Boletim 139, Por um Brasil Livre de Transgênicos

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 139 - 29 de novembro de 2002

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No último domingo (24/11), o jornal Folha de São Paulo publicou, sob o título “Multis usam fome para lobby transgênico”, a denúncia de que “existe uma agenda paralela sob a promessa do governo americano de colaborar com o programa Fome Zero do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aos poucos, os EUA e companhias de biotecnologia americanas começam a utilizar o debate sobre a fome no Brasil para reintroduzir a polêmica sobre o uso de transgênicos no país”.

O jornal relata contatos feitos pela Monsanto com o coordenador do programa Fome Zero, José Graziano, e convites da empresa a técnicos da Embrapa ligados ao PT para visitarem sua sede nos EUA, além de citar declarações do secretário-assistente para a América Latina do Departamento de Estado dos EUA, Otto Reich, do diretor de produtos globais da Monsanto, Harvey Glick, e do diretor de assuntos corporativos da Monsanto no Brasil, Rodrigo Almeida, ressaltando que “a biotecnlogia e os transgênicos podem ajudar o Brasil a erradicar a fome”.

À Folha, Graziano afirma que “a posição do partido sobre o assunto continuará sendo a mesma, independentemente dos esforços da Monsanto ou do governo americano para fazê-lo mudar de idéia”, sustentando que “as vantagens dos transgênicos não estão comprovadas e que alguns destes produtos tendem a cortar mão-de-obra rural”. Mas admite que “sua posição não é ‘dogmática’ ou ‘ideológica’”, declaração que o jornal interpreta como uma sinalização de que está aberto ao debate.

Além de pressionar o governo eleito, segundo publicou hoje o jornal Valor Econômico, a Monsanto está também iniciando uma maciça campanha na TV em defesa dos transgênicos, dirigida aos agricultores. Inserções de 90 segundos intituladas “Momento Monsanto” já estão indo ao ar em horário nobre (durante o Jornal Nacional e o Fantástico, via transmissoras locais da Rede Globo, por exemplo) nos principais estados produtores de soja (Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e, em breve, Mato Grosso do Sul). Segundo o jornal, o custo de veiculação destas propagandas será de, no mínimo 500 mil reais.

O trabalho de “esclarecimento” da Monsanto também inclui workshops, seminários, palestras, viagens e campanhas em emisoras de rádio de regiões produtoras, e deverá consumir boa parte do orçamento de marketing da multinacional no país, de aproximadamente 5 milhões de dólares por ano.

O argumento de que os transgênicos poderiam resolver o problema da fome já foi amplamente rebatido pela Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” e por diversas organizações e personalidades internacionais, como, por exemplo, o Relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler.

O que está em jogo por trás desta e de outras promessas mágicas é a pressão pela liberação da soja transgênica resistente a herbicidas, que representa um mercado de bilhões de dólares para a Monsanto. Aliás, é bom lembrar que os dois produtos (a soja transgênica e o seu herbicida) são de propriedade exclusiva desta empresa e que o fato de o Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, não ter aderido aos cultivos transgênicos tem causado gigantescos prejuízos à empresa -- inclusive porque tem possibilitado aos países importadores de grãos que não querem consumir transgênicos, como os da União Européia, sustentarem sua rejeição. É mais do que evidente que a fome é conseqüência da má distribuição de recursos e não de qualquer problema de produção.

No dia seguinte à publicação da Folha de São Paulo, lideranças do PT, como o senador Eduardo Suplicy, a senadora Marina Silva, o senador eleito Cristovam Buarque e o governador do Acre Jorge Viana repudiaram as pressões americanas. “O combate à fome não pode servir de argumento para o ‘vale-tudo’”, afirmou o governador. Lideranças do MST também reagiram à notícia, dizendo que trata-se de “oportunismo e golpe associar a luta contra a fome à liberação dos transgênicos”.

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, junto com o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional, escreveu uma carta ao presidente eleito Lula, que foi entregue ontem (28/11) pelo Dep. Federal eleito João Alfredo (PT/CE) a Lula, ao coordenador da equipe de transição Antônio Palocci, ao líder do PT no Senado Eduardo Suplicy, ao líder do PT na Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, e ao coordenador do Fome Zero José Graziano, durante a reunião de Lula com parlamentares do PT, em Brasília.

Na carta, assinada por mais de 100 organizações, expomos nossa preocupação quanto à iniciativa americana junto à equipe de transição e reafirmamos nossa confiança de que os compromissos assumidos pelo presidente eleito em seu programa de governo, em especial aqueles presentes nas páginas 47 e 48 do caderno “Meio Ambiente e Qualidade de Vida no Brasil”, na página 92 do “Projeto Fome Zero”, além dos compromissos assumidos junto à Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” através da enquete respondida em 29/08/2002 e ao Greenpeace em enquete respondida no fim de setembro,não serão esquecidos.

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Neste número:

1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
2. Monsanto lança campanha pelos transgênicos na TV
3. Brasil terá dificuldade de exportar soja à China devido à contaminação gaúcha
4. Conselho de Agricultura da União Européia aprova novas regras de rotulagem de transgênicos
5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace produtos sem transgênicos
6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos
7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia
8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos
9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta!
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cana orgânica promove aumento da biodiversidade
Eventos:
1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos
Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis - SC

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1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
Dom Mauro Morelli, cotado para a área social no governo Lula, subscreveu carta que será entregue hoje ao presidente eleito pelo deputado João Alfredo (PT-CE). Pede que Lula não se esqueça de manter proibido o comércio de transgênicos.
Painel da Folha de São Paulo, 28/11/02.

2. Monsanto lança campanha pelos transgênicos na TV

Após quatro anos longe das telinhas brasileiras, a Monsanto volta neste domingo a veicular uma campanha na TV em defesa dos controvertidos transgênicos.
Serão inserções de 90 segundos, criadas pela agência Fischer América, que vão ao ar em regiões produtoras de soja dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso.
Felipe Osório, diretor de marketing da Monsanto, diz que foram fechados contratos com retransmissoras locais e que o custo de veiculação será de, no mínimo, R$ 500 mil. A idéia é manter a campanha até às vésperas do Natal, em periodicidade ainda indefinida, e há negociações com canais do Mato Grosso do Sul.
De acordo com Osório, o objetivo é chegar aos agricultores, não a consumidores, e complementar um trabalho de esclarecimento sobre os transgênicos que a Monsanto já realiza no país desde o fim da década de 90, quando o cultivo e a comercialização da soja modificada foram proibidos no Brasil -- em batalha jurídica que dura até hoje.
Esse trabalho de esclarecimento, que inclui workshops, seminários, palestras, viagens e campanhas em emissoras de rádio de regiões produtoras, já consome boa parte do orçamento de marketing da multinacional do país, que no total é de aproximadamente US$ 5 milhões por ano.
Em formato jornalístico, o “Momento Monsanto” trará depoimentos de produtores que já estiveram em lavouras de soja nos Estados Unidos e na Argentina -- países que permitem o cultivo de transgênicos --, além da opinião de especialistas favoráveis aos frutos da biotecnologia.
A volta da Monsanto à televisão acontece num momento de transição política no país e de reforço do lobby pró-transgênicos junto ao novo governo eleito, mas Osório nega a relação. Segundo ele, trata-se apenas da “continuidade de um trabalho de esclarecimento sobre os benefícios dos transgênicos”.
E, de acordo com Lúcio Mocsanyi, diretor de comunicação da empresa no país, a mídia eletrônica pode ajudar a reforçar uma imagem de “transparência”.
Valor Econômico, 29/11/02.

3. Brasil terá dificuldade de exportar soja à China devido à contaminação gaúcha
O governo brasileiro está tentando reverter a decisão do governo da China, anunciada na sexta-feira (22/11), de não mais aceitar certificado provisório para as exportações de soja, emitido pelo país importador. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, disse ontem que as negociações estão sendo feitas com a embaixada da China. Mas, se até o final desta semana não houver uma decisão favorável, ele está disposto a ir a Pequim para falar com as autoridades sanitárias do Ministério da Agricultura chinês.
A argumentação do governo brasileiro é que o Brasil não pode emitir a certificação de que a soja exportada não é transgênica, porque há risco de mistura com produto argentino nos carregamentos. Isso ocorre porque os navios que deixam o porto de Buenos Aires complementam suas cargas no Brasil. “A carga colocada no porão do navio é separada de outras apenas por uma lona, o que facilita a mistura”, observa o secretário.
Mas a razão principal, é que o Brasil não pode fornecer esta certificação porque há plantios ilegais de soja transgênica no País, apesar de o cultivo e a comercialização de produtos geneticamente modificados serem proibidos no Brasil.
As mudanças introduzidas no certificado provisório, comunicadas à embaixada brasileira em Pequim, têm caráter provisório e vigorarão entre 21 de dezembro e 20 de setembro do ano que vem, quando para continuar exportando soja para a China, o Brasil terá de emitir um certificado atestando se o produto é transgênico ou não.
A partir do dia 21, mesmo este certificado provisório, terá de ser expedido pelo governo do país exportador. Até agora, o documento era fornecido pelo importador, sendo que este declarava que o produto importado poderia conter elementos geneticamente modificados.
A mudança atingirá em cheio as exportações de soja da próxima safra, cujos embarques começam a partir de março de 2003.
(...) O Brasil vende, anualmente, cerca de 3 milhões de toneladas de soja para a China. No ano passado, essas exportações foram de US$ 537 milhões.
O Estado de São Paulo e Jornal do Comércio, 26/11/02.

4. Conselho de Agricultura da União Européia aprova novas regras de rotulagem de transgênicos
O Conselho de Agricultura da União Européia (que reúne os 15 ministros europeus de agricultura e pesca) fechou um acordo, em Bruxelas, impondo mais rigor às regras de controle dos organismos geneticamente modificados (OGMs) nos alimentos.
O acordo abre caminho para que a Europa adote normas mais estritas e abrangentes sobre rotulagem de alimentos transgênicos para humanos e animais.
Pela primeira vez, as rações animais serão rotuladas na União Européia.
Quando a nova legislação entrar em vigor, todos os alimentos e ingredientes transgênicos, incluindo os derivados altamente processados como açúcar, óleo e amido produzidos a partir de ingredientes transgênicos, terão que ser claramente rotulados. Como nestes produtos altamente processados a detecção da origem transgênica é tecnicamente inviável, a rotulagem só é possível a partir do rastreamento até a origem, o que atualmente não é feito. Uma nova legislação à parte determinará um sistema de rastreabilidade a fim de identificar alimentos ou ingredientes que consistam de, contenham ou sejam produzidos a partir de transgênicos em todas as etapas de processamento do alimento e da cadeia de distribuição até o produto final.
A partir do compromisso adotado, todos os alimentos que contenham a partir de 0,9% de contaminação deverão conter rótulos indicativos da presença de transgênicos. Atualmente, as normas permitem o máximo de 1% de matéria-prima com OGMs.
A decisão foi resultado de uma queda de braço durante toda a quinta-feira. De um lado, estavam oito países membros (Espanha, Grécia, Bélgica, Holanda, Suécia, Finlândia, Reino-Unido e Irlanda) que preferiam manter as regras tais como elas são hoje, ou a etiquetagem obrigatória a partir de 1% de OGM. De outro, incluindo a presidência dinamarquesa, estavam França, Itália, Portugal, Áustria e Luxemburgo, que defendiam a etiquetagem a partir de 0,5%, que foi o limite indicado pelo Parlamento Europeu.
Os ambientalistas lamentaram a decisão do Conselho de permitir até 0,5% de contaminação acidental em alimentos e rações por organismos transgênicos que não tenham sido autorizados na União Européia, embora isto vá vigorar apenas para os próximos três anos num regime de transição, após o qual será retomado o regime de "tolerância zero". No entanto, a redução acordada sobre o índice de tolerância, para o qual a sugestão da Comissão era de 1%, foi um avanço.
Mas, a discussão sobre até onde permitir a presença de transgênicos em alimentos e rações ainda não terminou. A proposta aprovada agora volta para revisão no Parlamento Europeu, onde o debate deverá ser quente, já que a assembléia já tinha determinado claramente que queria normas ainda mais restritas do que as que os ministros estão propondo (a norma aprovada pelo Parlamento Europeu permitia um máximo de 0,5% de contaminação, contra 0,9% proposto pelo Conselho).
"As normas de rotulagem mais restritas da União Européia farão aumentar ainda mais a demanda por soja não transgênica brasileira. Seria contra o bom senso de negócios se o Brasil começasse a plantar grãos transgênicos no mesmo momento em que a rejeição do mercado internacional em relação aos grãos transgênicos está crescendo", observou Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
Reuters, 28/11/02; Greenpeace e Agência Estado, 29/11/02.

5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace produtos sem transgênicos
O Greenpeace divulgou em 22/11 o comprometimento de mais duas grandes empresas com a não utilização de transgênicos em produtos alimentícios. O Makro garantiu a ausência de qualquer ingrediente derivado de organismos transgênicos em todos os produtos da marca ARO.
O Carrefour já havia garantido, em maio deste ano, produtos processados livres de transgênicos. Seguindo o padrão de qualidade oferecido aos consumidores europeus, está agora garantindo também a ausência de transgênicos na alimentação de animais. Produtos frescos, como carne, leite e ovos, encontrados nas lojas Carrefour com o selo “Garantia de Origem”, são derivados de animais alimentados sem transgênicos.
“A maior parte da soja e milho transgênicos é usada para a alimentação de animais. Se queremos evitar danos ambientais, precisamos exigir das indústrias de alimentos a ausência de transgênicos também na alimentação animal”, afirmou Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos no país, dada a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização no campo, apenas a compra de matéria prima nacional não garante a isenção de transgênicos. Somente as indústrias de alimentos que adotam medidas de controle podem garantir que não estão comprando e utilizando soja transgênica.
“O comprometimento de grandes empresas, como o Carrefour, o Makro, a Unilever, a Sadia e a Nissin, demonstra que é perfeitamente possível garantir ao consumidor produtos livres de transgênicos. Não existe motivo para outras marcas, como a Nestlé, continuarem se recusando a oferecer garantias semelhantes”, completou Tatiana.
Greenpeace, 22/11/02.
As cartas enviadas pelo Makro e o Carrefour estão disponíveis no site do Greenpeace www.greenpeace.org.br

6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos
Experimentos de campo com cultivos transgênicos deveriam ser imediatamente banidos da Escócia como uma “medida de precaução” para salvaguardar a saúde pública, disseram médicos renomados.
A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) está submetendo um pedido de moratória à subcomissão de saúde do Parlamento Escocês.
Em seu relatório, a BMA, diz que “cuidado insuficiente” tem sido tomado em relação à saúde pública e que tem preocupações suficientes para justificar um término imediato destes experimentos.
O pedido da associação tem apoio de alguns partidos de oposição, mas o executivo escocês diz que “não há evidências” de que os campos experimentais “sejam perigosos”.
A associação representa mais de 13.500 médicos na Escócia e mais de 80% dos médicos ingleses.
O texto do relatório apresentado pela BMA diz: “ainda não foi feito um estudo suficientemente amplo e profundo sobre os potenciais efeitos prejudiciais de alimentos transgênicos para a saúde humana. Com base no princípio da precaução, as experiências em campo aberto não devem ter permissão para continuar”.
O documento diz ainda: “As preocupações dos médicos quanto aos impactos que os alimentos transgênicos podem causar sobre a saúde no longo prazo são sérias o suficiente para garantir uma abordagem de precaução”.
“O mais preocupante”, de acordo com o BMA, é o perigo potencial dos transgênicos criarem resistência a antibióticos nos seres humanos, levando ao surgimento de novas doenças.
A Associação também solicita ao executivo que monitore a saúde das pessoas vivendo perto de campos experimentais, que conduza mais pesquisa e forneça mais informações ao público.
O porta-voz do Partido Nacional Escocês, Bruce Crawford, apoiou a petição do BMA e disse que “os ministros têm que agir agora para evitar riscos futuros para o público”.
Ele acrescenta: “Está claro que os cultivos transgênicos não estão sendo regulamentados corretamente e que não tem havido pesquisas suficientes sobre seus efeitos colaterais negativos para a saúde pública”.
“O executivo deve ouvir o conselho dos médicos e não permitir que mais nenhum experimento seja plantado”, disse Robin Harper, do Partido Verde, que apresentou uma moção no Parlamento solicitando que os experimentos com transgênicos sejam suspensos devido às preocupações da BMA.
BBC News, 20/11/02.
Maiores informações em: http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/scotland/2494267.stm

7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia
A União Européia (UE) vai ajudar a Zâmbia a conseguir milho não-transgênico para alimentar 2,2 milhões de habitantes ameaçados de passar fome, disse o encarregado da Comissão de Comércio da UE, Pascal Lamy. O país africano enfrenta grave escassez de alimentos em decorrência de uma seca na região que deixou até 14,4 milhões de pessoas ameaçadas de inanição. A UE vai comprar de outros países africanos a maior parte da ajuda alimentar que fornecer à Zâmbia e a outros países sul-africanos que têm problemas.
Gazeta Mercantil, 29/11/02.

8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos
O professor Ian Wilmut, criador da famosa ovelha clonada Dolly, pediu permissão à Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA) da Grã-Bretanha para clonar embriões humanos com fins terapêuticos. (...) O professor quer a permissão do organismo regulador para fazer experiências com embriões humanos com o fim de investigar tratamentos para doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer. (...)
Provavelmente ele obterá a autorização, tendo em vista que deixou claro que acata in totum a Lei de Embriologia Humana britânica, que veda a clonagem de seres humanos. O objetivo de seu laboratório é cultivar esses embriões partenogênicos em um tubo de ensaio durante vários dias para que os especialistas possam extrair as células-tronco para estudos. (...)
Jornal do Commercio & Folha de São Paulo, 26/11/2002.

9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta!

“Gostaria de comentar matéria divulgada pela Rede Globo e outros veículos recentemente sobre a questão dos agrotóxicos nos alimentos e como evitá-los. O Instituto Biodinâmico, com sua experiência de dez anos em certificação orgânica e biodinâmica e em análises químicas de culturas agrícolas e alimentos, pode afirmar que dezenas de princípios ativos são introduzidos todos os dias em todas as culturas agrícolas do planeta, o que causa prejuízos irreparáveis à saúde da população e ao ambiente. O Brasil é um dos maiores nichos do mercado de agrotóxico, o terceiro no ranking mundial. Formas simplistas e erradas têm sido usadas para orientar as donas-de-casa sobre como diminuir os riscos de contaminação com agrotóxicos, como o uso de bicarbonato de sódio. Essa recomendação está errada. O bicarbonato de sódio tem uma reação superficial na folha e nos alimentos. Os agrotóxicos estão dentro, os principais resíduos encontram-se dentro da estrutura celular das plantas. Existem relatos de contaminação superficial e, mesmo nesse caso, a lavagem com substâncias pode resultar em eliminação parcial, mas não 100% garantida. O uso de bicarbonatos, vinagres e água sanitária é mais coerente para esterilizar a solução da água e da superfície dos vegetais contra bactérias e agentes vivos. O consumidor só reduzirá os riscos de contaminação alimentando-se com produtos isentos de agrotóxico.”
Alexandre Harkaly, do Instituto Biodinâmico
Folha de São Paulo, 28/11/2002.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cana orgânica promove aumento da biodiversidade
A opção pela cana-de-açúcar orgânica alterou radicalmente o cotidiano de sete fazendas e da Usina São Francisco, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Entre 1986 e 1997, período em que os plantios tradicionais deram lugar a 100% de cana orgânica, todos tiveram que se adaptar a funções "estranhas" e conceitos novos.
Para o manejo integrado de pragas, por exemplo, foram formadas equipes de monitoramento de formigas, cupins, cigarrinhas e brocas. (...) Para controlar nematóides, os venenos cederam lugar à rotação de culturas com crotalária, uma leguminosa usada para adubação verde (...). Para substituir as queimadas, não bastou mecanizar a colheita de cana crua: entraram em cena especialistas para discutir as formas de decomposição da palhada, com o estímulo à microfauna e microflora detritívoras, isto é, animais, bactérias, fungos e plantas minúsculas do solo, capazes de transformar a palha da cana em matéria orgânica. Para lidar com o solo vivo, passou-se a investir na alimentação das minhocas, hoje estimadas em 1 a 2 milhões por hectare, movimentando 500 toneladas de terra por ano, sem que ninguém veja, sem gastar o diesel dos tratores e garantindo um solo muito mais fértil, aerado e mais bem estruturado do que qualquer ação humana.
O resultado, na ponta do lápis, é um aumento real de produtividade de 10%, em canaviais que já estavam entre os mais produtivos do país. (...)
Aos poucos, diversos representantes da fauna silvestre também notaram a ausência de agrotóxicos, fertilizantes químicos e queimadas e foram se instalando entre os talhões de cana. Para eles, algumas áreas foram abandonadas e já apresentam um bom nível de regeneração natural; outras estão sendo ativamente reflorestadas com espécies nativas e existe até um pequeno corredor ecológico, de cerca de 70 metros, ligando uma mata vigorosa, de 50 hectares, a uma várzea, de 110 ha. Os antigos 5% das terras da usina, cobertos com vegetação natural, em 1986, agora constituem um mosaico de ecossistemas, em diferentes estágios de recuperação, totalizando 14% das terras. E desde abril deste ano, tanto o mosaico com 10 tipos de ecossistemas como as áreas de cultura, vêm sendo monitorados por uma equipe de 8 pesquisadores, ligados à entidade ambientalista Ecoforça, à Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM) e às universidades de São Paulo (USP) e Mackenzie. Eles vão inventariar, qualificar e acompanhar os povoamentos e populações de fauna, durante um ano, de modo a contabilizar a biodiversidade local. (...)
Na verdade, em breve, a biodiversidade crescente do agroecossistema formado pela cana orgânica, várzeas e matas, poderá até gerar uma receita extra para a Usina São Francisco. Balbo Jr. tem recebido visitas técnicas de conservacionistas e observadores de aves, interessados em montar trilhas e pequenas torres de observação para um projeto experimental de agroecoturismo. (...) A usina já recebe anualmente cerca de 2 mil alunos de escolas da região e até de São Paulo, num programa de educação ambiental, com o objetivo de promover a conscientização sobre a produção orgânica.
http://www.agenciaestado.com.br/ - Novembro de 2002

Eventos:

1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos
O CEPAGRO -- Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, entidade não governamental, com sede em Florianópolis/SC, tem a satisfação de convidar os consumidores de produtos agroecológicos e interessados em geral para participar do 1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos.
Tema central: O Papel Social do Consumidor de Produtos Agroecológicos
O evento acontecerá no dia 12 de dezembro de 2002, das 8:00 às 17:30 horas, no Auditório da EPAGRI: Rodovia Admar Gonzaga, 1347, Itacorubi - Florianópolis/SC.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no Cepagro pelo tel. (48) 334-3176, pelo e-mail [email protected], ou no dia do evento.
O auditório tem capacidade para 140 lugares.

Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis - SC
No próximo domingo, dia 1º de dezembro, o município de Irineópolis, no Planalto Norte catarinense, vai estar em festa. É a III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar, na comunidade Santo Antônio, que deve reunir famílias de agricultores, artesãos e visitantes de toda a região.
Às 8h, terão início as exposições de artesanato e a feira de produtos ecológicos. Os organizadores da festa convidaram agricultores, grupos e associações para exibirem produtos da terra, artesanatos, fotos, ferramentas de trabalho, objetos históricos e cartazes na decoração do ambiente.
A III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar é uma promoção do Sindicato Regional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) do Planalto Norte, Agrupar, Afruta, Cepagri, Pastoral da Juventude Rural, Rede Ecovida de Agroecologia e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT). A festa conta com apoio da empresa Terra Preservada, de comercialização de produtos ecológicos, e, também, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por intermédio da oficina de comercialização solidária da Rede Ecovida.
Contatos: João Altanir Grein -- coordenador do Sintraf Planalto Norte -- (47) 622-7743.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, IDEC, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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