Boletim 187, Por um Brasil Livre de Transgênicos

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 187 - 28 de novembro de 2003

[email protected] [email protected],

As entidades ambientalistas de todo o Brasil puderam hoje dar um recado em alto e bom tom ao Presidente Lula, sobre a preocupação quanto ao Projeto de Lei (PL) de Biossegurança que atualmente tramita na Câmara dos Deputados.

Na abertura da Conferência Nacional do Meio Ambiente, hoje (28/11) em Brasília, representantes de entidades ambientalistas desfilaram faixas com os dizeres “Lula: Defenda seu PL de Biossegurança no Congresso” e “O PL de Biossegurança do governo está sendo destruído no Congresso. O Governo não vai fazer nada?”, no momento em que Lula discursava. Estavam também na mesa de conferência a Ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e os Ministros Cristóvão Buarque (Educação) e Ciro Gomes (Integração Nacional).

Os delegados da Conferência também distribuíram, na forma de panfletos, uma carta ao Presidente Lula, pedindo que o Governo Federal tome medidas urgentes para evitar que o PL de biossegurança encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional em outubro seja completamente descaracterizado e transformado em uma lei federal que facilite de maneira irresponsável a liberação dos organismos transgênicos no País, conforme pretende a bancada ruralista na Câmara.

Durante o discurso do Presidente, outros manifestantes também desfilaram faixas sobre outros temas ambientais, como as reservas extrativistas na Amazônia e questões indígenas. Lula demonstrou irritação com os protestos e afirmou que “Não há forma mais autoritária de comportamento do que algumas pessoas tentarem fazer com que seus interesses prevaleçam sobre os interesses da maioria do povo brasileiro”. Disse que perdeu três eleições e afirmou que se ele "tivesse medo de grito, nem teria nascido".

No entanto, se comprometeu a respeitar o Princípio da Precaução e afirmou que o PL de Biossegurança foi debatido por todos os ministérios, e que o governo não vai aprovar nada que não seja vontade da maioria da população.

No final da solenidade, o Ministro Ciro Gomes foi abordado por uma manifestante que pediu o apoio do Governo Federal ao PL de biossegurança. Ciro afirmou que o Governo apóia seu PL e foi surpreendido com a informação de que o Deputado Federal Roberto Freire, presidente de seu partido (PPS), apresentou uma emenda substitutiva global ao PL do governo, visando à rápida liberação dos transgênicos no País. Ciro respondeu à ativista que investigará o assunto.

De fato, a situação do PL do governo no Congresso é das piores possíveis atualmente. A Comissão Especial formada na Câmara para avaliar e dar parecer sobre o PL tem ampla maioria pró transgênicos e contra o PL, mesmo nos partidos da base aliada ao governo.

O relator do PL na Comissão, o Dep. Aldo Rebello (PCdoB - SP e Líder do Governo na Câmara), tem declarado publicamente que não será possível aprovar na Comissão um parecer que preserve as características do PL original e que será necessário fazer concessões à bancada ruralista.

Em audiência concedida na quinta-feira (27/11) a entidades que fazem parte da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos, Rebello afirmou que manterá em seu parecer o caráter consultivo da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia) -- a questão central do PL --, mas que dará “liberdade total para a pesquisa”.

Mesmo assim, admite que não há segurança de que o PL seja aprovado na Comissão. A bancada ruralista ameaça rejeitar o parecer e votar o substitutivo global do Dep. Roberto Freire. As entidades da Campanha estão cientes desta situação e por este motivo vêm pressionando o governo federal a defender efetivamente seu PL no Governo, o que poderia reverter este quadro negativo.

Nesta quinta-feira (27/11) foram também realizadas duas audiências públicas na Comissão Especial da Câmara, uma que só apresentou o lado favorável à liberação dos transgênicos e outra em que havia três pesquisadores favoráveis aos transgênicos e um crítico. Assim têm sido as audiências da Comissão: fortemente tendenciosas a favor da liberação.

Você também pode ajudar a pressionar o Governo Federal a defender o PL de Biossegurança.

Envie mensagens ao Dep. Aldo Rebello e ao Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, pedindo que a composição da Comissão seja alterada de modo a favorecer a aprovação do PL sem alterações, e que o governo se empenhe de fato na manutenção de seu texto. Você pode mandar mensagens diretamente através do site
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/?cyber=1&codigo=22

Envie também mensagens ao Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, e ao Dep. Roberto Freire, pedindo que o PPS retire a emenda substitutiva global ao PL do governo e apóie o texto original, que garante a adequada avaliação dos riscos dos organismos transgênicos ao meio ambiente e à saúde da população, bem como sua conveniência social e econômica, previamente a qualquer liberação comercial.

As mensagens podem ser do seguinte teor:

“Ilmos. Senhores

Ministro de Estado da Integração Nacional
Sr. Ciro Gomes
Deputado Federal e Presidente Nacional do PPS
Sr. Roberto Freire

Venho demonstrar minha profunda preocupação com o comportamento do PPS com relação ao Projeto de Lei de Biossegurança encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional em 31/10/2003.

Este PL foi objeto de amplo e intenso debate dentro do governo e é resultado de um acordo entre seus diferentes setores. Ele trata a questão da biossegurança no País de forma responsável, protegendo o meio ambiente, a saúde da população e a soberania do País.

Reitero que, respeitando o Princípio da Precaução, o Brasil não prejudicará sua autonomia científica e tecnológica. O controle da tecnologia por poucas empresas multinacionais é que limita, principalmente através das patentes sobre genes e sobre processos, a autonomia da pesquisa brasileira.

Neste sentido, peço que o PPS retire a emenda substitutiva global ao PL nº 2.401/03, apresentada pelo Dep. Roberto Freire. O PPS faz parte deste governo e o seu apoio ao PL do governo ajudará o Brasil nesta questão.

Cordialmente,
(nome / entidade).”

As mensagens devem ser enviadas para os seguintes endereços:
[email protected]
[email protected]


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Neste número:

1. Porto de Paranaguá lava silo que tinha transgênico
2. Produtor do MA autuado por plantar transgênicos
3. Governo bloqueia 8,2 mil t de sementes de soja transgênica no RS
4. MS contesta no STF Lei do Paraná que impede venda de soja transgênica
5. Soja transgênica não traz vantagens ao agricultor
6. Lavouras transgênicas ainda dividem Europa
7. Culturas geneticamente modificadas aumentam o uso de pesticidas nos EUA

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agroecologia em expansão

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1. Porto de Paranaguá lava silo que tinha transgênico


Mais de duzentas pessoas, entre estudantes universitários, estagiários do porto e ecologistas, participaram ontem da lavagem simbólica do silo público (silão), que armazenou durante um mês a soja transgênica que seria exportada pelo Porto de Paranaguá. "Estamos arrumando o espaço para dar mais qualidade ao porto. É mais uma página virada com relação à soja transgênica no Paraná", afirmou o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião.
A higienização do silão reuniu manifestantes de várias entidades ecológicas. Do Greenpeace vieram ativistas de vários estados brasileiros. Eles desceram de rapel de uma das esteiras do porto e estenderam uma faixa com os dizeres: "Faça como o Paraná. Diga não aos transgênicos". A assessora da campanha de engenharia genética da entidade, Gabriela Vuolo, disse que o Paraná está dando um exemplo ao implantar uma lei que trata da questão dos transgênicos. "Enquanto não houver certeza sobre os efeitos da transgenia para as pessoas, vamos lutar contra a sua liberação", disse a ativista.
O engenheiro agrônomo Cláudio Marques, da Rede Ecovida de Agroecologia, que reúne grupos ecológicos dos três Estados do Sul, não só elogiou a posição do governo do Paraná como também disse que já há estudos que colocam em dúvida a biossegurança na adoção dos transgênicos. Na Irlanda, no Instituto Rowett, o mesmo que clonou a ovelha Dolly, estudos concluíram que as cobaias submetidas a produtos transgênicos tiveram problemas no sistema imunológico." (...)
Das 62 mil toneladas de soja modificada geneticamente que estavam estocadas no porto, 12 mil toneladas ainda não tinham destino certo até ontem em razão da dificuldade de negociação do produto no mercado internacional.
O superintendente dos portos disse que a queda do preço de até U$ 40 dólares por tonelada da soja transgênica impediu que todo o produto estocado já estivesse embarcado.
"Por outro lado, não tivemos dificuldade nenhuma em embarcar 35 mil toneladas de soja convencional no próximo dia 30, facilmente aceita no mercado internacional", disse Eduardo Requião.
No início de dezembro o corredor de exportação do Porto de Paranaguá fecha para manutenção preventiva dos equipamentos elétricos e mecânicos e reabre para receber a safra do ano que vem. Este ano foram exportadas 6 milhões de toneladas de grãos no porto.
Paraná On line, 28/11/03.

2. Produtor do MA autuado por plantar transgênicos
A Delegacia Regional do Ministério da Agricultura no Maranhão autuou a Fazenda Cajueiro, localizada em Balsas, Sul do Estado, pelo plantio sem autorização de soja geneticamente modificada. Fiscais da delegacia estão há uma semana na região de Balsas, principal pólo agrícola de grãos do estado, para rastrear transgênicos e devem retornar hoje à São Luís.
A autuação, feita há dois dias, é baseada na própria confissão em documento da fazenda, que revelou à delegacia ter plantado 150 hectares de soja geneticamente modificada na safra passada.
Dos 150 hectares plantados pela Fazenda Cajueiro, segundo a delegacia, 100 hectares foram colhidos, o que rendeu 98 toneladas da soja em grãos geneticamente modificada. Além de identificar a fazenda que produziu a soja transgênica, a delegacia também chegou à empresa que comprou a produção, a Grãos Comércio e Cereais, também de Balsas, que também foi autuada. A empresa Grãos Comércio e Cereais argumentou que não sabia que se tratava de soja transgênica. O destino dado ao produto foi a produção de ração animal.
Este é o primeiro caso de autuação de soja transgênica no Maranhão. "O fato de a empresa ter nos confessado o plantio de soja transgênica não a exime de ter cometido a infração", afirma o delegado do Ministério da Agricultura no Maranhão, Fernando Lima, ressaltando que deverá abrir um processo administrativo.
Há um ano a delegacia recebeu uma denúncia de plantio de soja transgênica na região de Balsas. Foi até a região, mas não encontrou o produto, segundo Fernando Lima. Há um mês, no entanto, a delegacia recebeu uma solicitação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) para comparecer à cidade de Balsas presenciar extermínio de um plantio de 50 hectares de soja geneticamente modificada.
Lavoura erradicada
Quando a equipe de fiscais da delegacia se preparava para ir à região, conforme conta o delegado, o órgão recebeu outro comunicado informando não ser mais necessária a presença, pois o plantio já havia sido exterminado e em seu lugar (na área) teria sido plantado outra cultura, de arroz.
Mesmo sendo informado sobre a erradicação do plantio, a delegacia enviou fiscais à região de Balsas, quando constatou que o plantio havia sido feito na Fazenda Cajueiro. Os proprietários da fazenda revelaram à delegacia que colheram 100 hectares e que eliminaram os 50 hectares restantes e plantaram em seu lugar arroz.
De acordo com a Delegacia Regional de Agricultura, a Fazenda Cajueiro é produtora de sementes, registrada no Ministério da Agricultura, e fornece o produto para cotistas da Fapcen.
A Gerência de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Gema) planeja desenvolver uma campanha entre os produtores rurais maranhenses para que não optem pelo plantio de soja transgênica. A idéia é fazer do plantio convencional um diferencial do Maranhão, destacando-se assim nos mercados europeu e do Japão.
ParanaOnline, 21/11/03.

3. Governo bloqueia 8,2 mil t de sementes de soja transgênica no RS
Técnicos do Ministério da Agricultura bloquearam a venda de 8,2 mil toneladas de sementes de soja geneticamente modificadas encontradas em 10 sementeiras do Rio Grande do Sul, informou o ministério em comunicado nesta terça-feira.
O produto foi separado e poderá ser incinerado, já que a legislação atual para o plantio de soja permite apenas o plantio de sementes transgênicas que sobraram da safra anterior e que já estavam em poder dos produtores.
As sementes geneticamente modificadas foram encontradas durante fiscalização que o Ministério está realizando desde setembro em sementeiras do Rio Grande do Sul.
No total, foram coletadas 72 amostras de sementes de soja de 52 sementeiras gaúchas, e 17 das amostras indicaram soja transgênica.
As 10 sementeiras foram autuadas e poderão receber multa de R$ 16 mil reais, além de terem de pagar pelo processo de destruição das sementes.
Agência Reuters, 25/11/03.

4. MS contesta no STF Lei do Paraná que impede venda de soja transgênica
O ministro Gilmar Mendes é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN 3054) ajuizada no Supremo Tribunal Federal pelo governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, contra os artigos 1º, 2º e 5º, da Lei estadual 14.162/03, do Paraná, que proíbe a comercialização e a exportação de organismos geneticamente modificados (OGMs).
A ação tem pedido de concessão urgente de medida liminar para suspensão imediata dos dispositivos até o julgamento de mérito da ação, por ofensa aos princípios constitucionais da livre iniciativa, da livre concorrência, da propriedade privada e da liberdade de trânsito de pessoas e bens (artigos 1º, IV, 5º, XV, 170, II e IV, CF). Sustenta, também, invasão de competência legislativa privativa da União sobre Direito comercial, comércio exterior e interestadual, e regime de exploração dos portos (artigo 22, incisos I, VIII e X), CF).
O governador sul-matogrossense também afirma que a ação do governo paranaense teria por finalidade “isolar” o estado “impedindo o trânsito de mercadorias, no caso a soja, para satisfazer exigência comercial externa, qual seja, iminente contrato de fornecimento de soja à República Popular da China”.
A ação reclama que a Lei estadual do Paraná impede o exercício da livre concorrência e que a proibição que inclui a utilização do Porto de Paranaguá, “essencial para exportação da safra sul-matogrossense, demonstra de forma patente o abuso cometido pelo estado do Paraná em prejuízo do estado de Mato Grosso do Sul”. A Lei estadual 14.162/03, do Paraná, já foi contestada junto ao STF em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3035) ajuizada pelo PFL.
STF Notícias, 25/11/03.

5. Soja transgênica não traz vantagens ao agricultor
Para Victor Pelaez, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o cultivo da soja transgênica não traz nenhuma vantagem para o agricultor e ainda pode representar riscos econômicos e ambientais, além de danos para a saúde. (...)
Há seis meses, Pelaez desenvolve vários estudos sobre transgênicos e as informações utilizadas são principalmente de trabalhos de universidades americanas. No artigo intitulado "Soja transgênica vs. soja convencional: uma análise comparativa de custos e benefícios", o professor defende que o consumo de herbicidas na cultura de soja transgênica tende a ser superior ao da soja convencional e que a produtividade da soja convencional mostrou-se 12% superior à da transgênica. Além disso, a introdução de sistemas de certificação e de rastreabilidade da soja convencional tendem a inflacionar o mercado na medida em que força a adoção de novas práticas de manejo e de controle das safras que incorrem em custos adicionais repassados aos consumidores. "Os principais mercados consumidores de soja -- Europa e Japão -- têm-se mostrado relutantes em consumir produtos geneticamente modificados, dando preferência à soja convencional. Esses mercados estariam dispostos a pagar mais pela soja convencional, desde que o produto seja acompanhado de certificação de pureza", afirmou Pelaez. (...)
Ainda segundo o artigo, no Brasil um dos principais fatores para o aumento da produtividade da soja foram as pesquisas realizadas pela Embrapa para a fixação do nitrogênio, por meio da associação simbiótica com a bactéria Rhizobium. "Com a germinação da semente, a bactéria fixa-se nas suas raízes extraindo nitrogênio do ar transferindo-o para a planta", explicou. No entanto, com a substituição da semente tradicional por transgênica, é possível que ocorra a perda da produtividade associada à alteração desse processo.
O Estado do Paraná, 23/11/03.

6. Lavouras transgênicas ainda dividem Europa

A Europa se esforçou para chegar a um consenso no dia 25/11 sobre as lavouras transgênicas, sendo que o mais graduado assessor britânico foi incapaz de fornecer normas claras para seu uso no Reino Unido, enquanto a iminente votação da União Européia, que decidirá se suspenderá a proibição sobre produtos de biotecnologia, em vigor há cinco anos, está complicada demais para que seja possível prever o resultado. (...)
Em um informe ansiosamente aguardado, a Comissão de Biotecnologia, Meio Ambiente e Agricultura (AEBC, na sigla em inglês) do Reino Unido exigiu a aplicação de normas mais rigorosas para regular o plantio das lavouras transgênicas, porém sem propostas claras, dificultará ainda mais a decisão vital que o governo deverá tomar no próximo ano.

O informe deveria ter sido publicado no começo do ano, mas sua divulgação foi retardada porque os cientistas não conseguiram chegar a um acordo sobre o ponto limítrofe para seu uso em alimentos, que é crucial para a intenção do governo de definir como as lavouras transgênicas e convencionais poderão coexistir e ainda permitir que os consumidores tenham uma opção sobre o que comprar.

A AEBC declarou que seus membros não conseguirem chegar a um acordo sobre o limite aceitável de material transgênico nos alimentos, será estabelecido em 0,1%, conforme exigiu o cada vez mais influente grupo de pressão dos alimentos orgânicos do Reino Unido, ou em 0,9%, como foi sugerido pelo setor de biotecnologia e a Comissão da UE.

A Royal Society pediu a realização de um debate abrangente sobre o futuro da agricultura no Reino Unido, sem se concentrar demais em lavouras transgênicas. O presidente da sociedade, lord May de Oxford, declarou que estudos recentes de efeitos de lavouras transgênicas sobre o meio ambiente mostraram que não foram as lavouras transgênicas que determinaram o efeito sobre a biodiversidade, mas o sistema de manejo de pragas associado a elas.

Cientistas determinaram no mês passado, após realizar experimentos, que algumas lavouras transgênicas, como óleo de canola e beterraba, são mais prejudiciais à vida animal do que as cultivadas convencionalmente, estimulando ainda mais as exigências para que o governo evite que sejam cultivadas comercialmente. No próximo mês, os países da UE realizam nova tentativa de suspender a proibição sobre os transgênicos, renovando o debate sobre uma variedade de milho doce que poderá destravar a disputa comercial transatlântica.

A Comissão Européia levará o assunto a voto em duas semanas. O resultado poderá ser contraproducente para a CE, deixando que o impasse seja resolvido pelos ministros da UE, ou poderá encerrar uma proibição informal que desencadeou uma ação internacional contra a EU.
Valor Econômico, 26/11/03.

7. Culturas geneticamente modificadas aumentam o uso de pesticidas nos EUA

A plantação de 500 milhões de acres de milho, soja e algodão geneticamente modificados (GM) nos Estados Unidos desde 1996 tem aumentado o uso de pesticidas em torno de 18.650 toneladas, de acordo com um artigo divulgado em 25/11 pelo Centro de Política Ambiental e Científica do Noroeste dos EUA.
O relatório é o primeiro estudo completo dos impactos das maiores culturas transgênicas comerciais no uso de pesticidas nos EUA ao longo dos primeiros oito anos de uso comercial, 1996-2003. Ele mostra dados oficiais do Departamento de Agricultura americano no uso de pesticidas por cultura e por estado. O artigo é intitulado “Impactos de culturas geneticamente modificados no uso de pesticidas nos Estados Unidos: os oito primeiros anos”, e é o sexto de uma série de “Artigos Técnicos” preparados pela Ag Biotech InfoNet. Ele está publicado na internet desde 25 de novembro*.
O estudo calcula a diferença entre a média de pesticidas aplicados em áreas plantados com culturas transgênicas comparada com a quantidade aplicada em outra cultura similar convencional. Nos três primeiros anos de comercialização (1996-1998), culturas GM reduziram o uso de pesticidas em torno de 9.500 toneladas, mas nos últimos três anos (2001-2003) acima de 27.200 toneladas de pesticidas foram aplicadas em áreas de culturas geneticamente modificadas.
Aumentos substanciais no uso de herbicidas em culturas tolerantes a herbicidas, especialmente soja, explicam o aumento em uso de pesticidas em culturas transgênicas comparados com plantações convencionais. Muitos agricultores têm precisado aumentar as pulverizações de herbicida em áreas transgênicas para conseguir lidar com o surgimento de ervas-daninhas difíceis de controlar, em conjunto com o aparecimento de resistência genética em algumas populações de ervas.
“Por vários anos especialistas em ervas invasoras têm alertado que a forte confiança em culturas tolerantes a herbicidas pode provocar mudanças ecológicas nos campos que poderiam acabar com a eficiência da tecnologia. Agora nos parece que este processo começou em 2001 nos EUA, no caso das culturas tolerantes a herbicidas”, relata o autor do estudo, Charles Benbrook.
O artigo conclui que a outra maior categoria de culturas transgênicas, milho e algodão modificados para produzir o inseticida natural Bacillus thuringiensis (Bt) em células vegetais, continua a reduzir pouco o uso de inseticida, em torno de 746 a 932.5 toneladas anualmente. O aumento do uso de herbicidas em culturas tolerantes a herbicidas, contudo, de longe excede as modestas reduções no uso de inseticidas em acres plantados com culturas Bt, especialmente a partir de 2001.
* O artigo de 46 páginas (em formato PDF, 869kb) foi publicado na Ag Biotech InfoNet em http://www.biotech-info.net/technicalpaper6.html
Press Release, Dr. Charles Benbrook, 25/11/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agroecologia em expansão

Ainda praticada por poucos produtores, a agroecologia é um mercado promissor. Mesmo que para uns, o futuro seja a ocupação de nichos de mercado e, para outros, o destino deste tipo de agricultura seja ocupar as áreas de cultivo convencional, todos concordam que ela será fundamental para a alimentação e a saúde da população mundial. O interesse pelo tema pode ser conferido nos mais de 3 mil participantes do 1° Congresso Brasileiro, 4° Seminário Internacional e 5° Seminário Estadual sobre Agroecologia. Os eventos encerram-se hoje no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.

O mercado de produtos ecológicos em geral cresce 25% por ano no país. Segundo o chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Clima Temperado de Pelotas, João Carlos Costa Gomes, movimenta US$ 300 milhões por ano:
- Há 10 anos, a produção agroecológica não era nada, estava restrita a organizações não-governamentais (ONGs). Hoje, tornou-se parte de políticas públicas e é aplicada pela Emater e pela Embrapa.

Conforme Gomes, entre 25% e 30% dos agricultores gaúchos usam algum tipo de tecnologia agroecológica -- mas menos de 10% praticam agroecologia pura. Os demais estão em processo de transição e redesenho da produção, o que leva de três a cinco anos. Destes, entre 80% e 90% são pequenos produtores, e a maioria planta feijão, milho ou frutas -- 60% dos fruticultores assistidos pela Emater estão inseridos em uma destas fases.
Um dos principais paradigmas da agroecologia hoje é o mercado. A produção atualmente ainda é pequena, e a pouca oferta aliada à necessidade de transportar para outros municípios elevam o preço dos produtos acima dos convencionais.

-- O problema não é o preço, estamos brigando para sair das feirinhas, mas falta escala de produção -- explica o agrônomo Dulphe Pinheiro Machado Neto, da Emater.

O presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, observa que neste tipo de produção, o agricultor usa menos insumos, não necessita de químicos e, por isso, é quase auto-suficiente. O diretor do Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos da Universidade de Córdoba, na Espanha, Eduardo Guzman, afirma que os custos de produção e o preço do produto final dos processos agroecológicos não são maiores do que os da agricultura convencional.
-- A agroecologia tem a vantagem de ocupar mercados alternativos que eliminam os intermediários. O agricultor negocia diretamente com o consumidor -- justifica.
Zero Hora, 21/11/03.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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