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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 417 - 31 de outubro de 2008

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Um dos argumentos mais comumente utilizados em defesa da segurança dos alimentos transgênicos é o de que a insulina utilizada no tratamento dos diabéticos há muitos anos é transgênica e não apresenta riscos. O mesmo dizem das vacinas que aplicamos em nossos bebês -- ressaltando que em nenhum momento somos alertados sobre o fato de estes produtos terem sido fabricados através da modificação genética.

Entretanto, são numerosos os relatos sobre efeitos colaterais da insulina "humana" transgênica.

Um exemplo é um artigo publicado no South Gippsland Sentinel Times, da Austrália, em setembro deste ano, dando conta de terríveis efeitos vivenciados por um usuário da insulina transgênica.

O autor relata que usando a insulina transgênica seu controle de açúcar no sangue era deficiente. Os resultados de seus testes eram irregulares e normalmente diferentes do esperado.

Após descobrir que usava insulina transgênica e que a insulina animal natural ainda existia no mercado, decidiu mudar. Como resultado, seu controle do açúcar no sangue melhorou imediatamente e substancialmente. O mais surpreendente foi que sua necessidade diária de insulina diminuiu em 15-20%, sem que tivesse havido qualquer mudança em sua dieta, nos exercícios praticados ou na rotina de aplicação das injeções.

O autor diz ter percebido que, olhando para trás, deu-se conta de que foi logo após ter começado o tratamento com a insulina transgênica que ele desenvolveu a doença de Crohn -- uma doença inflamatória intestinal cujas complicações incluem artrite, inflamações oculares e erupções de pele. No entanto, após retomar o uso da insulina natural, sua doença de Crohn tem regredido sem o uso de medicamentos.

Mas o problema relatado com mais freqüência, e relatado também pelo autor do artigo no South Gippsland Sentinel, é perda dos sintomas alertando o estado de hipoglicemia, o que pode levar ao coma e à morte em alguns casos. Segundo o autor, também estes sintomas voltaram a se manifestar normalmente quando voltou a usar a insulina animal.

Os outros efeitos colaterais relatados incluíram cansaço extremo, ganho de peso, mal estar freqüente, perda de memória e confusão mental, irregularidade dos açúcares no sangue, sono constante, mudanças de humor e dores nas juntas.

Quinze dias após a publicação deste artigo, um leitor também australiano publicou uma resposta, que começa com os dizeres: "Ao autor do artigo 'Os efeitos colaterais da insulina transgênica', não há como agradecê-lo o suficiente por suas informações".

O leitor diz ser diabético tipo 1 desde pequeno e, após ter usado na infância insulina suína e bovina, foi durante os últimos 20 anos usuário da insulina transgênica, que ele acreditava ser o melhor tratamento disponível.

"Desde que li seu artigo e então comecei a pesquisar sobre o assunto na internet, estou chocado com o repentino despertar para o fato de que sofri durante os últimos 20 anos de um conjunto de sintomas bizarros e não diagnosticados e provavelmente desnecessários. Li, em um fórum sobre diabetes, página após página de experiências de outras pessoas que usaram insulina transgênica. Meus problemas são similares, se não idênticos, aos de sua lista de efeitos colaterais", continua a carta.

O leitor relata que nos piores momentos sua confusão mental era tão grande que disseram a ele que provavelmente tinha um tumor cerebral. Mas todos os especialistas e exames não deram respostas. Recebeu uma variedade de explicações vagas, tendo até sido sugerido que ele poderia ter epilepsia, mas ninguém sugeriu que a insulina transgênica poderia ser um problema para ele.

Entre os problemas que teve, ele relata fadiga crônica, fibromialgia, severa perda de memória, cansaço, letargia, enxaquecas, variações de humor, depressão, suores noturnos, febres, desmaios, inchaço facial, indisposição matinal, dores no corpo e nas juntas... "eu já havia sucumbido ao fato de que esta era simplesmente a minha sina", relata ele.

Este leitor também contou que seus sintomas de hipoglicemia haviam sido substituídos por náusea, o que dava a impressão de que seu nível de açúcar no sangue estava alto quando na verdade estava baixo.

"Após ler seu artigo e então pesquisar sobre suas queixas", continua o leitor, "eu esperançosamente decidi voltar a usar a insulina bovina... Em apenas 12 horas de uso eu fiquei mais ágil, dormi em uma nuvem pela primeira vez em 20 anos, e minhas dores no corpo começaram lentamente a diminuir. Meu inchaço facial que me impedia de sair de casa e o edema em minhas pernas foram embora. Minhas questões neurológicas continuam comigo. Espero que com o tempo passem, mas quem sabe que danos permanentes restarão? Sinto agora pelos meus 20 anos perdidos, que poderiam ter sido tão melhores para mim e para a minha família".

O autor conclui dramaticamente dizendo crer que sua geração de dependentes de insulina foi usada como cobaia enquanto as indústrias farmacêuticas rolaram em dinheiro e gozaram de boa saúde.

O site da organização Insulin Dependent Diabetes Trust (IDDT) informa que nenhum estudo de larga escala e de longo prazo foi feito comparando insulina "humana" transgênica com insulina animal natural. As pesquisas realizadas até hoje foram grosso modo feitas em condições de laboratório e/ou usando pequeno número de pessoas.

Segundo a organização, a primeira pesquisa sobre insulina "humana" transgênica, feita em 1980 pelo professor Harry Keen, envolveu 17 homens saudáveis e não-diabéticos e, em 1982, a insulina "humana" recebeu a aprovação para uso geral. Este é um prazo incrivelmente curto para a aprovação de uma nova droga, especialmente considerando que a insulina "humana" transgênica foi o primeiro medicamento geneticamente modificado a ser usado em pessoas.

Quando de sua criação, em 1994, o IDDT enviou questionários a todos os que contataram a organização e analisou as 100 primeiras respostas (os questionários recebidos subsequentemente foram todos muitos similares aos 100 primeiros).

As informações recebidas deste primeiro grupo foram as seguintes:

A análise mostrou que em média os efeitos adversos não apareceram antes de 13 meses após o início do tratamento com a insulina "humana" transgênica:

- 41% - perda de sintomas de hipoglicemia
- 34% - extremo cansaço ou letargia
- 9% - sono o tempo inteiro
- 32% - ganho de peso de 9,5 kg ou mais
- 28% - mal estar o tempo todo
- 24% - perda de memória ou confusão mental
- 9% - níveis de glicose no sangue caindo e subindo erraticamente
- 8% - descritos por suas famílias como "não mais a mesma pessoa"
- 5% - mudanças de humor, descritos como de difícil convivência
- 7% - dores, especialmente nas pernas e juntas

Declarações que também apareceram com freqüência nos questionários foram: "eu não sabia que existia insulina animal", "eu nunca soube que havia outras alternativas" e "eu nunca tinha me dado conta de que a insulina 'humana' não era derivada de humanos".

Para os interessados, há muito o que pesquisar sobre este tema na internet. Mais uma vez é impressionante constatar as nefastas práticas da indústria biotecnólogica e a terrível irresponsabilidade dos órgãos regulamentadores -- a primeira forçando a entrada no mercado de produtos novos, pouco avaliados e cujos efeitos colaterais são verdadeiras incógnitas, e os segundos permitindo que enormes contingentes de pessoas sejam expostos a riscos e mazelas desnecessárias, sequer oferecendo à população a graça da informação.

Pensar nos possíveis riscos das vacinas transgênicas atualmente aplicadas em larga escala em bebês (inclusive recém-nascidos) é aterrorizante. A depender dos órgãos regulamentadores -- que seguem rigorosamente o Princípio da Proteção das Indústrias -- saberemos dos eventuais problemas depois que forem constatados nas vítimas.

Com informações de:

- GM insulin's side effects / Gippsland Sentinel Times, Austrália, 02/09/2008.
- Life-changing insulin switch/ Gippsland Sentinel Times, Austrália, 16/09/2008.
http://www.organicconsumers.org/articles/article_15105.cfm

- Insulin Dependent Diabetes Trust
http://www.iddtinternational.org/gmvsanimalinsulin/index.htm

Mais informações:

- The Bellagio report on GM insulin (1996)
http://www.diabeteshealth.com/read/1996/07/01/645.html

- The Myth of Human Insulin, by Gisela Sonnenburg
Die Welt, 03/03/2006.
http://www.iddtinternational.org/newsletters/newsletterapril2006.htm

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Neste número:

1. Solae busca mais soja convencional no RS
2. Ministro de agricultura peruano quer país "longe dos transgênicos"
3. Paquistão quer subsidiar sementes da Monsanto
4. Escolas paranaenses poderão ter merenda exclusivamente orgânica

Soluções inteligentes que não dependem de tecnologias mirabolantes e arriscadas

Nova York, pioneira na proteção da água

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1. Solae busca mais soja convencional no RS
A Solae, fabricante de ingredientes de soja para a indústria alimentícia, fará uma nova tentativa para ampliar a aquisição de grãos não-transgênicos certificados no Rio Grande do Sul. Nesta última safra o Estado forneceu 15% da matéria-prima processada na planta da empresa em Esteio e enviada para as unidades da empresa na França e na Dinamarca, mas para o próximo ciclo a intenção é aumentar o volume em três vezes, afirmou ontem o gerente regional de suprimentos, Christiano Wide.

Desde 2006, a Solae, uma joint venture entre a DuPont e a Bunge, vem tentando aumentar as compras no Rio Grande do Sul para reduzir os custos logísticos e tributários com a alíquota interestadual de ICMS nas aquisições feitas no Paraná, seu principal fornecedor. Desta vez, porém, a empresa pode garantir mais estabilidade para os agricultores, pois desde maio está processando apenas soja não-transgênica, explicou Wide. Há dois anos, a unidade de Esteio consumia 200 mil toneladas anuais do grão, sendo 30% geneticamente modificados, e 10% da matéria-prima não-transgênica era comprada no Estado.

O gerente não revelou os volumes adquiridos atualmente pela Solae. De acordo com ele, a empresa mantém um prêmio de 5% a 10% no preço do produto em relação à soja transgênica, que domina entre 97% e 99% das lavouras gaúchas, além de garantir a compra de 100% da safra dos fornecedores. Segundo Wide, 40% dos grãos adquiridos no Brasil são processados em Esteio e 60% vão para as duas fábricas européias. Além disso, cerca de 70% dos produtos finais da planta gaúcha são destinados ao mercado externo.

Fonte:
Valor Econômico, 29/10/2008.

2. Ministro de agricultura peruano quer país "longe dos transgênicos"
O Ministério de Agricultura do Peru avaliará nos próximos dias as vantagens e desvantagens de autorizar no país o ingresso de organismos geneticamente modificados (OGMs) ou sementes transgênicas, informou em 15/10 seu novo titular, Carlos Leyton.

Leyton destacou que se o Peru quiser sustentar sua posição em prol do ecodesenvolvimento, precisa manter-se o mais longe possível dos transgênicos para não contaminar o país. Entretanto, declarou que "a mudança de ministro não significa se que abrirão as portas aos transgênicos ou vice-versa, pois acredito que esta decisão é de caráter nacional e não só de um ministério".

Cabe lembrar que para o ex-titular do setor, Ismael Benavides, os transgênicos representavam a solução para minimizar a crise de alimentos. De sua parte, o ministro do Meio Ambiente, Antonio Brack, busca que o governo declare o Peru um país livre de transgênicos para garantir a preservação dos recursos genéticos nativos.

Fonte:
Diario La República, Lima-Peru, 16/10/2008.
http://www.larepublica.com.pe/content/view/250242/484/

3. Paquistão quer subsidiar sementes da Monsanto
O governo paquistanês está considerando uma proposta da Monsanto para revender as sementes de algodão transgênico Bt da empresa aos agricultores, pagando um subsídio de US$ 247 milhões anuais.

Durante os próximos 10 anos de transferência de tecnologia, as empresas locais de sementes embolsariam US$ 1,2 bilhão e o governo federal pagaria a conta em nome de subsídio de sementes à empresa, declarou um funcionário sênior do Ministério de Alimentos, Agricultura e Pecuária.

Um agricultor do distrito de Multan disse crer que alguns funcionários de alto nível do governo estão sendo "premiados" por este contrato lucrativo.

Fonte:
The News, 23/10/2008.
http://www.thenews.com.pk/daily_detail.asp?id=142524

4. Escolas paranaenses poderão ter merenda exclusivamente orgânica
A preocupação com a saúde das crianças e adolescentes e a necessidade de prevenir doenças decorrentes da presença de agrotóxicos nos alimentos levaram os deputados estaduais paranaenses Luiz Eduardo Cheida (PMDB), Luciana Rafagnin e Elton Welter (PT) a apresentarem na Assembléia Legislativa um projeto de lei que institui a merenda escolar orgânica nas escolas públicas do estado. De acordo com o projeto, o governo paranaense poderá implantar de forma gradativa a lei e, com isso, estabelecer um cronograma para que, no futuro, a merenda escolar da rede pública estadual seja exclusivamente orgânica, composta por alimentos livres de agrotóxicos ao longo de toda a cadeia produtiva. A medida irá beneficiar diretamente meio milhão de pessoas nas 2.110 escolas estaduais existentes no Paraná.

Segundo estudos do Centro de Epidemiologia (CEPI) da Secretaria de Estado da Saúde (SESA-PR), os agrotóxicos representam a segunda causa de intoxicação humana no Paraná, seja pelo manuseio de agroquímicos no trabalho, nas lavouras, de forma acidental ou pela ingestão de alimentos contaminados.

No Paraná, existem aproximadamente 5.300 produtores de alimentos orgânicos e o estado tem um histórico de aumento dessa produção, que é hoje estimada pelo Deral/SEAB em 107.230 toneladas. Os parlamentares autores da proposta prevêem um acréscimo de 75% na produção de orgânicos nos próximos oito anos e que mesmo sendo estes produtos diferenciados mais valorizados no mercado de alimentos, a tendência é de equilíbrio nos preços. Eles acreditam que implantando de forma escalonada a exclusividade da merenda orgânica nas escolas estaduais o governo paranaense estará investindo na qualidade de vida da sua gente, na saúde das futuras gerações e na proteção dos ecossistemas e recursos naturais do estado. Uma vez aprovada na Assembléia e sancionada pelo governador, o Poder Executivo terá seis meses para regulamentar essa lei.

Fonte:
Boletim da Deputada Estadual Luciana Rafagnin (PT-PR), 29/10/2008.

Soluções inteligentes que não dependem de tecnologias mirabolantes e arriscadas

Nova York, pioneira na proteção da água

Em 1997, um alerta sobre a poluição da água levou as autoridades nova-iorquinas a fazer uma experiência audaciosa. Em vez de apelar para a tecnologia e construir uma nova usina de filtragem, o município investiu no seu "capital natural", saneando as bacias hidrográficas. A iniciativa permitiu economizar bilhões de dólares e criou um precedente mundial.

As bacias hidrográficas de Catskill-Delaware fornecem água para 10 milhões de consumidores. A região montanhosa e cheia de belezas naturais esconde uma complexa engenharia que bombeia todos os dias 6,8 bilhões de litros de água purificada, que suprem 90% das necessidades dos nova-iorquinos.

Durante dezenas de anos os cidadãos contaram com as florestas dessas bacias hidrográficas de 5 mil km2 para purificar a água -- um produto de qualidade excepcional, premiado inúmeras vezes e comercializado em garrafas.

Mas o estado das bacias foi sendo degradado por anos de espraiamento urbano e pelas águas sujas provenientes de casas de veraneio, fazendas e campos de golfe. No fim dos anos 1980, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e o Congresso decidiram reagir diante dos perigos que ameaçavam as reservas de água. Em 1991, a EPA ordenou à cidade de Nova York que construísse uma usina de filtragem, caso não conseguisse preservar a qualidade por outros meios. Diante dos custos extraordinários de tal investimento -- até 8 bilhões de dólares iniciais e cerca de 300 milhões de dólares anuais --, a câmara municipal optou por outra estratégia.

De 1997 em diante, a cidade gastou quase 2 bilhões de dólares em estratégias inovadoras como a aquisição de terras em torno das reservas para preservar as florestas e zonas úmidas, que constituem uma proteção contra a poluição; a concessão de crédito aos fazendeiros locais para conservar as florestas ao longo dos cursos d'água; e o fornecimento de suporte técnico e de infra-estrutura aos agricultores e madeireiros para não poluírem a água.

A iniciativa foi recebida com ira pelos construtores da região, mas o seu sucesso é considerado uma tripla vitória: os cidadãos urbanos dispõem de água pura a menor custo, os proprietários rurais vêem-se retribuídos por sua boa gestão das terras e os moradores e turistas desfrutam paisagens espetaculares, salvas do desenvolvimento urbano descontrolado.

O projeto já começa a ser copiado em outros lugares: Costa Rica, Equador e algumas regiões do México já desenvolvem iniciativas semelhantes à de Nova York. Também o governo do estado de São Paulo e o Comitê de Bacias Hidrográficas já iniciaram projetos-piloto para remunerar proprietários de terras que mantenham suas florestas e recuperem a mata ciliar em alguns municípios do Sistema Cantareira, que abastece quase 9 milhões de pessoas.

Adaptado de:
Nova York, pioneira na proteção da água. in: Atlas do Meio Ambiente - Le Monde Diplomatique Brasil. p.80-81. Instituto Pólis, 2008. 92 p.

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