###########################
POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Número 453 - 07 de agosto de 2009

[email protected] Amig@s,

Uma a uma, vão caindo por terra as promessas em relação aos transgênicos. Estudo detalhado dos 13 anos de uso comercial das sementes modificadas nos Estados Unidos permitiu a conclusão de que os transgênicos fizeram pouco para aumentar a produtividade das culturas. A ONG Union of Concerned Scientists conclui que, no caso da soja, não houve aumento de produtividade resultante da adoção da variedade modificada. No caso do milho, a produção subiu marginalmente, mas em função de ganhos operacionais por redução de perdas, e não ganhos resultantes da modificação genética.

Na presença de elevadas infestações de lagarta do colmo, o milho inseticida Bt pode obter vantagem no rendimento operacional entre 7 e 12% em relação ao convencional tratado com inseticida químico. No entanto, esta potencial vantagem desaparece quando a presença da lagarta na lavoura é baixa ou moderada, mesmo comparando-se ao milho convencional sem tratamento com inseticidas. Deve-se lembrar aqui que o ataque mais severo dessas lagartas ocorre nos EUA uma vez a cada intervalo de 5 a 8 anos.

Na avaliação média da contribuição para o aumento de produtividade das diferentes sementes Bt no mercado desde 1996, a resultado é de 0,2 a 0,3% ao ano. E esta avaliação parte de dados concretos, que muito se distanciam da propaganda dos que prometem que "Em 20 anos, com os trnasgênicos, a produtividade do milho vai dobrar, mesmo em condições iguais ou piores que as de hoje".

A conclusão é que, a despeito da propaganda, não existe hoje transgênico que aumente a produtividade intrínseca de uma cultura. E para as novidades que as empresas anunciam, resultantes da introdução de vários genes ou de genes que alteram outras funções das plantas, a atenção do ponto de vista da biossegurança deve ser redobrada. Como os resultados dessas modificações podem não ser identificados nos testes feitos atualmente (quando estes são feitos), a regulamentação deve ser aperfeiçoada para que se possa descobrir e prevenir efeitos indesejáveis.

Não menos importante para os procedimentos de avaliação de transgênicos é incluir o quesito da comparação com outras abordagens técnicas. Aqui, a superioridade da agroecologia seria claramente evidenciada -- inclusive, já tem sido amplamente demonstrado o seu potencial para produzir mais, gastando menos.

O estudo, intitulado Failure to Yield, está disponível em inglês no endereço
http://www.ucsusa.org/food_and_agriculture/science_and_impacts/science/failure-to-yield.html

*****************************************************************

Neste número:
1. Agente laranja ligado a Parkinson e doença cardíaca
2. Galinhas espertas não comem milho transgênico
3. Ajuda alimentar, desde que o ajudado invista em transgênicos
4. Estudo de Impacto Ambiental do Porto da Cargill em Santarém está incompleto

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Produção agroecológica para programas sociais

Dica de fonte de informação:

Como montar e gerir uma rádio comunitária

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, através da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação, acaba de publicar a cartilha “Para fazer Rádio Comunitária com ‘C’ maiúsculo”,
que está disponível em formato PDF no endereço:
http://webresearch.files.wordpress.com/2009/07/cartilha.pdf

*****************************************************************

1. Agente laranja ligado a Parkinson e doença cardíaca

Segundo disseram assessores de saúde do governo americano em 24/07, o Agente Laranja, agrotóxico usado pelo exército americano na guerra do Vietnam com desfolhante, pode aumentar o risco de doença cardíaca e mal de Parkinson.

As descobertas, que ainda não consideradas definitivas pelo Instituto de Medicina dos EUA, são acrescentadas a uma lista de problemas que podem estar ligados ao herbicida, incluindo leucemia, câncer de próstata, diabetes tipo 2 e defeitos congênitos nos filhos de veteranos de guerra expostos ao químico.

O Agente Laranja era uma combinação dos agroquímicos 2,4-D e 2,4,5-T.

Entre 1962 e 1971, cerca de 75 milhões de litros do produto foram despejados sobre as densas florestas do Vietnam para facilitar os bombardeios. Há anos veteranos expostos aos químicos têm reclamado de uma série de problemas, e no fim dos anos 1970 o governo americano começou a investigá-los. Cada nova descoberta deixa os veteranos mais perto de conseguir pagamento governamental para o tratamento de suas doenças.

Em março último a Suprema Corte dos EUA negou às vitimas do Agente Laranja, tanto americanas como vietnamitas, as demandas de ações judiciais contra a Monsanto e a Dow, entre outros fabricantes.

Em 1984, sete empresas químicas, incluindo a Monsanto e a Dow, concordaram em pagar 180 milhões de dólares aos veteranos.

Fonte:
Reuters, 24/07/2009.
http://www.nytimes.com/reuters/2009/07/24/news/news-us-agentorange-veterans.html

--
Está disponível na internet um abaixo-assinado pedindo justiça para as vítimas do Agente Laranja.

O documento reproduz o depoimento de Nguyen Duc feito em novembro de 2006 a um jornalista americano. Duc e seu irmão Viet, ambos vítimas do Agente Laranja, nasceram grudados em 1981.

“Acho irônico que de um lado vocês condenem Saddam Hussein pelo uso de armas biológicas, mas em outro país onde vocês despejaram químicos de guerra, negligenciem sua responsabilidade. Os Estados Unidos precisam admitir sua responsabilidade e compensar as vítimas do Agente Laranja no Vietnam. É sua obrigação moral. Mais cedo ou mais tarde, isto precisa ser feito”, disse Duc.

Você também pode assinar a petição, redigida em inglês e dirigida ao Presidente Obama e aos membros do Congresso americano, no endereço:
http://www.petitiononline.com/Monsanto/

CTNBio pode aprovar “soja laranja”

Conforme relatamos nos boletins 442 e 444, a CTNBio já autorizou experimentos em capo com variedades de soja e milho tolerantes à aplicação do herbicida 2,4-D (comercializado aqui sob o nome fantasia Tordon), um dos dois componentes do Agente Laranja.

O 2,4-D está sendo cada vez mais usado no Brasil para compensar a perda de eficácia de outro herbicida, o glifosato, nas lavouras de soja transgênica RR. Esta perda de eficácia já era prevista, e é decorrente do uso continuado de um mesmo produto em sucessivos ciclos agrícolas. Ocorre que o 2,4-D é considerado muito mais tóxico que o já perigoso glifosato, de modo que esta substituição constitui uma verdadeira desgraça, tanto para os agricultores que estarão expostos ao veneno, como para os consumidores que irão ingerir doses cada vez mais altas de resíduos.

Como já dissemos, há grandes chances de a CTNBio posteriormente autorizar o cultivo comercial dessas “lavouras laranjas”. Afinal, como se diz lá dentro, “para que liberar os testes de campo se não vamos liberar a comercialização depois”?

A questão é séria e motivo de muita preocupação.

2. Galinhas espertas não comem milho transgênico

Artigo publicado no jornal The Sunday Independent, da África do Sul, relata que galinhas tipo caipira local se recusam a comer milho transgênico. E o irônico é que o caso se passa com a família Oppenheimer, uma das ou talvez a mais rica da África do Sul, graças à exploração de minas de ouro.

O caseiro procurou o patrão informando que as galinhas se recusavam a comer o milho comprado de um grande fornecedor local. O patrão enviou o milho para a Universidade Free State (na África do Sul) para testar se era transgênico e imediatamente decidiu trocar a ração das galinhas por hortaliças orgânicas, suspendendo o consumo familiar de carne e ovos. O teste confirmou a suspeita, indicando que o milho era transgênico tipo Bt + Roundup Ready.

O patrão concluiu que as suas galinhas são espertas!

Por Ângela Cordeiro.
Fonte:
Sunday Independent, 02/08/2009.
http://www.int.iol.co.za/index.php?set_id=1&click_id=143&art_id=vn20090802102554511C805624

3. Ajuda alimentar, desde que o ajudado invista em transgênicos

Tramita no Congresso americano um projeto de lei -- chamado PL da Segurança Alimentar Global -- que poderá autorizar a destinação de 7,75 bilhões de dólares para programas de assistência em agricultura e desenvolvimento rural em países em desenvolvimento, por cinco anos.

Há, entretanto, uma condição: os países a receberem ajuda deverão, obrigatoriamente, promover pesquisas empregando transgênicos.

Para Karen Stillerman, analista sênior da ONG Union of Concerned Scientists, “Embora o espírito global do PL seja admirável, ele deveria ser neutro do ponto de vista tecnológico e permitir que os países em desenvolvimento escolham os tipos de pesquisa que eles acreditem melhor atender suas necessidades”.

Fonte:
Union of Concernde Scientists – FEED – junhho de 209.
http://www.ucsusa.org/food_and_agriculture/feed/feed-june-2009.html#4

4. Estudo de Impacto Ambiental do Porto da Cargill em Santarém está incompleto

Dez meses após ter sido apresentado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema), o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) referente ao Porto Graneleiro da Cargill em Santarém foi devolvido para complementações. De acordo com o Departamento de Controle e Qualidade Ambiental, a secretaria não consegue dar um parecer conclusivo porque faltam informações.

Na avaliação da SEMA, a área de influência delimitada pelo EIA está incompleta e limita a identificação dos impactos e das medidas de mitigação. Essa área precisa ser redimensionada para incluir tanto os municípios cuja produção de soja é escoada pelo porto, quanto aqueles que, embora não usem o porto, sofrem influência da malha viária de escoamento do produto. O pedido de complementação prevê ainda que a discussão deva considerar o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) do oeste do Pará, aprovado por lei em janeiro desse ano.

O prazo para entrega dos EIA com as modificações vence em novembro. Após análise e publicação, as audiências públicas serão agendadas conforme previsto em lei. “Embora o porto funcione normalmente, a discussão sobre os impactos e o passivo relacionados ao empreendimento está parada. Essa discussão é importante porque a mobilização social em torno do tema da soja e do porto é um marco para Santarém. As comunidades aguardam essa discussão e querem participar”, disse Raquel Carvalho da Campanha da Amazônia do Greenpeace. (...)

A Cargill, uma das principais empresas comercializadoras de grão e com sede nos EUA, construiu e colocou em operação um terminal graneleiro no rio Tapajós sem elaborar estudos de impacto ambiental, obrigatórios a qualquer atividade econômica de maior envergadura.

Fonte:
Greenpeace Brasil, 24/07/2009.
http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/estudo-de-impacto-ambiental-do#

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura

Produção agroecológica para programas sociais

Jeremias vive como agricultor na comunidade de Juazeiro Grande, em Mirandiba-PE. Na estação chuvosa, trabalha na roça plantando milho e feijão. Durante a estiagem, Jeremias é pedreiro e trabalha como construtor de cisternas de placa.

Geralmente, trabalha em sua roça com recursos próprios, mas em 2006 foi estimulado pela assistência técnica oficial a tomar um empréstimo para o plantio de sorgo. O que apurou não deu para pagar o banco e ainda ficou devendo 500,00 reais.

Como alternativa de comercialização, Jereminas passou o ano todo colhendo diversas frutas como umbu, caju, mamão e abacaxi para a produção de polpa congelada na fábrica comunitária de Mirandiba, que tem convênio firmado com a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Com essa atividade conseguiu apurar mais de 1.300,00 reais. Ele conta que a produção de polpa e a comercialização pela Conab foi o melhor investimento do ano de 2006. Pagou sua dívida e ainda sobrou dinheiro para investir na propriedade.

Fonte: Agroecologia em Rede.
http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=595

**********************************************************
Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

Para os números anteriores do Boletim, clique em: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/

Participe! Indique este Boletim para um amigo e nos envie suas sugestões de notícias, eventos e fontes de informação.

Para receber semanalmente o Boletim, escreva para [email protected]

AS-PTA: Tel.: (21) 2253-8317 :: Fax (21) 2233 8363
******************************************************

Banco Central   Associe-se  

Rodapé