Boletim 125, Por um Brasil Livre de Transgênicos

 

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 125 - 16 de agosto de 2002

[email protected] [email protected],

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” está encaminhando aos quatro principais candidatos à presidência da República um pequeno questionário envolvendo a liberação dos transgênicos no País.

Nossa proposta é a de tornar públicas as posições dos candidatos sobre este tema, de maneira que os eleitores brasileiros possam levá-las em conta no momento de escolher seu candidato.

Orientamos a todos que também cobrem de cada candidato uma posição clara sobre o tema.

Você pode fazer suas perguntas diretamente a eles, através dos e-mails:

LULA: [email protected]
[email protected]

CIRO GOMES: [email protected]

JOSÉ SERRA: [email protected]

GAROTINHO: [email protected]

Você também pode visitar os sites dos candidatos e fazer suas perguntas através dos links “Fale Conosco” ou “Fale com o Candidato”. Os sites sempre informam os endereços dos comitês de campanha, para onde se pode telefonar ou enviar cartas e fax.

Da mesma forma, é importante aproveitar todas as oportunidades de exposição pública dos candidatos, como entrevistas ou comícios, para questioná-los sobre este tema.

As perguntas que estamos enviando são do seguinte teor:

1) O senhor apóia a proposta de uma moratória à liberação do cultivo comercial e da comercialização de transgênicos no Brasil por tempo indeterminado, até que pesquisas independentes garantam a necessária segurança destes produtos para a saúde humana e o meio ambiente?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

2) O senhor se compromete a coibir efetivamente os plantios ilegais de transgênicos no País?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

3) O senhor se compromete a garantir a fiscalização sobre a segurança dos plantios experimentais de transgênicos, a fim de evitar problemas de contaminação?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

4) O senhor se compromete a fiscalizar a comercialização ilegal de alimentos contaminados por transgênicos importados dos países que os produzem, como a Argentina e os Estados Unidos?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

5) O senhor se compromete a revogar o decreto 3.871, de 18 de julho de 2001,que disciplina a rotulagem de alimentos transgênicos, e substitui-lo por outra norma que exija a plena informação no rótulo de todo e qualquer alimento contendo ingrediente geneticamente modificado, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )

6) O senhor garantirá que o Protocolo de Biossegurança seja ratificado pelo Brasil?
SIM ( ) NÃO ( ) NÃO SEI ( )


É importante também cobrar posições claras sobre este tema dos candidatos a vagas nos legislativos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Afinal, deles depende a criação de leis para regulamentar a questão no Brasil.

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” dará ampla publicidade às respostas que obtiver dos candidatos à presidência. Da mesma forma, divulgará a omissão dos que não se posicionarem.

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Neste número:

1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para China
2. Mais evidências: planta transgênica pode dar origem a super-erva daninha
3. Monsanto mal das pernas
4. Peixe de aquário transgênico que brilha no escuro já é vendido em Taiwan
5. Zâmbia aceita ajuda alimentar transgênica
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Republica Dominicana: Plano Sierra de conservação de solos
Eventos
1. Agricultura Familiar na Expointer 2002 - Esteio-RS
2. II BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção Orgânica

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1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para China
O governo brasileiro está trabalhando para garantir que nenhum grão de soja transgênica desembarque na China juntamente com a soja convencional brasileira. Na próxima semana, o Ministério da Agricultura deve publicar no Diário Oficial da União uma instrução normativa proibindo que a soja não-transgênica brasileira seja transportada para a China nas mesmas embarcações onde são colocadas a soja transgênica de outros países. A informação é do diretor do Departamento de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Odílson Ribeiro.
Odílson disse que a medida é para impedir o "top-off" para o mercado chinês - prática utilizada nos porões de navios em que grãos de soja convencional são sobrepostos à soja transgênica de outros países, durante o transporte do produto.
Segundo protocolo acertado entre os governos do Brasil e da China, a partir de 20 de dezembro deste ano, o governo chinês ficará ainda mais rígido quanto a fiscalização que impede a entrada de soja transgênica no país. (...)
Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exporta atualmente para o mercado chinês 3,6 milhões de toneladas de soja convencional por ano. Com a mudança das normas, a expectativa do governo é de que esse volume atinja 5 milhões de toneladas anuais.
Agência Brasil, 10/08/02.

2. Mais evidências: planta transgênica pode dar origem a super-erva daninha
Os genes inseridos em plantas transgênicas para torná-las mais resistentes a
pragas podem migrar naturalmente para ervas daninhas e beneficiá-las também. O fenômeno foi verificado em um experimento com girassóis geneticamente modificados plantados por pesquisadores dos EUA.
Cientistas de universidades de Ohio, Nebraska e Indiana estudaram o girassol Bt, que tem inserido em seu DNA um de gene da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz uma toxina mortal para larvas de insetos comedoras de folhas.
O experimento foi relatado hoje em uma conferência no encontro anual da Sociedade Ecológica da América em Tucson, no Arizona.
As ervas daninhas beneficiadas pelo transgene são plantas selvagens aparentadas com girassol, mas sem valor comercial. O que os cientistas fizeram foi cultivar híbridos - plantas mestiças entre o girassol e as ervas daninhas - para verificar sua capacidade de se espalhar. Os híbridos descendentes de girassóis transgênicos se tornaram resistentes a pragas e conseguiram gerar 50% mais sementes do que os híbridos comuns.
Segundo a líder do estudo, Allison Snow, da Universidade do Estado de Ohio, seu trabalho mostra o risco de que um gene inserido na planta para defendê-la de insetos saia como um tiro pela culatra, fortalecendo ervas daninhas. (...)
Galileu, 11/08/02.

3. Monsanto mal das pernas
A Monsanto, uma das maiores multinacionais de defensivos, sementes e biotecnologia do mundo, com vendas líquidas de US$ 5,462 bilhões em 2001, se separou ontem da também americana Pharmacia, que detinha 84% de suas ações. Para os analistas de mercado a empresa entra em uma nova era, mas dificilmente conseguirá caminhar sozinha. (...)
“Uma empresa agrícola como a Monsanto ligada a uma farmacêutica como a Pharmacia é como um estranho no ninho. Era uma situação que, com certeza, incomodava as duas partes”, diz um especialista. “Agora”, continua, “existem três opções: a Monsanto se firma como independente, é comprada por outro grupo ou parte para uma fusão. Dessas três a mais forte é a última”.
Nesse caso, o mercado trabalha com duas alternativas, Dupont ou Dow AgroSciences, com vantagem para a segunda -- cujas vendas anuais são da ordem de US$ 3 bilhões. Segundo analistas, seria um casamento vantajoso porque a Dow é vulnerável em sementes e biotecnologia, pontos fortes da Monsanto. (...)
Ao abrir seu capital nos EUA, em 18 de outubro de 2000, as ações da empresa valiam US$ 20. Chegaram a atingir o pico de US$ 38,12 em 13 de junho de 2001, e fecharem, ontem, a US$ 15,81 com queda de 4,24% no dia. Em 2002 a retração chegou a 53,22%. Em relação aos US$ 20 de outubro de 2000, a desvalorização é de 21%.
“Parte dessa queda decorre da turbulência financeira mundial, mas parte é conseqüência das dificuldades dos avanços da biotecnologia em alguns mercados, entre os quais União Européia e Brasil. A verdade é que os transgênicos não pegaram o fogo que a Monsanto esperava”, observa um especialista.
Valor Econômico, 14/08/02.

4. Peixe de aquário transgênico que brilha no escuro já é vendido em Taiwan
A mais nova atração nas pet shops de Taiwan é um peixe transgênico que brilha no escuro, o primeiro animal de estimação geneticamente modificado do mundo. Vendido com o nome de TK-1, o animal é resultado de uma combinação genética do peixe zebra albino (de água doce) com um gene de água-viva. (...)
Criado por um a equipe da Universidade Nacional de Taiwan, o peixe está sendo vendido, apesar dos protestos de ambientalistas. Especialista em engenharia genética do Greenpeace, Juan Felipe Carrasco, afirmou que o peixe fosforescente é uma ameaça a “saúde global do ecossistema” e questionou a utilidade de se investir dinheiro em criações deste tipo. A empresa nega que o peixe represente uma ameaça, garantindo que o peixe é estéril. (...)
Carrasco argumenta que ainda que o peixe seja estéril “a alteração genética é irreversível” e uma simples falha poderia desencadear uma reprodução descontrolada da nova espécie. Ele teme também que o TK-1 seja apenas o primeiro de uma longa lista de animais geneticamente modificados a serem vendidos. (...)
O Globo, 10/08/02.

5. Zâmbia aceita ajuda alimentar transgênica
A Zâmbia deverá aceitar uma oferta de ajuda de alimentos transgênicos dos EUA, para impedir que a fome continue a crescer no país, disseram congressistas norte-americanos. (...) Os EUA estão dispostos a suprir cerca da metade do déficit de milho do país africano. (...)
Gazeta Mercantil, 12/08/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Republica Dominicana: Plano Sierra de conservação de solos
O Plano Sierra de Ecodesenvolvimento aceitou o desafio de quebrar a ligação entre pobreza e degradação ambiental na cordilheira central da República Dominicana. Além de melhorar a qualidade de vida dos produtores, o controle da erosão dos solos na Sierra aumentou seu potencial hidrelétrico e permitiu a irrigação de 50.000 hectares de terra rio abaixo no Vale Cibao. A estratégia do Plano Sierra foi desenvolver e difundir sistemas agrícolas alternativos de forma a incrementar a produtividade e a auto-suficiência das famílias da região. O objetivo era permitir aos produtores usar eficientemente os recursos disponíveis, tais como umidade e nutrientes do solo, estercos animais, resíduos das colheitas, vegetação natural, diversidade genética e trabalho familiar. Desta forma seria possível satisfazer as necessidades básicas por alimentação, lenha, materiais de construção, plantas medicinais e aumentar o rendimento familiar. Várias técnicas passaram a ser usadas de maneira integrada: a) práticas de conservação de solo, como terraceamento, cultivo mínimo, cultivo em aléias e barreiras vivas; b) uso de leguminosas arbóreas e arbustivas para fixação de nitrogênio, intensificação da produção de biomassa, adubação verde e produção de forragem; c) uso de fertilizantes orgânicos e de resíduos vegetais para otimizar reciclagens internas; d) combinações de policultivos e/ou rotação de culturas semeadas em datas e densidades adequadas; e) conservação e estocagem de água através de cobertura morta e técnicas de captação de água. Mais de 2000 produtores dominicanos se beneficiaram com a adoção destas técnicas.
Miguel Altieri. Dominican Republic: Plan Sierra soil conservation. In: PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.114.

Eventos

A Agricultura Familiar marcará sua presença na Expointer 2002, de 24 de agosto a 1 de setembro, em Esteio-RS.
Maiores informações: Altemir Tortelli (49) 99670238, Salete Escher (41) 99570372 e Eloir Griseli (54) 99771872.

Nos dias 30 e 31 de agosto, no Auditório da Faculdade de Ciências Agronômicas UNESP - Campus de Botucatu, se realizará o encontro II BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção Orgânica. O evento relacionará os fundamentos científicos com o manejo prático.
Maiores informações: [email protected]; [email protected] ou pelos telefones (14) 6821-9797 / 6821-1866.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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