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Boletim 145, Por um Brasil Livre de Transgênicos

 

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 145 - 31 de janeiro de 2002

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As entidades que compõem a Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, assim como milhares dos leitores deste boletim, estão voltando de Porto Alegre cheios de ânimo esta semana. O 3º Fórum Social Mundial foi uma grande oportunidade de encontros e um importante espaço para discussões, trocas de experiências e aprendizado.

No tema dos transgênicos, o ponto alto foi a presença do agricultor canadense Percy Schmeiser, que tornou-se conhecido mundialmente por ter tido seus campos de canola convencional contaminados pelos transgenes de vizinhos e, como conseqüência, ter sido processado pela Monsanto, acusado de violar a patente da empresa.

A Monsanto é a maior produtora e difusora de sementes transgênicas do mundo, concentrando mais de 90% deste mercado. É também uma líder mundial na venda de agrotóxicos. Seu carro chefe é o herbicida de amplo espectro Roundup, ao qual 77% das sementes transgênicas hoje plantadas no mundo são associadas (o agricultor é, inclusive, obrigado por contrato a utilizar o Roundup quando compra sementes transgênicas RR).

Em seu primeiro testemunho, assistido por cerca de 500 pessoas, Percy, de 72 anos, contou detalhes de sua história, chocando o público com informações sobre seu processo e sobre o procedimento da Monsanto em seu país. Ele já perdeu em primeira instância o processo movido pela empresa. Teve que pagar 250 mil dólares canadenses por custas processuais até o momento. Percy está recorrendo da decisão, e terá que pagar mais 50 mil dólares canadenses para a próxima etapa do processo -- o julgamento na Suprema Corte do Canadá. Por ter decidido enfrentar a multinacional multibilionária, Percy e sua esposa gastaram todas as economias que fizeram ao longo da vida e tiveram que hipotecar sua casa e sua fazenda. A Monsanto exige nada menos que um milhão de dólares do agricultor, acusado de ter “usado a semente da empresa sem licença”.

A decisão que o juiz de primeira instância proferiu sobre o caso Schmeiser chega a dizer que “não importa como o gene da Monsanto chega à propriedade do agricultor; seja por aquisição ilegal, seja por dispersão ou por polinização cruzada, se o gene estiver presente na lavoura, em qualquer porcentagem, a lavoura passa a ser propriedade da Monsanto”.

Schmeiser também falou sobre seu caso no debate sobre transgênicos realizado durante o Seminário sobre Agricultura Sustentável, organizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) com o apoio das entidades que compõem a Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”. Lá acabou emocionando o público com seu exemplo de coragem e determinação, assumindo junto com sua família o desgaste e os custos de lutar enquanto puder por uma causa que não considera só sua, mas em favor dos direitos dos agricultores de todo o mundo.

Nós tivemos a oportunidade de gravar dois depoimentos de Schmeiser durante o Fórum, com os quais pretendemos produzir um vídeo e uma publicação, ambos para distribuição gratuita. Para quem lê inglês, já há bastante material disponível sobre o caso no site www.percyschmeiser.com.

Outro acontecimento importante sobre o tema dos organismos geneticamente modificados foi a manifestação organizada pela Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”. Na manhã de 27 de janeiro as organizações não governamentais (ONGs) levaram ao escritório da Monsanto em Porto Alegre dez mil pratos de papelão com mensagens de participantes do Fórum Social de todas as partes do mundo, dizendo que queremos a Monsanto e seus produtos contaminados fora da nossa comida. Enquanto levávamos as caixas que comportavam as dez mil mensagens, ativistas do Greenpeace escalaram o prédio onde fica o escritório da empresa e estenderam um enorme banner com os dizeres “Fora do Nosso Prato / Out of Our Food”. Os funcionários da Monsanto saíram pelos fundos e fecharam o escritório para não receberem as mensagens, que foram depositadas na portaria do prédio.

Nesta ocasião também foi lançado o informativo intitulado “Monsanto - fora do nosso prato”, publicado pelo Greenpeace para divulgação no Fórum Social Mundial (disponível no site www.greenpeace.org.br).

Outra atividade importante da Campanha no evento internacional foi a articulação com entidades que promovem campanhas contra transgênicos em outros países. Tivemos a oportunidade de trocar informações importantes e montar uma agenda para a organização de uma estratégia internacional de luta contra a liberação indiscriminada de produtos transgênicos antes que esteja comprovada sua segurança para a saúde humana e para o meio ambiente.

No plano político temos também algumas novidades sobre o tema. Todos os setores interessados nesta questão estão se mexendo no sentido de buscar apoio do novo governo. O jornal Via Ecológica (www.viaecologica.com.br) publicou, em 28/01, matéria sobre a visita que o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda, fez ao vice-presidente José Alencar para solicitar “nada menos que o apoio do vice-presidente da República para que tenha andamento o processo que tramita no Ministério do Meio Ambiente e Ibama para liberar a exploração de algodão transgênico no Brasil”.

Enquanto isso, no encerramento do seminário sobre Agricultura Sustentável promovido pelo ISA no Fórum Social Mundial, em 27/01, a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o novo governo adotará o Princípio da Precaução no que se refere aos transgênicos e, mais que isso, “que não faz sentido o novo governo federal continuar fazendo parte, junto com a Monsanto, de um recurso que visa a derrubar a decisão judicial que torna obrigatória a realização do Estudo de Impacto Ambiental previamente a qualquer liberação comercial de transgênicos no meio ambiente”.

Já em entrevista publicada pelo jornal Valor Econômico, em 27/01, o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou: “O governo não tem posição sobre os transgênicos, enquanto a questão estiver no STJ. Está sob judice. Dependendo da decisão, vamos discutir cientificamente”. Em 25/01 Rodrigues disse ao jornal O Estado de São Paulo que “Enquanto a justiça não decidir se pode ou não, eu não vou discutir a questão dos transgênicos. Esse é um problema do judiciário e a orientação do poder executivo é a de não interferir em questões da justiça”.

Outro acontecimento recente importante foi a posse do novo presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, em 24/01. Em seu discurso de posse, Campanhola afirmou que o trabalho da Embrapa será baseado no Princípio da Precaução. Entre as linhas mestras apresentadas para a Embrapa no governo Lula, Campanhola citou “Gerar informações e resultados científicos sobre impactos no meio ambiente e na saúde humana que podem ser causados por plantas e outros organismos transgênicos que orientem a tomada de decisões quanto ao seu uso adequado na agricultura. Enquanto esses resultados não forem gerados, deve-se adotar o ‘princípio da precaução’, de modo que a biossegurança seja garantida”.

Enfim, parece que veremos a Embrapa fazer o que lhe compete e é direito, ao invés de defender de maneira escandalosa os interesses da multinacional Monsanto, como tem feito durante os últimos anos.

Entre outras linhas importantes citadas pelo novo presidente da Embrapa estão “dar prioridade à agricultura familiar e à transferência de tecnologia a esse grupo de agricultores”; “incorporar a preocupação ambiental nas ações de Pesquisa & Desenvolvimento, pois há demanda crescente da sociedade brasileira pela preservação das áreas de risco de degradação e pelo uso conservacionista dos recursos naturais voltados para a produção agropecuária, principalmente no que diz respeito à quantidade e qualidade dos recursos hídridos”; e “apoiar os programas sociais do governo Lula, com prioridade ao projeto Fome Zero, no sentido de que o desenvolvimento tecnológico possa contribuir para a produção de alimentos de qualidade a baixos custos e com apoio à incorporação de agricultores familiares e assentados da reforma agrária nesse processo”.

Sobre os transgênicos, há um jogo de forças não muito confluentes dentro do primeiro escalão do governo Lula e de órgãos próximos. O discurso oficial tende para o lado da Precaução. Em verdade, o respeito ao Princípio da Precaução foi um compromisso assumido por Lula em sua campanha presidencial e até o momento não temos motivos para desconfiar que não será cumprido. Embora o contexto não incentive o descanso das entidades que estão brigando por mais segurança.

As entidades que compõem a Campanha continuam empenhadas na tentativa de conversar com o Presidente Lula e com os ministros de pastas relacionadas ao tema, com o objetivo de apresentar e discutir propostas de políticas e ações objetivas sobre a questão.

Errata:
No Boletim 144 cometemos um erro ao divulgarmos os dados da pesquisa sobre a opinião dos brasileiros a respeito dos transgênicos, realizada pelo Ibope entre os dias 7 e 10 de dezembro de 2002. Dissemos que “segundo a pesquisa, apenas 37% dos brasileiros já ouviram falar de transgênicos. Entre as pessoas que conhecem OGMs, 71% dizem que, se pudessem escolher, prefeririam consumir alimentos que não os contivessem.” Em verdade a porcentagem de entrevistados que disseram preferir alimentos convencionais aos transgênicos é sobre o número total de entrevistados, e não só sobre os que disseram já terem ouvido falar de transgênicos. Para tanto, o Ibope utiliza uma metodologia em que os entrevistados que declaram não conhecer o assunto têm acesso a um pequeno texto explicativo e, em seguida, respondem o restante das questões.

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Neste número:

1. Agricultor canadense processado pela Monsanto relata danos causados pela transnacional à agricultura de seu país
2. China libera compra de soja brasileira
3. Milho transgênico importado por SC virará amido e será reexportado
4. Acusação americana de que 60% da soja brasileira é transgênica é absurda
5. Gata clonada escapa da ditadura dos genes
6. Monsanto vende mais veneno no Brasil
7. Empresa Neozelandeza clona vacas transgênicas para produzir leite com mais proteína
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Resgate e conservação de sementes crioulas

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1. Agricultor canadense processado pela Monsanto relata danos causados pela transnacional à agricultura de seu país
Após mais de 50 anos cultivando sementes de canola, o agricultor canadense Percy Schmeiser, de 72 anos, teve suas terras contaminadas por espécies transgênicas e ainda foi surpreendido com um processo da multinacional Monsanto, em 1998.
Em seu testemunho, na tarde desta sexta-feira, na PUC, durante o Fórum Social Mundial, Schmeiser falou das atrocidades cometidas pela Monsanto em seu país. As sementes foram parar em sua plantação carregadas pelo vento ou trazidas por pássaros a partir das propriedades de seus vizinhos, que as utilizaram em 1996. Para a transnacional, isso não importa. "Os 50 anos de trabalho meu e de minha família viraram propriedade da Monsanto”, conta.
Os agricultores canadenses passaram a cultivar sementes transgênicas em 1996. Sem saber o que isso significava, acreditaram nas palavras da transnacional e o resultado não é nada animador. Antes de utilizarem sementes geneticamente modificadas, o maior problema dos agricultores tradicionais era a contaminação do solo e da água por agrotóxicos.
Para vender a semente, a Monsanto disse que os agricultores usariam menos agrotóxicos. Após três anos, no entanto, as sementes de canola e soja tornaram-se resistentes aos químicos, precisando de cinco vezes mais agrotóxicos para ser possível a produção.Além disso, os agricultores não conseguem mais exportar para a União Européia, que não aceita transgênicos. Os preços caíram pela metade e a colheita tem menor qualidade. (...)
Schmeiser atentou para o fato de que, existindo uma plantação de transgênicos, mesmo que instalada para experimentos, é impossível conter o avanço desta para outras plantações. "As sementes geneticamente modificadas são dominantes entre as plantadas de forma orgânica ou tradicional, não há como destrui-las", disse. No Canadá, os produtores orgânicos foram os mais prejudicados.
O caso de Schmeiser está, neste momento, na Corte Suprema do Canadá e espera um
resultado para abril. Porém, houve alguns avanços na luta contra os transgênicos naquele país, como no final do ano passado, quando a Corte Suprema decidiu que formas superiores de vida (o que inclui sementes e plantas) não podem ser patenteadas.
De qualquer modo, os prejuízos deixam marcas profundas na agricultura familiar. "Perdemos nossa biodiversidade, não temos mais a semente pura. Enquanto estivermos vivos, eu e minha esposa lutaremos contra a Monsanto", finalizou Schmeiser.
Declaração Fórum Social Mundial, Porto Alegre, jan/03.

2. China libera compra de soja brasileira
A balança comercial (brasileira) teve saldo de US$ 380 milhões na semana passada, o melhor resultado semanal de janeiro. Com isso, o superávit comercial do país acumula US$ 888 milhões este ano. Neste mês, o Brasil exportou média de US$ 218,1 milhões por dia, 20,8% acima da registrada em janeiro do ano passado. Já as importações apresentaram queda de 4%, com média diária de US$ 165,8 milhões este mês.
As vendas dos principais itens de pauta para exportação brasileira estão em alta. Os embarques de soja estão duas vezes maiores do que em janeiro do ano passado e devem aumentar ainda mais, pois o governo chinês informou ontem ter aceito as garantias do Brasil de que a soja do país é segura, livre de sementes transgênicas, e retomou as encomendas, suspensas desde dezembro. (...)
Valor Econômico, 28/01/03.
Em 2002, a China se tornou o principal comprador da soja brasileira em grão, adquirindo 4,142 milhões de toneladas, ou 26% do total exportado pelo país, segundo a Abiove. “os chineses devem importar de 4 milhões e 5 milhões de toneladas esse ano”, diz Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Para Odilson Ribeiro, diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal (Ministério da Agricultura), o Brasil pode ampliar sua participação pois “os chineses garantiram que preferem soja não transgênica”.
Jornal do Brasil, 28/01/03.
N.E.: São simplesmente inegáveis as vantagens comerciais brasileiras ao mantermos o status de produtores de grãos não-transgênicos. Ao noticiar as questões envolvendo as restrições chinesas à soja brasileira contaminada com grãos transgênicos provenientes das lavouras clandestinas do Rio Grande do Sul, setores interessados na liberação dos transgênicos e mesmo alguns veículos da grande imprensa vêm dando a interpretação de que a melhor saída para o Brasil seria liberar o cultivo comercial de grãos geneticamente modificados para assim podermos atestar que nossa soja é transgênica e segura para o consumo, o que não atrapalharia as vendas para a China ou outros países. Está claro para todos que a China tem preferência por soja não-transgênica. Até setembro deste ano o país aceitará um certificado provisório informando a natureza da soja exportada e, no caso da soja transgênica, anexado de documentos que “comprovem” sua segurança para o consumo. Não está claro para ninguém quais exatamente serão as exigências a partir de setembro. O que está claro para todos é que a sinalização da China é pela restrição aos produtos modificados. A melhor alternativa para o Brasil é, sem dúvida, acabar com a contaminação e oferecer no mercado internacional soja garantidamente não-transgênica.

3. Milho transgênico importado por SC virará amido e será reexportado
O milho transgênico apreendido recentemente em Itajaí (SC) poderá se transformar em amido para exportação. A proposta oficial da empresa importadora do produto norte-americano foi encaminhada na sexta-feira ao Ministério da Agricultura. A solução será estudada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A resposta deve sair esta semana. A empresa afirma que o milho em questão é o Mon -810, produzido pela Monsanto, reconhecido pela Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio) e autorizado para uso em ração animal. [sic]
Gazeta Mercantil, 27/01/03.
N.E.: Nenhuma variedade de milho transgênico está autorizada para consumo animal no Brasil. Em 2000 a CTNBio emitiu um comunicado declarando a segurança de 5 variedades de milho transgênico e “autorizando” sua utilização em rações animais. No entanto, o uso comercial de transgênicos, seja para consumo humano ou animal, está proibido pela Justiça desde 1998. De acordo com a decisão judicial em vigor, a CTNBio está inclusive impedida de autorizar qualquer uso comercial de transgênicos. Ou seja, o comunicado em questão não tem valor.

4. Acusação americana de que 60% da soja brasileira é transgênica é absurda
Artigo publicado na revista de economia Internacional, da Comissão de Comércio dos EUA, afirmou que produtores rurais, principalmente do sul do Brasil, “plantam soja modificada e não registrada a partir da Argentina”. O texto assinado pelo economista James Stamps conclui que, embora produtos modificados sejam proibidos no Brasil “fontes da indústria norte-americana estimam que 60% da soja plantada no Brasil seja de variedade transgênica”. O governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura, desmentiu as informações veiculadas pela revista. (...)
Exatamente por causa da proibição do plantio de soja transgênica, o Brasil é hoje o maior fornecedor de soja para a União Européia tendo derrubado a liderança norte-americana. Em 1997, os EUA vendiam US$ 2,3 bilhões em soja para a UE. Em 2001 essas vendas caíram para US$ 1,1 bilhão. Em contrapartida, o Brasil aumentou nos últimos anos o volume de soja exportada para a UE: em 2001, 9,7 milhões de toneladas, contra 7,3 milhões de toneladas em 2000. As compras de soja brasileira pela UE representam mais de 60% das exportações do produto. (...)
Dados do Ministério da Agricultura mostram que toda a produção de soja do Rio Grande do Sul representa menos de 20% da produção brasileira. Portanto, mesmo com os riscos de plantio ilegal de soja transgênica naquele Estado, denunciados pela revista, isto não representaria de modo algum 60% da produção do País. Vale notar que o economista Stamps não apresentou as fontes ou a metodologia para suas afirmações. (...)
O Estado de São Paulo, 23/01/03.

5. Gata clonada escapa da ditadura dos genes
Rainbow é uma típica gatinha malhada: tem manchas marrons, castanhas e douradas. Cc (cópia carbono), seu clone, apresenta apenas listras acinzentadas. Rainbow é reservada, Cc é curiosa e brincalhona. Rainbow tem pêlo grosso, Cc apresenta uma pelagem mais macia. As diferenças não chamariam a atenção se Cc não fosse um clone de Rainbow. Em tese, já é possível clonar gatos de estimação, mas o clone não terá necessariamente a mesma personalidade ou sequer a aparência exata do original, como mostram Cc e Rainbow. Cc acaba de completar um ano. Seu nascimento, em dezembro de 2001, fez história. Ela é o primeiro clone do mundo de um animal de estimação. A criação de Cc foi financiada pela Genetic Savings & Clone, uma empresa que pretende lucrar oferecendo às pessoas possibilidade de clonar seus animais de estimação. Quem espera que a clonagem possa trazer de volta um animal de estimação poderá se desapontar -- disse Duana Kramer, um dos especialistas da equipe da Universidade Texas A&M responsável pela clonagem de Cc. Segundo ele, o meio ambiente é tão importante quanto os genes para determinar a personalidade de um animal. Com a apresentação das gatas, Kraemer e seus colegas pretendem deixar claro que não há ditadura genética. Além disso, ter o mesmo DNA não é garantia de se conseguir um padrão idêntico de pelagem em gatos, pois as cores dos felinos também são influenciadas por fatores que ocorrem durante a gestação e não são determinados pela clonagem.
O Globo, 23/01/03.
N.E.: Esta notícia só evidencia o fato de que o código genético, as interações entre os genes entre si e com o meio e, mais ainda, as manipulações genéticas, são temas ainda absolutamente obscuros para a ciência de hoje. Liberar produtos oriundos de engenharia genética apenas com base nos dados disponíveis hoje é um ato de completa irresponsabilidade.

6. Monsanto vende mais veneno no Brasil
A divisão brasileira da Monsanto aumentou mais de 5 vezes a exportação de componentes químicos para a fabricação de agrotóxicos. Aumentando as exportações de US$ 30 milhões em 2001 para 165 milhões em 2002, com a abertura de uma nova fábrica em Camaçari no nordeste da Bahia. (...)
A fábrica produz os componentes químicos para a preparação do herbicida Roundup. Estes produtos são exportados para países como Argentina, Bélgica e Zarate, que anteriormente recebiam estes produtos dos EUA. (...)
Rich Greubel, presidente da Monsanto no Brasil, disse que 30% das vendas da empresa no País vêm de sementes convencionais, uma vez que no Brasil o cultivo comercial de sementes transgênicas está proibido.
“É difícil prever a demanda que teremos no Brasil se houver a liberação comercial das sementes de soja Roundup Ready”, disse Greubel. “Mas nós estaremos preparados para investir e suprir o mercado local, caso as sementes sejam liberadas”.
Reuters, 22/01/03.

7. Empresa Neozelandeza clona vacas transgênicas para produzir leite com mais proteína
Em Christchurch, Nova Zelândia, pesquisadores da empresa AgResearch anunciaram a bem sucedida clonagem de vacas geneticamente aprimoradas para produzir leite rico em proteínas, para consumo humano diário e uso medicinal. (...)
Nove das 11 vacas clonadas produzem leite que contém quantidades muito superiores de duas proteínas, entre 8% e 10% a mais caseína e o dobro da kapa-caseína. A Nova Zelândia é um dos principais exportadores mundiais de leite bovino em pó, de manteigas e de queijos. (...)
A AgResearch informa que as nove vacas clonadas resultam de um único animal transgênico, alterado geneticamente.
A qualidade protéica do leite das vacas transgênicas neozelandezas é tão superior ao comum, que ainda inexiste nicho de mercado para ele. O leite destina-se às fábricas de derivados, ao consumo humano direto e para a alimentação de pessoas hospitalizadas e necessitadas de nutrição balanceada. (...)
(...) No total, a AgResearch realizou 126 tentativas de clonagem com vacas, para só agora conseguir obter as 11 vacas que estão vivas e saudáveis. Desde o nascimento de Dolly, em 1997, pesquisadores de diferentes países conseguiram clonar ratos, vacas, cabras, porcos, coelhos e gatos. Entretanto, a clonagem fracassou com os macacos.
Apenas uma em cada seis tentativas de clonagem de mamíferos conseguiu chegar ao nascimento. Mas um bom número dos animais clonados morreu pouco depois de nascido, e muitos dos que sobreviveram sofrem de deficiências congênitas ou de deformidades graves.
Inúmeros problemas foram constatados em muitos dos clones sobreviventes, no mundo todo, destacando-se a má-formação congênita de órgãos como o coração, pulmões, rins; a hipertrofia do fígado; deformidades físicas, deficiências do sistema imunológico, envelhecimento precoce e artrite precoce.
Jornal do Commercio, 28/01/03.
N.E.: As empresas que desenvolvem este tipo de “produto” têm objetivos apenas comerciais, sendo desprovidas de qualquer preocupação genuína com a qualidade do leite consumido pela população ou pelos desnutridos nos hospitais. Para incrementar a dieta de desnutridos com proteína, nada melhor do que a diversificação da dieta, de preferência com produtos agroecológicos (especialmente nos casos de pessoas com saúde debilitada). É muito mais barato e não apresenta riscos.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Resgate e conservação de sementes crioulas
Em Mampituba, no litoral norte do Rio Grande do Sul, a Emater/RS e o Conselho de Clubes das Mães desenvolvem, em parceria com 15 comunidades rurais, o Projeto Alimentação. Um dos eixos principais do trabalho é a troca de sementes, que começou há três anos e tem como objetivo garantir a segurança alimentar das famílias através do resgate da cultura local e do hábito de cultivar, colher e trocar inços (termo usado localmente para designar mudas, sementes ou batatas). O intercâmbio busca uma alimentação saudável através da diversificação e da produção de alimentos, do entrosamento entre os vizinhos, do resgate e das trocas de técnicas de cultivo e da manutenção da diversidade de sementes das comunidades locais. Coube à Emater e ao Conselho de Clubes das Mães otimizar o fluxo de trocas e catalogar (com o registro das pessoas e das mudas que elas cultivam, denominadas de guardiãs) e organizar a coleção e o estoque das sementes.
30 experiências em Agroecologia e Participação Popular, EMATER/RS: set./02.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, IDEC, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: [email protected]]

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