[Rede de Agricultura Sustentável]
 

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Boletim 109, Por um Brasil Livre de Transgênicos

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Gostaríamos de explicar os motivos de nosso “silêncio” recente. Alguns de nossos leitores devem ter notado o não recebimento do Boletim da Campanha na última semana.

Tivemos problemas com nosso computador, que ficou inutilizado durante exatamente uma semana. Fomos infectados pelo vírus Nimda e, simultaneamente, nossa placa de modem começou a apresentar problemas (que custaram a ser identificados devido à presença do vírus).

Felizmente o problema já foi resolvido e nossas atividades estão voltando ao normal.

Divirtam-se agora com o Boletim 109 (um pouco grande, para matar as saudades).

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Foram divulgados na última semana os resultados da primeira avaliação científica de lavouras ilegais de soja transgênica no Rio Grande do Sul. O trabalho foi desenvolvido durante o mês de março de 2002, na região de Palmeira das Missões, por dois conceituados geneticistas brasileiros -- o Dr. Rubens Nodari, prof. da Universidade Federal de Santa Catarina, e o Dr. Deonísio Destro, prof. da Universidade Federal do Paraná -- e demonstra que a soja transgênica plantada apresentou vários problemas agronômicos.

Houve, nas lavouras transgênicas, uma perda média de 9 sacas por hectare -- a produtividade média da lavoura transgênica foi de 17 a 20 sacas/hectare, enquanto a da lavoura convencional é de 28 a 30 sacas.

Também foi constatada pelos especialistas (ambos doutores genética) uma grave alteração oriunda da modificação genética. Trata-se da rachadura no caule devida ao excesso de lignina nas plantas transgênicas, problema que já havia sido detectado em lavouras de soja transgênica nos EUA. Este problema se expressa na presença de temperaturas elevadas e de seca e afeta diretamente a produtividade das plantas.

Outro problema constatado em algumas propriedades foi o ataque inusitado do inseto “burrinho”, que normalmente não ataca a soja (na região ele só atacava a batatinha). Os agricultores supõem que este ataque seja devido à ausência de plantas invasoras nas áreas onde o efeito do herbicida foi total. Segundo os pesquisadores, não se pode descartar a hipótese de que este inseto venha a se tornar uma praga com possibilidade de causar danos econômicos consideráveis.

Mais um problema grave, que também já havia sido identificado nos EUA, foi a presença de colônias de fungos, provavelmente do gênero Fusarium, nas raízes das plantas. Cientistas da Universidade de Missouri, nos EUA, também registraram, em janeiro de 2001, uma incidência de Fusarium significativamente mais alta nas raízes de soja RR que havia recebido as doses recomendadas do herbicida Roundup, comparadas com soja que não havia recebido o herbicida.

Foi constatado também um dos problemas mais evidentes decorrentes do cultivo de plantas resistentes a herbicidas, que recebem doses repetidas de um mesmo produto químico: o desenvolvimento de resistência também nas plantas invasoras.
Os professores registraram o aparecimento de pelo menos três espécies de “mato” resistentes às doses recomendadas do herbicida Roundup: a corda-de-viola ou curriola (Ipomoea purpurea), a leiteira ou amendoim bravo (Euphorbia heterophylla) e a estrela africana (provavelmente Cynodon plectostachys).

Este problema tem levado os agricultores (como nos EUA) a usarem cada vez mais herbicida. Na região avaliada, eles têm feito no mínimo duas aplicações (fora a aplicação de pré-emergência, que se faz também nas lavouras convencionais), com dosagens de mais de três litros do veneno por hectare. Entre as conseqüências deste maior uso de agrotóxico, estão o maior custo de produção para o agricultor, a maior contaminação do meio ambiente (e do próprio agricultor) e maiores resíduos do veneno na soja, trazendo prejuízos para a saúde dos consumidores.

A conclusão dos pesquisadores é de que os prejuízos dos agricultores gaúchos que entraram nesta “barca furada” chegarão a 200 milhões de reais este ano -- considerando que tenham sido cultivados 1 milhão de hectares com as variedades transgênicas.

Para aqueles que vêm acompanhando as informações sobre os problemas que os cultivos transgênicos vêm apresentando nos países onde são permitidos, estas constatações não representam surpresa alguma.

Mas devem estar surpreendendo os fazendeiros gaúchos que ainda estão caindo na conversa das empresas e do governo federal. Mais surpresos ainda eles ficariam se os transgênicos fossem de fato liberados logo. As sementes transgênicas, que nos EUA custam em média 40% mais que as sementes convencionais, estão sendo vendidas aos agricultores do Sul por até metade do preço das sementes comuns -- o que explica em grande parte sua disseminação na região. Uma vez liberadas oficialmente as sementes transgênicas, esta “vantagem” não duraria nem mais um dia.

Veja a íntegra do trabalho e as fotos que registram os problemas identificados no site
http://www.actionaid.org.br

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Muitos de nossos leitores devem ter lido a entrevista de Luiz Antônio Barreto de Castro, presidente do Centro de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa e ex-presidente da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) à revista Isto É da última semana.

É incrível a quantidade de bobagens e mentiras que este senhor, do alto de sua “autoridade científica”, consegue dizer ao público.
 
Vejam as “pérolas”:

(respondendo à pergunta ‘qual a vantagem econômica destes alimentos?’) “No caso da soja, os agricultores não precisam arar o terreno para o replantio. As sementes modificadas germinam no meio da palha que sobrou da colheita. Reduz-se assim a mão-de-obra para o preparo do solo.
O que vocês acham que leva este senhor a responder tamanha mentira? A resposta de Castro se refere à técnica de plantio direto, que nada tem a ver com o uso de sementes transgênicas. O plantio direto, que reduz significativamente a erosão do solo, já é amplamente difundido no Brasil, com qualquer tipo de semente. Existem, inclusive, experiências de sucesso com o plantio direto sem herbicidas no sul do Brasil. Como vocês sabem, a soja transgênica que se quer liberar no Brasil, a soja RR (Roundup Ready), da Monsanto, é resistente à aplicação do herbicida Roundup, da mesma empresa. Isto, em tese, facilitaria o controle do mato. Só.

(...) Não é porque se errou com a vaca louca e até com a talidomida (remédio que prevenia o enjôo nas mulheres grávidas, mas provocava má formação nos fetos) que teremos de esperar 20 anos para liberar os transgênicos.” E completa: “E não adianta dizer que eles não são naturais, porque são. Todos os genes são extraídos da natureza”.
A questão não é esperar 20, 30 ou 50 anos para liberar os transgênicos. Devemos, sem sombra de dúvida, esperar até que haja certeza científica sobre a sua segurança, ao invés de apenas confiar nas empresas e nas autoridades, como aconteceu com a talidomida e a vaca louca.
E quanto aos transgênicos serem “naturais”, que bom trocadilho, não? Agora os cruzamentos artificiais, que jamais aconteceriam na natureza, resultam em produtos “naturais”.

Todos os produtos que existem no mercado fazem mal e matam de alguma maneira. Descobriu-se que a Coca-Cola estaria supostamente contaminada com dioxina (essa substância foi empregada como arma química durante a Guerra do Vietnã). Os anabolizantes matam, os agrotóxicos matam aos milhares e nada disso é controlado.”
Moral da história: “Deixa matar! Qual o problema??”

A Europa tem interesse em ser do contra porque não consegue competir nem com o mercado agrícola convencional, quanto mais com um produto de preço menor. Quem vai ganhar dinheiro enquanto os transgênicos estiverem proibidos são as multinacionais de agrotóxicos”.
Vamos lá: primeiro, as multinacionais de agrotóxicos são exatamente as mesmas que produzem e vendem transgênicos. Não é a toa, por exemplo, que a Monsanto desenvolveu sua soja para resistir ao seu herbicida. Com isso ela promove a “venda casada”: compre a semente e seja obrigado a levar também o agrotóxico. E são elas que estão tentando atropelar as leis brasileiras para liberar seus produtos por aqui.
Segundo, quem puxou a reação de resistência aos transgênicos na Europa foram os movimentos ambientalista e de consumidores. No início os governos europeus não eram contra. Mas não puderam resistir à pressão da sociedade civil, que lá tem muita força.
Terceiro, o produto transgênico não tem custo menor. As experiências dos EUA e da Argentina estão mostrando que o custo pode até ser maior. Estes produtos estão com preço menor, devido à rejeição do mercado (o que, até agora, está favorecendo as exportações brasileiras).

Em 2001, os plantadores de algodão do Mato Grosso reduziram em 28% a área cultivada. Não podem competir com o algodão alterado (transgênico) e mais barato dos americanos e chineses.
Passemos à matéria publicada na mesma semana (em 07/04) no jornal O Estado de São Paulo: “(...) em anos mais recentes, a história da soja se repetiu no caso do algodão. O produto pegou carona na leguminosa para crescer no cerrado, preenchendo a lacuna na rotação das lavouras. Na década de 80, o rendimento médio por hectare de algodão estava na faixa de 350 quilos e hoje chega, em algumas regiões, a ser duas vezes maior, observa o presidente as Associação Brasileira de Algodão (Abrapa), João Luiz Pessa. ‘A produtividade brasileira é comparada à do melhor algodão do mundo e só é atingida em países que usam a irrigação, como a Austrália.’ (...) ‘Se os EUA parassem de subsidiar a produção local, a exportação brasileira -- hoje de 150 mil toneladas por ano -- poderia atingir a médio prazo 1 milhão de toneladas.’”
Outra matéria do mesmo jornal deu destaque à qualidade do algodão produzido no País: “(...) O resultado é de causar inveja à China e aos EUA, os maiores produtores. As exportações do produto brasileiro, que há dois anos estava na casa de 50 mil toneladas, triplicaram e a perspectiva seria de crescimento, se não fossem os elevados subsídios dados aos produtores americanos que distorcem os preços no mercado internacional e desestimulam o cultivo. Apesar dos obstáculos, a qualidade do algodão do cerrado já tem fama internacional. ‘Traders alemães, suíços, italianos e ingleses já vieram comprar nosso produto’, diz Adilton Sachet, produtor de Rondonópolis (MT).”
Não são necessários outros comentários a respeito, certo?

 “(...) Os transgênicos não provocaram mal em sete anos, mas será que em 50 vão provocar? A pergunta não tem resposta. Cautela até quando?”
A introdução da Isto É à entrevista cita este comentário: “Ao seu ver (de Castro), a única forma de testar o risco desses produtos seria colocando-os no mercado.”
Esta é a opinião do cientista (não é o único) que diz garantir a segurança dos transgênicos: devemos colocá-los no mercado e fazer o “teste de segurança” na população, em escala mundial e em tempo real -- como se fez com uma enorme lista de produtos tóxicos ao longo da história, proibidos só após comprovadas as inúmeras mortes por eles causadas. Vocês querem confiar?

(respondendo à pergunta ‘O que é melhor para a saúde: o alimento orgânico, o convencional com agrotóxico ou o transgênico?’) “O transgênico, claro. O Centro de Controle de Doenças dos EUA estima que o alimento orgânico causa 250 mortes e deixa 20 mil pessoas doentes ao ano em seu país porque utiliza apenas fertilizantes naturais, como esterco de porco e de boi. Não há certeza de que esse estrume esteja livre de microrganismos infecciosos.
Pensemos, apenas, nas seguintes situações:
a) O que acontece quando lavamos um produto orgânico? Os microorganismos são eliminados?
b) O que acontece quando lavamos um produto convencional tratado com agrotóxico sistêmico (do tipo que entra na circulação da planta)? O agrotóxico é eliminado?
c) O que acontece quando lavamos um produto transgênico?
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças do EUA estima que 250 pessoas morram e 20.000 fiquem doentes por ano no seu país devido à contaminação pela bactéria Escherichia coli e não ao consumo de alimentos orgânicos. Esta bactéria apresenta problemas em situações de baixa higiene e falta de saneamento básico e é completamente eliminada dos alimentos na lavagem.
Ninguém afirma que não seja preciso lavar os alimentos orgânicos. E ninguém morre (nem adoece) se consumir alimentos orgânicos bem lavados.

Castro, assim como seus colegas da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / MCT), pretende convencer a população sobre a segurança dos transgênicos apenas com o “argumento da autoridade científica”, ao invés de apresentar dados concretos que atestem sua opinião. E depois nós é que somos “anti-científicos”, retrógrados. São estes “cientistas” que dizem (e o governo assina em baixo) que têm competência para decidir nosso destino como bem entenderem.

De um certo ponto de vista, declarações deste tipo acabam por nos ajudar. Observar o que diz um dos maiores e “mais conceituados” defensores dos transgênicos no Brasil deve deixar qualquer pessoa de mínimo bom senso e espírito crítico, por mais desinformada sobre o assunto que seja, desconfiada.

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A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), através de seu Secretário Geral, o Bispo Dom Damasceno de Assis, enviou a todos os deputados federais uma carta expressando sua preocupação com relação ao Projeto de Lei que visa à liberação comercial dos transgênicos no Brasil.

Segundo o texto, “É necessário dar atenção às advertências firmes e incisivas que fazem muitas das organizações e autoridades reconhecidas pelo seu trabalho em defesa dos valores ecológicos e do meio ambiente. Essas advertências apontam para a necessidade de se exigir evidências claras e definitivas que demonstrem que o emprego das novas tecnologias propostas ao mercado é ecologicamente saudável”.

O texto diz ainda que “há que se advertir quanto ao risco de se reforçar a dependência tecnológica do setor agrícola no seu conjunto vis-à-vis um reduzido número de grandes empresas transnacionais que parecem ter como estratégia o controle da produção em escala global”.

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Neste número:

1. Monsanto perde o controle de sua canola modificada
2. Soja americana em baixa
3. A excelência brasileira mora aqui
4. Brasil terá “show room” permanente na China
5. ONG canadense-americana tenta reduzir plantio de soja no Brasil em 15%
6. Transgênicos vão muito além do RS
7. Mulher estaria grávida do primeiro clone
8. Senado brasileiro discute lei para banir a clonagem de humanos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
1. Desenvolvimento participativo de sistemas de plantio direto sem herbicidas.
Eventos
: 1º Jornada Paranaense de Agroecologia - Terra Livre de Transgênicos e Sem Agrotóxicos
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1. Monsanto perde o controle de sua canola modificada
A Monsanto Co. acredita que sua semente de canola pode conter material geneticamente modificado que não tem aprovação do governo americano. Na esperança de evitar um grande recall de produtos alimentares, a empresa está pedindo ao governo que perdoe qualquer presença desse material que possa surgir no suprimento de alimentos nos Estados Unidos.
A empresa americana ainda não a detectou nas sementes que testou, mas diz que vestígios da versão modificada foram encontrados no ano passado no Canadá, levando-a a acreditar que o mesmo é possível nos EUA. Admitindo que há três anos produtores americanos vêm plantando semente de canola que pode conter um determinado material genético que nunca deveria ter saído do laboratório, a Monsanto se tornou o mais recente exemplo de falha da indústria de biotecnologia em controlar plantas cujos genes ela alterou.
A Monsanto, controlada pela americana Pharmacia Corp., insiste que a semente em questão é segura para o consumo. Mas pelo menos um grupo de ativistas pretende combater o pedido da Monsanto e divulgar suas implicações -- que o setor de biotecnologia não consegue controlar sempre a proliferação de suas próprias criações. “Isso é poluição genética”, diz Joseph Mendelson, diretor jurídico do Centro pela Segurança Alimentar, do EUA.
Se a Monsanto não conseguir receber aprovação para a semente alterada, conhecida como GT200, a descoberta de sua presença na canola americana pode levar fabricantes de alimentos a sofrer pressão de grupos antibiotecnologia para recolher os produtos assim mesmo.
The Wall Street Journal, in O Estado de São Paulo, 15/04/02.

2. Soja americana em baixa
Os preços da soja registraram a maior baixa em um mês no mercado internacional, depois que um relatório do governo norte-americano mostrou o declínio da demanda global da oleaginosa (dos EUA), que é usada em rações animais e alimentos processados. (...)
Processadoras chinesas reduziram suas compras depois da adoção das novas normas sobre importações de soja transgênica, enquanto os compradores europeus passaram a encomendar o produto mais barato produzido pelo Brasil.
A demanda global de soja americana “está baixa porque a China não está comprando”, informa Anne Frick, analista de oleaginosas da Prudential Securities, de Nova York. (...)
Maior mercado consumidor de soja americana no exterior, a China reduziu suas compras dos norte-americanos devido à implementação de novas normas sobre alimentos, que exigem certificados atestando a segurança dos produtos importados produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas, segundo analistas. Cerca de 68% da soja cultivada nos EUA no ano passado tiveram origem transgênicas. (...)
A demanda global de soja está aumentando, pois os fabricantes de rações animais da Europa e Ásia decidiram substituir os ingredientes gados à doença da "vaca louca". (...)
Gazeta Mercantil, 09/04/02.

3. A excelência brasileira mora aqui
O Brasil tem hoje verdadeiras ilhas de prosperidade no setor produtivo, com resultados de causar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo. Soja, celulose, algodão e aço são exemplos de segmentos que alcançaram os mais elevados níveis de eficiência internacional, sem subsídios ou protecionismos.
A produtividade da soja brasileira, por três anos consecutivos, é a mais alta do mundo. Os 2.736 quilos por hectare colhidos no País superam os indicadores dos Estados Unidos (2.663 quilos por hectare) e da Argentina (2.590 quilos por hectare), grandes produtores. (...)
Em anos mais recentes, a história da soja se repetiu no caso do algodão. O produto pegou carona na leguminosa para crescer no Cerrado, preenchendo a lacuna na rotação das lavouras. Na década de 80, o rendimento médio por hectare de algodão estava na faixa de 350 quilos e hoje chega, em algumas regiões, a ser dez vezes maior, observa o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Luiz Pessa. “A produtividade brasileira é comparada à do melhor algodão do mundo e só é atingida em países que usam a irrigação como a Austrália”. (...)
“Se os EUA parassem de subsidiar a produção local, a exportação brasileira -- hoje de 150 mil toneladas por ano -- poderia atingir a médio prazo 1 milhão de toneladas”. (...)
O Estado de São Paulo, 07/04/02.

4. Brasil terá “show room” permanente na China
O Brasil passa a contar, a partir de agora com uma sólida base de apoio para divulgação e venda de seus produtos no mercado chinês: um “show room” permanente na sede da rede de supermercados Shanghai Mart, bem no centro desta cidade, segundo informou ao Estado o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil-China o empresário brasileiro Charles A.Tang. (...)
Tang disse que o comparecimento, à Feira Comercial, de dirigentes de empresas chinesas compradoras de soja abre boas perspectivas para negócios também nessa área, se bem que as remessas desse grão dependem de certificadoras de qualidade, uma vez que a China não admite a importação de soja transgênica. (...)
O Estado de São Paulo, 06/04/02.

5. ONG canadense-americana tenta reduzir plantio de soja no Brasil em 15%
A ONG canadense-americana Foccus on Sabbatical quer convencer produtores brasileiros a deixar de plantar soja. Quem não plantar, segundo a ONG, receberá o equivalente a US$ 165,00 por hectare (cerca de R$ 380,00). A proposta, considerada absurda pelo governo brasileiro e algumas lideranças rurais, é defendida pelos representantes da ONG sob a alegação de que o não plantio faria reduzir a oferta mundial de soja e o produto, conseqüentemente, teria preços mais vantajosos para o agricultor. O propósito é o de reduzir em 15%, no futuro, a safra brasileira que neste ano agrícola deve ser da ordem de 41,5 milhões de toneladas. (...)
A proposta foi apresentada pela primeira vez no dia 29 de janeiro à Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, pelo presidente da Foccus -- formada por 3.500 agricultores canadenses e 500 norte-americanos --, Joe Whitney. Segundo ele, a ONG estaria disposta a investir cerca de US$ 400 milhões para convencer produtores a não plantarem soja.
Para indenizar o produtor que deixar a terra descansando, a Foccus pagaria US$ 165 para cada hectare e o objetivo, conforme explicou Whitney, seria reduzir em 19,3 milhões a oferta mundial da oleaginosa -- estimada em 182 milhões de toneladas --, para garantir um aumento do preço internacional da commodity e a renda dos sojicultores. (...)
“Somos contra”, diz o representante da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, cujo estado vai colher, nesta safra, 9,460 milhões de toneladas, a segunda maior do País.
“Embora aparentemente a proposta seja benéfica ao sojicultor, já que ele ganharia US$ 165 por hectare para não plantar -- quando ganha, plantando, cerca de US$ 108 por hectare no Paraná --, para o País ela é um desastre”, continua. “Quando você renuncia a um mercado, está deixando o espaço aberto para outros ocuparem”, diz. “E quem garante que os outros países também vão reduzir sua safra ou que a ONG realmente vai pagar os produtores que aderiram ao programa?”, continua, acrescentando que a orientação da Faep aos produtores é a de não aceitar a proposta. (...)
“É muito estranho ouvirmos uma proposta destas, justamente agora que as exportações de soja brasileiras vêm crescendo”, acrescenta o presidente da Federação da Agricultura do Mato grosso do Sul (Famasul), Leôncio de Souza Brito Filho. “Não vamos embarcar numa canoa furada dessas para atender a interesses americanos e canadenses e já levamos esta posição à CNA”, continua Brito Filho. (...)
O Estado de São Paulo, 08/04/02.

6. Transgênicos vão muito além do RS
Ainda não é possível desenhar com precisão um mapa do plantio de soja transgênica no país, mas por certo, ele não se restringe mais ao Rio Grande do Sul, como se imaginava até pouco tempo atrás. E também não fica apenas na lavoura nas lavouras encontradas recentemente no Paraná.
O plantio -- que ainda não é regulamentado no país -- já chegou a outros estados produtores de soja, como Mato Grosso, Barreiras, na Bahia e Tocantins, afirmam fontes dos setores de esmagamento e de certificação, que preferem o anonimato temendo efeitos negativos sobre seus negócios. (...)
“Já encontramos soja ‘contaminada’ com grãos transgênicos nos três estados do Centro-Oeste”, diz um executivo de esmagadora do Sul, que costuma originar produto em outras regiões do país  no início de safra.
Mas o nível de “contaminação” nas demais regiões não é tão alto quanto no Rio Grande do Sul, onde se estima que cerca de 50% das lavouras de soja sejam transgênicas. Na região Centro-Oeste, o risco seria médio e na Bahia e no Tocantins, baixo, avaliam as fontes.
Se as empresas envolvidas com o negócio de soja evitam falar abertamente sobre a propagação do plantio de variedades transgênicas no país, quem acredita que, de alguma forma, pode ser afetado pelo avanço na área  não hesita em se pronunciar.
É o caso da Tesco, a maior rede de varejista britânica, com faturamento anual de US$ 30 bilhões, que proibiu o uso de ingredientes transgênicos nos produtos com sua marca. Há mais de um ano, os fornecedores de carnes de frango e suína da rede adquirem farelo de soja certificado como não-transgênico em esmagadoras brasileiras.
Para Martin Cooke, gerente de desenvolvimento técnico e estratégico da rede, o avanço do plantio de transgênicos no Brasil vai elevar os custos de toda a cadeia de produção de frango e suínos, animais que se alimentam de rações contendo farelo de soja.
“Quanto maior o plantio, mais apurado precisa ser o nível de controle de segregação da soja e maiores os custos logísticos”, explicou Cooke, que esteve há duas semanas no Brasil, para se reunir com os fornecedores e certificadoras. (...)
O executivo da Tesco não esconde a preocupação com o avanço dos transgênicos no Brasil, já que a área de soja modificada é muito maior em outros países e, portanto, é muito difícil obter o grão convencional nestas regiões.
Cooke admite estar contactando outros potenciais fornecedores, como a Índia e até os EUA. “Há pequenas empresas americanas interessadas em fornecer soja certificada como não-transgênica porque eles perderam mercado para o Brasil”. (...)
Valor Econômico, 08/04/02.

7. Mulher estaria grávida do primeiro clone
Uma mulher pode estar na oitava semana de gestação de um clone. A mulher seria uma das milhares inscritas no polêmico programa de clonagem humana do médico italiano Severino Antinori, o maior defensor da criação de bebês clonados. A notícia foi revelada ontem pela revista britânica “NewScientist”, segundo a qual Antinori fez o anúncio durante uma conferência, em Dubai, nos Emirados Árabes Unido, quando perguntado sobre os avanços da pesquisa.
Antinori, de acordo com a “NewScientist”, não revelou o nome ou nacionalidade da mulher. Ao jornal  de Dubai “Gulf News” ele teria dito apenas que ela é uma das cerca de cinco mil inscritas em seu programa, que tem casais de todo o mundo. O sócio de Antinori, o grego radicado nos EUA Panos Zavos, afirmara ano passado que entre os casais há brasileiros. A maioria dos inscritos, porém, é composta por milionários da Ásia e de países árabes. As experiências, banidas na Europa, nos EUA e no Brasil, estariam sendo realizadas secretamente em um país asiático.
Anúncio é recebido com repúdio e desconfiança
Especialistas em clonagem e reprodução humana receberam a notícia com ceticismo. Eles preferem esperar por provas e frisaram que Antinori violou todos os princípios da ética médica ao expor os seres humanos a experiências perigosas. A maioria considera possível que ele tenha obtido um embrião e o implantado em uma mulher. Todos, porém, duvidam que a gestação resulte no nascimento de uma criança viva devido às dificuldades técnicas da clonagem.
Pouco depois a empresa americana ACT ter anunciado a primeira clonagem de embrião humano em novembro passado, Antinori disse que já tinha um embrião de 20 células -- contra o de apenas seis criado nos EUA -- e que faria nascer o primeiro bebê clonado em 2002. Considerado um dos mais ousados e polêmicos especialistas em reprodução do mundo, Antinori  se defende dizendo que sua intenção é ajudar pessoas estéreis.
A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gro Harlem Bruntland, que está em São Paulo, condenou a clonagem de humanos. O secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Raimundo Damasceno Assis, também repudiou o clone.
O especialista brasileiro em reprodução Roger Abdelmashi alertou sobre os graves riscos da experiência:
- É um absurdo gerar uma criança sem sabermos as conseqüências.
Um dos maiores especialistas do mundo em clonagem, Rudolf Jaenisch, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), se disse chocado com a notícia:
- Isso é irresponsável, repugnante e ignora todas as provas científicas obtidas até agora na clonagem de animais. Antinori usa seres humanos como porquinhos-da-índia para levar adiante seus questionáveis experimentos. Esse homem precisa ser detido.
Para o cientista americano da Universidade A&M do Texas, Mark Westhusi, criador do primeiro clone de um animal doméstico, não há motivos para dizer que Antinori esteja mentindo:
- Eu acho que é possível, levando em conta as experiências com animais. Mas o risco desta gravidez não ter sucesso é muito grande.
Editor da publicação britânica “Bulletin of Medical Ethics”, Richard Nicholson, lembrou da necessidade de se criar uma legislação internacional sobre o tema:
- Enquanto houver Antinoris por aí, será inevitável assistirmos ao nascimento de um clone humano. Mas ele terá uma vida breve e triste.
O Globo, 06/04/02.
Bebê clonado seria cópia de milionário árabe
O primeiro bebê clonado é filho de um milionário árabe, de acordo com um jornalista italiano amigo do especialista italiano em fertilização Severino Antinori.
Ele teria dito que o embrião foi clonado de uma pessoa muito importante e rica do mundo árabe, e que fez experimentos para produzir um clone humano num país islâmico.
O Globo, 08/04/02.

8. Senado brasileiro discute lei para banir a clonagem de humanos
(...) No Brasil, um projeto do senador Sebastião Rocha (PDT-AP) que proíbe qualquer tipo de clonagem humana seria discutido ontem (10/04) pela CCJ, mas acabou não sendo votado. A proposta continua na pauta da comissão.
O projeto recebeu voto favorável do relator da comissão, Leomar Quintanilha (PFL-TO), que recomenda a aprovação da proposta sob forma de uma reformulação à Lei de Biossegurança (Nº 8.974), de 5 de janeiro de 1995. (...)
Folha de São Paulo, 11/04/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
1. Desenvolvimento participativo de sistemas de plantio direto sem herbicidas.

No trabalho realizado pela ONG AS-PTA e pelo Fórum das Organizações dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, na região do Centro-Sul do Paraná, que veio questionar a baixa adoção de sistemas de plantio direto entre os agricultores familiares da região, o uso de herbicidas em sistemas de plantio direto tornou-se um ponto importante a ser refletido.

Com a proposta de promover um novo modelo de desenvolvimento, foi iniciado na região um processo social de experimentação envolvendo, além de testes de sistemas de plantio direto sem uso de herbicidas, temas como manejo da agrobiodiversidade, manejo ecológico do solo, segurança alimentar, entre outros. Com o uso de abordagens participativas, foi possível identificar diversos agricultores experimentadores, incluindo alguns agricultores que já se encontravam familiarizados com o sistema proposto. Um bom exemplo é a família Bischof, do Município de Rebouças, que já possuía 14 anos de experiência no plantio direto sem uso de herbicidas.
Além de ter permitido analisar o comportamento de diferentes espécies de adubos verdes e de plantas de cobertura, foram obtidos outros resultados como o incremento do número de áreas de experimentação e a ampliação das áreas já implantadas, devido à boa aceitação das técnicas experimentadas. Quanto aos resultados agronômicos, foi apontada uma significativa melhoria dos desempenhos produtivos já no curto prazo.
Espera-se que, como resultado de um melhor desempenho produtivo das lavouras, a generalização do sistema de plantio direto sem herbicidas na região ocasione um impacto positivo na renda das famílias.

Eventos:
1º Jornada Paranaense de Agroecologia - TERRA LIVRE DE TRANSGÊNICOS E SEM AGROTÓXICOS
Articular, em torno da proposta da Agricultura Familiar Ecológica, as organizações, entidades e instituições do campo democrático-popular comprometidas na construção de um processo de Desenvolvimento Rural Sustentável;e
Apresentar a Agricultura Familiar Ecológica como alternativa viável ao projeto neoliberal de desenvolvimento agrícola, com capacidade insubstituível na promoção do Desenvolvimento Rural Sustentável, do abastecimento alimentar da população brasileira e da geração de excedentes exportáveis.
Esses são alguns dos objetivos da Jornada, que será realizada entre 17 e 20 de abril de 2002, em Ponta Grossa.
O evento contará com:
- painéis com especialistas
- experiências agroecológicas
- oficinas e cursos temáticos
- exposição da agricultura familiar
- feira de alimentos ecológicos
- feira estadual da agrobiodiversidade
- atividades culturais e muito mais
Encontre maiores informações e textos no http://www.jornadadeagroecologia.com.br/

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgênicos
=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou  http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <[email protected]> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
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