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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 461 - 02 de outubro de 2009
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A culpa é da buva

O jornal Folha do Estado, do Mato Grosso, publicou no dia 10 de setembro uma matéria sobre os prejuízos que a buva (Conyza canadensis), uma espécie de planta invasora (mato), vem trazendo aos sojicultores.

A buva é uma das oito espécies de mato que comprovadamente já desenvolveram resistência ao herbicida glifosato, usado nas lavouras de soja transgênica.

No sistema soja transgênica + glifosato, este fenômeno sempre foi previsível, certo como o dia depois da noite. Afinal, os coquetéis de herbicidas usados nas lavouras convencionais são todos substituídos pelo glifosato, com o sistema sendo repetido ciclo após ciclo.

Bom, até aí nenhuma novidade.

O curioso na abordagem dada pela Folha do Estado ao problema é a responsabilização do mato pelo problema que já começa a trazer prejuízo aos sojicultores.

Diz a matéria: “O problema se encontra em ervas daninhas que por culpa de um manejo inadequado se tornaram resistentes a este insumo, causando prejuízos aos produtores. A principal culpada é a buva, espécie de planta daninha que interfere na produção da soja e traz preocupações principalmente porque seu controle passou a ser muito difícil especialmente nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, com prejuízos de até 40% da lavoura de soja transgênica.” (grifo nosso).

Mais adiante, aparecem os especialistas explicando o problema: “De acordo com os pesquisadores da Embrapa Soja, atualmente existe na população desta planta daninha biótipos considerados resistentes ao glifosato. ‘Vale lembrar que herbicidas não provocam a resistência, mas sim o uso continuado de um mesmo produto ou de produtos com o mesmo mecanismo de ação ou ainda doses abaixo da indicada’, explica.” (novamente, grifo nosso).

Em sua conclusão, a matéria adverte que “A buva é encontrada tanto em lavouras da soja convencional como transgênicas, e agora também passou a atingir o Brasil Central. ‘Mato Grosso pode ter muita buva em suas lavouras, se começarem a selecionar essa praga terão muitos problemas’, adverte. Para o pesquisador [da Embrapa Soja], esses problemas são causados pelo desequilíbrio que o homem causa no meio ambiente.”

De fato, é bom mesmo que os produtores do Mato do Grosso acordem para o problema e se previnam: fugindo das sementes transgênicas. Caso contrário, terão mais tarde que reclamar com a buva.
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Neste número:

1. Se é Bayer... será bom mesmo? Fiscalização apreende agrotóxicos adulterados

2. Juiz suspende aprovação de beterraba açucareira transgênica nos EUA

3. Setor de orgânicos dos EUA tenta comprovar sua pureza

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Resgate de sementes nativas contribui para biodiversidade e segurança alimentar
Evento:

Seminário Internacional “Segurança Alimentar e Segurança Energética: Estratégias da Expansão da Produção de Alimentos e de Biocombustíveis na Europa e no Brasil”.

O evento será realizado no Rio de Janeiro, na Sede do BNDES (Av. Chile, 100 - Centro), entre 21 e 23 de outubro de 2009.

O Seminário é aberto e a inscrição é gratuita, podendo ser feita até o dia 19/10/2009 através do formulário eletrônico disponível no site do evento (onde também se pode encontrar a programação completa): http://frbr2009seminario.sites.uol.com.br/index.html
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1. Se é Bayer... será bom mesmo? Fiscalização apreende agrotóxicos adulterados

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária interditou, na última sexta-feira (24), 1 milhão de litros de agrotóxicos adulterados, em Belford Roxo (RJ). A fiscalização, realizada pela Agência com apoio da Polícia Federal, ao longo de toda semana passada na empresa Bayer, de origem alemã, identificou a produção de agrotóxicos com formulação adulterada, sem autorização dos órgãos competentes.

No total foram encontradas irregularidades em 12 agrotóxicos. O caso mais grave, identificado pela Agência, foi a importação do ingrediente ativo do agrotóxico Procloraz e a produção do agrotóxico comercial Sportak 450 EC, sem controle obrigatório de impurezas toxicologicamente relevantes. A falta desse controle pode causar câncer nos trabalhadores expostos ao agrotóxico e na população que ingere alimentos contaminados com tais produtos.

A interdição é valida por 90 dias, prazo em que os produtos não poderão ser produzidos nem comercializados. Caso sejam comprovadas as irregularidades, a empresa poderá pagar multa de até R$ 1,5 milhão por irregularidade.

No começo do ano, a Bayer, segunda maior empresa no segmento de agrotóxicos em todo mundo em 2008, teve o registro do agrotóxico Evidence (imidacloprido) cancelado. O produto, usado nas culturas de cana de açúcar e fumo, era produzido com adulteração na fórmula.
Fonte:

Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa, 28/09/2009.
http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2009/280909.htm

2. Juiz suspende aprovação de beterraba açucareira transgênica nos EUA

Em 21 de setembro último, um juiz federal concluiu que o governo estadunidense não avaliou de forma adequada os impactos ambientais da beterraba açucareira transgênica antes de autorizar seu cultivo comercial no país. A decisão poderá levar à proibição do plantio da cultura, que foi amplamente adotada pelos produtores.

O Juiz Jeffrey S. White declarou que o Departamento de Agricultura deveria ter elaborado um relatório de impacto ambiental avaliando as consequências da provável dispersão do pólen transgênico para outras variedades de beterraba açucareira ou de beterraba comum.

A decisão remete a outra decisão judicial proferida há dois anos por outro juiz do mesmo tribunal, sobre alfafa transgênica. Naquele caso, o juiz determinou mais tarde que os agricultores não poderiam mais plantar a alfafa transgênica até que o Departamento de Agricultura elaborasse o relatório de impacto ambiental. Dois anos passados, ainda não existe o tal relatório, e a alfafa, salvo raras exceções, não está sendo plantada.

O Juiz White disse que o pólen das lavouras transgênicas pode se dispersar para plantações não transgênicas. Segundo ele, “a potencial eliminação da possibilidade de escolha dos agricultores por conduzir lavouras não transgênicas, ou dos consumidores por não comer alimentos transgênicos” constitui um efeito significativo no meio ambiente que justifica a necessidade de um relatório de impacto ambiental.

O Juiz White ainda não decidiu qual será a solução jurídica para o novo caso. Esta fase será iniciada em um encontro marcado para o dia 30 de outubro. Mas os autores da ação judicial declararam que irão pressionar para que a beterraba açucareira transgênica seja proibida, argumentando que a decisão do Juiz White efetivamente revogou a aprovação para a cultura e tornou ilegais o seu plantio e os campos experimentais.

“Esperamos o mesmo resultado que tivemos com a alfafa”, disse Andrew Kimbrell, diretor executivo da ONG Center for Food Safety, que esteve envolvida com o caso da alfafa. “A nova decisão irá suspender qualquer plantio e venda futura, pois não se trata mais de uma cultura aprovada”.

Produtores de beterraba açucareira, indústrias processadoras e empresas de sementes como a Monsanto tentaram interceder no caso. O Juiz White não os deixou participar da fase da ação judicial em que se examinou se o Departamento de Agricultura tinha ou não cumprido suas obrigações em relação à legislação ambiental.

Entretanto, espera-se que se permita a estes grupos participar da próxima etapa do caso, envolvendo a definição das soluções judiciais. “Aproveitaremos a oportunidade para advogar pela necessidade da tecnologia e vigorosamente defender a liberdade de nossos produtores para plantar a beterraba açucareira Roundup Ready”, disse Luther Markwart, vice presidente da Associação Americana de Produtores de Beterraba Açucareira.

A beterraba açucareira transgênica, licenciada pela Monsanto, é tolerante à aplicação do herbicida glifosato (Roundup) e foi aprovada nos EUA em 2008. Segundo Duane Grant, um agricultor de Idaho, levantamentos da indústria sugerem que 95% da beterraba açucareira plantada este ano era transgênica.

A beterraba açucareira supre cerca de metade da demanda nacional por açúcar (o resto provém da cana de açúcar). Cerca de 10 mil agricultores produzem cerca de 445 mil hectares da cultura (algo pequeno comparado com outros produtos como soja e milho).
Extraído de:
New York Times, 23/09/2009.
http://www.nytimes.com/2009/09/23/business/23beet.html
Publicado em:
http://pratoslimpos.org.br/?p=392

3. Setor de orgânicos dos EUA tenta comprovar sua pureza

Alarmados de que organismos transgênicos possam estar chegando aos alimentos orgânicos e naturais, um grupo lançou uma campanha para testar os produtos e rotular aqueles que são praticamente isentos de ingredientes biotecnológicos.

Com os agricultores usando sementes modificadas para plantar a maior parte de milho, soja, canola e açúcar da América do Norte, os ingredientes derivados de plantações "biotec" tornaram-se difíceis de evitar pelas companhias alimentícias. Mas muitos fabricantes de alimentos orgânicos e naturais estão convencidos de que sua credibilidade no mercado exige que façam isso.

O grupo setorial, chamado Non-GMO Project, diz que seu novo rótulo se destina a tranquilizar os consumidores e será baseado em testes rigorosos. (...) O projeto tentará garantir o mesmo limite usado na Europa, onde se exige uma menção no rótulo se os produtos contiverem mais de 0,9% de material biotecnológico. (...)

Dag Falck, um dos diretores do projeto, disse que é necessário testar e rotular para proteger a indústria da constante disseminação de ingredientes "biotec". Sua companhia vem testando esses ingredientes há vários anos e está reforçando essas medidas.

"O negócio é que, se temos um problema de contaminação crescente nos orgânicos, o que acontecerá um dia quando alguém testar alguma coisa e descobrir que os orgânicos estão contaminados além de uma quantidade razoável, digamos 5% ou 10%?", ele disse. "Os consumidores perderiam toda a fé nos orgânicos."

O Non-GMO trabalha com empresas para testar seus ingredientes e melhorar processos de fabricação. Ele também vai testar produtos aleatoriamente nas lojas. (...)
Fonte:

Folha de São Paulo, 21/09/2009.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny2109200912.htm (para assinantes)

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Resgate de sementes nativas contribui para biodiversidade e segurança alimentar

Os Bancos de Sementes de Mampituba e Novo Hamburgo foram expostos no Caminhos da Integração, espaço que reuniu a Emater/RS-Ascar, a Fepagro e a UFRGS, na quadra 37 da Expointer. Raízes, sementes e mudas de espécies antigas, que foram recuperadas e catalogadas, puderam ser conhecidas pelos visitantes. Estes projetos fazem parte das Frentes Programáticas Alimentos para Todos e Responsabilidade Ambiental, desenvolvidas pela Emater/RS-Ascar em consonância com os Programas Estruturantes do Governo do Estado.

"Percebemos que alguns agricultores costumavam trocar as sementes de plantas raras entre si e que poderíamos recuperar espécies nativas em extinção com a difusão dessa prática", diz Sérgio Francisco Barcheti, da Emater/RS-Ascar de Mampituba. A partir da integração entre a Instituição e 10 clubes de mães, formou-se o Banco de Sementes, uma forma organizada de câmbio. "Algumas espécies, como a pipoca vermelha, eram produzidas somente por um agricultor. Distribuindo grãos desta espécie, contribuímos para a ampliação de seu cultivo e contribuímos para a manutenção da biodiversidade". As sementes são distribuídas entre os agricultores pela Emater/RS-Ascar. Quando as plantas se desenvolvem, os produtores devolvem o dobro da quantidade que levaram ao banco, ficando disponível para futuras trocas.

Além do aspecto ecológico, o Banco de Sementes contribui para a nutrição da família rural, por possuir espécies diversificadas que pertencem a três classes alimentares. "Os feijões são alimentos protéicos, as espécies de arroz, milho e batata são energéticos e os olerícolas, vitamínicos", lembra Barchetti. Segundo dados da Secretaria da Agricultura de Mampituba, aliado ao saneamento básico, o projeto reduziu em 75% a procura em postos de saúde desde que foi implantado e fez com que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município subisse 32 posições no ranking estadual.

Devido a sua contribuição social, o Banco de Sementes é nacionalmente conhecido e já foi divulgado na Conferência Internacional de Segurança Alimentar de Fortaleza. O projeto recebeu, em 2005, um prêmio no valor de 20 mil reais do Ministério do Desenvolvimento Agrário, investido na construção de 279 hortas no município. Atualmente, há o concurso anual de hortas, em que as agricultoras participantes do Banco de Sementes exibem as espécies que cultivam. O dia da premiação é também o Dia do Câmbio, em que as participantes trocam sementes no evento.

Este projeto é direcionado à agricultura de subsistência, já que as espécies não são cultivadas em uma escala que atenda a demanda comercial. Porém, as participantes fazem doações da produção a escolas, creches e pessoas necessitadas. "É muito comum essa intervenção nas escolas, quando as mães doam produtos para a merenda escolar, contribuindo na qualidade da nutrição dos estudantes", observa Barchetti.

Em Novo Hamburgo, uma experiência semelhante é realizada desde o final de 2007. Como trabalho de conclusão de curso de graduação em Nutrição, a extensionista da Emater/RS-Ascar, Leonice Kreutz, iniciou um trabalho de resgate de feijões crioulos, com grupos de mulheres de seu município. O Banco de Feijões de Novo Hamburgo reúne clubes de mães, que trocam sementes e receitas, utilizando as 97 espécies recuperadas.

Adaptado de nota à imprensa da Emater-RS de 02/09/2009.
http://www.linearclipping.com.br/CONAB/m_stca_detalhe_noticia.asp?cd_sistema=26&cd_noticia=858498

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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

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