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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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Número 276 - 28 de outubro de 2005



A ameaça das sementes estéreis está de volta. Europa e Canadá conferiram este mês duas novas patentes dessa tecnologia à Delta & Pine Land e ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). De acordo com nota divulgada pelo Greenpeace Internacional, o pedido para estas mesmas patentes também foi depositado no Brasil, Austrália, China, Japão, Hong Kong, Turquia e África do Sul.

As empresas multinacionais de agrotóxicos e transgênicos estão de olho na próxima Conferência das Partes (COP 8) da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas (CDB), que acontecerá em Curitiba em março do próximo ano, e investindo na tentativa de derrubar a moratória internacional às sementes terminator, em vigor desde 2000 por recomendação da própria Convenção. Mas antes mesmo da COP8, a sinalização sobre o posicionamento dos países será dada na Espanha, em janeiro, onde será realizada a reunião do grupo de trabalho da CDB sobre seu artigo 8(j). É no processo de preparação da delegação brasileira para a reunião de Granada (Espanha) que nossas atenções devem se voltar neste momento - sem deixar de lado, evidentemente, o sinuoso processo de regulamentação da lei de biossegurança.

O artigo 8 da CDB trata das medidas que os países parte da Convenção devem adotar para se conservar in situ, isto é, em seu local natural, a diversidade biológica. O inciso "j" desse artigo refere-se ao respeito e à preservação do conhecimento, inovações e práticas das comunidades tradicionais, à promoção de sua aplicação com o consentimento prévio e participação de seus detentores e à repartição eqüitativa dos benefícios oriundos da utilização destes conhecimentos, inovações e práticas. No quadro da CDB, é também no 8(j) que entram tanto as sementes transgênicas estéreis como as demais formas de tecnologias genéticas de restrição de uso (GURTs, em inglês).

A lei de biossegurança em vigor no País proíbe o uso, a comercialização, o registro, o patenteamento e o licenciamento das sementes terminator (sementes transgênicas que impedem que o agricultor as multiplique). Até aí, a legislação anterior proibia o plantio de soja ou de qualquer outra semente transgênica sem a realização prévia de estudos de impacto ambiental e à saúde. O mesmo diziam decisões judiciais. Deu no que deu, prevalecendo as leis da impunidade e do fato consumado. Por isso que o alerta do Greenpeace de que os pedidos da Delta & Pine/USDA também foram feitos aqui é especialmente preocupante.
 
Dois levantamentos recentes, um de julho e outro de setembro, indicam que as 10 maiores empresas de sementes controlam 50% do mercado global e que, em relação às sementes transgênicas, a Monsanto sozinha detém 88% do mercado mundial.

Ciente disso, a FAO alerta que o uso de GURTs pode reforçar a tendência de concentração e integração (empresas grandes comprando as menores) do setor sementeiro, deixando os agricultores totalmente dependentes do fornecimento formal de sementes. Quem garante que, se liberadas, essas empresas não passarão a produzir exclusivamente sementes transgênicas com genes terminator?

Apesar de blasfemarem ao dizer que as sementes estéreis são uma medida de biossegurança, as empresas vislumbram com a liberação dessa tecnologia resolver seus problemas para recolhimento de royalties dos produtores que usam sementes transgênicas e também acabar com o uso não autorizado de suas sementes patenteadas. Mas o mais preocupante da história é imaginar esses genes que impedem as sementes de germinarem, se introduzidos no ambiente, se disseminando livremente através de polinizadores e do vento e contaminando os cultivos não-transgênicos, além da imensa variedade de sementes crioulas mantidas por agricultores familiares e comunidades tradicionais e ainda espécies nativas aparentadas.


Com uma intensa movimentação internacional de grãos resultante do comércio entre países, o banimento dessa séria ameaça à segurança alimentar só será efetivo se for global.
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Consulte a página www.banterminator.org, com informações em inglês, espanhol e francês.

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Neste número:

1. Dirceu nega que MP tenha sido negociada de forma escusa

2. Protocolos sob suspeita

3. Especialista contesta dispensa de EIA-Rima para transgênicos

4. Governo define área para algodão transgênico
5. Câmara apura denúncia de transgênicos em óleos comestíveis
6. Empresa deve ser julgada por propaganda enganosa
7. Soja não-transgênica pode valorizar agricultura familiar
8. Fetraf-Sul/CUT consolida relação com Europa para não-transgênicos
9. Paraguai permite importação de semente transgênica de soja

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Óleo de planta amazônica controla ataque de pragas

Dicas sobre fontes de informação
Ambientalistas fazem alerta sobre novas tecnologias, por Maurício Thuswohl - Carta Maior, 24/10/2005.
"Ciências como a genômica e a nanotecnologia prometem revolucionar os modos de produção nos próximos anos, mas todas as principais pesquisas nessas áreas estão sendo realizadas sob o estrito controle das grandes empresas transnacionais de biotecnologia".
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3649&cd_editoria=002&coluna=reportagens

Contrária à identificação, posição do país ameaça MOP-3, por Verena Glass, Carta Maior, 24/10/2005.
"Ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento pressionam contra identificação de transgênicos em trânsito transfronteriço, principal tema do encontro do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3) que ocorre em março de 2006".
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=3652&cd_editoria=002&coluna=reportagens

Cheiro de coisa ruim, por Andréia Fanzeres, O Eco, 24/10/2005. "Na baixa temporada, quando as ruas do Guarujá (SP) mal vêem turistas, os moradores da cidade costumam sentir um cheiro insuportável em vários pontos da cidade. Não vem de esgoto nem de produtos industriais. É diferente. O mesmo grão que tira o lugar de vastas extensões de cerrado e floresta amazônica, até no litoral é motivo de discórdia".
http://arruda.rits.org.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=67&textCode=14383&date=currentDate&contentType=html

Evento
BioFach América Latina
A BioFach América Latina é o principal evento do setor orgânico na América Latina. Desde 2003, quando foi realizada a Conferência BioFach Brasil, os profissionais do setor encontraram o espaço ideal para promover seus produtos e serviços.
Local: Riocentro, Pavilhão 5 - Rio de Janeiro - Brasil
Data: 16 a 18 de novembro de 2005
Horário: das 10h às 18h
http://www.biofach-americalatina.com.br/05-portinfo2.htm

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1. Dirceu nega que MP tenha sido negociada de forma escusa
O deputado José Dirceu disse, em entrevista coletiva, alegou que não há como afirmar que a Medida provisória 113, dos Transgênicos, tenha sido votada mediante qualquer tipo de negociação escusa. Segundo Dirceu, na ocasião apenas o PV e Prona tinham fechado questão sobre o assunto, ficando os demais partidos divididos.
- Todos sabem que não houve qualquer resultado fechado em qualquer outro partido. A MP ficou para ser votada outro dia, e foi - disse Dirceu, acrescentando não estar desqualificando o texto do relator do processo de sua cassação, mas sim apresentando contra-provas.
Gazeta On Line, 21/10/2005.
N.E. De qualquer forma, o deputado não afirmou que a MP não foi negociada. Apenas disse que não o foi de forma escusa.

2. Protocolos sob suspeita
A revista britânica Nature divulga em edição desta quinta-feira (20/10) uma investigação inédita, que mostra uma ligação nem sempre positiva entre pesquisadores e as grandes indústrias farmacêuticas do mundo.
Dos 200 protocolos clínicos consultados, feitos em várias partes do mundo e depositados no National Guideline Clearinghouse dos Estados Unidos em 2004, apenas 90 continham detalhes sobre conflitos de interesses individuais. Mas essa mostra foi considerada suficiente para colocar os protocolos de prescrição médica sob suspeita.

Um terço dos autores que participaram desses guias clínicos - que costumam influenciar bastante a comunidade médica sobre como proceder em termos de tratamento e diagnóstico dos pacientes - declarou ter ligações financeiras com empresas farmacêuticas. Dos 90 documentos avaliados, apenas 31 estavam livres de qualquer conflito de interesse.
Segundo Niteesh Choudhry, especialista em políticas de saúde da Escola Médica de Harvard, essa revelação é ainda mais complexa do que pode parecer. O médico afirma que, nesse caso, como os documentos costumam influenciar muito os clínicos, o efeito dos conflitos detectados pela investigação pode ser muito duradouro e afetar também várias pessoas ao longo de um intervalo de tempo.
Dos 90 protocolos esmiuçados com mais detalhes, a equipe da publicação britânica levantou uma lista com 685 autores. Deste total, 445 (65%) admitiram não ter conflitos de interesses. Outros 143 (21%) afirmaram prestar consultoria para companhias farmacêuticas. Além disso, 153 (22%) receberam algum tipo de bolsa para suas pesquisas e 103 (15%) participaram como palestrantes de eventos patrocinados pela iniciativa privada.
Uma porcentagem pequena dos clínicos, 16 ou 2,3% da amostra, afirmou ter investido em ações das empresas do setor farmacêutico. Para Choudhry, que já havia levantado o problema em 2002, a comunidade científica ainda precisa discutir o assunto, para que seja encontrado um caminho ideal, que possa levar à superação dos conflitos de interesses.
Agência FAPESP, 20/10/2005.


3. Especialista contesta dispensa de EIA-Rima para transgênicos

A competência legal da Lei de Biossegurança para dispensar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para organismos geneticamente modificados (OGMs) foi alvo de questionamentos ontem (20/10) em Porto Alegre (RS). "O artigo 225 da Constituição exige - e não faculta - a realização de EIA-Rima", defendeu a advogada da Organização Terra de Direitos, do PR, Maria Rita Reis. Ela sugere que, na regulamentação da Lei de Biossegurança, a liberação comercial de OGMs esteja condicionada a um quorum unânime na CTNBio.
Já para pesquisa, a decisão pode ser deliberada pela maioria. A sugestão foi apresentada durante o fórum "Há interesse social na transgenia em alimentos?", promovido pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS (Consea).
Para o assessor técnico da gerência geral de alimentos da Anvisa, Hoeck Miranda, a agência trabalha no enfoque de risco, seja de alimentos à base de OGMs ou convencionais. "Temos de estar atentos a que alimentos podem ter em sua composição ou por contaminação elementos que podem gerar problemas à saúde". Concluída a consulta pública até o final do ano, a Anvisa deve iniciar a publicação do Regulamento Técnico sobre os Procedimentos para Avaliação de Segurança para o Consumo Humano Contendo OGM e seus Derivados e de Alimentos Contendo Produtos Derivados de Animais Alimentados com OGM e seus Derivados.
"Trata-se de modelo de avaliação para o consumo humano, com o propósito até de subsidiar a participação do Mapa na CTNBio". O regulamento, que estabelecerá normas, obedece a exigências do Acordo de Barreiras Técnicas de Comércio e o Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias.
Correio do Povo, 21/10/2005.

4. Governo define área para algodão transgênico
Instrução normativa do Ministério da Agricultura proíbe plantio de algodão transgênico em alguns Estados do país. A proibição se estende por toda a região Norte e parte do Maranhão, por partes do Estado da Bahia, por partes de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e por partes de Paraíba e Rio Grande do Norte.
A instrução define todos os municípios brasileiros autorizados a plantar algodão transgênico e a zona de exclusão para os organismos geneticamente modificados. O zoneamento foi realizado pela Embrapa.
"Nessas áreas fica proibida a circulação de sementes, grãos, algodão em caroço e outras partes que propaguem algodoeiros transgênicos. Isso porque, se uma semente cair de um caminhão durante o transporte, poderia, por exemplo, originar uma planta de algodão na beira da estrada", explica o pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, de Campina Grande (PB).

Para elaborar a proposta das zonas de exclusão do algodoeiro transgênico no Brasil, a Embrapa considerou a distribuição das espécies Gossypium, a importância biológica das populações e o zoneamento agrícola publicado pelo Ministério da Agricultura para o ano 2004/05 e por instituições de pesquisas dos Estados de São Paulo e Paraná.
Segundo os técnicos da Embrapa, o objetivo da criação das zonas de exclusão é evitar o fluxo gênico a partir de cultivares transgênicas para espécies nativas e naturalizadas do Brasil.
O isolamento geográfico entre cultivares é a forma mais eficiente de evitar cruzamentos, afirmam. A cada safra o zoneamento será atualizado, podendo ser incluídas ou retiradas áreas da zona de exclusão de OGMs.
O estudo da Embrapa considerou três espécies de algodoeiro: Gossypium mustelinum, a única selvagem e nativa do país; Gossypium barbadense, que ocorre basicamente em fundos de quintal; e populações do algodoeiro mocó, que se tornaram selvagens após suas lavouras terem sido abandonadas, mostra a Embrapa.
Pesquisas
As pesquisas sobre fluxo gênico feitas pela Embrapa integram um projeto em rede denominado biossegurança de organismos geneticamente modificados e contam com o financiamento de instituições como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Ministério do Meio Ambiente e Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira, além de entidades estaduais ligadas ao setor.

Folha de S. Paulo, 2710/2005.

N.E. Mais informações podem ser obtidas no Comunicado Técnico 2005/242 da Embrapa Algodão, intitulado Zonas de exclusão de algodoeiros transgênicos para a preservação de espécies de Gossypium nativas ou naturalizadas, no endereço eletrônico http://www.cnpa.embrapa.br/publicacoes/comunicados/2005_242.pdf .


5. Câmara apura denúncia de transgênicos em óleos comestíveis
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizará audiência pública, em conjunto com a Comissão de Defesa do Consumidor, para apurar denúncia de uso de soja transgênica em óleos comestíveis sem que constem informações no rótulo. A denúncia foi apresentada pelo Greenpeace do Brasil, entidade ambientalista não-governamental. Segundo a ONG, os produtores de óleo das marcas Soya e Liza - duas empresas multinacionais [Bunge e Cargill] - utilizam soja transgênica, ou seja, geneticamente modificada, sem a devida rotulagem com informações sobre a característica do produto.
Exames
Os autores do requerimento, deputados João Alfredo (PSOL-CE) e Fernando Gabeira (PV-RJ), explicam que o Greenpeace apresentou não só as denúncias, mas dados e informações concretas, como resultado de exames em laboratórios que comprovam a omissão de informações sobre o uso da soja transgênica. Os dados demonstram "flagrante desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) e à legislação que exige a informação no rótulo de todo produto que contenha mais de 1% de produtos transgênicos", ressaltou João Alfredo.
Participantes
Serão convidados para discutir o assunto representantes dos ministérios da Justiça; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Meio Ambiente; Saúde; representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Ministério Público Federal; Instituto de Defesa do Consumidor (Idec); Associação Brasileira de das Indústrias Alimentícias (Abia); Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do próprio Greenpeace. O requerimento foi aprovado no último dia 19, mas a reunião ainda não foi agendada.
Agência Câmara, 24/10/2005.

6. Empresa deve ser julgada por propaganda enganosa
Exames solicitados pelo Ministério da Justiça indicaram presença de material geneticamente modificado em proporções que variaram de 0,01% a 1%
O DPDC - Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, deve julgar até o fim do ano quatro processos de propaganda enganosa contra os produtos Soymilke e Sustare - alimentos feitos à base de soja e produzidos pela empresa Olvebra.
Testes de laboratório encomendados pelo Ministério indicaram que esses produtos contêm soja transgênica. O rótulo dos alimentos, contudo, informa a presença de "soja não-transgênica". Segundo o advogado da Olvebra José Humberto Bastos, "a empresa alega que em nenhum momento descumpriu os índices dispostos na legislação e que também apresentou vários laudos demonstrando não haver detecção para OGMs - Organismos geneticamente modificados tanto no sentido qualitativo ou quantitativo", disse ele. O advogado afirma ainda que a empresa compra, desde 1999, matéria-prima de fornecedores com "rastreabilidade de não-OGM".

Os exames solicitados pelo ministério indicaram, entretanto, a presença de material geneticamente modificado em proporções que variaram de 0,01% a 1%. Apesar da baixa porcentagem, o Código de Defesa do Consumidor estabelece a obrigatoriedade dessa informação. Contudo, Humberto Bastos citou o Decreto nº 4.680, de 24/04/2003, que, segundo ele, determina que a rotulagem é obrigatória para a presença de OGM acima do limite de 1%. "Portanto, pode-se observar que a legislação não é clara em afirmar que abaixo desses um por cento o produto poderia ser considerado como OGM ou não", explicou ele.
O Código de Defesa do Consumidor prevê punição por propaganda enganosa. A comprovação de substâncias transgênicas nesses alimentos poderá acarretar em multa de até três milhões de Ufir - Unidades de Referência Fiscal, ou R$ 3,18 milhões.
Radiobrás, 19/10/2005.

7. Soja não-transgênica pode valorizar agricultura familiar
Protocolo de parceria da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf Sul) com o grupo europeu GM-Free Network para a comercialização da soja não transgênica brasileira produzida pelos agricultores familiares foi assinado nesta quinta-feira (20/10).
"É muito importante que, em um país como o nosso com uma agricultura familiar tão potente, existam lá fora mercados que garantam preço para os nossos produtos não transgênicos produzidos pelos agricultores familiares brasileiros", disse o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.
"Nós temos uma agricultura familiar muito forte que responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e que tem uma tradição de plantio orgânico e plantio convencional. A existência de mercado lá fora livre de transgênicos é muito importante, especialmente para a agricultura familiar brasileira", afirmou Cassel.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, no país, há mais de 4 milhões de agricultores familiares, responsáveis por 35% da produção da soja brasileira.
Agência Brasil, 22/10/05.

8. Fetraf-Sul/CUT consolida relação com Europa para não-transgênicos
Em três dias de uma agenda intensa no Paraná, entre 17 e 19 de outubro, a comitiva européia do GM-Free Regiões Network, representante de 35 regiões da Europa já declaradas não consumidoras de transgênicos, e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Su/CUT), consolidaram ainda mais a relação de troca de informações e conhecimento sobre a produção de alimentos, principalmente soja, livre de transgênicos. "A vinda da comitiva foi muito importante, pois abrimos uma perspectiva concreta de comercialização da produção da agricultura familiar para estas regiões da Europa", aponta Marcos Rochinski, coordenador da Fetraf-Sul/CUT no Paraná. Segundo ele, foi um momento de extrema importância para o fortalecimento da agricultura familiar e na luta da Fetraf-Sul/CUT contra os transgênicos.
Rochinski adianta que, daqui em diante, será ampliado o projeto de soja convencional na agricultura familiar, que tem como meta inicial comercializar, já na próxima safra, uma média de 60 mil toneladas com a Europa. Estiveram presentes também, durante toda a agenda, os representantes da Federação dos Agricultores Familiares do Mato Grosso do Sul (FAF), que também trabalham com a soja convencional e participam do projeto junto com a Fetraf-Sul/CUT. (...)
Fetraf-Sul/CUT, 25/10/2005.

9. Paraguai permite importação de semente transgênica de soja
O Paraguai irá permitir temporariamente a importação de variedades transgênicas de semente de soja, Roundup Ready, não certificadas sejam importadas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (21-10) no Serviço Agrícola Internacional (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
De acordo com o FAS, a medida foi adotada depois de o país sofrer com a forte seca que causou quebra da safra. Em 2004, o Paraguai aprovou quatro variedades da semente transgênica. Neste ano, no mês de março, foi acertado com a Monsanto o pagamento de Royalties pelo uso da soja geneticamente modificada na safra 2004/05.

Cerca de 70% das lavouras do país foram plantadas com sementes transgênicas, ou 1,5 milhão de hectares. O Paraguai importa as sementes modificadas da Argentina (quase 80%) e do Brasil.

Agência Estado, 21/10/2005.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Óleo de planta amazônica controla ataque de pragas

O ataque de pragas em áreas de cultivos homogêneos é um dos principais problemas enfrentados pelos produtores. Diante das perdas, a grande maioria faz uso de controle químico por meio de inseticidas convencionais e específicos em função de sua eficiência, custo relativamente baixo e facilidade de emprego em relação a outros métodos.
No entanto, a prática constante e o mal uso dos agrotóxicos levam a contaminação do solo, água, atmosfera e seres vivos. Na busca de métodos menos agressivos, surgem as pesquisas com bioinseticidas que são produzidos a partir de substâncias extraídas de plantas e a Amazônia é terreno fértil para essas iniciativas.
É o caso dos estudos com uma planta muito comum no Acre e conhecida como pimenta de macaco (Piper aduncum). Ela é uma planta aromática e arbustiva que ocorre naturalmente em pastagens degradadas e em capoeiras abertas com idade média de nove anos.
O óleo essencial, obtido por meio da destilação de talos e folhas, é rico em dilapiol, um composto químico sinergístico e de efeito inseticida. Na pimenta de macaco encontram-se concentrações elevadas que variam de 73% a 98% por litro de óleo.
Os primeiros testes mostraram que esse bioinseticida era eficiente no controle de pragas de plantas com folhas consistentes como abacaxi e café. No entanto, houve problemas de fitotoxidade em plantas com folhas mais tenras como o feijão e as hortaliças.
A cultura do abacaxi é muito suscetível ao ataque de pragas principalmente a broca-do-abacaxi. Uma lavoura com 10 mil frutos por hectare pode apresentar perdas de até 37% da produção o que representa quase R$ 4 mil em prejuízos se considerarmos o preço de venda igual a R$ 1 por fruto.
"Testamos várias formulações até chegar a uma solução de 300 litros composta de 1,5 de óleo de pimenta de macaco, espessante adesivo e água. O volume é suficiente para cobrir um hectare com 10 mil plantas", explica o pesquisador Murilo Fazolin, da Embrapa Acre (Rio Branco - AC), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Durante sete semanas, logo no início da floração, uma lavoura de abacaxi recebeu pulverizações com o bioinseticida. Os testes apontaram uma redução de danos aos frutos na ordem de 28% em relação às plantas não tratadas e de 12% em relação às plantas pulverizadas com inseticida convencional.
Pelo método convencional de controle o custo de pulverizacão chega a R$ 34,20 por hectare. Já o uso do bioinseticida reduz as despesas para R$ 25,61/hectare. O cálculo toma como base o preço de comercialização do litro de óleo de pimenta longa (Piper hispidinervum), rico em safrol, que é produzido no Acre e comercializado a R$ 16,10 o litro.
"Eu já vi muito produtor desistir do abacaxi por não dar conta das pragas ou por não agüentar mais o riso de exposição a venenos. Com o bioinseticida a gente tem a chance de trabalhar num ambiente menos perigoso à saúde e à natureza, além de oferecer um produto melhor para o consumidor", disse o produtor Cícero Medeiros Brandão, o Pita, que cultiva abacaxi há mais de 20 anos no Belo Jardim, zona rural próxima a Rio Branco. Ele é um dos parceiros da Embrapa Acre nas pesquisas com plantas inseticidas.
Bioinseticida
Os princípios ativos dos inseticidas botânicos são compostos resultantes do metabolismo secundário das plantas, sendo acumulados em pequenas proporções nos tecidos vegetais. Hoje, existe um mercado promissor para os bioinseticidas e inseticidas naturais porque esses produtos podem ser utilizados no manejo integrado de pragas em cultivos comerciais e também na agricultura orgânica.
As pesquisas com pimenta de macaco fazem parte do projeto "Prospecção e avaliação de plantas da Amazônia com potencial de uso inseticida", desenvolvido desde 2001 pela Embrapa Acre, em parceria com a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna - SP) e a Embrapa Roraima (Boa Vista - RR), com recursos do CNPq e tesouro nacional.

Os pesquisadores querem identificar espécies vegetais nativas no Acre, Roraima e sul do Amazonas, com atividade inseticida, para isolar e purificar compostos ativos promissores no controle de pragas e preservação de insetos benéficos.
De acordo com Fazolin, até o momento foram avaliadas 22 plantas de diferentes famílias como jutaí, café branco e quina quina, sendo que as da família piperaceas apresentaram maior potencial de aplicação imediata no campo.
Os estudos indicam que o sistema de cultivo da pimenta de macaco e o processo de obtenção do óleo essencial são muito similares às técnicas empregadas com a pimenta longa que já foi alvo de pesquisa da Embrapa em função da presença de safrol.
No entanto, os pesquisadores querem novas parcerias para cobrir algumas lacunas de conhecimento. "Temos etapas para cumprir afim de que a tecnologia chegue efetivamente no campo. Entre elas estão a avaliação do rendimento industrial e a análise do potencial de mercado para uso dessa tecnologia na agricultura orgânica que está em franca expansão no Brasil e no exterior", afirmou Fazolin.

http://www21.sede.embrapa.br/noticias/banco_de_noticias/2005/folder.2005-08-15.5931044316/foldernoticia.2005-09-26.8798480371/noticia.2005-09-29.7162974799/mostra_noticia

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA -- Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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