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POR UM BRASIL ECOLÓGICO, LIVRE DE TRANSGÊNICOS & AGROTÓXICOS

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Número 635 - 05 de julho de 2013

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Estudo realizado com voluntários em 18 países europeus identificou resíduo de glifosato e do seu composto químico associado, o metabólito AMPA, em 44% e 36% das 182 amostras analisadas, respectivamente. A frequência de detecção entre os pacientes de cada um dos países variou entre 10% e 90%, indicando que as variações regionais e individuais foram grandes e ainda precisam ser mais estudadas.

A dieta alimentar é apontada como a fonte de contaminação pelo estudo. Todos os voluntários moram em áreas urbanas e nunca manipularam o herbicida.

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A última edição do World Food Prize laureou o vice-presidente da Monsanto. O prêmio equivale ao Oscar na área da agricultura. Criado por Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz em 1970 e tido como o pai da Revolução Verde, seu objetivo é prestigiar pessoas que melhoram a qualidade, quantidade ou disponibilidade de comida no mundo.

O prêmio tem sido alvo de críticas por favorecer a agricultura industrial. A fundação que o administra recebeu contribuições de empresas do setor, entre elas 5 milhões de dólares da Monsanto em 2008.

O prêmio ainda agraciou uma executiva da Syngenta e um pesquisador belga também da área de biotecnologia. Robert Fraley, da Monsanto, levou 250 mil dólares e a empresa uma massagem no ego e um reforço na publicidade. Já sua contribuição para aumentar a qualidade, quantidade ou disponibilidade de comida no mundo está cada vez mais distante de suas promessas.

Com informações do New York Times, 19/06/2013 e NYT Opinion pages 25/06/2013.

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Neste número:

1. União Europeia financiará estudos de longo prazo sobre milho da Monsanto

2. 1ª Mostra da agrobiodiversidade supera expectativas

3. Costa Rica tem 72% de seus estados declarados livres de transgênicos

4. Pesquisa mostra irregularidades na rotulação de milho transgênico em fubá, farinha, pipoca e canjica

Dica de leitura

“Ciência e Poder nos sistemas agroalimentares”. Revista Agriculturas, v.10, n.1 - http://aspta.org.br/revista-agriculturas/

A alternativa agroecológica

Carta dos movimentos sociais do campo

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1. União Europeia financiará estudos de longo prazo sobre milho da Monsanto

A publicação do edital que investirá 3 milhões de euros em pesquisa sobre efeitos carcinogênicos do milho NK 603 vem em resposta à polêmica gerada pela publicação de estudo inédito mostrando que este produto (com e sem glifosato) aumentou a mortalidade e multiplicou a incidência de tumores em ratos.

Aqui no Brasil, 15 integrantes e ex-integrantes da CTNBio demandaram ao órgão uma revisão da decisão que em 2008 liberou essa variedade de milho para plantio e comercialização. Cheio de soberba, o órgão votou e recusou o pedido, apoiando-se no quase místico conceito do “histórico de uso seguro”.

Por http://pratoslimpos.org.br, com informações do GM Watch, 03/07/2013

2. 1ª Mostra da agrobiodiversidade supera expectativas

Tenente Portela – A 1ª Mostra da Agrobiodiversidade realizada na quarta-feira, 05, na Praça do Índio, superou as expectativas dos organizadores e dos expositores. Foram mais de trinta famílias de agricultores familiares, camponeses e indígenas que expuseram mais de 100 tipos de sementes, produtos alimentícios e artesanatos.

Para o presidente da Associação dos Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade (Agabio), agricultor Leonel Lanz de Azevedo “a realização desse evento foi uma experiência importante para o grupo, foi possível mostrar para a comunidade um pouco da diversidade de sementes e produtos que preservamos e cultivamos em nossas propriedades. A maioria dos alimentos que foram apresentados são produzidos de forma agroecológica sem uso de venenos, e muitos dos visitantes ficaram interessados em adquirir esses produtos. Temos um novo desafio pela frente”, conclui Leonel.

Para Marcos Pandolfo, secretário adjunto de Desenvolvimento Rural, a associação dos guardiões está de parabéns, pois as famílias, que não tinham experiência em participar de exposições, conseguiram se organizar para o evento.

“Temos acompanhado a história de luta e de resistência deles para manter seus costumes e a dedicação em produzir um alimento saudável. Nos sentimos orgulhosos de fazer parte dessa história. Quero fazer um agradecimento ao grupo de entidades e de pessoas que de uma forma ou outra colaboraram para o sucesso da Mostra, em especial ao prefeito municipal, Elido Balestrin; ao presidente do Legislativo, vereador Claudenir Scherer; à pastora Angela e ao padre Guido, pela participação e apoio; e à comunidade que prestigiou a mostra”, conclui.

O evento foi uma realização da Agabio em conjunto com a Emater, Conselho de Missão entre Indígenas (Comin) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural, contou com o apoio da Comissão Estadual de Produção Orgânica do RS, Superintendência Federal da Agricultura no RS, Embrapa Clima Temperado, Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, e com a parceria da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Departamento Municipal do Indio, Escola Estadual Tenente Portela e Escola Estadual Sepé Tiarajú. O patrocínio foi da Caritas Brasileira e da Fundação Luterana de Diaconia.

Folha Popular, 07/06/20132

Saiba mais sobre como foi o evento:

http://www.tenenteportela.rs.gov.br/site2/index.php/noticias/3699-milhares-de-pessoas-passaram-pela-1-mostra-da-agrobiodiversidade

http://www.portelaonline.com.br/site/audio.php?id=16638

http://www.portelaonline.com.br/site/audio.php?id=16635

3. Costa Rica tem 72% de seus municípios declarados livres de transgênicos

Com a declaração do município de La Cruz de Guanacaste em 27 de junho, agora só faltam 22 regiões do país se declararem territórios livres de transgênicos.

A campanha contra os transgênicos na Costa Rica segue realizando atividades de educação, debates em escolas, audiências públicas, caminhadas e romarias pelo país.

Passo a passo, os municípios vão se somando à iniciativa, e estima-se que em pouco tempo todos já terão declarado seus territórios como áreas livres de transgênicos. Quando chegarmos aos 100%, qual será a atitude do governo federal? Não poderá seguir indiferente nem menosprezar a autonomia dos municípios.

A Federación Ecologista Costarricense para la Conservación del Ambiente (FECON) comemora a notícia e felicita o município de La Cruz por sua brava decisão em defesa do bem estar público e contra o benefício privado transnacional.

Por http://feconcr.org/, 28 de junho de 2013

4. Pesquisa mostra irregularidades na rotulação de milho transgênico em fubá, farinha, pipoca e canjica

Atualmente, o Brasil tem a segunda maior produção de transgênicos do mundo. Em 2012, cerca de 89% da soja, 76% do milho e 50% do algodão plantados no nosso país eram geneticamente modificados. As informações são do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), que avaliou se rótulos de alimentos à base de milho informam corretamente os consumidores quanto à presença de ingredientes transgênicos – por decreto federal, é obrigatório usar o símbolo “T” dentro de um triângulo amarelo e fazer a descrição da espécie doadora dos genes na lista de ingredientes quando o produto tem mais de 1% de composição dessa natureza.

Festa Junina Transgênica

Foram analisadas cinco categorias de produtos alimentícios que contém milho (farinha de milho amarela, fubá, milho para pipoca tradicional, milho para pipoca para micro-ondas e canjica de milho branco), de quatro marcas comuns nos mercados: Mestre Cuca, Yoki, Hikari e Kisabor.

A análise foi feita a partir do rótulo dos produtos e do contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor para tirar dúvidas – ou seja, o Idec não fez análises laboratoriais para confirmar o que é declarado pelas empresas.

Outro ponto foi avaliar se a forma pela qual a informação está sendo transmitida é clara e evita disfarces nas embalagens como o símbolo T em local e tamanho inadequados, ausência da descrição obrigatória da espécie doadora e mensagens que possam confundir o consumidor, como “Aprovado pela CTNBio” (Comissão Nacional de Biossegurança) abaixo do símbolo T.

Resultados

- Farinha de milho amarela e fubá

Todas as embalagens são rotuladas. Duas delas, Mestre Cuca e Yoki, não informam a presença da espécie doadora, o que, na avaliação do Idec é considerada inadequado. (Parece que está cada vez mais difícil comer um bolo de fubá quentinho que não seja transgênico…)

- Milhos para pipoca (tradicional e de micro-ondas)

Apenas a Kisabor revela que é transgênica na embalagem. Segundo o Idec, a Yoki teria informado que todos os seus produtos provenientes do milho são transgênicos – o que tornaria a falta do símbolo T nos rótulos dos milhos para pipoca uma conduta inadequada. Porém, em comunicado, a empresa garante que “o milho para pipoca tradicional, o milho de pipoca para micro-ondas e a canjica de milho branco são produtos convencionais, ou seja, não transgênicos.” A Yoki também afirmou que não foi procurada pelo Idec no período dos testes.

A marca Hikari respondeu da seguinte forma:

“A Hikari, juntamente com os seus fornecedores, tem trabalhado atentamente as informações dos produtos transgênicos e, neste caso, a empresa manteve suas compras de produtos não transgênicos até onde foi possível e não tivemos mais opção, pois as produções de milho no Brasil são praticamente todas de origem transgênica, com exceção dos Milhos para Pipoca que ainda estão garantindo até o final de 2013. Portanto, o milho para pipoca tradicional e para microondas não são de origem transgênica”.

- Canjica de milho branco

Hikari e Kisabor são rotuladas adequadamente. Pelo mesmo motivo do caso dos milhos para pipoca, o Idec considerou a rotulagem da Yoki inadequada. A empresa respondeu dizendo que as embalagens não trazem o símbolo porque o produto não é transgênico. “A Yoki já sugeriu ao IDEC a revisão da pesquisa mencionada, já que as afirmações da mesma estão equivocadas”, afirma o comunicado da empresa, que você pode ler, na íntegra.

Saiba mais sobre a pesquisa.

Revista Super Interessante, 02/07/2013.

A alternativa agroecológica

Carta dos movimentos sociais do campo

Companheiros e companheiras que moram e trabalham nas cidades

Nós, organizações e movimentos sociais que vivemos no campo, trabalhamos e produzimos o alimento ao povo brasileiro, fomos convidados para uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Aceitamos o convite e esperamos que deste diálogo, se abra um novo momento para verdadeiras soluções dos problemas que os trabalhadores e trabalhadoras do campo vêm sofrendo há décadas e que afetam as cidades.

Através desta carta, queremos contar qual será nossa posição na reunião com a Presidenta.

O povo brasileiro esta nas ruas, cobrando e reivindicando solução aos verdadeiros problemas da classe trabalhadora, exigindo redução nas tarifas, melhorias no transporte, lutando por melhorias no atendimento da saúde (SUS) e educação pública, gratuita, de qualidade, e pela democratização dos meios de comunicação, contra a repressão, entre outros. As lutas exigem mudanças estruturais. As lutas sociais são legítimas e somente elas podem melhorar as condições de vida de nosso povo.

Estamos e seguiremos juntos nas lutas populares que estão ocorrendo nas cidades e no campo. Queremos manifestar nosso apoio e solidariedade às lutas e reivindicações populares da juventude, do povo dos bairros e de todos os trabalhadores e trabalhadoras que trabalham e vivem nas cidades.

No campo, há uma enorme dívida social e as desigualdades são cada vez maiores. As terras se concentrando nas mãos dos latifundiários e de empresas estrangeiras. Os bens da natureza, estratégicos, como terras, águas, florestas, sementes, minérios, estão sendo privatizados e entregues ao controle de grandes empresas. Cerca de 8.300 grandes proprietários de terra, sozinhos, são donos de 83 milhões de hectares, enquanto que 4,3 milhões de famílias de trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar e camponesa possuem 70 milhões de hectares. No entanto, somos nós, responsáveis pela produção de 70% do alimento fornecido ao povo brasileiro.

O veneno agrícola usado pelo agronegócio chega na nossa na mesa causando muitos problemas de saúde. Os preços dos alimentos são aumentados pela especulação das empresas. A agricultura brasileira esta dominada pelas grandes empresas transnacionais. Nove grupos empresariais dominam e agem como cartéis nos alimentos, controlam as sementes, a indústria de venenos, impõem os transgênicos e o uso de agrotóxicos em toda agricultura. Desmatam grandes extensões de florestas e manguezais, invadem e perseguem populações indígenas, pescadores e quilombolas e trabalhadores do campo, impõem trabalho escravo, criminalizam e perseguem as organizações e aumentam os preços dos alimentos para as populações das cidades. Este é o modelo de agricultura chamado de agronegócio, que não paga imposto para exportar, recebe grandes volumes de dinheiro público e tem sido privilegiado nas políticas de Estado e de governos.

QUEREMOS MUDANÇAS

As ruas pedem mudanças para melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Na agricultura esperamos que ocorram mudanças profundas. É momento dos governos superarem posturas conservadoras e avançarem no ritmo e profundidade que as lutas populares estão exigindo.

O que queremos do governo Dilma:

1. Recuperar a soberania nacional sobre as terras brasileiras. Propomos que o governo anule as áreas já compradas e desaproprie todas as terras controladas por empresas estrangeiras.

2. Acelerar a Reforma Agrária e que sejam assentadas imediatamente as milhares de famílias acampadas a beira das estradas.

3. Políticas públicas de apoio, incentivo e crédito para produção de alimentos baratos, saudáveis, sem venenos com o fortalecimento do campesinato. E adoção de programas estruturais para juventude e para as mulheres do campo.

4. Garantir os direitos dos povos do campo, com o reconhecimento e demarcação imediata das terras indígenas, quilombolas e dos direitos dos atingidos por barragens, territórios pesqueiros e outros.

5. O imediato banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo, a proibição das pulverizações aéreas e políticas de redução do uso de agrotóxicos no campo. E profunda revisão na política de liberação dos transgênicos e controle social.

6. Que o governo assuma uma política de controle do desmatamento das florestas em todo país e apoie a recuperação de áreas degradadas e de reflorestamento pela agricultura familiar e camponesa.

7. O cancelamento da privatização dos recursos naturais como água, energia, minérios, florestas, rios e mares. Propomos a retirar do regime de urgência no congresso nacional, do projeto de Código de Mineração, e que o governo/congresso faça um amplo debate nacional com os trabalhadores brasileiros, para produzir um novo código de acordo com os interesses do povo brasileiro.

8. Implementação imediata de programas para erradicar o analfabetismo e garantir escolas em todas as comunidades rurais.

9. Suspensão de todos os leilões de privatização de áreas de perímetros irrigados no nordeste e destinação imediata para o INCRA realizar assentamentos para agricultura familiar e camponesa e adoção de políticas estruturais para democratização da água e para ajudar as famílias a enfrentar as secas.

10. Fim da lei Kandir, que isenta de impostos as grandes empresas exportadoras de matérias primas agrícolas, energéticas e minerais.

Além disso, apoiamos todas as reivindicações populares e a necessária reforma política de nosso país, com a convocação imediata de um plebiscito popular.

Para finalizar queremos, através desta carta, contar com o apoio de vocês, trabalhadores e trabalhadoras das cidades. Seguiremos juntos, nos mobilizando e lutando.

Contem conosco!

Brasil, julho de 2013.

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Via Campesina (VC), Movimento dos Pescadores e Pescadoras (MPP), Movimento das mulheres camponesas (MMC), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF), Pastoral da Juventude Rural (PJR), Entidzade Nacional de Estudantes de Biologia (ENEBIO), Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE), Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF), Movimento Camponês Popular (MCP), Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA)

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/490-carta-aos-trabalhadores-e-trabalhadoras-do-brasil

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