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Boletim 115, Por um Brasil Livre de Transgênicos

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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O Greenpeace, uma das entidades da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”, lançou hoje o “Guia do Consumidor - lista de produtos com ou sem transgênicos”. A publicação traz mais de 500 produtos que contêm ingredientes derivados de milho e soja.

A soja, o milho e seus derivados (lecitina, gordura vegetal e proteína, entre outros) estão presentes em cerca de 60% dos produtos alimentícios industrializados. Hoje a soja Roundup Ready, da Monsanto, e o milho Bt, da Novartis, representam 82% dos transgênicos plantados no mundo.

Desde junho de 2000 até fevereiro de 2002 o Greenpeace e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, também membro da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”) mandaram analisar diversos produtos que levam soja e/ou milho em sua composição, adquiridos em supermercados brasileiros, e detectaram contaminação com transgênicos em vários deles.

Desde janeiro deste ano, o Greenpeace entrou em contato com mais de 70 empresas pedindo uma declaração que garantisse o não uso de transgênicos e solicitando explicações sobre as medidas de controle adotadas a fim de evitar a aquisição e a utilização de matéria-prima contaminada. Os produtos das empresas que ofereceram esta garantia estão listados em uma coluna verde. As empresas que não puderam oferecer esta garantia ao Greenpeace ou não responderam têm seus produtos na lista vermelha.

O Greenpeace continuará analisando os produtos para monitorar se as empresas estão cumprindo os procedimentos que garantiram e divulgará os resultados.

“Empresas como Unilever, Nissin, Sadia, Carrefour e Superbom, após terem sido denunciadas pelo Greenpeace, passaram a controlar a aquisição de matéria-prima a fim de evitar novas contaminações em seus produtos. Esperamos que outras empresas tomem as mesmas medidas, garantindo à população um produto que não traz riscos a saúde e ao meio ambiente” relata Tatiana Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

O Guia está disponível para download no site do Greenpeace (www.greenpeace.org.br). Cópias impressas podem ser adquiridas gratuitamente nas lojas do Greenpeace*, em Salvador e São Paulo, e junto ao grupo local de Porto Alegre.

Durante a semana do meio ambiente (1 a 9 de junho), voluntários estarão distribuindo o guia em Porto Alegre, Manaus, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Santos. Foram impressas 50 mil cópias desta primeira edição.

* Lojas Espaço Greenpeace:
São Paulo - tel.: (11) 3078- 3465.
Salvador - tel.: (71) 232-3102.
Grupo Local de Porto Alegre: (51) 3311-8399.

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Neste número:

1. Relatos de casos de pseudo-gravidez em porcas alimentadas com milho Bt

2. Afirmação sobre área contaminada com soja transgênica no MS é alarmista

3. Paraná veta transgênico

4. Clonagem poderia ressuscitar tigre da Tasmânia

5. Mistura de soja causa polêmica

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Bancos de Sementes Comunitários

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1. Relatos de casos de pseudo-gravidez em porcas alimentadas com milho Bt


Uma constatação impressionante está alarmando produtores de suínos nos Estados Unidos. O milho transgênico Bt, usado na ração dos animais, está provocando pseudo-gravidez nas porcas.
O produtor Jerry Rosman, do estado de Iwoa, foi quem primeiro relatou o problema. Rosman tem 30 anos de experiência em reprodução de suínos e ficou atônito quando as taxas de nascimentos em seus rebanhos caíram em 80%. Ele checou e re-checou todas as suspeitas de causas normais para o problema. Verificou a existência de doenças, verificou se seus métodos de inseminação artificial estavam sendo bem implementados e reviu seu programa nutricional. Não encontrou nada além do normal.
“As porcas eram checadas a cada dois dias. Durante os últimos 12 meses seguimos com as inseminações independentemente dos problemas, para eliminar todas as variáveis”.
No entanto, de outubro de 2000 a agosto de 2001, as taxas de natalidade em suas 200 porcas caíram para cerca de 20%.
As porcas atravessavam o período de gestação de 113 dias normalmente, depois começavam a “encolher” gradualmente para o seu tamanho anterior e perdiam todos os sintomas de gravidez. Não havia fetos abortados das porcas que não haviam dado cria.
Finalmente, no último verão, quando Rosman finalmente decidiu acabar com seu rebanho, ele ouviu falar que outros quatro produtores da região estavam enfrentando problemas similares.
Quanto mais ele pesquisava, mais desconfiado ficava. Os rebanhos eram de diferentes linhagens genéticas, eram manejados de forma diferente e os métodos de reprodução usados também eram distintos. Havia apenas uma coisa em comum: todos usavam em suas rações o mesmo híbrido de milho Bt.
Testes laboratoriais revelaram que o milho continha altos níveis de contaminação com um tipo de mofo. Duas espécies de fungo estavam presentes nas amostras de todos os produtores (Fusarium subglutinans e Fusarium monlliforme).
Rosman estima que tenha gasto de U$ 6.000 a U$ 7.000 nos vários testes para tentar descobrir o que havia de errado. Ele mandou amostras de milho para o Centro de Medicina Veterinária de Washington, o Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Universidade do Estado de Iowa (ISU, na sigla em inglês), para o Laboratório de Patologia de Plantas da ISU e para o Serviço de Pesquisa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, em inglês).
“Estávamos procurando por um problema do qual ninguém havia ouvido falar antes”, disse ele. “Isto ainda não está nos livros”.
Gary Munkvold, Professor Associado de Patologia de Plantas da Universidade do Estado de Iowa, revisou a situação de Rosman e disse que, dados todos os testes que Rosman fez para outras possíveis causas das pseudo-gravidez e o fato de que a mudança da ração resolveu o problema, parece que eles estão no caminho certo ao suspeitar do milho como causa.
Munkvold também relatou que algumas micotoxinas (químicos produzidos por alguns fungos) podem provocar pseudo-gravidez, mas que os fungos encontrados no milho em questão não produzem estes compostos. “O caso continua um mistério”, segundo ele. “Infelizmente, sabemos que existem micotoxinas desconhecidas que não sabemos como detectar”.
O que complica ainda mais o diagnóstico é que o milho tem a aparência idêntica à do milho convencional e que as porcas não se recusaram a comê-lo, diz Rosman. Além disso, há outros produtores que usaram este milho em seus rebanhos que não enfrentaram o problema. Rosman acredita que o problema se manifestou na sua propriedade porque ele plantou 100% da mesma variedade de sementes de milho Bt em sua fazenda e alimentou seu rebanho apenas com este milho. Seu milho não estava diluído.
Rosman queria que outros produtores tomassem conhecimento de seu problema. “Eu teria dado qualquer coisa para saber disto há 18 meses. Se eu puder apenas ajudar uma ou duas pessoas, já valerá à pena”.
Depois que esta história foi relatada no Iwoa Farm Bureau Spokesman, em 04/05/02, Rosman foi inundado por telefonemas. Em poucos dias 12 outros produtores de várias partes do Estado de Iowa o procuraram relatando situações muito parecidas com a sua. A maioria dos casos veio de pequenos produtores que, como ele, produziam todo o milho que davam aos animais e notaram um brusco declínio nas taxas de nascimentos. “Cópia carbono. Os sinais e os sintomas são exatamente os mesmos”, diz Rosman.
Iowa Farm Bureau Spokesman, 24/04/02 e 13/05/02, by Tom Block.

2. Afirmação sobre área contaminada com soja transgênica no MS é alarmista


“É maldosa e alarmista a afirmação da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), por meio de seu presidente Ywao Miyamoto e referendada pelo sr. Luiz Antonio Barreto de Castro, sobre a existência de 354 mil hectares de soja transgênica em Mato Grosso do Sul, publicada na reportagem ‘Soja transgênica se espalha pelo Brasil’ (Agrofolha, p.B10)
Os lobistas dos transgênicos serão chamados a explicar de onde tiraram os números divulgados e, para isso, estamos requerendo ao Ministério Público a abertura de inquérito para investigar o caso e para responsabilizar os boateiros que estão prejudicando a economia sul-mato-grossense.
Não podemos esquecer que os citados senhores são pessoas comprometidas com os oligopólios dos transgênicos.
Uma afirmativa leviana como essa significa dano moral e financeiro para o Estado, e isso não pode ser ignorado.”
Folha de São Paulo, painel do leitor. Ermínio Guedes dos Santos, superintendente de políticas de desenvolvimento econômico da Secretaria de Produção de Mato Grosso do Sul, 29/05/02.

3. Paraná veta transgênico


Uma resolução da Secretaria de Agricultura do Paraná determinou que, a partir da próxima semana, todos os lotes de sementes de soja a entrarem no Estado deverão apresentar laudo negativo de transgenia, emitido por laboratório oficial.
Valor Econômico, 28/05/02.

4. Clonagem poderia ressuscitar tigre da Tasmânia


Há seis décadas morria num zoológico o último espécime do tigre da Tasmânia, um marsupial carnívoro listrado, caçado até a extinção na Austrália. Agora, pesquisadores do mesmo país que varreu esse mamífero da face da terra planejam trazê-lo de volta, por meio de clonagem. Os cientistas anunciaram que obtiveram DNA de um animal extinto e acreditam que o material genético poderá ser usado para, em dez anos, clonar um filhote. (...)
O projeto foi recebido com ceticismo pela comunidade científica. Especialistas dizem que o grupo australiano está longe de reconstituir o DNA do tigre da Tasmânia, e mais distante ainda de cloná-lo. Não custa lembrar que a clonagem é uma tecnologia com altíssima taxa de fracasso, mesmo como uso de DNA em bom estado. (...)
O Globo, 29/05/02.
N.E.: É simplesmente absurda a idéia de que se poderá reviver uma espécie através da clonagem de um espécime. Espécies que não estão extintas, mas que têm sua população reduzida, sofrem de problemas de consangüinidade que geram defeitos congênitos, o que tende a levar à desaparição da espécie. Imaginar a criação de uma população a partir do genoma de um único indivíduo parece uma idéia absolutamente lunática. Mesmo assim, institutos de pesquisa estão investindo muito dinheiro em projetos assim. Infelizmente o que pauta grande parte das pesquisas atualmente não é a lógica.

5. Mistura de soja causa polêmica


O Ministério da Agricultura vai realizar consulta à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) esta semana sobre a mistura da soja brasileira com a argentina nos navios exportadores do produto. A mistura vai contra as normas fitossanitárias mundiais de “preservação da identidade” dos produtos de cada país nas exportações a granel para fins de alimentação.
Segundo o Departamento de Defesa Vegetal (Ddiv) do Ministério, a mistura afetaria a qualidade da soja brasileira.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, informou que os produtores de soja brasileiros estão levantando dados para o governo averiguar com a FAO se a simples colocação da soja nacional por cima do produto argentino já constitui perda da preservação da identidade.
Exigência dos exportadores -- Se a resposta for afirmativa, os exportadores de soja terão de separar fisicamente os dois produtos com uma lona, ou separar as exportações do produto em navios brasileiros e argentinos. (...)
Lovatelli disse que a mistura da soja brasileira com a Argentina pode significar, no futuro, um argumento nas negociações do produto com os importadores, especialmente chineses. “Temos que estar preparados para negociar qualquer coisa”, informou o presidente da Abiove.
Gazeta Mercantil, 27/05/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Bancos de Sementes Comunitários


Em Solânea, na Paraíba, muitos agricultores perceberam a necessidade de guardar sementes de suas safras para os plantios seguintes. As sementes são armazenadas em casa em garrafas e latas, visando garantir o roçado nas primeiras chuvas.
Mesmo assim, nem sempre os agricultores têm sementes em quantidade suficiente para o plantio. A aquisição de sementes fora da propriedade é sempre difícil. Ela se dá, geralmente, nas feiras locais, onde as sementes são vendidas a preços altos (sobretudo em períodos de seca, quando faltam sementes na região), ou via doações de programas de governo e políticos muitas vezes de baixa qualidade, passado o período de chuva e em quantidade insuficiente. Existem ainda os sistemas de parceria, em que o agricultor recebe sementes de pessoas mais abastadas em troca de meia ou um terço da produção.
Diante desta situação de insegurança no abastecimento de sementes, foi criado, na Associação do Sítio Bom Sucesso, no Curimatau de Solânea, o Banco de Sementes Comunitário. Deste Banco fazem parte 30 famílias.
Os agricultores que participam recebem do Banco uma quantia de sementes na época do plantio, com o compromisso de devolver, no fim da colheita, quantidade maior de sementes de boa qualidade. Essa “taxa de juros” aplicada para o “empréstimo” de sementes garante um estoque de segurança para períodos de seca e possibilita a entrada de mais famílias para o Banco.
Para a boa organização do Banco, criou-se uma comissão que ajuda a distribuir e receber as sementes, anotar o nome das pessoas e a quantidade de sementes que levaram para plantar.
A regra do Banco é que quem recebe uma boa semente para o plantio, devolve uma semente graúda, sem mistura e seca para guardar nos silos.
Assim como no Sítio Bom Sucesso, em Solânea, existem mais oito Bancos Comunitários em outros municípios, coordenados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Junto com as Associações Comunitárias, o Sindicato e a ONG AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), foi criada uma comissão para trocar experiências sobre sementes, que também tem organizado cursos de formação e capacitação. Estas iniciativas têm ajudado na gestão dos Bancos e na melhoria da qualidade das sementes. A comissão também trabalha pela criação de uma política municipal de sementes e para incentivar a criação de novos Bancos na região.
Famílias guardam sementes e conservam variedades. Agricultura Familiar e Biodiversidade em Solânea. Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Julho de 2001,p.10.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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