Boletim 127, Por um Brasil Livre de Transgênicos
 

Número 127 - 02 de setembro de 2002

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Terminou na última quinta-feira (29/08) o prazo dado aos candidatos à Presidência da República para responder à enquete enviada pela Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” sobre a política que pretendem adotar com relação aos organismos geneticamente modificados.

Um dos motivos que levou a Campanha a tomar a iniciativa de realizar esta enquete há 15 dias foi o fato de, até então, o tema não ter aflorado na imprensa de forma explícita. Coincidentemente, no período em que a enquete estava sendo realizada, a posição de alguns candidatos foi divulgada em veículos da grande imprensa.

Dos cinco candidatos que receberam a enquete -- Lula (PT), Ciro Gomes (PPS), José Serra (PSDB), Garotinho (PSB) e José Maria de Almeida (PSTU) -- apenas três responderam oficialmente.

Lula respondeu às perguntas objetivamente, formalizando o compromisso de apoiar uma moratória (proibição temporária) à liberação do cultivo comercial e da comercialização de transgênicos no Brasil por tempo indeterminado e de manter uma política de controle rigoroso de atividades com produtos transgênicos.

A resposta de Lula é coerente com o que anunciou na última semana José Graziano, o principal formulador da política agrícola de Lula. Como você lerá neste Boletim, Graziano confirmou ao Portal EXAME, em 28/08/02, que a proibição do plantio comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) deverá constar do programa de política agrícola do PT, a ser apresentado em setembro. A posição também está coerente com o conteúdo do programa de governo do partido para o meio ambiente (caderno “Meio Ambiente e Qualidade de Vida no Brasil”, páginas 47-48).

Discordando do formato do questionário, o candidato Ciro Gomes fugiu da proposta original e preferiu desenvolver as respostas, dizendo pretender “assegurar uma legislação efetiva para regular o plantio e fiscalizar a entrada (legal ou ilegal) e, quando permitido, o uso de produtos transgênicos com base em pesquisas independentes e evidências científicas confiáveis, bem como assegurando plena informação ao consumidor” (a resposta segue na íntegra ao final desta apresentação).

Segundo matéria publicada no Portal Exame em 28/08/02, em debate promovido na última semana pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o candidato Ciro Gomes manifestou-se a favor da liberação dos transgênicos. O jornal O Globo publicou matéria em 27/08/02 sobre o ataque do presidente do PPS, Roberto Freire, ao partido do candidato Lula, dizendo: “O presidente do PPS disse que o governo gaúcho, do PT, proibiu o cultivo de transgênicos, atitude que considera obscurantista.”

O candidato Anthony Garotinho não respondeu as perguntas até o prazo final estabelecido (29/08), apesar de ter sido cobrado ao longo de toda a semana passada.

A posição de omissão adotada pelo candidato deixa no ar uma grande preocupação a respeito do seu compromisso para com a sociedade no que diz respeito a um tema de tamanha gravidade.

José Serra se recusou a responder as perguntas, conforme nos informou sua assessoria.

Em 31/08, o Jornal do Brasil publicou matéria relatando a visita do candidato tucano à Expointer, “a maior feira agropecuária da América Latina”, em Esteio - RS, em 30/08, trazendo o seguinte trecho: “Durante a visita, um produtor perguntou a Serra qual seria sua política em relação aos produtos transgênicos. O candidato respondeu que o assunto deve ser examinado caso a caso pelos cientistas, o que torna impossível traçar uma política global para ele. Mas disse que não vê problema se o Brasil adotar a soja e o algodão transgênicos, já testados em outros países.”

O jornal O Estado de São Paulo também noticiou a opinião de Serra em 31/08: “Transgênicos - Serra defendeu ainda o cultivo e o comércio de alimentos transgênicos, como soja e algodão, mas ressalvou que cada caso merece um estudo específico. ‘No caso da soja e do algodão, que são os dois que estão colocados, eu pessoalmente não vejo muito problema. Essas variedades que já foram testadas noutros países. Agora cada caso é um caso. Pode ter um caso que tenha problemas.’”

Como vimos alertando desde o início das atividades da Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” (em 1999), esta idéia de que “a liberação dos transgênicos é um assunto para cientistas apenas” é uma das mais retrógradas e perigosas possíveis. Em primeiro lugar, este tipo de decisão implica em conseqüências para toda a sociedade e seu direito de opinar deve ser garantido. Segundo, sabemos bem quem são os cientistas que o governo elege para decidir o que é e o que não é perigoso. O resultado é o que vimos aqui no Brasil: a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio / Ministério de Ciência e Tecnologia), criada para assessorar o governo na avaliação dos riscos dos organismos transgênicos, dedica-se quase que exclusivamente a fazer propaganda dos produtos transgênicos. E foi esta Comissão que “decidiu” pela liberação da soja transgênica no Brasil em 1998 sem solicitar qualquer avaliação de risco sobre a saúde humana ou sobre o meio ambiente (esta “decisão” está suspensa pela justiça desde 1998).

O candidato do PSTU à presidência, José Maria, respondeu às perguntas objetivamente, também se comprometendo a apoiar a moratória à liberação dos cultivos transgênicos até que pesquisas independentes garantam a necessária segurança destes produtos para a saúde humana e o meio ambiente.

Segue abaixo a íntegra das respostas enviadas por Lula, José Maria e Ciro.

As respostas dadas por Lula e Zé Maria ao questionário foram iguais:

1) O senhor apóia a proposta de uma moratória à liberação do cultivo comercial e da comercialização de transgênicos no Brasil por tempo indeterminado, até que pesquisas independentes garantam a necessária segurança destes produtos para a saúde humana e o meio ambiente?
SIM ( x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

2) O senhor se compromete a coibir efetivamente os plantios ilegais de transgênicos no País, aplicando rigorosamente a lei - multa e prisão - para os produtores rurais e comerciantes - indivíduos e empresas - que plantarem transgênicos no Brasil à revelia da lei?
SIM ( x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

3) O senhor se compromete com a implantação de uma estrutura (o que envolverá recursos financeiros e humanos) eficaz que garanta a fiscalização sobre a segurança dos plantios experimentais de transgênicos, a fim de evitar problemas de contaminação?
SIM ( x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

4) O senhor se compromete a fiscalizar a comercialização ilegal de alimentos contaminados por transgênicos importados dos países que os produzem, como a Argentina e os Estados Unidos?
SIM ( x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

5) O senhor se compromete a revogar o decreto 3.871, de 18 de julho de 2001, que disciplina a rotulagem de alimentos transgênicos, e substitui-lo por outra norma que exija a plena informação no rótulo de todo e qualquer alimento contendo ingrediente geneticamente modificado, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor?
SIM ( x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

6) Caso eleito, o senhor se compromete a rartificar o Protocolo de Biossegurança?
SIM (x ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

A assessoria de Ciro Gomes considerou “inadequado o questionamento na forma de um teste de múltipla escolha”, preferindo encaminhar a resposta da seguinte maneira:

“Transgênicos

A assessoria do Candidato Ciro Gomes agradece pela oportunidade de se manifestar sobre a questão dos transgênicos. Considera inadequado o questionamento na forma de um teste de múltipla escolha, mas respeitosamente apresenta, adiante, sua resposta a todas as questões levantadas pela AS-PTA
1. A questão dos transgênicos precisa ser analisada sob pelo menos três aspectos: necessidade, vantagens econômicas e sustentabilidade.
2. Serão os transgênicos necessários? De um ponto de vista estritamente de necessidade de produção de alimentos, embora sempre sejam desejáveis ganhos de produtividade, não parece haver evidências de que exista um imperativo para a adoção indiscriminada de transgênicos. Desde a Revolução Verde o mundo se tornou capaz de produzir alimentos em quantidade mais do que suficiente para a população mundial -- o problema continua sendo de distribuir, não de produzir.
3. Quem se beneficia com os transgênicos? Embora a idéia de aumento de produtividade seja sempre benvinda, os transgênicos pertencem à lógica de produção segundo a qual os grandes beneficiários da evolução tecnológica não são os plantadores, agricultores ou consumidores, mas sim os produtores de sementes. Esses produtores, tipicamente, se situam nos países centrais, que cobram caro por essas sementes, auferem o maior lucro e depois limitam os preços das commodities ou erguem barreiras para sua entrada em países ricos.
4. Sustentabilidade. O Brasil é um país da biodiversidade - os transgênicos não se coadunam com a vocação de diversificação do país e com suas inegáveis vantagens. Ademais, não existem garantias de que, no estágio atual dos conhecimentos, os transgênicos tenham condições de segurança para a saúde humana e o meio ambiente.

Por todas essas razões o governo Ciro Gomes irá assegurar uma legislação efetiva para regular o plantio e fiscalizar a entrada (legal ou ilegal) e, quando permitido, o uso de produtos transgênicos com base em pesquisas independentes e evidências científicas confiáveis, bem como assegurando plena informação ao consumidor.”

É importante registrar que a resposta dos candidatos à enquete é um documento oficial e que os compromissos ali assumidos serão cobrados do presidente eleito pela sociedade.

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Neste número:

1. Plantio de transgênicos coloca Lula e Ciro em lados opostos
2. Roberto Freire usa transgênicos para acusar Lula de obscurantista
3. Assembléia Legislativa de MG mantém veto de Itamar ao Projeto de Lei dos transgênicos
4. Canadá nega-se a rotular produtos transgênicos
5. Transgênicos vendidos como orgânicos no Japão
6. Solidariedade aos países africanos que não querem transgênicos como ajuda alimentar
7. Projeto de Lei das sementes fica para depois das eleições
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
México: Comércio justo e café orgânico
Plebiscito sobre a ALCA
Evento: V Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica
Lançamentos:
Agroecologia: as bases científicas para uma agricultura sustentável
Agricultura familiar e agroecologia no Semi-Árido: avanços a partir do Agreste
da Paraíba
Revista The Ecologist no Brasil
Carta Política do Encontro Nacional de Agroecologia

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1. Plantio de transgênicos coloca Lula e Ciro em lados opostos
Brasília - Talvez seja possível provar, em breve, que transgênicos fazem mesmo mal à saúde - ao menos, dentro das empresas que tentam vendê-los. A situação no Brasil é a seguinte: há três anos, o Poder Executivo é a favor do plantio comercial dos transgênicos, mas duas ações na Justiça Federal impedem a liberação. Agora, a Justiça dá mostras que começa a ceder -só que o Poder Executivo, com seus novos ocupantes em 2003, pode passar a ser contra.
A proibição do plantio comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) deverá constar do programa de política agrícola do PT, a ser apresentado em setembro. A confirmação foi dada a EXAME por José Graziano, professor de economia agrícola da Unicamp e um dos principais formuladores da política agrícola de Luiz Inácio Lula da Silva. Graziano acompanhou Lula em um debate na Confederação Nacional da Agricultura (CNA). No mesmo dia, Ciro Gomes manifestou-se a favor da liberação dos transgênicos. (...)
Por Marcos Coronato, Portal Exame, 28/08/02

2. Roberto Freire usa transgênicos para acusar Lula de obscurantista
O presidente do PPS, Roberto Freire, que vem criticando aliados do candidato de seu partido, Ciro Gomes, ontem (27/08) bateu duro também no adversário do PT, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (...)
O presidente do PPS disse que o governo gaúcho, do PT, proibiu o cultivo de transgênicos, atitude que considera obscurantista.
“A esquerda é filha do iluminismo, não do obscurantismo. Ser contra a ciência é um equívoco. Ser contra a biotecnologia é ser de direita, é ser reacionário e condenar o país a ser subalterno.” (...)
O Globo, 27/08/02.
N.E.: O governo gaúcho não conseguiu aprovar o Projeto de Lei que proibia o cultivo de transgênicos no estado do Rio Grande do Sul. Após a tentativa de tornar o RS “zona livre de transgênicos”, o governo do estado chegou a ser proibido de fiscalizar as lavouras ilegais de soja transgênica, por uma lei de autoria do Dep. Frederico Antunes (PPB) aprovada na Assembléia Legislativa e apenas derrubada após 7 meses.

3. Assembléia Legislativa de MG mantém veto de Itamar ao Projeto de Lei dos transgênicos
Em 28/08/02, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais votou pela manutenção do veto total do Governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ao Projeto de Lei 451/99, que dispõe sobre pesquisa, produção, comercialização e liberação no meio ambiente dos alimentos transgênicos no estado, de autoria do Dep. Edson Rezende (PT).
A “Comissão de Veto” constituída na A.L. para analisar e dar parecer sobre o veto do governador perdeu o prazo para fazê-lo. O relator da comissão proferiu um parecer oral no Plenário, pela manutenção do veto.
Dos 43 deputados presentes, 31 votaram pela manutenção da rejeição e 12 foram contrários ao veto. Para derrubar o veto, seriam necessários 39 votos.
Nos dias 22 e 23 de agosto, o Fórum Mineiro de Segurança Alimentar havia promovido uma oficina para debater “Os Impactos dos Transgênicos na Soberania Alimentar”. Estiveram presentes o presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar,
Dom Mauro Morelli, a presidente da Associação Brasileira de Nutricionistas,
Josely Durães, o coordenador do Fórum Mineiro de Segurança Alimentar, Edmar
Gadelha e o dep. Edson Rezende. Diversas organizações não governamentais e cidadãos discutiram os riscos à saúde e ao meio ambiente que os alimentos transgênicos podem causar, já que não há estudo de impacto ambiental e à saúde que comprovem que eles não são nocivos. O veto do governador ao projeto de lei 451/99, também foi debatido.
Como resultado da mobilização iniciada na oficina, três mil assinaturas pedindo pela derrubada do veto foram coletadas em quatro dias. Milhares de e-mails também foram enviados para os deputados mineiros, com a mesma solicitação.
Segundo as entidades mineiras, apesar da mobilização não ter sido suficiente para sensibilizar os deputados sobre as demandas da sociedade -- o lobby das empresas de biotecnologia falou mais alto --, a população está cada vez mais interessada em conhecer mais sobre o assunto e preocupada com os riscos que os alimentos transgênicos colocam para a saúde.
O dep. Edson Rezende já anunciou que, se re-eleito, a primeira coisa que fará no próximo mandato será reapresentar o Projeto de Lei.

4. Canadá nega-se a rotular produtos transgênicos
O Canadá, terceiro produtor mundial de organismos geneticamente modificados (OGM), nega-se a colocar etiqueta obrigatória nos produtos transgênicos, alegando que um relatório oficial mostra que a não há comprovação de que prejudicam a saúde.
O Comitê de Consulta de Biotecnologia, criado pelo governo canadense, acaba de publicar um relatório que "recomenda a colocação voluntária de etiquetas explícitas de OGM". Depois de um período de cinco anos, se as empresas de alimentos não cooperarem, pode ser instaurado um sistema obrigatório.
O comitê de especialistas não concebe um adiamento ou a mudança de política porque afirma não ter encontrado "nenhuma prova de que os alimentos geneticamente modificados, aprovados dentro do atual sistema de regulamentação, representem mais riscos para a saúde que os demais produtos alimentícios comparáveis oferecidos no mercado".
Com isso, o Canadá, que concentra 6% dos cultivos de produtos transgênicos do mundo - ficando apenas atrás dos Estados Unidos (68%) e da Argentina (22%) - evita qualquer mudança de legislação.
Há menos de um ano, fracassou no Parlamento canadense um projeto de lei sobre a rotulagem obrigatória, e em dezembro o Canadá publicou com discrição um "plano de ação" de biotecnologia alimentícia, que reconhecia a "necessidade de melhorar as leis".
"No momento em que ocorre a Rio +10, a mensagem é clara: em primeiro lugar estão os negócios no que se refere à biotecnologia", afirmou Nadege Adam, especialista do Conselho de Canadenses, a maior associação nacional de defesa do cidadão.
Por outro lado, o Greenpeace destacou que a política canadense é contrária aos desejos dos consumidores, que em todas as pesquisas exigem o direito de escolher seus alimentos, com conhecimento de como são manipulados.
Da France Presse, em Montreal (Canadá), 27/08/2002.

5. Transgênicos vendidos como orgânicos no Japão
O Ministério da Agricultura do Japão detectou soja geneticamente modificada em alguns produtos etiquetados como orgânicos, segundo informações da Bloomberg News. O Ministério da Agricultura, Florestal e da Pesca do Japão irá inspecionar fábricas onde esses produtos são elaborados. De 80 produtos analisados foi detectada a presença de grãos transgênicos em 25, fabricados por 25 empresas.
Gazeta Mercantil, 29/08/2002.

6. Solidariedade aos países africanos que não querem transgênicos como ajuda alimentar
Dezenas de organizações não governamentais de diversos países estão mobilizando apoio para um documento de solidariedade às nações sul-africanas que não querem aceitar produtos transgênicos como forma de ajuda alimentar dos Estados Unidos. O documento é dirigido aos delegados da Cúpula da Terra, que está sendo realizada em Joanesburgo esta semana.
O documento acusa os Estados Unidos de usarem a Ajuda Alimentar como uma ferramenta de propaganda para forçar a aceitação de alimentos e cultivos transgênicos pelas nações do Sul às vesperas da Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável. As organizações também execram o bio-imperialismo do dumping da ajuda alimentar na África, que ameaça a soberania e a segurança alimentar, subsidia o sistema da agricultura americana, provê um mercado à mão para os grãos rejeitados em outros lugares e disfarçadamente tenta poluir os estoques de grãos dos sub continentes com variedades transgênicas patenteadas.
O documento expressa apoio aos governos de Zâmbia e Moçambique por protestarem contra a inclusão de milho transgênico nos carregamentos de ajuda alimentar. O Departamento de Estado dos Estados Unidos está claramente usando carregamentos emergenciais de ajuda alimentar para povos famintos do sul da África como uma ferramenta política para forçar a aceitação de alimentos geneticamente modificados. Esta política exploratória deixa claro que os Estados Unidos não estão interessados em acabar com a fome.
As organizações encorajam os governos e povos ao redor do mundo a iniciar um boicote aos produtos alimentícios transgênicos dos Estados Unidos para demonstrar apoio não apenas às nações africanas que estão sendo usadas como “peças de xadrez” político numa situação calamitosa, mas também para mostrar apoio a todos os países do mundo que foram ameaçados com sanções comerciais pelos Estados Unidos por regulamentarem ou rotularem alimentos transgênicos.
Statement of Solidarity with Southern African Nations Over GM Food and Crops
http://www.iatp.org; http://www.tradeobservatory.org; http://www.waterobservatory.org; http://www.gefoodalert.org

7. Projeto de Lei das sementes fica para depois das eleições
Somente depois das eleições será votado, pela Comissão Especial encarregada de apreciá-lo, o Projeto de Lei 4828/98, do Executivo, que regulamenta a produção, o comércio e a fiscalização das sementes. Ontem, foram adiadas a discussão e a votação do substitutivo apresentado pelo relator, deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).
O projeto resgata e legitima o conceito de semente crioula, aquela utilizada na agricultura familiar, sem mudanças tecnológicas ou genéticas. Hoje, o agricultor que trabalha com esse tipo de semente não tem acesso aos financiamentos oficiais, destinados apenas aos que utilizam as sementes certificadas pelo Ministério da Agricultura. (...)
Segundo o relator, o projeto deverá ser aprovado sem dificuldades, tão logo os parlamentares retornem da campanha eleitoral. (...)
Agência Câmara, 29/08/02.
Emenda do PT incentiva produção de “semente crioula”
O PT conseguiu incluir no projeto de lei (PL n° 4.828/98), do Executivo, que regulamenta a produção, o comércio e a fiscalização de sementes, emenda que estimula a produção de cultivares locais, ou “semente crioula”. A iniciativa permitirá que o pequeno agricultor, o agricultor assentado e o agricultor indígena tenham acesso a financiamentos oficiais e reduzam sua dependência do insumo externo. (...) O benefício aos pequenos agricultores foi negociado pelo deputado João Grandão (PT-MS) com o relator, deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).
Informes PT - 30/ago/2002 - N° 2.612 - Ano XII

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
México: Comércio justo e café orgânico
A União das Comunidades Indígenas da Região de Isthmus (UCIRI), México, foi organizada por produtores de Oaxaca para o cultivo e a comercialização de café orgânico. Os objetivos eram reduzir a dependência ao crédito e melhorar a produção. O cultivo de café orgânico exige um gerenciamento mais ativo e mais trabalho por parte dos produtores. O café é plantado em nível para evitar a erosão do solo e os restos de podas e de plantas invasoras são usados como cobertura para proteger o solo. Terraços em meia-lua são construídos para cada pé de café. Antigamente, os frutos de café tinham sua polpa retirada em cursos d’água, o que causava grande poluição -- hoje a polpa é devolvida aos campos depois de ter sido compostada com esterco animal, restos vegetais e calcário. Este sistema melhorado produz 600-1.200kg de café / ha, um aumento de 30-50% comparado com as práticas anteriores. A União tem 4.800 membros e construiu sua própria infra-estrutura para transporte, estocagem, processamento e exportação de café. O prêmio recebido pelo café orgânico por organizações de comércio justo é usado para propósitos sociais, especialmente para a melhoria de escolas. A União também tem sistemas públicos de transporte e de saúde e possui várias lojas próprias.
Mexico: UCIRI fair-trade and organic coffee. PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.115.

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Plebiscito sobre a ALCA
No período de 1 a 7 de setembro de 2002 será realizado em todo o Brasil o Plebiscito sobre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
Os eleitores deverão se posicionar frente às seguintes questões:
1. O governo brasileiro deve firmar o tratado da ALCA?
2. O governo brasileiro deve continuar participando das negociações da ALCA?
3. O governo brasileiro deve entragar uma parte do nosso território -- a base de Alcântara -- para controle militar dos Estados Unidos?
Para votar é só procurar os locais na sua cidade onde estejam organizados os comitês da ALCA. Não deixe de participar, seu voto é muito importante!

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Evento:
V Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica
Nos dias 5, 6 e 7 de setembro de 2002 será realizada a V Conferência Brasileira de Agricultura Biodinâmica, no auditório da FCA da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) - Campus Lageado, Botucatu SP.
Para maiores informações e inscrições:
Associação Biodinâmica telefone: (14) 6821-7862 / e-mail: [email protected] Editora Agroecológica - telefone: (14) 6821-1021/ e-mail: [email protected] / site: www.agroecologica.com.br

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Lançamentos:

A AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa, acaba de lançar as seguintes obras:
Agroecologia: as bases científicas para uma agricultura sustentável, de
Miguel Altieri (592 páginas) - R$ 50,00.

Agricultura familiar e agroecologia no Semi-Árido: avanços a partir do Agreste
da Paraíba, de Luciano Silveira, Paulo Petersen e Eric Sabourin (organizadores) - (356 páginas) - R$ 27,00.

Encomendas podem ser feitas através dos e-mails [email protected] e [email protected], ou do telefone (21) 2253-8317.

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Revista The Ecologist no Brasil
Um grupo de entidades gaúchas, incluindo a cooperativa Coolméia, o Movimento Roessler, a CONTAC, a AGAPAN e o Projeto Esperança, entre outras, estão apoiando a edição da revista inglesa The Ecologist no Brasil, que está sendo produzida pela Arma Zen através da tradução dos artigos ingleses e da inclusão de artigos e ações locais.
Cinco números da revista já foram lançados: The Ecologist - Dossiê Monsanto; The Ecologist - A Crise do Clima; The Ecologist - Mudanças Climáticas - Hora de Agir (lançado no Fórum Social Mundial) e The Ecologist - A Pobreza Globalizada - O Banco Mundial, a OMC e o FMI mostram suas caras (incluindo dois artigos sobre transgênicos; o primeiro, da Vandana Shiva, mostrando os acordos da OMC e os riscos para os agricultores do Terceiro Mundo, e o segundo, de Michel Chossudovsky, intitulado “A Real Causa da Fome na Etiópia”, mostrando como, através do plano de ajuste estrutural do FMI, as corporações entraram com os transgênicos na África, acabaram com o Banco de Sementes africano e provocaram a situação de estado de fome de milhões de pessoas).
O último número da revista, The Ecologist - Rio + 10: por que estamos falhando? (44 páginas abordando a Conferência Mundial para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em Joanesburgo), foi lançado este fim de semana, em Porto Alegre - RS.
A revistas são vendidas por R$ 5,00 (o número “Dossiê Monsanto” custa R$ 4,00). Para revendedores as revistas são repassadas a preço de custo -- R$ 4,00/exemplar (R$ 2,00 o “Dossiê Monsanto”).
As encomendas podem ser feitas pelo e-mail [email protected]
Maiores informações também podem ser encontradas no site da Coolméia: www.coolmeia.com.br.

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Carta Política do Encontro Nacional de Agroecologia
A “Carta Política do Encontro Nacional de Agroecologia”, produzida no evento que reuniu 1.100 participantes de todo o Brasil (dos quais 700 agricultores e os demais técnicos de ONGs e órgãos públicos, pesquisadores, professores, extensionistas, estudantes etc.) entre os dias 30 de julho e 02 de agosto, no campus da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), na cidade do Rio, está disponível no site www.encontroagroecologia.org.br
Este documento é dirigido aos candidatos a mandatos do Executivo e do Legislativo nos níveis federal e estadual e a toda a sociedade brasileira.
Você também pode fazer coro com este movimento, enviando uma cópia da Carta do ENA aos candidatos do seu estado e aos candidatos à presidência da república.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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