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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 294 - 31 de março de 2006

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Na próxima semana deveremos ter um sinal mais concreto sobre quanto do discurso brasileiro na reunião das Partes da Convenção da Biodiversidade (COP 8) foi “pra valer” e quanto foi apenas “bravata”. Isso porque está anunciada para segunda-feira a divulgação das medidas que o governo adotará para socorrer o agronegócio, incluindo mais uma renegociação de dívidas.

Durante as três últimas semanas em Curitiba várias foram as manifestações e os estudos apresentados que explicitaram as contradições entre o avanço das monoculturas e seus impactos sobre formas mais sustenáveis e includentes de desenvolvimento para o campo.

As pulverizações intensivas de agrotóxicos afetam pessoas e animais, prejudicam as lavouras e destroem a vida camponesa. Petrona Villasboa, agricultora paraguaia que participou da MOP 3, conta que toda sua família foi contaminada em 2003 pelas pulverizações com o herbicida glifosato (Roundup) realizadas nos campos de soja transgênica que rodeiam sua casa. Seu filho Silvino Talavera de 11 anos morreu por causa deste incidente.

O relatório “Panorama da Biodiversidade Global”, apresentado durante a COP 8, indicou que 30 milhões de hectares de florestas foram destruídos no mundo nos últimos 5 anos, principalmente para dar lugar à agricultura.

A terra dos indígenas Enawene Nawe, no Mato Grosso, está sendo desmatada para o cultivo de soja e a criação de gado. O governador do estado Blairo Maggi, o maior produtor de soja do mundo, pretende construir usinas hidroelétricas na terra desses indígenas para fornecer energia à indústria da soja. Maggi pressiona o governo federal para que a terra indígena não seja reconhecida em seu estado.

As pressões do governador não param por aí. Esta semana ele apresentou ao governo um pacote de demandas de apoio e investimento do Estado no agronegócio. Ganha destaque na lista de pedidos o perdão e a renegociação das dívidas dos ruralistas, que soma R$ 12 bilhões, e também o empenho para que sejam rebaixados os critérios para registro de agrotóxicos importados, inclusive sugerindo a retirada de atribuições dos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, ficando a atividade somente a cargo da Agricultura.

Preocupado com o avanço da ferrugem da soja, é proposto que o governo federal disponibilize fungicida aos produtores.

Em relação aos transgênicos, o governador bate de frente com seu colega do Paraná ao cobrar do governo federal a abertura do Porto de Paranaguá para o escoamento de grãos transgênicos produzidos em qualquer estado da federação. Esta semana uma liminar concedida pela juíza Giovanna Mayer, da 1ª Vara da Justiça Federal em Paranaguá, autorizou o embarque de soja transgênica no Porto. Em seguida, a juíza federal Vânia Hack de Almeida derrubou a liminar e manteve a proibição de transgênicos no porto paranaense.

O mandado de segurança pedindo a abertura do Porto para os transgênicos fora impetrado pela ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários), entidade criada há um ano e que no caso representou os interesses da Cargill. O recurso da APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) contra a liminar foi aceito pelo TRF uma vez que o Porto possui apenas um silo público e que, sem estrutura para segregação, a soja transgênica seria misturada à convencional.

Em seu pleito o governador ainda pede a liberação comercial de milho e algodão transgênicos e que seja derrubado o artigo do decreto que regulamenta a lei de biossegurança que estabelece a necessidade de maioria de 2/3 dos membros da CTNBio para aprovação de transgênicos para uso comercial, que inclusive já vigorava na lei anterior.

A COP 8 termina hoje, mas o Brasil passa a ser o presidente da Convenção da Diversidade Biológica pelos próximos dois anos. Se for para ceder mais uma vez a pressões por medidas de tamanha insustentabilidade como estas vindas do Mato Grosso, melhor não assumir esta função junto à ONU e à comunidade internacional.

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Neste número:

1. Trabalho sujo: é a vez do México
2.
Monsanto faz acordo com cotonicultor
3.
Maeda se recusa a assinar acordo com a Monsanto
4.
Brasil perderá mercado se adotar OGMs, diz europeu
5. Agricultores atacam empresa de sementes
6.
Via Campesina pressiona ministros
7. Via campesina quer porto de Paranaguá Livre de Transgênicos
8.
Veneno no ar: Hortas e jardins morrem por efeito de herbicida
9. Transgênico volta a ser proibido no PR
10. Juíza libera soja modificada em Paranaguá

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Brasília tem primeiro Supermercado Orgânico do Brasil

Dica sobre fonte de informação
Publicada a segunda edição do livro “Alimentos Orgânicos: ampliando conceitos de saúde humana, ambiental e social” de Elaine de Azevedo, que pode ser encontrado na Editora Unisul ([email protected]).

Toxicología del Glifosato: Riesgos para la salud humana. (Toxicologia do Glifosato: Riscos para a saúde humana), por Jorge Kaczewer
O artigo analisa os riscos que o Glifosato oferece à saúde humana (toxidade, efeitos cancerígenos e reprodutivos, ação mutagênica e contaminação de alimentos), enquanto alerta sobre as fragilidades dos sistemas nacionais que regulamentam a biossegurança.
http://www.ecoportal.net/content/view/full/21199

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1. Trabalho sujo: é a vez do México
O segundo homem da delegação mexicana na 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena de Biossegurança (MOP 3) chama-se Víctor Villalobos. Ele foi o chefe da comitiva de seu país na 7ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 7), realizada em Kuala Lampur (Malásia) em fevereiro de 2004, e atualmente é funcionário do Ministério da Agricultura. Antes desse emprego, Villalobos trabalhou por sete anos como assessor da fabricante de sementes Pulsar, do México, líder mundial no setor de hortaliças. Em 2005, esta companhia foi adquirida pela transnacional estadunidense Monsanto que, após a aquisição, tornou-se a principal empresa de sementes do planeta.
(...) Ambientalistas e a imensa maioria dos 135 países participantes defendem que a identificação seja feita por meio da expressão “contém”, seguida da espécie do organismo vivo modificado (OVM). (...) No dia 15, a Nova Zelândia passou a obstruir as negociações. Depois foi a vez do Paraguai.
As delegações passaram a madrugada do dia 16 para o dia 17 procurando encontrar consenso para este tema. Na ocasião, o México começou a defender o emprego da expressão "pode conter" transgênico nas cargas. Seus representantes alegam não aceitar regras que prejudiquem o país comercialmente. Mas o México é basicamente um importador de transgênicos.
Brasil de Fato, 17/03/2006.

2. Monsanto faz acordo com cotonicultor
A Monsanto acaba de fechar acordo com os cotonicultores sobre a forma de cobrança pelo uso de sua tecnologia Bollgard de algodão transgênico resistente a insetos. Se por um lado o acordo é um passo importante na sua relação com os agricultores, por outro ele fornece mais munição para a briga judicial contra a Delta & Pine Land no Brasil. A Delta & Pine está processando a Monsanto nos Estados Unidos por quebra do contrato que garantia a ela exclusividade nas vendas do algodão Bollgard no Brasil. Aqui, a venda será feita pela empresa MDM Sementes de Algodão, sociedade entre a Delta & Pine e o Grupo Maeda. Embora nem Monsanto nem Delta & Pine queiram falar sobre o assunto, a segunda ficou incomodada pela iniciativa da Monsanto de assumir a negociação dos royalties, uma vez que a Delta julga que esta seja sua prerrogativa garantida em contrato. O desentendimento deu origem à ação judicial. Procuradas, nenhuma das multinacionais quis se pronunciar. A disputa comercial que corre em tribunais dos Estados Unidos, onde está a matriz de ambas empresas, não deve se refletir na relação comercial, considerada "sagrada", entre as duas empresas e os produtores de algodão.
Royalties
Prova disso é que a Monsanto publicou em jornais que circulam nas principais regiões produtoras um anúncio sobre o acordo do pagamento de royalties fechado com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). No acordo, ficou estabelecido que os produtores que plantaram ilegalmente algodão transgênico pirata na safra 2005/06 pagarão taxa de US$ 67,77 por hectare plantado, ou US$ 0,0508 por quilo de fibra. A Monsanto fez parceria com indústrias esmagadoras de caroço de algodão e algodoeiras para que o teste de transgenia seja aplicado no caroço e, caso dê positivo, a taxa seja descontada do valor pago ao produtor. Em relação à safra nova, a 2006/07, os agricultores já estão autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a plantar algodão transgênico. Por isso, será adotado outro sistema de cobrança: o royalty, de US$ 37 por hectare plantado, será cobrado no preço da semente. Em média, são necessários 11 kg de sementes para um hectare de algodão. “O mais importante é que reconhecemos que a Monsanto tem direito de receber pelo uso de sua tecnologia. A tecnologia é vantajosa e todos sairão ganhando”, disse Hélio Tollini, diretor-executivo da Abrapa. Ele diz que, embora ainda não haja cálculos oficiais, estima-se que a economia média com inseticidas é de US$ 250 por hectare, ou cerca de 10% do custo de produção, de US$ 2.400 por hectare. A semente de algodão transgênico está sendo produzida pela MDM e estará disponível para a safra 2006/07. A MDM está produzindo uma variedade adaptada exclusivamente ao Mato Grosso. A oferta será suficiente para o plantio de 140 mil hectares no Estado.
Gazeta Mercantil, 27/03/2006.

3. Maeda se recusa a assinar acordo com a Monsanto
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda, deixou o cargo no último dia 16 porque não quis dar seu aval ao acordo assinado na semana passada entre a Monsanto e os cotonicultores. Por meio do acordo, os produtores concordam em pagar pelo uso da tecnologia do algodão transgênico Bollgard, resistente a insetos.
Maeda se recusou a assinar o acordo em razão de seu envolvimento com a MDM Sementes de Algodão, sociedade que tem com a Delta & Pine Land no Brasil. A Delta & Pine e a Monsanto estão brigando na justiça dos Estados Unidos em função de um contrato que garante à Delta exclusividade na venda do Bollgard no Brasil. A D&P julga que teve seus direitos de exclusividade violados pela iniciativa da Monsanto de assumir a negociação do pagamento de royalties do algodão Bt no Brasil, prerrogativa esta que considera sua.
No mesmo dia em que teria que assinar o acordo com a Monsanto, no dia 16, Maeda abdicou da presidência da Abrapa, e foi substituído por seu vice, Eduardo Logemann, que foi quem assinou o contrato em nome da entidade. O mandato de Maeda vencia no final de abril. “Não houve ressentimentos. O Jorge Maeda saiu com muita dignidade”, disse um produtor, que preferiu não se identificar.
A nova diretoria da Abrapa toma posse em maio para mandato de dois anos. O novo presidente é João Carlos Jacobsen. Maeda foi convidado para fazer parte do conselho consultivo da nova diretoria e aceitou.
Segundo produtores, o algodão transgênico pode reduzir os custos de produção, de US$ 1.750 por hectare, em 2%, ou US$ 40 por hectare. O acordo prevê pagamento de taxa tecnológica no plantio pirata de US$ 67,77 por hectare, ou US$ 0,0508 por kg de fibra. No plantio oficial, o royalty em 2006/07 será de US$ 37 por hectare.
Gazeta Mercantil, 28/03/06.

4. Brasil perderá mercado se adotar OGMs, diz europeu
Os produtos agrícolas brasileiros poderão enfrentar resistência dos consumidores europeus caso o País adote a tecnologia transgênica e passe a identificar suas cargas como geneticamente modificadas. É o que sugere o comissário de Meio Ambiente da União Européia (UE), Stavros Dimas. “Os cidadãos europeus são contra os OGMs (organismos geneticamente modificados) em sua grande maioria”, disse Dimas, que está no País para participar da 8ª Conferência das Partes (COP 8) da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Curitiba. “Se eu fosse o Brasil, não gostaria de perder mercado para os meus produtos”. Dimas disse ontem que a decisão da reunião do Protocolo de Cartagena (que precedeu a COP 8) não afeta a UE, já que a rotulagem de cargas e produtos transgênicos já é exigida pelo bloco. Ele mostrou surpresa ao ser perguntado pelo Estado se o Brasil perderia mercado na Europa ao adotar os transgênicos. “Os produtos exportados para a Europa pelo Brasil são livres de OGMs”, respondeu. A soja transgênica, porém, foi legalizada no ano passado pela Lei de Biossegurança, além de ter sido plantada ilegalmente por muitos anos no Sul. “O que eu considero importante é que os consumidores europeus têm o direito de escolher, e eles não escolhem os OGMs”, disse. “Cabe ao Brasil tomar uma decisão”. A legislação européia exige que todos os produtos contendo mais de 0,9% de transgênicos em sua composição sejam identificados como OGMs. Na 3ª Reunião das Partes (MOP 3) do Protocolo de Cartagena, encerrada no dia 27, foi acordado que, dentro de seis anos, todas as cargas de exportação e importação contendo transgênicos deverão ser claramente identificadas com o rótulo “contém” OGM. Até lá, os países poderão usar o termo “pode conter” OGM.
O Estado de São Paulo, 27/03/2006.

5. Agricultores atacam empresa de sementes
Trabalhadores rurais ligados ao MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) fizeram um protesto ontem em frente a uma fábrica da Monsanto em Santa Helena de Goiás (219 km de Goiânia) para marcar o início da Jornada Nacional de Luta contra o Agronegócio e em Defesa da Agricultura Camponesa que vai até o dia 30 em vários Estados do país.
Os agricultores fizeram discursos, exibiram faixas de protesto e amontoaram embalagens de agrotóxicos em frente da empresa. Eles não invadiram o prédio. Embora o ato tenha sido pacífico, os cerca de 200 funcionários da fábrica não trabalharam pela manhã porque a direção da empresa cancelou o turno.
Agricultores ligados a outros movimentos sociais, como a Via Campesina e o Movimento dos Atingidos por Barragens, além do deputado estadual Mauro Rubem (PT), também participaram do ato. Segundo Altacir Bunde, da diretoria nacional do MPA, 1.500 pessoas de 40 municípios goianos estiveram no local. Para a Polícia Militar, eram 800 pessoas.
“Não queremos mais a Monsanto no Brasil. Caso permaneça, o futuro dela pode ser como o da Aracruz”, disse Bunde, em referência à destruição do laboratório da empresa de celulose por mulheres da Via Campesina, em Barra do Ribeiro (RS), neste mês.
“A Monsanto tem sido uma das principais responsáveis pela destruição do cerrado, pela contaminação da água e dos recursos naturais. Fomos lá para dar o recado e dizer que voltaremos para radicalizar”, afirmou Bunde. A assessoria de imprensa da Monsanto disse que a empresa não se manifestará a respeito das declarações.
Em seu site, o MPA promete fazer, até o dia 30, mobilizações contra outras multinacionais do setor agrícola, como Bunge, Cargill, Syngenta, Basf, Bayer, Nestlé, Danone, Aracruz e Veracel. O movimento diz que as empresas devastam o ambiente e concentram renda em poucas mãos.
Folha de São Paulo, 28/03/2006.

6. Via Campesina pressiona ministros
Manifestantes ligados à Via Campesina, vindos de várias partes do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e países vizinhos do Cone Sul, decidiram pressionar as delegações que estão reunidas no Segmento de Alto Nível da COP-8. O alvo do protesto foi o mesmo das mobilizações organizadas pelo movimento desde o início das conferências das Nações Unidas: criar barreiras contra os transgênicos. O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que o propósito foi de cobrar do governo brasileiro a manutenção da política contra as sementes Terminator e a favor da fiscalização da rotulagem de produtos transgênicos. O movimento pede que o governo identifique e destrua supostas lavouras de milho transgênicas que existiriam no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, até mesmo, no Paraná. Com exceção da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que conversou com os manifestantes, para os demais ministros presentes na COP 8, o protesto passou desapercebido. A ministra agradou o grupo ao dizer que sua luta é para que “a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) seja tão importante quanto os acordos econômicos”, dando uma sutil alfinetada à Organização Mundial do Comércio (OMC). “Nós queremos o desenvolvimento, mas que seja sustentável do ponto de vista econômico, social e ético”, acrescentou.
Folha de Londrina, 29/03/2006.

7. Via campesina quer porto de Paranaguá Livre de Transgênicos
A Via Campesina Brasil, que reúne diversos movimentos sociais do campo brasileiro, defende a manutenção do Porto de Paranaguá para uso exclusivo de exportação de produtos agrícolas não-transgênicos. A proibição de exportação de transgênicos pelo Porto de Paranaguá é de fundamental importância para evitar a contaminação da produção convencional, que representa a ampla maioria da produção agrícola do estado do Paraná. Ela preserva o direito dos agricultores paranaenses e brasileiros de seguirem produzindo produtos convencionais, sem perigo de contaminação pelo transporte. Também garante o direito do consumidor brasileiro e internacional de saber o que está consumindo, como determina a lei. Garante o direito do estado do Paraná administrar os bens públicos a serviço dos interesses da maioria da população brasileira.
A manutenção do porto de Paranaguá como livre de transgênico vai ao encontro das deliberações internacionais da Convenção de Diversidade Biológica realizada nesta semana em Curitiba. Estranhamos que uma juíza federal, de plantão, conceda a liminar à Federação dos Ruralistas Paranaenses, sem julgar o mérito da ação, pretendendo liberar a exportação de soja transgênica por esse porto. Estranhamos que esse mesmo reclamo foi feito pelo governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, maior produtor individual mundial de soja e parceiro das multinacionais, em recente documento dirigido ao governo federal.
Essa liminar atende apenas e unicamente os interesses das empresas transnacionais exportadoras, que controlam o comércio internacional de grãos, como a Monsanto, a ADM, a Bunge e a Cargill, que usam as cooperativas e os fazendeiros do agronegócio como meros coletadores de sua mercadoria.
O pedido da Federação dos Ruralistas Paranaenses não representa sequer a vontade da maioria dos grandes agricultores paranaenses, que sabem que serão prejudicados com o predomínio da soja transgênica. Basta consultar seus colegas do Paraguai e do Rio Grande do Sul.
Esperamos que o Governo do Paraná mantenha sua posição correta e corajosa de impedir o transporte de transgênicos por este porto. Somos solidários ao governo paranaense, e saberemos nos mobilizar para garantir a defesa do porto que é publico, portanto de todo povo brasileiro, para que atenda os interesses do povo.
Via Campesina Brasil, 30/03/2006.

8. Veneno no ar: Hortas e jardins morrem por efeito de dessecante
Nesta quarta-feira, 1° de março, os moradores da cidade de Lucas do Rio Verde, no centro-norte de Mato Grosso tiveram uma desagradável surpresa, as plantas dos jardins e as hortas começaram a secar. A partir de pontos secos no meio das folhas as plantas foram morrendo. De acordo com os técnicos agrícolas consultados é o efeito de um dessecante lançado por avião, possivelmente o Gramoxone. Dessecante é um veneno usado para secar as plantas. Mas nenhum desses materiais agrotóxicos pode ser lançado a menos de 15 quilômetros da área onde vivem pessoas.
Quem tem hortas, pomares e jardins está indignado com o fato. Muitas hortaliças foram perdidas causando prejuízo para os pequenos produtores. O efeito mais rapidamente perceptível é o econômico, mas a saúde dos habitantes de Lucas do Rio Verde pode sofrer conseqüências graves. O presidente da Associação dos Chacareiros, Celito Trevisan conta que colheu alface pela manhã, até às 9h, e durante o almoço um vizinho ligou perguntando se as hortaliças dele também haviam secado. “A partir daí nem almocei mais, fiz contato com os vizinhos e vi que todos foram atingidos”.
O Gramoxone é um produto químico altamente tóxico e provoca desfolhamento na vegetação, danos incalculáveis ao meio ambiente e o aparecimento de vários tipos de câncer, doenças neurológicas, e efeitos cumulativos ao meio ambiente. As normas técnicas exigem condições específicas de temperatura e velocidade do vento para a aplicação de defensivos agrícolas.
Nilfo Wandscheer, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde e coordenador do GTA Norte de MT, acionou a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município e a prefeitura. “Não podemos permitir que um crime ambiental desse nível passe sem punição” diz Wandscheer. No lançamento do veneno sobre a cidade de Lucas do Rio Verde se aplica o artigo 54 da lei 9.605 de Crimes Ambientais que diz que é crime “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”. A pena prevista para esse crime é de reclusão de um a quatro anos,e multa.
Uma dificuldade na identificação dos culpados está na falta de registro de vôos com pulverização de herbicidas. A sociedade de Lucas do Rio Verde está se articulando para tomar providências comunicando ao IBAMA, SEMA, Ministério Público, FORMAD e a Rede GTA para identificar e punir os responsáveis.
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde
CEBRAC, 06/03/2006.

9. Transgênico volta a ser proibido no PR
O embarque de soja transgênica pelo porto de Paranaguá (PR) voltou a ser proibido ontem, dois dias após liberado por força de liminar da 1ª Vara da Justiça Federal na cidade. A juíza federal Vânia Hack de Almeida, convocada para atuar no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, derrubou ontem a decisão de primeira instância. O TRF atendeu a um recurso da Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) contra a liminar que favorecia a ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários). A administração do porto alegou que possui apenas um silo público e que, sem estrutura logística para segregação, a soja transgênica seria misturada à soja convencional, ao ser descarregada.
Folha de São Paulo, 31/03/2006.

10. Juíza libera soja modificada em Paranaguá
A juíza federal Giovanna Mayer concedeu liminar que suspende a proibição da movimentação de soja transgênica pelo porto de Paranaguá (PR), determinada pelo governo do Estado.
A decisão foi tomada anteontem, a três dias do encerramento, em Curitiba, da COP 8 (8ª Reunião das Partes) da Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, o maior fórum de discussão internacional sobre preservação ambiental.
Mayer deu a liminar em um mandado de segurança impetrado pela ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários), entidade criada há um ano e que, no caso, representou os interesses da Cargill. A proibição havia sido imposta em outubro de 2003.
No despacho, a juíza diz que a ação do governo do Paraná contra os transgênicos “merece ser elogiada” por todos que prezam o ambiente e a soberania nacional, mas que o governo estadual não tem competência para ditar regras nem impedir a disseminação da cultura dos OVMs (organismos vivos modificados).
Depois de ver um decreto estadual que proibia a produção, o comércio e o transporte de soja transgênica no Paraná ser declarado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o governador Roberto Requião (PMDB) usou a lei federal de biossegurança para impedir o embarque desse tipo de soja pelo porto de Paranaguá.
O porto passou a exigir a segregação do produto transgênico para evitar contaminação de cargas de soja convencional, condição prevista na Lei de Biossegurança. E delegou aos exportadores a responsabilidade pela separação. Sem os silos exclusivos, as cargas não podiam ser embarcadas e passaram a ser desviadas para os portos de São Francisco do Sul (SC) e de Santos (SP).
Para a juíza, cabe ao Estado estabelecer um regime que garanta o transporte seguro.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse que o governo vai recorrer da decisão. Ele lembrou que o Estado conseguiu derrubar decisão semelhante obtida pela Faep (federação dos grandes agricultores do Paraná). “A juíza usurpa a competência do administrador do porto e do governo do Estado”, disse.
Folha de São Paulo, 30/03/2006.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Brasília tem primeiro Supermercado Orgânico do Brasil

Será mês inaugurado sábado (25/03/06), com um café da manhã, às oito horas, na Ceasa, em Brasília, o primeiro “Supermercado Orgânico” do País, voltado exclusivamente para a alimentação orgânica.
A informação é de Joe Valle, presidente do Sindicato dos Produtores de Orgânicos do DF (Sindiorgânicos-DF), engenheiro florestal, produtor de alimentos orgânicos, de verduras a laticínios, e proprietário da Fazenda Malunga.
Segundo Joe Valle, o supermercado chega com uma base sólida, pois conta com o apoio do Sindicato, primeira entidade do gênero criada no Brasil - 110 produtores filiados, e com parcerias junto aos governos local e federal: Sebrae, Embrapa, Emater, Federação de Agricultura, Secretaria de Agricultura - DF, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério da Ciência e Tecnologia MCT.
Joe Valle ressalta que a agricultura orgânica obedece a normas rígidas de certificação que exigem, além da não utilização de agrotóxicos, cuidados com a conservação e preservação dos recursos naturais e a valorização da qualidade de vida dos trabalhadores.
O resultado direto dessa forma de cultivo é a oferta de alimentos saudáveis e nutritivos para o consumidor consciente. Resumindo: ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável.
Cerca de 80% das vendas em Brasília, até agora, ocorrem através de feiras que acontecem duas vezes por semana, o que não é suficiente para dar vazão à produção local. Em razão disso, foi idealizado um local que atenderá plenamente ao consumidor, com produtos como laticínios, frutas, cereais, verduras e processados.
O DF tem 188 produtores orgânicos. São pequenos empresários que vivem dessa atividade. Segundo censo organizado pelo Sebrae e Federação da Agricultura e Pecuária do DF, mais de 2.000 produtores convencionais pretendem implantar em suas propriedades a agricultura orgânica.
Para organizar e dar sustentabilidade ao setor, o Sindiorgânicos e os órgãos federais e locais acima referidos organizaram o Arranho Produtivo Local (APL), uma metodologia de trabalho para resolver gargalos da cadeia produtiva de agricultura orgânica que está instalado desde 2005 e vem funcionando muito bem.
O Supermercado Orgânico funcionará num sistema cooperativo entre os produtores. O sistema será profissionalizado, com gerente, depósitos, caixa, escritórios e tudo que permita uma gestão moderna e competitiva, voltada para atender aos consumidores.
TECPAR - Instituto de Tecnologia do PR, 23/03/06.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA -- Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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