[Rede de Agricultura Sustentável]

 

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 259 - 01 de julho de 2005

[email protected] [email protected],

A OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou, na semana passada, documento em que afirma serem necessários mais estudos sobre os efeitos dos OGMs (organismos geneticamente modificados) à saúde. Espera-se, agora, que os governos reflitam um pouco mais, antes de aprovarem indiscriminadamente o uso dessa tecnologia.

O comunicado cita algumas das controversas questões envolvendo a comercialização de produtos transgênicos, como a da rotulagem, por exemplo. Segundo o documento, a venda de alimentos geneticamente modificados tem gerado desavenças em vários países. A União Européia e o Japão exigem rotulagem e a rastreabilidade dos alimentos derivados de OGMs, enquanto os Estados Unidos e o Canadá acreditam que a tecnologia é segura e que essas medidas não são necessárias. Ambos os países, juntamente com a Argentina, entraram com uma petição junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), contra as exigências da União Européia. Como conseqüência, a disputa deixa as multinacionais da indústria de alimentos tendo que lidar com diferentes grupos de regulamentação para lidar de acordo com os países com os quais elas mantêm relações.

Em seu relatório, lançado no dia 23 deste mês, o órgão das Nações Unidas avalia que os organismos geneticamente modificados podem aumentar a produtividade dos campos, a qualidade e a diversidade dos alimentos que podem ser cultivados em uma dada área [dados ainda especulativos, uma vez que não são apresentados estudos que comprovem essas informações], porém alerta para o perigo que a introdução precipitada de novos tipos de genes na cadeia alimentar pode representar.

O documento, porém, faz uma importante ressalva: “Alguns dos genes utilizados para fabricar alimentos geneticamente modificados nunca estiveram presentes na cadeia alimentar e sua introdução pode causar mudanças significativas na constituição genética existente nos cultivos.”

E continua: “Em virtude desta constatação, os possíveis efeitos dos OGMs à saúde humana devem sempre ser avaliados antes de esses produtos serem cultivados e comercializados. Além disso, é imprescindível um acompanhamento a longo prazo, de modo que seja possível detectar, o quanto antes, qualquer efeito adverso.”

A organização estabelece que se realizem avaliações de risco para cada novo alimento geneticamente modificado no que diz respeito aos seus efeitos à saúde, à cadeia alimentar e ao meio ambiente, no lugar de simples endossamentos emitidos por governos sobre o uso da tecnologia para criar novos tipos de cultivos e animais.

A OMS diz ainda que as avaliações de risco pré-comerciais foram realizadas em todos os alimentos geneticamente modificados que estão sendo comercializados atualmente, porém é fundamental que fique claro que essas informações são baseadas nos dados fornecidos pelas próprias empresas. Vale destacar também que estes estudos são voluntários nos EUA.

A organização é cautelosa ao afirmar que, até agora, o consumo de alimentos transgênicos não causou nenhum efeito negativo, conhecido, à saúde. Atualmente, avaliações de OGMs se concentram nas áreas de agroecologia e agricultura e em possíveis efeitos à saúde. A OMS recomenda, entretanto, que estas mesmas avaliações deveriam ser ampliadas para incluir considerações no que diz respeito a aspectos sociais, culturais e éticos, para ajudar a prevenir o que a organização chama de “divisão genética” entre grupos de países que permitem e que não permitem o cultivo e a comercialização de organismos geneticamente modificados.

“Cada país apresenta condições sócio-econômicas distintas, as pessoas têm hábitos alimentares diferenciados, além do fato de que, em cada sociedade a comida possui um significado diferente”, conclui o documento.

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Neste número:

1. Europeus mantêm veto a plantio de alimentos modificados
2. Sementeiros propõem a Monsanto royalty de 1,5%
3. Campanha por uma moratória de 10 anos aos OGMs na União Européia
4. Terceiro teste positivo para milho Bt 10 no Japão
5. Cientistas criticam relatório da Monsanto Porquê o estudo com milho MON 863 deveria ter sido rejeitado
6. Greenpeace leva campanha de transgênicos a jogo da Liga Mundial de Vôlei
7. Decreto Transgênico
8. Estudo revela que componente na soja dificulta gravidez

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cerco aos gafanhotos

Dica de fonte de informação
Artigo: “Os riscos econômicos dos transgênicos”, de Pedro Aurélio de Queiroz, disponível na página: http://www.ultimainstancia.ig.com.br/artigos/ler_noticia.php?idNoticia=16251

Evento
II Encontro Regional de Agroecologia Amazônia, dia 27 a 30 de setembro de 2005, Cuiabá, Mato Grosso.

1. Europeus mantêm veto a plantio de alimentos modificados
Pressionada pelos EUA, comissão da UE fez proposta de liberação, mas foi derrotada
Luxemburgo - Os governos da União Européia decidiram nesta sexta-feira manter as proibições sobre plantios de organismos geneticamente modificados (OGM), rejeitando uma proposta da comissão executiva da EU para suspendê-las no caso de milho e óleo de semente de canola na Áustria, França, Alemanha, Grécia e Luxemburgo.
"Transmitimos uma mensagem clara e contundente à proposta da comissão", disse o ministro luxemburguês, Lucien Lux, país que ocupa a presidência rotativa da
UE até o fim do mês. Entre 1997 e 2000, esses cinco países invocaram as chamadas "medidas nacionais de salvaguarda" para barrarem a entrada nos mercados dos produtos geneticamente modificados, embora sejam permitidos na UE.
A comissão da UE apresentou a proposta de liberação do plantio porque "tem uma obrigação legal de garantir que a estrutura regulatória existente sobre a liberação dos OGMs seja aplicada corretamente pelos estados-membros", justificou o comissário ambiental, Stavros Dimas. Com a negativa dos ministros, Dimas concluiu que "os países-membros querem revisitar alguns aspectos do sistema existente".
Diante disso, Bruxelas terá de preparar rapidamente uma nova legislação que permita a manutenção das proibições nos cinco países, porque a UE enfrenta a ameaça de que Estados Unidos, Argentina e Canadá apresentem queixas perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Grupos ambientalistas comemoraram a decisão da comissão
"As decisões sobre os OGMs são um exemplo ostensivo do déficit democrático da UE. A comissão precisa aprender com as lições de hoje e deixar de se esconder por trás
de procedimentos tecnocráticos e confidenciais para forçar os OGMs a ingressar em nossos campos e supermercados", declarou em comunicado o conselheiro do Greenpeace, Eric Gall.
Já os Estados Unidos condenaram a decisão da UE por ter sido motivada por questões "políticas e não sanitárias".
O porta-voz do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Richard Mills, disse que "a decisão de hoje é mais uma evidência de que a estrutura legal da UE para regulamentar os produtos de biotecnologia é duramente infringida e conduzida mais pela política do que pela ciência".
O Estado de São Paulo, 24/06/2005.

2. Sementeiros propõem a Monsanto royalty de 1,5%
Produtores de sementes reunidos na sexta-feira (24-06) em São Paulo decidiram ratificar a Monsanto uma proposta de remuneração da multinacional pelo desenvolvimento da tecnologia de soja transgênica. A proposta prevê o pagamento de 1,5% de taxa tecnológica a Monsanto no momento da comercialização da soja colhida na safra 2005/06, para os produtores que adquirirem sementes transgênicas certificadas. Com isso, eles pretendem incentivar a substituição das sementes piratas pelas cultivares certificadas, que tiveram sua venda autorizada.
A Monsanto tem um acordo com entidades rurais que estabelece o pagamento de 2% por saca, na venda da produção da próxima safra, o que a empresa classifica como indenização pelo uso indevido da tecnologia - já que foi resultado de sementes obtidas por contrabando. A proposta de 1,5% por saca representaria um incentivo à volta à legalidade, avaliam os produtores de sementes.
Eles decidiram ratificar a proposta depois que a Monsanto não respondeu à anterior, elaborada no dia 28 de maio. A empresa informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que não há definição ainda para o royalty das sementes e não fornecerá detalhes até a conclusão das negociações.
Além do porcentual, os produtores de sementes sugerem também separar o valor da taxa tecnológica em uma nota fiscal diferente daquela do insumo. Desta forma, entendem que o preço da semente não será confundido com o royalty devido a Monsanto.
Os produtores de sementes propõem um sistema de bonificação aos agricultores. Ao comprar a semente certificada, o produtor receberia um comprovante que lhe daria direito a comercializar até 3.600 Kg/ha mediante o pagamento de 1,5% de taxa tecnológica. Outro item da proposta é a remuneração de 5% aos sementeiros pelo envio das informações a Monsanto referentes à venda do insumo certificado.
Os sementeiros estão preocupados com a falta de definição para o preço do royalty sobre o insumo, pois multiplicaram as sementes contando com a venda na próxima safra e consideram que a definição está demorando. Sem um acordo com a Monsanto, eles ficariam impedidos de vender a semente transgênica. "Assinamos um acordo com a Monsanto e, sem a autorização da empresa, não podemos vender", comentou um representante do setor.
Conforme relatos do setor, a Monsanto havia proposto o valor de R$ 0,88/Kg para o royalty da semente transgênica. A empresa não confirmou o valor, que foi considerado elevado e recebeu críticas.
Agência Estado, 26/06/2005.

3. Campanha por uma moratória de 10 anos aos OGMs na União Européia
A International Coalition to Protect the Polish Countryside (ICPPC) irá lançar oficialmente uma moratória de dez anos a todos os organismos geneticamente modificados na Europa. O lançamento será feito na quinta-feira (30), durante a conferência “GMO, CAP, Biodiversity European Solidarity”, que será realizada no Parlamento Europeu, em frente a cerca de 40 ‘MEPs’. Abaixo segue a carta divulgada pela Coalizão, justificando a moratória.
Por que a moratória?
No dia 20 de junho, a Assembléia Regional de Zachodnio-Pomorskie, Polônia, votou em unanimidade para se declarar como uma área livre de transgênicos. Essa é a 12ª região (dentre 16) na Polônia a aprovar esse tipo de declaração. Com isso, mais de 80% do país declarou-se como livre de transgênicos, completando mais de 160 regiões livres de transgênicos existentes e 4.000 pequenas áreas em toda a Europa. Essa situação, somada ao fato de que 80% dos consumidores europeus são contra os OGMs, dá um sinal muito forte de que os OGMs não são desejados.
Em adição a isso, os recentes escândalos acerca da tentativa de encobrir estudos, que revelavam sérias implicações à saúde em função do uso do milho geneticamente modificado da Monsanto, MON 863, e a “perda” de 1.000 toneladas do milho transgênico da Syngenta, Bt 10, na Europa, expuseram grandes falhas nos sistemas de controle e autorização dos OGMs na Europa.
Além disso, a proposta de que os cultivos convencionais e orgânicos podem, de alguma maneira, “coexistir” com os cultivos transgênicos na agricultura européia, é completamente impossível de ser alcançada na realidade e permitiria a disseminação e a incontrolável contaminação cruzada.
Se você apóia essa ação, envie uma carta para a ICPPC, via fax: 0048 33 8797114, ou e-mail: [email protected], dizendo: “Eu/Nós, apoiamos uma moratória de 10 anos aos OGMs na União Européia”, incluindo o seu nome/ nome da organização, posicionamento, assinatura e endereço.
http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=5423, 27/06/2005.

4. Terceiro teste positivo para milho Bt 10 no Japão
Um terceiro carregamento de milho, cuja intenção era ser utilizado como ração, foi testado positivamente para a presença do milho transgênico, Bt 10, não aprovado no país. (...)
O milho importado dos EUA para uso direto na alimentação, tem 90% da sua identidade preservada sendo considerado convencional (não sofreu modificação genética).
O Governo Japonês não aceitou, até o momento, os argumentos da agência reguladora dos EUA, como sendo suficientes para permitir a importação legal do milho Bt 10 de acordo com a legislação japonesa.
http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=5423, 27/06/2005.

5. Cientistas criticam relatório da Monsanto Por que o estudo com milho MON 863 deveria ter sido rejeitado
Opinião dos Dr. Arpad Puszta e do Prof. Gilles-Eric Seralin, este último é membro de duas comissões de avaliação sobre OGMs (Comissão do Minsitério da Agricultura e do Minsitério do Meio Ambiente da França), desde 1998.
O estudo dos ratos alimentados com o milho MON 863 foi elaborado e relatado de maneira precária. É duvidoso que algum importante jornal de nutrição o consideraria. É estranho, portanto, que permaneça sendo o principal documento utilizado pelos governos reguladores, no sentido de proteger a saúde dos cidadãos europeus.
Dentre as falhas da realização do estudo destacam-se:
Falta de dados nutricionais: Os estudos nutricionais exigem medidas e ‘revelações’ sobre a composição nutricional da ração e a demonstração de que a mesma permanece estável durante os 90 dias em que o experimento foi conduzido. Essa garantia, apoiada pelas análises químicas recentes, não é fornecida.
Falta de metodologia: O estudo falha em descrever a maioria dos métodos utilizados. Quando a metodologia não pode ser avaliada ou repetida, ela torna-se duvidosa.
Animais adultos mascaram resultados: Estudos nutricionais utilizam indivíduos jovens, com rápido crescimento, os quais são sensíveis à efeitos tóxicos e nutricionais. O estudo utiliza uma mistura de indivíduos jovens e mais maduros, os quais podem mascarar sérios problemas.
Peso dos animais: Os pesos iniciais dos ratos citados duas vezes, em diferentes itens do estudo, eram diferentes. Assim, para os ratos machos, o peso indicado no início do estudo variava entre 198,4 a 259,8g, enquanto no Apêndice 2, os valores variavam entre 143 e 186g (as diferenças eram similares para os exemplares do sexo feminino). Nenhum jornal digno iria tolerar essas imprecisões. Geralmente, diferenças nos pesos iniciais não ultrapassam a metade do peso (normalmente em torno de 80g), mais ou menos 2%. Utilizando uma ampla escala, torna-se impossível achar diferenças significantes dos pesos dos animais no final do experimento.
As taxas de crescimento relatadas são inexplicáveis. Durante o experimento, por exemplo, um dos animais perdeu 53g em uma semana e então ganhou 102g na semana seguinte. Ratos com os maiores pesos iniciais, algumas vezes, chegaram ao final do experimento com os menores pesos. Nas últimas quatro semanas, alguns exemplares quase não cresceram, contrariando o contínuo consumo de ração, e mesmo assim, esses animais, tipicamente, continuam a crescer durante toda sua vida. Existem poucas informações fornecidas para julgar se esses são os resultados de um manuseio incompetente dos animais, da degradação da ração armazenada à temperatura ambiente, ou algum outro problema.
Métodos modernos ignorados: os métodos analíticos utilizados estão ultrapassados há décadas. Novos métodos poderosos, como ‘chips’ de DNA, ‘proteomix’, entre outros, foram ignorados. A duração de 90 dias também pode não detectar problemas crônicos, problemas reprodutivos, e problemas que surgem nas gerações subseqüentes. Também, o estudo contou com observações em apenas dois períodos distintos, não considerando a cinética das mudanças.
Grupos-controle inapropriados ou ausentes: o uso de 6 grupos controles irrelevantes e de referências a dados de estudos anteriores, obscureceu as verdadeiras descobertas. O estudo deveria ter incluído um grupo controle alimentado com ração não transgênica da ‘mesma marca’, administrada com o produto do gene Bt obtido do milho transgênico, para isolar os resultados do processo de transformação. Uma segunda linhagem parental administrada com uma toxina conhecida também serviria como grupo controle.
Resultados inadmissíveis: A Monsanto defende que as mudanças no peso dos rins dos animais, por comparação de resultados provenientes de testes com ratos, utilizados em um estudo completamente diferente, conduzido em outro laboratório, usando híbridos do milho MON 863 com outras amostras de milho transgênico. Nesse estudo os resultados originais da utilização do milho MON 863 foram citados (mas não realmente reconduzidos) por comparação. Essa comparação entre experimentos é totalmente inapropriada para avaliações nutricionais e deveria ser desconsiderada.
Nutricionistas e jornais de divulgação não aceitariam essas imperfeições grosseiras e conclusões equivocadas. Como os reguladores podem considerar isso para aprovar um novo organismo geneticamente modificado?
Para ver a revisão completa do estudo, realizada pelo Dr. Arpad Pusztai e intitulada: “Review of Some of the Significant Differences in the Mon 863 study”, acesse a página: http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=5395
http://www.gmwatch.org/archive2.asp?arcid=5400, 22/06/2005.

6. Greenpeace leva campanha de transgênicos a jogo da Liga Mundial de Vôlei
Ativistas do Greenpeace protestaram no sábado (25) pela manhã durante o jogo do Brasil pela Liga Mundial de Vôlei, no Ginásio do Ibirapuera. Uma faixa com a pergunta “Bunge: você usa soja transgênica nos seus produtos?” foi estendida na arquibancada do ginásio, alertando o público presente. Os ativistas foram retirados do ginásio pelos seguranças. A atividade de sábado deu continuidade à campanha lançada na semana passada para incentivar os consumidores a pressionarem a Bunge por uma produção livre de transgênicos.
Na última quinta-feira (23/06), o Greenpeace circulou pela cidade de São Paulo com um carrinho de supermercado gigante equipado com alto-falantes e recheado de produtos alimentícios das marcas Soya, Salada, Primor e Delícia. Além disso, dezoito outdoors distribuídos em 11 cidades brasileiras e banners de internet foram publicados para auxiliar na comunicação com o público. (...)
http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=19750, 25/06/2005.

7. Decreto Transgênico
As ONGs antitransgênicos estão de orelha em pé: a Casa Civil do Planalto encarregou Caio Bessa Rodrigues da redação do decreto que regulamenta a Lei de Biossegurança. Segundo as ONGs, Bessa fazia parte do escritório de advocacia que defende a Monsanto, multinacional dos transgênicos.
O Dia-RJ, 28/06/2005.

8. Estudo revela que componente na soja dificulta gravidez
Estudo feito pela King's College de Londres, divulgado nesta quarta-feira, revela que um componente presente na soja, a genisteína, pode dificultar a gravidez. Por este motivo, as mulheres que pretendem engravidar devem evitar consumir produtos ricos em soja. A pesquisa destacou que este componente químico, encontrado em todos os produtos a base de soja e seus derivados, como o leite de soja, pode "esgotar" os espermatozóides antes que eles tenham a chance de penetrar o óvulo.
As mulheres que desejam engravidar devem evitar ingerir produtos ricos em soja durante os dias de ovulação, alertou Lyyn Fraser, especialista em biologia reprodutiva da King's College. A autora do estudo pesquisou em laboratório o efeito da genisteína nos espermatozóides humanos e concluiu que seu impacto é "dramático" e que é mais poderoso em humanos do que em ratos.
O estudo demonstrou que quando o espermatozóide afetado pela genisteína chega ao óvulo, as chances de fecundação são muito reduzidas."Com base neste estudo, seria conveniente que as mulheres que consomem muita soja limitassem" a ingestão deste alimento rico em genisteína "durante o período da ovulação", advertiu Fraser. Segundo ela, até mesmo doses muito pequenas deste componente no organismo feminino afetaria a viagem dos espermatozóides até o óvulo. "O resultado da pesquisa é dramático e muito surpreendente", destacou a especialista.
A pesquisa não determinou, no entanto, em que quantidade a soja afeta a fertilidade. "Acho que, por exemplo, meio litro de leite de soja é uma medida razoável", afirmou a especialista da King's College, que demonstrou, em um estudo anterior, baseado em experiências com ratos, que alguns produtos químicos que contêm estrogênio podem afetar o funcionamento dos espermatozóides.
A genisteína também é encontrada em alimentos pré-cozidos, como pizzas, e vegetarianos produzidos com leite de soja, assinalou o estudo. Ainda segundo o estudo, vegetais como as ervilhas e os feijões também contêm genisteína, embora não se tenha determinado se sua presença nestes alimentos seja suficientemente significativa para afetar a fertilidade.
http://internacional.dgabc.com.br/materia.asp?materia=478269, 22/06/2005.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cerco aos gafanhotos
Fungo reproduzido em laboratório pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia elimina a praga que atormenta os agricultores desde os tempos bíblicos; o produto já está em condições de ser fabricado comercialmente
Se os gafanhotos fossem seres racionais, certamente estariam aterrorizados; como nós, quando ouvimos boatos sobre armas biológicas. Só que a ameaça aos insetos, uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o Cenargen, de Brasília, é bem real. Pronta para ser lançada no mercado, a nova arma contra a praga é um fungo, reproduzido no laboratório do centro, que penetra pela "pele" do inseto quando ocorre o contato. Em poucos dias, esse fungo germina, ramifica e solta toxinas, destruindo os órgãos vitais do inseto e amadurecendo até lançar esporos (sementes) interna ou externamente. A morte do gafanhoto contaminado ocorre em nove dias, e a eficiência desse tipo de controle biológico é de 80% a 90%, comemoram os pesquisadores.
O projeto Controle Biológico do Gafanhoto da Embrapa começou a ser desenvolvido em 1994. Naquele ano, os agricultores mato-grossenses se viram novamente em apuros por conta de um violento ataque desses insetos que, no Brasil, podem causar grandes prejuízos a culturas como arroz, feijão, milho, cana-de-açúcar e pastagens; e a frutas, como banana e caju. Apesar de não ter atingido dimensões trágicas (os gafanhotos, uma das dez pragas bíblicas do Egito, chegam a devastar enormes áreas agrícolas e causar muita fome em regiões da África e da Ásia), o ataque naquele ano levou a FAO (órgão da Organização das Nações Unidas para a agricultura) a liberar grande volume de recursos para o seu combate químico. O uso indiscriminado e abusivo de pesticidas, no entanto, provocou uma onda de protestos entre consumidores e entidades preservacionistas. Quando grupos ecológicos do Rio Grande do Sul entraram com mandado de segurança contra o programa da FAO, tornou-se necessário buscar uma alternativa à aplicação dos agrotóxicos.
Arroz Branco
O primeiro indício da existência de um agente biológico letal para os gafanhotos no Brasil foi descoberto pelo pesquisador Bonifácio Magalhães, chefe do projeto do Cenargen. Ao percorrer uma área atingida pela praga no Rio Grande do Norte, Magalhães achou alguns exemplares do inseto no solo, recobertos por uma espécie de mofo. As análises laboratoriais mostraram que a morte dos gafanhotos havia sido causada pelo ataque de um fungo do gênero Metarhizium, e a partir daí iniciou-se a pesquisa sobre a sua reprodução em laboratório, bem como a utilização e a eficiência na formulação de um inseticida biológico.
Apesar de dar preferência ao corpo dos gafanhotos para a sua reprodução, o fungo também se desenvolve bem em um substrato feito de arroz branco cozido assepticamente, explica o pesquisador Marcos Faria, membro da equipe de Magalhães. Inoculado no arroz, protegido de contaminação externa e sob temperatura controlada, o Metarhizium amadurece em cerca de 12 dias. Separados do substrato, os esporos, uma poeira fina de coloração verde-escura, são dissolvidos em uma mistura de óleo de soja e querosene, e, grosso modo, está pronto o inseticida biológico. "Num primeiro momento, tentamos fazer o inseticida à base de água, mas tanto as plantas quanto os gafanhotos têm uma substância hidrofóbica que repelia o produto, fazendo com que a contaminação dos insetos, que ocorre através do contato direto com o fungo, acabasse sendo baixa", conta Faria. Já o óleo apresentou várias vantagens. Além de grudar nos animais e nas folhas da lavoura os gafanhotos também se contaminam ao andar sobre as plantas , a sobrevida do fungo aumentou (no campo, a validade do produto é de 72 horas) e ele consegue germinar em condições de baixa umidade do ar. "Também aplicamos um método para desidratar os esporos do fungo, o que dá uma vida de prateleira de cerca de um ano ao produto. Isso é muito importante, já que o consumo desse tipo de inseticida não é grande. Para uma indústria, manter a validade do produto por mais tempo é uma questão de sobrevivência econômica", diz Faria.
O Metarhizium não elimina os insetos imediatamente, como o pesticida. A morte ocorre apenas nove dias depois da contaminação pelo fungo, mas no terceiro os gafanhotos já param de comer. Mais caro que o uso dos produtos químicos, o controle biológico tem a grande vantagem de livrar o meio ambiente, os produtores e os consumidores dos efeitos dos agrotóxicos. "No mercado internacional isso está se tornando cada vez mais importante. A Austrália, por exemplo, já adotou o controle biológico como bandeira nacional, e o Brasil não pode ficar para trás", diz Magalhães. Segundo os pesquisadores do Cenargen, o inseticida biológico para controle de gafanhotos está pronto para ser produzido comercialmente, e a Embrapa já está negociando a fabricação com indústrias interessadas.
http://globorural.globo.com/barra.asp?d=/edic/185/rep_nova_tec1a.htm, 22/06/2005.

Dica de fonte de informação
No artigo “Os riscos econômicos dos transgênicos”, o autor, Pedro Aurélio de Queiroz, faz uma análise pormenorizada dos riscos aos quais à “saúde do mercado” estará sujeita, em função dos desenvolvimento de OGMs. Incluindo dentre esses “a alteração profunda das estruturas de mercado, a eliminação de concorrentes, a elevação das barreiras à entrada de concorrentes, aumento do poder de mercado, a dominação das demais etapas da cadeia produtiva, a elevação futura de preços, o abuso de posição dominante e, ainda mais grave, a redução de opções do consumidor.” Para ler o texto na íntegra, acesse a página: http://www.ultimainstancia.ig.com.br/artigos/ler_noticia.php?idNoticia=16251.

Evento
Essa é a primeira convocatória do II Encontro Regional de Agroecologia que acontecerá do dia 27 a 30 de setembro de 2005, em Cuiabá, Mato Grosso. As atividades serão realizadas no campus da Universidade Federal do Mato Grosso, UFMT. Dentre seus objetivos destacam-se: divulgar o avanço das iniciativas agroecológicas nos aspectos da produção de conhecimentos para o uso e manejo dos recursos naturais, assessoria técnica e capacitação de produtores/as para aplicação desses conhecimentos, comercialização de produtos agroecológicos e das políticas públicas de apoio a estas iniciativas; visualizar os impactos sociais, ambientais, econômicos e culturais resultantes da implantação de grandes projetos agropecuários e de uso e exploração dos recursos naturais, assim como, das políticas de apoio as estes projetos; elaborar as diretrizes de um Plano Agroecológico Amazônico para produção, uso e manejo dos recursos naturais com base agroecológica, considerando os aspectos do acesso a terra e aos recursos, a produção de conhecimento e as formas de financiamento e gestão social; aprofundar o debate conceitual sobre agroecologia, de forma a construir um entendimento coletivo da agroecologia pelos diferentes segmentos sociais e produtivos existentes na região; e definir estratégias de participação dos/as representantes da região amazônica no II Encontro Nacional de Agroecologia ENA, em 2006. Para maiores informações entre em contato com a Comissão executiva da ANA Amazônia: FASE Amazônia Patrícia Mourão, tel.(91) 4005 3759, e-mail: [email protected]; GTNA Romier Sousa, tel. (91) 3231-8413, e-mail: [email protected], PESACRE Ronei e João Batista, tel. (68) 3226 52 88, e-mail: [email protected] e [email protected]


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