Anvisa proíbe uso de agrotóxico utilizado na lavoura de café

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Flavia Bernardes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baniu o uso do Endossulfan no Brasil. Entretanto, a retirada do produto do mercado é apenas gradual em alguns estados, incluindo o Espírito Santo. E, enquanto isso, ele, associado ao desenvolvimento de doenças reprodutivas, endócrinas e neurológicas, continuará sendo utilizado no Estado até 2013.

A retirada gradual, segundo a Anvisa, é uma forma de permitir ao produtor uma chance de substituir o produto por outro menos nocivo. Entretanto, tal substituição, segundo o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), não impedirá que a população continue consumindo alimentos envenenados.

"Nossa população tem o direito de se alimentar sem correr riscos. Nós defendemos isso. Além do Endossulfan, que age no sistema nervoso e é um dos mais perigosos inseticidas no mercado, há uma centena de outros venenos perigosos para a saúde humana que continuam sendo comercializados", ressaltou um dos coordenadores do MPA, Valmir Noventa.

A determinação da Anvisa é fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso do Endossulfan a problemas imunológicos; reprodutivos; endócrinos; neurotoxicidade; hepatotoxicidade em trabalhadores e na população.

Proibido em 44 países e com severas restrições em mais 16, no Brasil ele tem uso autorizado nas culturas de café, algodão, cacau, cana de açucar e soja, mas é utilizado também em outras culturas por ter efeito inseticida eficiente.

De acordo com cronograma estabelecido pela norma, o Endossulfan não poderá ser comercializado no Brasil a partir de 31 de julho de 2013. Antes disso, a partir de 2011, o produto não poderá ser mais importado e a fabricação em território nacional será proibida a partir de 31 de julho de 2012.

Nesse período de retirada gradual do produto do mercado brasileiro, o Endossulfan só poderá ser utilizado em dez estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Neste contexto, os capixabas deverão se manter alertas em relação ao consumo e ao cultivo de culturas que utilizam este tipo de veneno. Nem sempre a população sabe o que está consumindo, mas os agricultores que manipulam estes produtos devem estar alertas, advertem os especialistas.

Segundo o MPA, é possível e é um direito do cidadão produzir e consumir alimentos sem venenos. "Junto com o Endossulfan há tantos outros que deveriam ser banidos. Temos que caminhar rumo à não utilização de venenos na produção de alimentos", ressaltou Valmir Noventa.

Além do Endossulfan, a Anvisa estuda o banimento do Acefato, Metamidofós e Triclorfom.

Fonte: Jornal Século diário


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