia
Depois da conexão hambúrguer, a conexão Chicken McNuggets. Um relatório da ONG ambientalista Greenpeace, divulgado ontem, afirma que consumidores de fast-food na Europa podem estar contribuindo involuntariamente com o desmatamento na Amazônia, ao consumir frango alimentado com soja plantada na região da floresta.
O documento, intitulado "Comendo a Amazônia", afirma que o McDonald's, maior rede de fast-food do mundo, compra frango de uma subsidiária da multinacional americana de alimentos Cargill, apontada pelo Greenpeace como uma das principais "criminosas" por trás da expansão predatória da soja na Amazônia.
A Cargill disse que não poderia comentar o relatório, por tê-lo recebido somente ontem. A direção do McDonald's no Reino Unido disse que iniciaria "imediatamente" uma investigação sobre o caso.
"A produção da soja incorpora uma enorme cadeia de ilegalidades, e elas terminam no prato de alguém na Europa", disse ontem o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. Essas ilegalidades vão do desmatamento além da reserva legal (a lei brasileira determina que 80% da área de propriedades na Amazônia deve ser mantida como floresta, determinação que quase ninguém cumpre) até o uso de trabalho escravo, visto em fazendas do Pará e de Mato Grosso.
Ele afirmou que o relatório é resultado de um ano de investigações feitas pela ONG, que acompanhou carregamentos de soja saídos da Amazônia.
Multinacionais
Segundo o Greenpeace, a soja é hoje a maior ameaça à floresta, e teve um papel crucial na explosão do desmatamento nos últimos anos (em 2003/2004, a devastação chegou a 27.000 km2). Mato Grosso, principal produtor do grão no país -e campeão absoluto de desmatamento-, viu a área plantada com soja dobrar desde 1996.
Empurradas pelo aumento da demanda mundial e pela fartura de terras na Amazônia, grandes multinacionais de alimentos dos EUA começaram a investir em infra-estrutura, como silos e estradas, e no financiamento de sojicultores na região. Segundo o relatório do Greenpeace, 60% do financiamento à produção de soja no país vem de três empresas: a ADM, a Bunge e a Cargill.
Esta última é classificada como a principal vilã das três. A acusação se deve sobretudo à construção de um porto para escoamento de soja em Santarém, no Pará. O porto da Cargill sofreu contestações por parte do Ministério Público, que considerou insuficientes os estudos de impacto ambiental apresentados para a obra. O porto foi, ainda, o indutor da recente expansão da soja para a região de Santarém.
Do porto de Santarém a soja vai para Liverpool, na Inglaterra, onde é processada pela Sun Valley, subsidiária da Cargill que usa a oleaginosa como ração de frango. A Sun Valley é o principal fornecedor de frango para o McDonald's em 46 países.
Frango escaldado
Adário apelidou essa teia comercial de "conexão Chicken McNuggets", em alusão à expressão "conexão hambúrguer", criada pelo ecólogo Norman Myers na década de 1980 para explicar como o aumento no consumo de carne nos EUA fazia aumentar o rebanho bovino e o desmatamento na América do Sul. "Estamos pedindo que o McDonald's tire a Amazônia do cardápio", disse.
"Estamos muito preocupados com essas questões ligadas ao ambiente tanto em relação à nossa atuação como às responsabilidades de toda nossa rede de fornecedores", disse o diretor de Qualidade e Segurança do McDonald's Europa, Keith Kenny. "Além de analisar cuidadosamente o relatório iniciaremos uma investigação imediatamente sobre o caso."
Folha de São Paulo, 07/04/2006.
N.E.: Cabe ainda perguntar qual o papel da pesquisa agrícola, sobretudo da pública, nessa substituição da floresta pela soja. Afinal de contas, foi daí que saíram as sementes adaptadas à região e toda a recomendação técnica para adubação, preparo do solo, controle de pragas etc.

7. Ato político defende ocupação da Syngenta
Uma delegação internacional em defesa da biodiversidade e dos recursos genéticos fez ato político em solidariedade aos 600 trabalhadores rurais da Via Campesina, acampados desde o dia 14 de março na área da Syngenta, em Teresa do Oeste, no interior do Paraná, nesta quarta-feira (22/3).
O ato teve início às 9:30h com a chegada da delegação ao acampamento. Em seguida, os participantes visitaram as áreas de soja transgênica e as estufas de experimentos. Logo após os integrantes da comitiva fizeram pronunciamentos de solidariedade aos trabalhadores que estão na área da transnacional Syngenta.
Estiveram presentes no ato representantes da Via Campesina Internacional, Greenpeace, Terra de Direitos, representantes do MST e vereadores e deputados do PT (Partido dos Trabalhadores) no Estado.
A Comitiva internacional foi às 14:00h até a 1ª Vara Cívil, no Fórum de Cascavel, para entregar uma carta de apoio à ocupação da transnacional ao juiz Fabrício Priotto Mussi, que expediu a reintegração de posse para empresa na semana passada.
O objetivo da Via Campesina é mostrar ao juiz que a reintegração de posse da área não tem motivações legais, já que a empresa faz experimentos de transgênicos na zona de amortecimento do Parque do Iguaçu, prática proibida pela Lei de Biossegurança.
Ontem, a superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) no Estado do Paraná determinou a aplicação de multa no valor de R$ 1 milhão contra a multinacional Syngenta Seeds Ltda.
Em 8 de março, o Ibama realizou uma vistoria e confirmou o plantio de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em 12 hectares da fazenda experimental da empresa.
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/349061.shtml, 22/03/2006.

8. MMA comemora proibição de árvores transgênicas na COP-8
Com protesto e pressões junto às delegações, ambientalistas e agricultores conseguiram barrar a liberação de árvores transgênicas na 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), que termina hoje (31) em Curitiba. O tema, que entrou de última hora na agenda da reunião, foi encaminhado para análise detalhada pelo órgão técnico-científico da Convenção e deve voltar à pauta apenas daqui a dois anos, na Alemanha, durante a COP-9.
“Foi uma grande vitória. Esse assunto entrou repentinamente na conferência e alguns tentaram obter, aqui, o aval para esta tecnologia. Não foi obtido. O que se obteve aqui foi uma reafirmação da importância de se analisar cuidadosamente o tema antes de levar à discussão”, enfatizou o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.
Apesar do encaminhamento da COP, a polêmica deve continuar no Brasil. Segundo Capobianco, diversas empresas já manifestaram interesse em obter aval da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para pesquisas científicas na área. “Mas estamos longe ainda de solicitação de uso”, assegurou. “A legislação brasileira é clara. Temos uma fase inicial que é a pesquisa, e só depois das pesquisas realizadas e as análises de biossegurança concluídas é que o interessado poderá voltar à CTNBio para solicitar o uso comercial desta tecnologia”, explicou. (...)
Radiobrás, Brasil Agora, 31/03/2006.
N.E.: Estão na pauta da CTNBio os seguintes pedidos referentes a eucalipto transgênico: (1) “Liberação Planejado no Meio Ambiente” - International Paper do Brasil Ltda., eucalipto geneticamente modificado para redução e modificação de lignina; Suzano Bahia Sul Papel e Celulose S/A, eucalipto geneticamente modificado para alteração no teor de celulose (contém informações confidenciais); International Paper do Brasil Ltda., eucalipto geneticamente modificado para redução de lignina (contém informações confidenciais); Alellyx Applied Genomics, eucalipto geneticamente modificado para melhoria da qualidade da madeira (com informação confidencial); (2) “Solicitação de importação” - International Paper do Brasil, importação referente à liberação planejada no meio ambiente de eucalipto geneticamente modificado com genes para a redução e modificação de lignina.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Algodão orgânico supera o transgênico
Nova Déli, Índia - Os benefícios do algodão orgânico dão claros sinais de superar os das variedades transgênicos, cujo custo de produção em Kharif, em 2005, foi 67% maior e rendeu 67% menos, segundo levantamento do Centro para a Agricultura Sustentáve (CSA, na sigla em inglês).
O estudo realizado em Andhra Pradesh aponta que o custo total de produção do algodão Bt por acre (0,4 hectare) ficou em Rs 8,366 enquanto o orgânico ficou em Rs 5,008.
A renda líquida por acre, ou seja, a receita total menos os custos de produção, no algodão Bt foi 37% menor (Rs 3,551) que a do orgânico (Rs 5,618).
Assim, em termos de receita bruta, o Bt saiu na frente. Sua produtividade media foi maior que a do orgânico (6,14 quintais/acre contra 5,23 no sistema orgânico).
A renda bruta do algodão Bt ficou em Rs 11,918 enquanto a do orgânico foi de Rs 10,627. O preço médio obtido por quintal do algodão Bt foi de Rs 1,941, enquanto do algodão orgânico foi de Rs 2,032.
O estudo baseou-se no monitoramento de um ciclo inteiro da cultura em áreas de 120 produtores de algodão transgênico e em 5 distritos do estado de Andhra Pradesh e em 123 produtores orgânicos de 4 distritos.
“O algodão Bt não só não corresponde à propaganda das empresas, como também tem desempenho pior quando comparado a práticas agroecológicas ou de manejo intergado”, disse G V Ramanjaneyulu, diretor-executivo do CSA.
“Além disso, os riscos envolvidos no cultivo do algodão transgênico são maiores e frequentemente desconhecidos ou imprevisíveis”, completou. O estudo tanbém verificou que o custo com o uso de agrotóxicos por acre no algodão Bt foi 4,8 maior.
PTI, 02/04/2006, http://www.dnaindia.com/report.asp?NewsID=1021591


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