[Rede de Agricultura Sustentável]

 

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 273 - 07 de outubro de 2005

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Os óleos Soya e Liza são feitos com soja transgênica e não estão rotulados. Essa foi a denúncia feita ontem em Brasília pelo Greenpeace. Os ativistas entregaram um dossiê ao governo e a parlamentares comprovando a utilização de soja transgênica nas fábricas da Bunge e da Cargill. Agora a entidade exige que os produtos dessas empresas sejam retirados do mercado e que as normas de rotulagem para produtos transgênicos sejam cumpridas.

Cerca de 20 ativistas representando os consumidores brasileiros desceram a rampa do Congresso empurrando 20 carrinhos de supermercado cheios de latas de óleos Soya, da Bunge, e Liza, da Cargill. Na seqüência, o Greenpeace entregou um dossiê de denúncia e uma carta ao Ministério da Justiça e aos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e João Alfredo (PSOL-CE), da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, reivindicando o cumprimento da rotulagem dos produtos fabricados com matéria-prima transgênica. O dossiê traz amostras de soja, documentos e um vídeo com declarações de caminhoneiros e imagens da realização de testes. As evidências entregues ao governo comprovam que a soja transgênica está sendo usada pela Bunge e pela Cargill na fabricação de diversos produtos, como os óleos Soya, Liza, Primor e Olívia, em flagrante desrespeito à legislação e aos consumidores brasileiros.

“Essa denúncia do Greenpeace é muito séria e procedente, uma vez que o Brasil está respondendo de forma inadequada à Lei de Rotulagem. Todo o mundo diz que é a favor, mas ninguém se mexe para fazer a fiscalização”, afirmou o deputado Fernando Gabeira. “As duas multinacionais usam matéria-prima transgênica, mas os brasileiros não ficam sabendo porque nem a empresa nem o governo estão cumprindo as leis que garantem a informação ao consumidor”, disse Gabriela Couto, do Greenpeace.

O dossiê também foi encaminhado aos ministérios de Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura. O Ministério Público Federal e as Comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Agricultura da Câmara dos Deputados e a Associação Nacional de PROCONs receberam cópias do dossiê com as denúncias.

 “O Greenpeace demanda que os órgãos governamentais cumpram suas obrigações e a lei. É fundamental que o consumidor seja informado sobre o que está comprando para poder exercer o seu direito de escolha. Isso está garantido pelo Código de Defesa do Consumidor e precisa ser respeitado”, declarou Gabriela. “Quanto aos óleos Soya e Liza, que são transgênicos mas estão sendo vendidos sem o devido rótulo, o Greenpeace exige que sejam retirados das prateleiras dos supermercados, já que estão em situação ilegal”.

Testes
Em julho de 2005, o Greenpeace testou a soja de diversos caminhões que era entregue às indústrias. O resultado foi positivo em todas as fábricas investigadas, com exceção da unidade da Bunge em Campo Grande/MS, que fabrica produtos para exportação e é certificada pela empresa SGS. As demais amostras, que apontaram a presença de transgênicos, foram coletadas nas fábricas da Bunge em Ourinhos/SP e Dourados/MS, e na fábrica da Cargil em Três Lagoas/MS.

“A Bunge tem lugar que aceita e tem lugar que não aceita transgênicos. Em Campo Grande, não aceita transgênicos. Tem que ir pra Dourados”, confirmou E.S.J., caminhoneiro que estava descarregando soja transgênica na unidade da Bunge em Ourinhos/SP.

De acordo com o Decreto de Rotulagem 4.680/03, em vigor desde abril de 2004, todos os produtos fabricados com mais de 1% de transgênicos devem trazer essa informação no rótulo. No entanto, as empresas fabricantes de óleo alegam que o processo de fabricação “purifica” a soja transgênica, e se recusam, assim, a rotular seus produtos.

“O óleo fabricado com soja transgênica tem componentes químicos diferentes do óleo feito com a soja convencional. Ele pode não conter o DNA no produto final, mas mesmo assim tem alterações químicas que o tornam diferente do óleo da soja não transgênica”, disse o Prof. Nagib Nassar, geneticista da Universidade de Brasília (UnB).

“A Bunge e a Cargill têm que cumprir a lei. As empresas podem até optar por continuar usando matéria-prima transgênica e rotular seus produtos, mas correm o risco de perder mercado, uma vez que mais de 74% dos brasileiros não querem comer transgênicos”, afirmou Gabriela, com base na Pesquisa ISER de julho de 2004. “O mais coerente é que elas deixem de usar a soja transgênica para fabricar os óleos de cozinha que os brasileiros usam todos os dias, e passem a oferecer o mesmo padrão que têm para o mercado externo”.

Atualmente, a Bunge é responsável por 25% de toda a soja esmagada no Brasil e possui duas linhas de produtos: uma não transgênica, voltada para clientes do mercado externo, que exigem controle efetivo para evitar a contaminação. A outra linha, sem qualquer garantia e controle, é vendida no mercado interno. “Se as empresas podem oferecer produtos sem transgênicos para o mercado externo, também podem fazer isso para os consumidores brasileiros”, concluiu Gabriela.

Para assistir ao vídeo-denúncia e conhecer os demais materiais contidos no dossiê, visite a página: www.greenpeace.org.br/consumidores

Para maiores informações, consulte a assessoria de imprensa do  Greenpeace:
- Gabriela Michelotti, (11) 9217 2955
- Gladis Éboli, (11) 8245 2250
- Marília Ávila, (11) 3035 1192 ou 3035 1167

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Neste número:

1. Impacto dos transgênicos a médio prazo
2. Pesquisa no PR mostra ganhos com plantio de soja convencional
3. Monsanto e sementeiras definem cobrança dos royalties
4. Parlamentar do RS trabalha para liberar plantio de transgênicos
5. Modelo de declaração permite iniciar custeio de soja transgênica
6. Produtor critica assinatura de declaração
7. Argentina X Monsanto
8. Argentina discute processo da Monsanto em Bruxelas
9. UE rejeita embargo a lavouras de transgênicos na Áustria

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Manejo ecológico da Sigatoka Negra

Dicas de fontes de informação
Confira a seleção de perguntas e respostas elabora pelo WWF Brasil para explicar a importância da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8) para a conservação e uso sustentável da biodiversidade. http://www.wwf.org.br/wwf/opencms/site/list_news.jsp?channelId=1080&newsChannelId=1081

Soberania alimentar - Governo brasileiro dá mau exemplo, por Luís Brasilino. "Lembrando situação argentina, entidades internacionais criticam "submissão" de Lula à Monsanto". Brasil de Fato, 01/10/2005.
http://www.brasildefato.com.br/ambiente/135governo%20brasileiro.php

Coma nosso DNA recombinante e engorde nossos lucros, mensagem de Marco Antônio Záchia Ayub, professor titular do Instituto de C&T de Alimentos da UFRGS enviada ao CJ e-mail criticando atividade com consumidores promovida pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=32073

Roundup Ready Glyphosate resistance spreads with use of Roundup Ready crops. GM Watch, 03/10/2005.
http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=5795

Evento
Seminário: “Há interesse social na transgenia em alimentos?” Dias 20 e 21 de outubro. Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (Praça Mal. Deodoro, 101  Porto Alegre - RS)
Informações e Inscrições: CONSEA-RS: Fone: (51) 3288 6611, Fax: (51) 3288 6645 ou [email protected]
http://www.stcas.rs.gov.br/consea/

O Idec promoverá a mesa redonda "As novas normas de agricultura orgânica" no próximo dia 17 para debater a regulamentação da Lei 10.831/03, que trata da produção orgânica no país. Informações: www.idec.org.br, [email protected] ou pelo tel. (11) 3862 9844.

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1. Impacto dos transgênicos a médio prazo
A continuação dos estudos a campo conduzidos pelo governo inglês mostrou que os impactos dos cultivos transgênicos sobre a biodiversidade podem persistir por pelo menos dois anos. A pesquisa foi publicada recentemente na revista Biology Letters, da Sociedade Real do Reino Unido.
Foi verificado que tanto a colza [a canola é uma variedade de colza] como a beterraba açucareira apresentaram impactos adversos sobre a biodiversidade quando comparados a suas contrapartes convencionais.
Um dos impactos foi a redução ou a mudança na abundância e diversidade de espécies de plantas espontâneas, que pode afetar a sobrevivência de aves e insetos que dependem dessas plantas ou de suas sementes.
Os pesquisadores descobriram que o banco de sementes no solo era menor nas áreas onde a colza transgênica resistente a herbicidas foi testada. Este efeito persistiu por dois anos. Os resultados também mostraram que o cultivo de beterraba transgênica levou a uma redução do banco de sementes do solo no ano seguinte.
Apesar de os resultados mostrarem que o banco de sementes foi maior nos locais em que se cultivou o milho transgênico e que este efeito persistiu por dois anos, eles têm pouco valor pois o herbicida usado no milho convencional do estudo do governo inglês, a atrazina, foi banido na Europa. O milho transgênico não foi comparado com métodos mais atuais de cultivo de milho convencional.
Fica claro com esses resultados que os impactos de médio e longo prazo decorrentes do cultivo de plantas transgênicas devem ser levados em consideração mesmo que eles tenham sido cultivados por um período curto, uma vez que seus impactos negativos tendem a persistir.
Third World Network Biosafety Information Service, 07/10/05.
Consulte também
www.biosafety-info.net e www.twnside.org.sg.

2. Pesquisa no PR mostra ganhos com plantio de soja convencional
Pesquisas realizadas pela Secretaria de Agricultura do Paraná demonstram que a produção de soja convencional leva vantagem em relação à soja transgênica. Segundo levantamento de custos realizado na região de Cascavel, o agricultor que plantar soja convencional terá um custo de R$ 24,17 por saca de 60 quilos, enquanto o que optar pelo grão transgênico terá custo de R$ 24,24.
Mas, o ganho do produtor da soja convencional acontecerá na comercialização do produto. A sua receita final por hectare será de R$ 226,55 contra R$ 158,55 do rendimento da soja geneticamente modificada. É que o grão convencional tem produtividade maior do que o grão transgênico, que ainda sofre taxação de royalties e tem maior custo de transporte para portos que embarcam transgênicos.
O estudo, desenvolvido pelo Deral (Departamento de Economia Rural) utilizou a metodologia da Embrapa e foi baseado nos preços praticados em agosto deste ano. Foi considerada uma produtividade de 3.000 quilos por alqueire para a soja convencional e 2.910 quilos para a soja transgênica, tomando por base o preço de R$ 27,61 na comercialização da saca de 60 quilos.
A pesquisa demonstra também que a soja convencional tem como vantagens maior produtividade, melhor preço no mercado e maior facilidade de comercialização. Já o produto transgênico tem como desvantagens a obrigatoriedade de pagamentos de royalties e taxas de tecnologia, menor preço no mercado e dificuldade de acesso ao porto. Os eventuais ganhos na utilização de herbicidas são anulados.
Governo do Estado do Paraná, 28/09/2005.

3. Monsanto e sementeiras definem cobrança dos royalties
Após mais de quatro meses de discussões com produtores de sementes, a multinacional americana Monsanto fechou acordo sobre a cobrança dos royalties sobre a venda de sementes certificadas de soja transgênica com sua tecnologia Roundup Ready. O acerto foi concluído às 23 h da quarta-feira (28/09), após três dias de reuniões com advogados das duas partes.
A minuta será usada como modelo para os contratos individuais que serão assinados pelas sementeiras e só terá efeito para a comercialização de sementes na safra 2005/06, que começa a ser plantada em outubro. Para os ciclos seguintes, a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) já informou que fará novas rodadas de negociação com a múlti.
Em comunicado oficial, a Monsanto ratificou que o valor dos royalties ficou em R$ 0,88 por quilo de semente certificada, sendo que "(...) os produtores podem estabelecer preços finais aos agricultores através de descontos na parcela que retêm a título de margem e remuneração pela operacionalização do sistema de cobrança".
Luiz Meneguel Neto, presidente da Apasem (que reúne sementeiros do Paraná) e representante da Abrasem nas reuniões, disse que as indústrias sementeiras também confirmaram sua intenção de cobrar dos produtores R$ 0,50 por quilo de semente certificada. Também ficou fixado o pagamento de um bônus de R$ 20 por hectare aos produtores que multiplicarem sementes na safra 2005/06, visando à comercialização no ciclo seguinte. "A dificuldade maior foi ajustar normas de contrato, para que ficassem boas para todas as partes".
Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem, observou que o acordo prevê regras para a venda de sementes certificadas. No caso das sementes não-certificadas (ilegais ou salvas pelos produtores de safras anteriores), a Monsanto quer manter o sistema de cobrança de indenização de 2% sobre o valor da produção de grãos, mas ainda não fechou acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Associação dos Cerealistas.
Segundo dados da Abrasem, a oferta de sementes certificadas para esta safra é de 3 milhões de sacas, suficientes para o plantio de 3 milhões de hectares - ou 30% da previsão de área a ser plantada com transgênicos. A entidade estima, como já foi divulgado pelo Valor, que as vendas dessas sementes renderão em torno de R$ 60 milhões em royalties. Esse valor exclui as indenizações que a empresa poderá receber sobre as sementes salvas pelos produtores.
Valor Econômico, 01/10/05.

4. Parlamentar do RS trabalha para liberar plantio de transgênicos
Os argumentos usados pelo Ministério do Meio Ambiente para impedir o plantio de soja transgênica no entorno da Floresta Nacional de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, não têm mais validade. A afirmação é do vice-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Luis Carlos Heinze (PP-RS).
O parlamentar informou ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, por meio de ofício, que a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 13/90, que obriga o licenciamento ambiental para que qualquer atividade seja empreendida no espaço circundante das Unidades de Conservação (UC), num raio de 10 Km, foi revogada pelo artigo 25 da lei 9.985/00.
Heinze deixou claro ainda que a lei 10.814/03, que veda em seu artigo 11 o cultivo da soja geneticamente modificada nas UCs e respectivas zonas de amortecimento, não está regulamentado. “Não há, portanto, instrumento legal que proíba o cultivo da soja modificada na Floresta Nacional de Passo Fundo”.
De acordo com o progressista, diferentemente do que as entidades ambientalistas apregoam, o plantio de grãos transgênicos não prejudica a fauna e a flora. Heinze explica que o agrotóxico usado neste tipo de cultura é o mais brando, considerado faixa verde (classe 4). “Ele não deixa resíduos no solo”. No plantio da soja convencional, o princípio ativo utilizado situa-se entre as classes 1 e 3, sendo a primeira delas extremamente tóxica.
O parlamentar pediu a Rodrigues que esclareça o assunto as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Pretendemos resolver o impasse. Não podemos inviabilizar o trabalho de mais de 1.500 pequenos produtores, que sobrevivem da produção da soja modificada naquela área”. As propriedades dos agricultores estão localizadas nos municípios de Mato Castelhano, Água Santa, Vila Lângaro, Coxilha, Marau e Passo Fundo. As informações são da assessoria de imprensa do deputado federal Luis Carlos Heinze.
Agrolink, 01/10/05.

5. Modelo de declaração permite iniciar custeio de soja transgênica
O Banco Central divulgou o modelo de declaração que terá de ser assinada pelos agricultores que usam soja convencional ou transgênica não certificada no Rio Grande do Sul na contratação de operações de custeio com cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). O documento está previsto na resolução 3.317 do BC, de 27 de setembro.
A resolução autoriza o enquadramento, no Progaro, de operações de custeio das lavouras formadas com: 1. cultivar local, tradicional ou crioula ou 2. grãos de soja transgênica no Rio Grande do Sul, tanto em créditos a produtores vinculados ao Pronaf quanto aos demais. Neste último caso (da agricultura comercial), o seguro do Proagro é facultativo.
A declaração a ser feita pelo produtor de soja convencional pede que ele identifique o nome da cultivar utilizada, seu ciclo de emergência/maturação e a produtividade esperada. O agricultor declara estar ciente de que "não serão indenizadas pelo programa as perdas decorrentes de falhas na germinação, má formação das plantas ou de outras causas relacionadas a deficiências específicas das cultivares utilizadas". O termo que cabe ao produtor de grãos transgênicos repete a mesma observação.
O Banco do Brasil informou que a divulgação do termo permite o começo das operações de custeio com o Proagro no Estado.
Agência Estado, 04/10/05.

6. Produtor critica assinatura de declaração
Os anúncios feitos pelo governo federal serviram ontem para a suspensão dos próximos protestos dos agricultores mobilizados em Santa Rosa, mas o clima entre os produtores não era de problema resolvido. Ontem, os primeiros financiamentos para quem plantar soja transgênica com semente não-certificada - colhidas na safra anterior na propriedade dos agricultores - foram liberados. Porém, um documento obrigatório para o financiamento em que os produtores se responsabilizam caso a semente não germine deixou-os inseguros.
- Abrem uma porta e fecham duas. A declaração é muito rígida - reclama do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tuparendi e Porto Mauá, Itálico Cielo.
Na safra passada, o produtor que cultivasse transgênico já assinava um termo de compromisso. Nesta, com a declaração ele se diz ciente de que, se a semente sem certificação não germinar, não terá direito ao seguro agrícola.
- Se nós formos olhar a declaração, dá vontade de não assinar. Mas vamos assinar. Na safra passada, 15% que não assinaram não conseguiram o seguro agrícola - explicava para os agricultores reunidos por causa da chuva no Parque da Feira Nacional da Soja, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Ezídio Pinheiro.
O entrave na liberação dos recursos atrasou a preparação para a safra da soja de 90% dos produtores gaúchos, conforme Pinheiro.
- Não tenho outra saída. Vou ter que assinar o termo. Já tínhamos que ter comprado adubo para a safra - conta o produtor de Tuparendi, Oscar Avrella, 55 anos, que vai usar sementes transgênicas próprias para cultivar 27 hectares de soja.
Ontem, uma comissão de agricultores se reuniu com o superintendente do Banco do Brasil no Estado, Valmir Rossi. Os financiamentos para a cultura no Estado deverão ser de R$ 1,1 bilhão e atingirão 80 mil produtores. A trégua que os produtores darão ao governo será até o dia 14 de outubro. Caso não tenham as reivindicações atendidas como o seguro agrícola da safra passada, prometido para até o fim do mês, a categoria volta a se mobilizar.
Zero Hora, 05/10/05.

7. Argentina X Monsanto
A Câmara de Óleos Vegetais da Argentina  que representa exportadoras como multinacionais Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Noble  informou que dará apoio financeiro ao governo para pagar as despesas da disputa jurídica travada na EU contra a Monsanto. A empresa americana quer que a justiça européia obrigue as empresas importadoras de soja e derivados a recolher os royalties referentes ao uso do grão transgênico, tendo em vista que os produtores argentinos hoje não pagam pelo uso dessa tecnologia em seu país. A Argentina exportou em torno de 10 milhões de toneladas de soja, óleo e farelo à EU em 2004, gerando receita próxima a US$ 1,7bilhões, segundo a Secretaria de Agricultura do país. As informações são da Dow Jones Newswires.
Valor Econômico, 29/09/2005.

8. Argentina discute processo da Monsanto em Bruxelas
O secretário de Agricultura da Argentina, Miguel Campos, vai se encontrar com representantes da Comissão Européia esta semana na Bélgica para discutir os processos movidos pela Monsanto contra os embarques de soja Argentina para a União Européia (UE).
"Campos vai se encontrar com a comissária da UE para Agricultura e Desenvolvimento rural Mariannn Fischer Boel. Ele pretende apresentar informações que provariam que a argumentação usada pela Monsanto nas ações judiciais não têm consistência legal ou científica", informou a Secretaria, em comunicado divulgado ontem (03-10). As ações da Monsanto criam problemas comerciais e econômicos para produtores e exportadores da Argentina, assim como para a indústria da Europa.
Em junho, a Monsanto começou a abrir processos contra os embarques de soja da Argentina para a UE. Muitos países da UE reconhecem a patente da Monsanto para a soja transgênica "Roundup Ready", que corresponde a 95% da produção da Argentina. Entretanto, Buenos Aires jamais concedeu à Monsanto a patente para as sementes.
A Monsanto alega receber pelo uso das sementes transgênicas na Argentina apenas em 20% das operações no país. O restante das sementes utilizadas pelos agricultores é adquirido no mercado informal ou simplesmente replantado.
A empresa espera que a ação obrigue o governo argentino a implementar um sistema de pagamento que force os agricultores a pagar os royalties toda vez que plantarem suas sementes. A Argentina exportou 10 milhões de toneladas de soja, óleo e farelo para UE em 2004, segundo dados da Secretaria de Agricultura. Caso uma corte européia decida em favor da companhia, a sentença poderá complicar o comércio entre a Argentina e a UE, intensificando a pressão da Monsanto para um acordo.
"A empresa está pondo em risco os interesses argentinos, e por isso acreditamos que cada juiz europeu envolvido neste caso deva estar adequadamente informado", diz o comunicado. Além do encontro com Boel, Campos também vai se reunir com importadores europeus, muitos dos quais preocupados com a perspectiva de que aumentem os custos de importação da soja argentina. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado,04/10/05.

9. UE rejeita embargo a lavouras de transgênicos na Áustria
A corte européia rejeitou nesta quarta-feira (05/10) um embargo imposto pela Áustria às lavouras de organismos geneticamente modificados (OGMs). A decisão da Corte de Primeira Instância, a segunda mais alta corte da União Européia (UE), está em linha com a tentativa da Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), de abrir o mercado europeu às plantas geneticamente modificadas.
Em 2003, a região austríaca de Oberoesterreich informou à comissão a decisão de banir as lavouras geneticamente modificadas. Os austríacos argumentavam que o país tinha o direito de agir para proteger o setor agrícola e os consumidores, já que a UE não tinha regras em comum para a coexistência de lavouras transgênicas e não transgênicas.
A Autoridade para Saúde Alimentar da Comissão não concordou com a decisão austríaca, alegando que o país não ofereceu evidências de que os transgênicos causariam danos ao meio ambiente ou à saúde, e particularmente na região de Oberoesterreich. O tema então foi levado à corte européia. Agora a Áustria tem dois meses para apelar da decisão anunciada hoje.
Os grupos ambientalistas, como Friends of the Earth, defendem uma nova legislação que permita a proibição de lavouras transgênicas em determinadas áreas.
A porta-voz da comissão, Barbara Helfferich, comemorou a decisão. Segundo ela, o resultado pode abrir um precedente para casos futuros. Cinco países já tentaram adotar restrições aos organismos geneticamente modificados, afirmou ela. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado, 05/10/2005.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Manejo ecológico da Sigatoka Negra
A nova doença dos bananais, a Sigatoka Negra, é causada por fungo. Este fungo pode ser disseminado pelo vento e por materiais contaminados como máquinas, equipamentos, utensílios, vestimentas, caixaria e uso de folhas para a proteção dos cachos.
Por ser um fungo as medidas de controle desta doença são as que proporcionam uma forma segura de convivência sem que ela atinja o que chamamos de nível de dano.
Entre as medidas aconselháveis estão: pulverizações preventivas, pulverizações de controle, plantio de variedades resistentes, entre outras que propõem o convívio com a doença.
Assim, podemos ainda adicionar a este controle/convivência do fungo algumas tecnologias agroecológicas que colaborarão para a manutenção da capacidade produtiva dos bananais. São elas:
- Parar de aplicar herbicidas, principalmente os de translocação, pois estes podem provocar o mau funcionamento do sistema imunológico das plantas;
- Instalação/plantio de quebra ventos com altura das plantas adultas (dossel) maior que a altura das bananeiras;
- Instalação das linhas do pomar contra a corrente de ventos;
- Isolar talhões por plantio de faixas de bordadura com 10m de largura e a altura das plantas adultas (dossel) deve ser maior que a altura das bananeiras;
- Eliminação de plantas hospedeiras com aumento da biodiversidade no local;
- Manutenção de cobertura morta no solo;
- Limpeza constante do bananal com a retirada das folhas contaminadas da planta depositando-as no solo para o surgimento de inimigos naturais;
- Adubação equilibrada das plantas através de biofertilizantes fundamentada em análise foliar (macro e micronutrientes);
- Adubação equilibrada do solo através de biomassa de adubação verde, compostagem e esterco curtido fundamentada em análise de solo (macro e micro nutrientes);
- Calagem e fosfatagem do solo fundamentada em análise de solo;
- Rochagem do solo e plantas fundamentada em análise da rocha;
- Aplicação de preparados homeopáticos adequados (em bananais contaminados) visando estimular o sistema de defesa dos organismos. Podem ser feitos e aplicados homeopatias para o solo, para a planta, para o adubo e o no sódio para o fungo; e
- Aplicação de caldas naturais adequadas que tenham efeito fungicida.
fonte: http://www.epamig.br/sigatoga/manejo.htm


 

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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