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Boletim 186, Por um Brasil Livre de Transgênicos

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 186 - 19 de novembro de 2003

[email protected] [email protected],

Aconteceu ontem na Câmara dos Deputados a primeira reunião da Comissão Especial Temporária destinada a avaliar e dar parecer sobre o Projeto de Lei sobre Biossegurança de autoria do Governo Federal, que tramita em regime de Urgência Constitucional desde o final de outubro.

Nesta reunião, foram apresentados mais de noventa requerimentos solicitando o convite de especialistas para participarem de audiências públicas na Comissão.

Todos os requerimentos foram aprovados e o relator do PL, dep. Aldo Rebelo (PCdoB/SP), se comprometeu a elaborar uma proposta de 3 audiências a partir dos nomes sugeridos. A sugestão mais aceita na reunião foi a de que primeira audiência deveria ter um caráter mais “científico”, a segunda ouviria organizações da sociedade civil, e a terceira teria caráter “político”.

Alguns deputados sugeriram também que a Comissão realize visitas fora de Brasília, por exemplo, a estados produtores de soja.

A proposta do Dep. Rebelo para o cronograma de debates e viagens será apresentada e votada na próxima reunião da Comissão, marcada para a próxima segunda-feira (24/11).

Como já dissemos no Boletim 185, a composição desta Comissão tem ampla maioria de deputados pró-transgênicos e contrários à manutenção do texto do governo na votação da Câmara. Mesmo no PT a composição é desfavorável: quatro deputados pela rápida liberação dos transgênicos contra dois pela cautela. Embora o relator seja um representante do governo na Câmara, a pressão da Comissão dificultará a aprovação de um relatório que mantenha as características do PL.

Neste sentido, solicitamos a todos que enviem mensagens ao Dep. Aldo Rebelo e ao Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, pedindo que a composição da Comissão seja alterada de modo a favorecer a aprovação do PL sem alterações, e que o governo se empenhe de fato na manutenção de seu texto.

As mensagens podem ter o seguinte teor:

“Ilmos. Senhores

José Dirceu
Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República

Dep. Aldo Rebelo
Líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados

Venho manifestar minha profunda preocupação com a forma com a qual vem sendo tratado no Congresso Nacional o Projeto de Lei sobre Biossegurança encaminhado pelo Governo Federal em 29 de outubro deste ano.

Embora o Governo tenha anunciado publicamente que este projeto era fruto de um amplo processo de debate e que contemplava os seus anseios e preocupações, até o momento não atuou de forma a defender a manutenção de seu texto no Congresso.

Pelo contrário, deixou que a composição da Comissão Especial formada para avaliá-lo na Câmara tivesse ampla maioria de deputados favoráveis à rápida liberação dos transgênicos no País e contrários ao Projeto proposto pelo governo -- inclusive nos partidos da sua base aliada.

Neste sentido, peço que o Governo altere a composição da Comissão Especial, garantindo maioria aos parlamentares que apóiam a sua proposta (assim como o fez em projetos que considerou prioritários), e que atue concretamente na defesa de seu Projeto, tanto na Comissão Especial, como nas votações que se seguirão nos plenários da Câmara e do Senado.

Cordialmente,
(nome / entidade).”

As mensagens devem ser enviadas para os e-mails [email protected] e
[email protected]

Você também pode enviar sua mensagem diretamente dos sites www.greenpeace.org.br/transgenicos/?cyber=1&codigo=22 e www.idec.org.br.


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Anvisa nega pedido para ampliar prazo de consulta pública e
mostrar documentos sobre o glifosato

No Boletim 185 contamos que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde) abriu uma consulta pública sobre a solicitação do aumento do Limite Máximo de Resíduos (LMR) de glifosato nos grãos de soja, mas que não disponibilizou os dados necessários à adequada avaliação do tema, e que o prazo concedido para a consulta, de dez dias, era insuficiente para as entidades estudarem o tema e se manifestarem.

O glifosato é o princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, ao qual a soja transgênica Roundup Ready (RR), também da Monsanto, é resistente. Por ser tolerante à aplicação deste agrotóxico, a soja transgênica naturalmente apresenta muito mais resíduos do produto do que a soja convencional, e por este motivo a Monsanto está solicitando o aumento do limite máximo aceitável de resíduos.

Conforme relatamos, várias entidades que compõem a Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos enviaram à Anvisa uma carta solicitando a ampliação do prazo da consulta pública por mais 30 dias e a disponibilização dos estudos apresentados pela Monsanto para justificar seu pedido.

No início desta semana, o Diretor da Anvisa, Ricardo Oliva, respondeu à carta enviada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), dizendo apenas que “encaminhei o documento para a área técnica responsável com a determinação de que seja elaborada resposta circunstanciada aos questionamentos apresentados” e que “(...) conforme compromisso assumido na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, no dia 13 de novembro, a ANVISA convidará setores representativos do campo da Toxicologia, incluindo o IDEC, para discutir a Consulta Pública No. 84/2003 antes do encaminhamento de qualquer decisão.”

Ou seja, a Anvisa não vai disponibilizar os documentos e nem vai ampliar o prazo da consulta. É inaceitável este tipo de conduta por parte do governo. As informações solicitadas não são de interesse comercial, mas de saúde pública. Continuaremos solicitando a abertura dos documentos.


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Neste número:

1. Monsanto pode cobrar royalties do governo
2. Ministério da Agricultura reforça vistoria nas sementes
3. Paranaguá não recebe mais soja transgênica
4. MP não afeta lei do PR contra os transgênicos
5. Justiça de SC ordena retirada de três produtos sem rotulagem
6. Especialista critica projeto de rotulagem de transgênicos
7. Brasil emperra debate internacional sobre "terminator"
8. União Européia adia decisão sobre autorização de transgênicos
9. Demanda européia por milho não-transgênico favorece o Brasil

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Alimentação alternativa para os animais de terreiro

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1. Monsanto pode cobrar royalties do governo
Pelo menos 50,4 mil produtores já assinaram o termo de compromisso, responsabilidade e ajustamento de conduta (TAC) para plantar soja transgênica na safra 2003/2004. A maioria está no Rio Grande do Sul, onde há 50 mil documentos assinados, segundo o Ministério da Agricultura, que usou dados de um levantamento da Federação de Trabalhadores na Agricultura (FETAG) feito nos sindicatos de trabalhadores rurais, cooperativas de crédito e bancos. (...)
Polêmica - Os royalties da soja transgênica poderão ser cobrados do Governo Federal caso a Monsanto avalie que não houve fiscalização suficiente para coibir o plantio de sementes geneticamente modificadas. O alerta é do advogado do escritório Kayatt e Fukuma, Reginaldo Lopes Minaré. “A justiça proibiu o plantio de soja transgênica, mas não houve fiscalização para impedir o uso da tecnologia desenvolvida pela Monsanto. Posteriormente, permitiu-se o plantio das variedades transgênicas, sem estabelecer a cobrança de royalties”, explicou. O ponto de partida da discussão é junho de 1999, quando o juiz da 6° Vara Federal do Distrito Federal, Antônio Souza Prudente, proibiu o plantio e comercialização da soja transgênica no País. “A partir da decisão do juiz Prudente, o Poder Público deveria impedir que os produtores cultivassem as sementes transgênicas contrabandeadas, o que não ocorreu. Por isso, os royalties poderão ser cobrados do governo”, completou.
Se a multinacional fizer essa opção, o caminho judicial é respaldar-se no artigo que trata da Responsabilidade Objetiva do Estado. Previsto no parágrafo 6° do artigo 37 da Constituição Federal, o texto estabelece que o Estado pode ser responsabilizado por não agir em situações nas quais deveria atuar. A Monsanto está negociando a cobrança de royalties com os agricultores. A empresa terá de escolher entre cobrar do governo ou dos produtores.
Apesar de o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) defender que não pode haver cobrança sobre produção (grãos), só sobre sementes, Minaré ressaltou que a Monsanto tem direito de cobrar pela tecnologia durante a comercialização. “A Lei de Patentes não permite patentear plantas ou sementes, mas permite a cobrança da tecnologia usada na produção”, afirmou.
O Estado de S. Paulo, 15/11/03.

2. Ministério da Agricultura reforça vistoria nas sementes
Técnicos da Delegacia Federal de Agricultura começaram ontem a segunda etapa de fiscalização nas unidades produtoras de sementes do Rio Grande do Sul. A primeira vistoria, iniciada em setembro, apontou que 50% das 23 empresas analisadas estavam vendendo produto geneticamente modificado embalado e rotulado como semente registrada. Na ocasião, os testes feitos na Universidade Federal de Pelotas apontaram 17 amostras positivas para transgenia em dez sementeiras.
Conforme o delegado do Mapa no RS, Francisco Signor, a operação, que abrange no total 150 empresas que se dedicam à atividade, deve estar concluída até a data de entrega do termo de compromisso pelos produtores, em 9 de dezembro, para depois ser realizada a verificação a campo. Signor anunciou ainda o reforço de técnicos agropecuários de SC e PR que deverão chegar ao Estado na semana que vem. “Vamos vistoriar as empresas que faltaram e novamente as que deram resultado positivo. Não podemos perder controle do patrimônio genético de valor incalculável”, observou sobre a lei nacional de cultivares.
O presidente da Associação dos Produtores e Comerciantes de Semente e Mudas do RS (Apassul), Narciso Barison Neto, disse que a fiscalização ocorre em um momento inadequado, uma vez que o produtor já não tem mais semente, pois comercializou o que tinha e o restante já foi escoado para a indústria. “O prejuízo já está feito porque a semente foi toda colocada no solo e o momento favorável de venda no mercado internacional ajudou”, afirmou Neto.
Caso sejam encontrados lotes com sementes geneticamente modificadas, eles não poderão ser comercializados, alertou Signor. Além disso, as sementeiras estão sujeitas a multas de R$ 16,1 mil e deverão ressarcir a União pelos gastos com a incineração do produto. O material coletado nesta segunda fase da operação será enviado para análise em laboratórios credenciados pelo Mapa. Os produtores que plantaram com sementes ilegais terão que assinar o documento. Signor frisou que a Delegacia Federal do Mapa vai realizar uma operação, com base na documentação das próprias unidades produtoras de sementes, para identificá-los, para que assinem o termo de compromisso.
Salientou que as empresas são certificadas para produzir sementes certificadas.
Correio do Povo, 18/11/03.

3. Paranaguá não recebe mais soja transgênica
O porto de Paranaguá (PR) suspendeu a recepção da soja transgênica, que estava sendo armazenada em um silo público, com destino ao mercado externo. "O prazo de recepção venceu no dia 15 e não será prorrogado", afirmou ontem ao Valor Eduardo Requião, superintendente do porto e irmão do governador do Estado, Roberto Requião.
Segundo Requião, somente a Cargill não cumpriu o acordo fechado entre as empresas e se recusou a entregar o grão. "A companhia terá de retirar a soja do Estado, muito provavelmente via rodovia", afirmou o superintendente. Procurada, a Cargill disse que não vai comentar o assunto.
Os prazos para a chegada dos navios - dias 24 e 25 - estão mantidos. "Essa soja (um total de 64 mil toneladas) será embarcada", afirmou Requião. O superintendente afirmou, ainda, desconhecer o destino do produto. O governo do Paraná declarou o porto livre de transgênicos.
Requião descartou uma mudança de postura em relação à recepção do grão transgênico. "Depois do embarque, vamos limpar as dependências do porto".
Valor Econômico, 18/11/03.

4. MP não afeta lei do PR contra os transgênicos
A Secretaria da Agricultura (Seab) insiste em receber a lista com os nomes dos 225 agricultores paranaenses que assinaram o Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, assumindo a intenção de plantar soja transgênica no Estado, nesta safra.
O agrônomo Alvir Jacob, da Divisão de Sanidade Vegetal DSV, órgão vinculado ao Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária, diz não entender porque o Ministério da Agricultura se recusa a fornecer a relação dos produtores e não aceita a vontade do Paraná de querer manter seu território como área livre de transgenia. "Todas as informações e metodologias implementadas para o ano de 2003 para o controle da produção de soja foram encaminhadas duas vezes, e não foram aceitas", reclamou Jacob.
Na última sexta-feira (14), o responsável pela DSV, Carlos Alberto Salvador, e outros técnicos da secretaria pretendiam finalizar o terceiro documento contendo um plano de ação provando que o Paraná está livre de soja geneticamente modificada, uma vez que os dois primeiros foram considerados insuficientes pelo ministério. Este plano deverá ser encaminhado ao governo federal amanhã. (...)
Segundo Jacob, o governo do Paraná não vai abrir mão de defender os seus interesses, definidos na Lei Estadual 10.162/03, cujo benefício agregará valor ao produto agropecuário. Alvir Jacob acredita que a demanda por produtos convencionais na área vegetal e os seus sub-produtos, usados na alimentação humana e animal, terão um incremento excepcional, a partir da determinação do governador Roberto Requião. "E para fazer valer a lei, todas as ações necessárias ao controle e fiscalização da produção de soja, em especial da safra 2003/2004, estão sendo rigorosamente tomadas", comenta.
Para reforçar o cumprimento da lei, a Secretaria da Agricultura está definindo mecanismos para a contratação de mais técnicos (agrônomos e veterinários). O objetivo é intensificar o trabalho de controle de qualidade nas várias etapas da cadeia produtiva da cultura, principalmente após a divulgação, pelo Ministério da Agricultura, de que existem agricultores interessados em plantar soja transgênica. Além da inspeção nas lavouras, os fiscais terão ainda, como missão, convencer os produtores a não contrariarem a lei estadual, que foi sancionada para ser cumprida e respeitada. (...)
O Estado do Paraná, 16/11/03.

5. Justiça de SC ordena retirada de três produtos sem rotulagem
Três produtos alimentícios que, segundo a Justiça, possuem entre seus componentes organismos geneticamente modificados e não informam tal condição em seus rótulos ao consumidor terão de ser retirados das prateleiras dos supermercados de Santa Catarina, por decisão judicial inédita.
Uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual e acatada anteontem pela Vara da Fazenda de Florianópolis apontou que uma sopa instantânea, um leite de soja e um suplemento alimentar não estariam seguindo as regras do Código de Defesa do Consumidor e de uma lei estadual que regula a comercialização de transgênicos no Estado.
Por ordem da Justiça, desde ontem os fabricantes dos produtos deveriam recolher as unidades da "Sopa de carne com macarrão conchinha Knorr", da Unilever Bestfood Brasil, do leite "Aptamil Soja 1", da Support Produtos Nutricionais, e do suplemento alimentar "SupraSoy", da Josapar.
Desobedecer à ordem, que tem 15 dias para ser cumprida, dará multa de R$ 100 mil por dia.
Todas as empresas citadas se pronunciaram por nota e negaram o uso de componentes geneticamente modificados.
A Unilever afirmou que "mantém controle das matérias-primas tanto com os seus fornecedores como por meio da realização de testes internos". A Josapar informou que a "matéria-prima do produto SupraSoy é produzida a partir de soja brasileira não-transgênica". A Support Produtos Nutricionais afirmou que o leite "Aptamil Soja 1", "não contém organismo geneticamente modificado" e que encaminhou laudo, em outubro de 2003, à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que comprovaria o fato.
"Tenha o produto o percentual que tiver de transgênicos na sua formulação, o consumidor há de sabê-lo para o fim de decidir se o consome ou não (...). A polêmica relativa aos transgênicos, se nocivos ou não à saúde humana e animal, não integra o conjunto das preocupações do juízo, mas apenas o direito de informação mais amplo possível", afirmou o juiz Domingos Paludo, no despacho.
Segundo o promotor Fábio de Souza Trajano, da Promotoria de Defesa do Consumidor, testes feitos pela Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, revelaram que os três produtos tinham entre seus componentes proporções da soja transgênica Roundup Ready, produzida pela Monsanto.
Por recomendação da promotoria, os supermercados do Estado estão colocando em suas gôndolas cartazes que indicam quando um produto contém transgênico. O Estado, assim como o Paraná, tem lei, aprovada no ano passado, que impõe regras para a comercialização de transgênicos e proíbe a plantação de grãos geneticamente modificados.
De acordo com a lei, todo produto que contenha transgênicos precisa registrar a condição no rótulo, independentemente da quantidade. Porém a medida provisória nº 131, que permitiu o plantio de soja transgênica na safra 2003/ 2004, exige a rotulagem quando a presença transgênicos ultrapassar o limite de 1%.
Folha de São Paulo, 19/11/03.

6. Especialista critica projeto de rotulagem de transgênicos
Se aprovado como está, o projeto de lei que regulamenta atividades envolvendo transgênicos pode fazer com que o consumidor adquira, inadvertidamente, produtos geneticamente modificados. O alerta do pesquisador da Fundação Oswaldo Crus (Fiocruz), Victor Augustus Marin, foi dado em 17/11 no Seminário Nacional sobre Transgênicos.
Segundo Marin, especialista em segurança alimentar, embora a proposta encaminhada pelo governo ao Congresso determine a rotulagem de produtos geneticamente modificados, ela não especifica a técnica de análise que dever ser usada nem a margem de erro do teste. O projeto remete a questão do decreto 4.680, de abril deste ano, que estabelece que o produto cuja composição tenha mais de 1% de material transgênico deve ser rotulado.
“Do jeito que está, parece que em 100 gramas do produto pode ter até 1 grama de transgênico sem que a rotulagem seja obrigatória. E não é o caso”, observa Marin. Ele esclarece que o material precisa ser submetido à análise de PCR (reação em cadeia de polimerase) quantitativa, na qual se extrai o DNA da soja transgênica e da soja convencional para chegar à proporção exata de material modificado.
“A porcentagem de DNA é em microgramas. Como o limite é 1%, entendo a legislação do jeito que está, você nunca vai rotular nada. É preciso rever isso”, ressalta o pesquisador do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, da Fiocruz.
O Estado de S. Paulo, 18/11/03.

7. Brasil emperra debate internacional sobre “terminator”
“Terminator” -- ou esterilização genética de sementes -- tem estado na pauta da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas (CBD) por cinco anos. Se as “Gigantes Genéticas” e os Governos seguirem no caminho atual, a CBD vai conduzir estudos sobre a tecnologia “Terminator” por muitos anos, muito depois de sementes suicidas estarem sendo comercializadas e aparecerem nos campos de agricultores.
No nono encontro do Corpo Consultivo Científico da CBD (SBSTTA 9) realizado entre 10 e 14 de novembro em Montreal, Canadá, quatro governos -- Canadá, Nova Zelândia, Argentina e BRASIL -- estavam impedindo a discussão e tentando ganhar tempo em ações contra o “Terminator”, insistindo que o CBD adiasse as considerações sobre um relatório técnico de especialistas sobre os impactos da esterilização genética de sementes, alegando que este relatório era desprovido de rigor científico. Embora o relatório siga para a próxima Conferência de Grupos (COP7), em fevereiro, em Kuala Lumpur, na Malásia, ele irá com uma recomendação para que a COP7 se prive de ações e redirecione o relatório para o próximo encontro do corpo científico (SBSTTA10) -- em fins de 2004 ou 2005 --com objetivo de servir de consulta para o COP8 em 2006!
“Isto é uma tática horrorosa para atrasar ações contra sementes “Terminator”, disse Yoke Ling Chee, representante da Malásia na organização Third World Network (Rede de Trabalho do Terceiro Mundo). “As Gigantes Genéticas sabem que a CBD já aceitou uma fraca e parcial moratória sobre GURTs (o CBD refere-se ao “Terminator” como GURTs -- tecnologia genética de restrição de uso) e isto é uma manobra desonesta para evitar a discussão e transferi-la para COP7).
A ação de desacreditar o Relatório do grupo de especialistas é especialmente maliciosa porque o mandato explícito do grupo não era para conduzir uma avaliação da tecnologia “Terminator” -- que foi realizada anos atrás -- mas para examinar os impactos do “Terminator” para pequenos agricultores, povos indígenas e comunidades locais. De acordo com isso, o grupo de especialistas inclui representações de povos indígenas, organizações de agricultores, bem como a sociedade civil, cientistas, indústria e governos.
“A decisão da SBSTTA9 é errada e perigosa”, disse Alejandro Argumedo, da Rede de Biodiversidade de Povos Indígenas. “Dar a quatro governos o direito de desestruturar um relatório do impacto do “Terminator” em povos indígenas e comunidades locais é como dizer que as vozes destas comunidades não são importantes, e os impactos sócio-econômicos do “Terminator” podem ser esquecidos”, disse Argumedo.
O Golpe das Indústrias de Sementes na SBSTTA9:
A presença da Monsanto e da Delta&Pine Land na SBSTTA9 deve ter algo relacionado com a surpreendente objeção dos quatro governos ao Relatório do Grupo de Especialistas sobre “Terminator”. Um funcionário da Monsanto estava presente na SBSTTA9 como representante da Organização das Indústrias de Biotecnologia, e o Vice-Presidente de Transferência de Tecnologia da Delta&Pine Land era o representante da Federação Internacional de Sementes. Ainda este ano, estes dois representantes das indústrias foram co-autores de um artigo defendendo GURTs e exaltando suas virtudes teóricas para pequenos agricultores e povos indígenas. Tanto a Monsanto quanto a Delta&Pine Land têm vastos interesses na tecnologia “Terminator” (a Delta&Pine Land detém três patentes de esterilização genética de sementes em conjunto com o governo americano. Apesar de em 1999, o então presidente da Monsanto assumir compromisso público de não desenvolver sementes “terminator”, estão aparecendo evidências -- incluindo a defesa do “Terminator” por um de seus funcionários -- de que a Gigante Genética está mudando de atitude).
Colheitas estéreis em breve:
“Enquanto a CBD está analisando artigos e conduzindo estudos formais, as Gigantes Genéticas multinacionais estão conquistando novas patentes e planejando testes de campo com sementes estéreis para breve. Se atrasos como estes de Montreal continuarem, teremos colheitas estéreis em campos de agricultores em um ou dois anos. Se a CBD falhar em ter uma decisão ativa para prevenir a comercialização de sementes “Terminator”, será uma profunda traição de seu mandato para proteção a biodiversidade”, disse Hope Shand, do ETC Group.
www.etcgroup.org, 14/11/03.

8. União Européia adia decisão sobre autorização de transgênicos
O Comitê Europeu da Cadeia Alimentar e Saúde Animal, no encontro de 10 de novembro, adiou a decisão de aprovar ou não uma variedade de milho geneticamente modificado -- Syngenta Bt-11 -- para uso alimentar na União Européia. Uma decisão positiva pode marcar o fim da moratória para aprovação de organismos geneticamente modificados, em vigor desde 1998 e atualmente sendo questionada na OMC. A votação deverá acontecer no próximo encontro do Comitê, em 12 de dezembro. (...)
O encontro do Comitê foi acompanhado de protestos de grupos da sociedade civil contra a aprovação. O grupo ambientalista Greenpeace pediu aos países que rejeitassem a aprovação. “O milho doce enlatado não traz nenhum benefício, somente preocupações com a saúde e o meio ambiente, portanto, não basta um mês de adiamento, mas uma rejeição à autorização”, disse Eric Gall, do Greenpeace. A Amigos da Terra da Europa ataca dizendo que o atraso é uma “vitória do senso comum”. Eles expressam a preocupação pelo fato de o milho transgênico não ter sido avaliado sob o novo processo de autorização, que eles dizem ser “mais completo e transparente”. (...)
Agência Reuters, 15/11/03.

9. Demanda européia faz preço do milho subir no mercado interno
A demanda da Europa por milho brasileiro está sustentando os preços do grão no mercado interno. As cotações, que vinham pressionadas durante o mês de outubro, começaram a se recuperar nas duas últimas semanas quando os europeus ficaram mais agressivos nas compras. A recente valorização do dólar em relação ao real também estimulou as vendas, segundo analistas e cooperativas. (...)
A Europa vêm comprando milho brasileiro -- um dos atrativos é fato de o produto ser não-transgênico -- desde 2001, mas este ano há um motivo a mais: a quebra da safra de milho européia, que levará o continente a importar 7 milhões de toneladas, segundo estimativa de traders. O Brasil também ganhou terreno depois que a China -- um fornecedor da Europa -- anunciou, recentemente, a suspensão das exportações de milho, por conta de um aumento da demanda interna, observa Roberto Petrauskas, superintendente comercial da Coamo -- Cooperativa Agropecuária Mourãoense.
Um trader também explica que o Brasil leva vantagem em relação aos Estados Unidos por vender milho não-transgênico. Como algumas variedades de milho geneticamente modificado não são permitidas na Europa, os países preferem não comprar dos Estados Unidos, pois não há segregação de grãos naquele país.
Valor Econômico, 18/11/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Alimentação alternativa para os animais de terreiro
Dona Eliete é agricultora e agente de saúde do Sítio Salgado de Souza, no Curimataú de Solânea, na Paraíba. Com seu marido e cinco filhos, cria galinhas, ovelhas, cabras, além de gado e de um cavalo.
Dona Eliete tem grande experiência no preparo de ração forte para as galinhas, livrando-se assim de ter que comprar o farelo ou o milho nas lojas de ração.
A família planta muito feijão-guandu e sorgo, que são oferecidos para os animais maiores. A produção dos grãos destas plantas é armazenada por Dona Eliete e quando os animais estão presos, é usada para alimentar as galinhas e os pintinhos. Para as galinhas, dona Eliete oferece os grãos inteiros duas vezes ao dia. Quando o roçado está maduro e os bichos estão soltos, ela dá somente uma vez por dia.
Para os pintinhos, dona Eliete criou uma ração forte utilizando várias misturas. Ela passa na máquina forrageira a mistura das seguintes sementes: 15 litros de milho, 10 litros de guandu ainda na vagem, 5 litros de amendoim também na vagem e 8 quilos da mistura de semente de girassol, jerimum e moringa. Quando prepara quantidades menores ela passa no moinho. Usa essa ração para ajudar no crescimento dos pintinhos. A família ainda faz a experiência de criar os pintinhos presos num quarto debaixo da lâmpada, separados das galinhas. Seu Luiz, marido de dona Eliete, explica que assim consegue tirar o choco das galinhas mais rápido e logo elas voltam a pôr ovos novamente.
No final da época do roçado os animais são mantidos soltos. Neste período ela não se preocupa muito com a alimentação dos bichos. Eles comem muitas plantas do mato, como pega-pinto, seca-gaveta, bredo, avanço e outras.
Essas e outras experiências são freqüentemente apresentadas pela família em várias visitas de intercâmbio, reuniões e encontros de agricultores-experimentadores realizadas no município ou fora dele.
Informativo da Agricultura Familiar, AS-PTA-Paraíba.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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