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POR UM BRASIL ECOLÓGICO,
LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS
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Número 515 - 12 de novembro de 2010

[email protected] [email protected],

A região da Serra da Borborema, na Paraíba, é sinônimo de renda e autonomia de pequenos produtores rurais. A consolidação da agricultura familiar, praticada em pequenas propriedades, já era exercitada na região, historicamente fornecedora de alimentos para o estado.

Com os latifundiários explorando a cana-de-açúcar no litoral e a pecuária no sertão, o agreste ofereceu suas terras para a plantação de alimentos. Ali, os pequenos agricultores desenvolveram suas plantações, atividades comerciais e resistiram bravamente contra a ameaça de perderem suas terras para as grandes empresas do campo.

Em 1993, três sindicatos de trabalhadores rurais, representantes das famílias agricultoras, organizaram o movimento político dos camponeses para consolidar o território da agricultura familiar na região. Assim, surgiu o Pólo Sindical e das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema, ou Pólo da Borborema, que hoje é responsável por organizar uma das principais trincheiras da agricultura familiar no Brasil.

Dezessete anos depois, o território da agricultura familiar na região alcança 15 municípios. O Pólo da Borborema representa 15 sindicatos de trabalhadores rurais e 150 organizações camponesas. Nos campos são produzidos macaxeira, variedades de feijão, milho, coentro, pimentão. O excedente é escoado para oito feiras agricológicas que, no último ano, renderam mais de R$ 680 mil. Um valor de R$ 264 mil a mais do que 2008.

Cabe aos agricultores selecionarem as sementes nativas da região, planejarem a estocagem da água para a plantação e preparem as bases para uma agricultura de alimentos sem uso algum de agrotóxico. Organizaram também a gestão de recursos coletivos por meio dos chamados fundos rotativos solidários, uma espécie de poupança administrada pelos próprios camponeses. Com isso, hoje não falta dinheiro para manter a infra-estrutura da propriedade, comprar animais de criação e investir em outros bens.

A equipe da Radioagência NP preparou uma série especial de reportagens sobre a organização desses agricultores. Acreditamos ser de interesse dos brasileiros saber que existe no Brasil uma agricultura praticada sem uso de venenos, em pequenas propriedades e valorizando a cultura local. Bom programa para você!


Programas:

Avanço da agricultura familiar
Banco de Sementes: independência do pequeno agricultor
Combate com o agronegócio: a expulsão da Souza Cruz
Soberania alimentar e o papel das mulheres na agricultura
Conhecimento popular e controle da mosca-negra
O que esperar da agricultura familiar no próximo período?

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Neste número:

1. Paraguai bane endossulfam
2. Sementes transgênicas caem no gosto dos gaúchos (com comentários)
3. Grama transgênica é encontrada no estado de Oregon
4. Ministro peruano adverte sobre pressão pelos transgênicos
5. Estudo relaciona bisfenol a redução de espermas em homens

A alternativa agroecológica

Pó de rochas recuperam solos no Sul do país

Evento:

- Congresso "Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente: o direito à informação"

Organizado pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), o encontro terá os objetivos de discutir e combater os problemas que os agrotóxicos causam à saúde do trabalhador, ao consumidor e ao meio ambiente e de criar uma rede nacional de proteção ante os impactos causados pelos agrotóxicos.

Data: 25 e 26 de novembro de 2010.
Local: Auditório Edson Hatem da Fundacentro - Rua Djalma Farias, 126 - Torreão - Recife
Vagas: 150 (abertas ao público).
Inscrições (gratuitas): até as 12h de 18 de novembro, pelo www.esmpu.gov.br
Informações: [email protected]

Maiores informações no site da ESMPU.

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1. Paraguai bane endossulfam

Fica proibida sua utilização em frutas e hortaliças; aplicações terrestres serão gradualmente reduzidas

O Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (SENAVE) suspendeu a emissão de novos registros e a importação de produtos técnicos e formulados à base de endossulfam, em todas suas concentrações.

A medida, estabelecida pela resolução 635/10 de 02 de novembro, proíbe o uso deses produtos em frutas e hortaliças e estabelece sua suspensão gradual em culturas extensivas, no prazo de dois anos.

A partir de agora estão proibidas as aplicações aéreas do produto, ficando seu uso restrito às aplicações terrestres.

O agrônomo Jorge Torres, diretor de Agroquímicos do Senave, destacou que a medida atende a recomendação da Convenção de Rotterdam, e explicou que as empresas terão prazo de 45 dias para apresentar informes sobre estoques e projeções de venda ou uso do produto.

Os produtos que haviam recebido autorizações prévias para importação poderão ingressar no país.

Após o prazo de 2 anos, os produtos à base de endossulfam deverão ser recolhidos, desativados ou destruídos pelo registrante ou importador.

Senave, 04/11/2010.
http://www.senave.gov.py/noticias.php?cd=55

2. Sementes transgênicas caem no gosto dos gaúchos (com comentários)

Depois da eclosão da soja transgênica nas lavouras gaúchas, que hoje é cultivada em quase 100% da área plantada com a oleaginosa no Estado, agora é a vez do milho geneticamente modificado despontar na preferência dos agricultores. Dados da Associação dos Produtores de Sementes do Rio Grande do Sul (Apasul) apontam que a área de milho transgênico saltou de 25% em 2009 para 50% na atual safra, em torno de 500 mil hectares.

A preferência dos produtores pelo uso de transgênicos começou a crescer a partir de 2005, quando o plantio da soja geneticamente modificada foi liberado. Já no caso do milho, as novas tecnologias chegaram há três anos. "Para se ter uma ideia, na época da liberação da soja, havia 15 cultivares disponíveis e hoje são 63", disse o presidente da Apasul, Narciso Barison. [Quantas variedades convencionais de soja estão disponíveis para o RS?]

O número de empresas produtoras de sementes transgênicas também registrou um salto, de quatro produtoras em 2005, para mais de 10 atualmente. Entre as principais vantagens que têm impulsionado os produtores a preferir os transgênicos, está a possibilidade de cultivar sementes tolerantes a herbicidas e resistentes a pragas e doenças. "Também estão em pesquisa variedades tolerantes à seca, com índices mais altos de proteína, óleo e ômega 3", informa Barison, que também preside a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem). [Nenhuma dessas novas variedades vem da transgenia]

Sobre os índices de produtividade, a meta é seguir o exemplo dos Estados Unidos, que prospectam até 2030 alcançar a média por hectare de 400 sacos no milho e de 100 sacos por hectare na soja. "Hoje, a média da soja no Estado chega a 70 sacos por hectare no milho e 42 na soja. Na safra passada era de 50 sacos para o milho e 35 para a soja", disse o dirigente.

Sobre a questão da produção mais sustentável frente aos transgênicos, Barison disse que as empresas têm, cada vez mais, se dedicado ao desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas que demandem apenas uma aplicação de defensivos. "Com a semente transgênica, se usa menos defensivos, conservando melhor as condições ambientais", disse o dirigente. [Depois que a soja RR foi autorizada no Brasil, as vendas de glifosato saltaram de 60 mil para mais de 110 mil toneladas do ingrediente ativo, entre 2004 e 2007, segundo a Anvisa, enquanto, no mesmo período, a área plantada de soja diminuiu cerca de 8%, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).]

Conforme dados da Abrasem, a tendência de aumento na demanda por sementes transgênicas também tem sido verificada no Brasil, especialmente pelo Paraná. No caso do Mato Grosso, ainda prevalece a soja convencional. "Cerca de 50% da área de produção no Brasil é de soja transgênica, em função da disponibilidade de boas variedades, que permitem controle de planta daninha. Além disso, a convencional é mais exigente", disse Barison. [Estudo recente da Embrapa mostrou que produzir soja convencional é mais barato, já que preço da sementes modificada e royalty achatam margem de lucro].

Jornal do Comércio, RS, 10/11/2010.
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=45310

3. Grama transgênica é encontrada no estado de Oregon

Plantas de bentgrass Roundup Ready foram encontradas em Malheur County; contaminação pode ter se originado de campo experimental de 2005

A professora da unversidade Oregon Carol Mallory-Smith confirmou a presença de plantas de transgênicas de bentgrass crescendo em vários quilômetros de canais de irrigação e nas margens das áreas cultivadas entre Ontario e Nyssa.

O alerta foi feito por um morador de Malheur County que descobriu as plantas resistentes ao herbicida Roundup (glifosato) e enviou amostras da planta para a universidade. Os testes confirmaram tratar-se de variedade transgênica.

Mallory-Smith suspeita que as plantas tenham se espalhado de um campo de sementes plantado em 2005 ao longo do rio de Malheur, perto de Parma, Idaho.

A grama transgênica pra campos de golf foi desenvolvida Scotts Co. E sobre ela seria aplicado o herbicida da Monsanto.

Em 2007 a Scotts foi condenada a pagar multa de 500 mil dólares por ter descumprido as regras americanas sobre condução de experimento a campo com plantas transgênicas. A decisão abarcou os experimentos com bentgrass (Agrostis spp.) em Oregon e outros 20 estados.

Um ano depois, um estudo confirmou que o transgene da grama modificada não só foi encontrado fora dos campos experimentais, como continuou a se espalhar durante 3 anos após a interrupção do experimento. Já em 2004, pesquisadores da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) em Corvallis mostraram que o pólen da grama foi disperso a até 21 km na direção do vento, superando muitas das estimativas existentes.

Com informações de Capital Press, 09/11/2010.
http://www.capitalpress.com/oregon/ml-gmo-bentgrass-111210

4. Ministro peruano adverte sobre pressão pelos transgênicos

"Há uma pressão muito forte sobre o Ministério do Meio Ambiente (Minam) para que o país permita o plantio de transgênicos", alertou o titular da pasta Antonio Brack.

Segundo o ministro, a discussão com o Ministério da Agricultura está travada. Ele insiste no projeto de lei que tramita no Congresso, que declara moratória aos transgênicos.

Brack lembrou que a legislação peruana sobre biossegurança foi elaborada antes da criação de seu ministério e que por isso é urgente que se adeque a regulamentação da atividade. "Não somos contra os transgênicos, somos sim a favor de regulamentar nossos recursos genéticos", destacou.

O ministro Brack reafirmou sua posição de privilegiar a proteção e o desenvolvimento dos recursos genéticos do país antes de se promover o uso de organismos geneticamente modificados. O ministro informou que atualmente 55 mil agricultores contam com certificação internacional orgânica.

"O consumo de produtos orgânicos está crescendo de forma acelerada no mundo todo e esse é o nosso futuro". Em nota, comentou que cerca da metade das agroexportações do Peru são de produtos naturais.

Peru21.pe, 02/11/2010.
http://peru21.pe/noticia/662897/brack-advierte-presiones-transgenicos

5. Estudo relaciona bisfenol a redução de espermas em homens

Novo estudo publicado na revista Journal of Fertility and Sterility revela que exposição ao bisfenol A (BPA) reduz qualidade do sêmen e da contagem de espermas

"Comparando-se a homens em que não se detectou BPA na urina, aqueles com BPA detectável tinham risco 3 vezes maior de redução da concentração e da vitalidade de espermas, risco 4 vezes maior de menor contagem de espermas e mais de o dobro do risco de redução da mobilidade do esperma", disse o líder da pesquisa doutor De-Kun Li, epidemiologista perinatal e reprodutivo da Kaiser Permanente's Division of Research in Oakland, Califórnia.

O bisfenol A é um produto químico gerado na produção de plásticos policarbonados e resinas epóxi encontradas em mamadeiras, recepientes plásticos, agrotóxicos, revestimentos de latas de conservas de bebidas e alimentos entre outros.

Embora estudos anteriores tenham mostrado efeitos prejudiciais do BPA no sistema reprodutivo de camundongos e ratos, este é o primeiro a relatar efeitos adversos em humanos, vinculando o BPA à redução da qualidade do sêmen.

Medscape Medical News - Exposure to Bisphenol A Linked to Reduced Semen Quality , 28/10/2010.
http://www.medscape.com/news

Saiba mais sobre o assunto em http://www.nossofuturoroubado.com.br/

A alternativa agroecológica

Pó de rochas recuperam solos no Sul do país

Experiências dos agricultores mostram que esse adubo natural, com cerca de 70 minerais, potencializa a produtividade das lavouras, pomares e pastagens ao mesmo tempo que reduz os custos de produção.

Melhores resultados aparecem quando rochagem é complementada por técnicas que promovem a vida no solo, como adubação verde, orgânica, plantio direto, rotação de culturas e eliminação de herbicidas.

Confira a reportagem publicada pelo Correio Riograndense, de Caxias do Sul, em 13/10/2010: http://pratoslimpos.org.br/?p=1942

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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

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