Agrotóxicos têm 200 denúncias

Agrotóxicos têm 200 denúncias

Problema com uso de químicos chega à zona urbana; falta de fiscais agrava situação

Cascavel - A aplicação indiscriminada de agrotóxicos no Paraná está colocando em risco a vida dos animais e até dos moradores da cidade que vivem próximos das lavouras. Segundo o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), de dez casos de poluição ambiental pelo menos dois são relacionados com a aplicação indiscriminada de veneno em áreas habitadas ou em mananciais de água no estado. Em Cascavel, o órgão estadual registrou mais de 200 denúncias envolvendo agrotóxicos no ano passado.

O avanço da agricultura chegou às portas dos moradores dos centros urbanos e trouxe com ele problemas que eram restritos à zona rural. Hoje, os moradores vizinhos às lavouras, sobretudo de soja, convivem com o cheiro forte de veneno e os efeitos nocivos que ele produz a saúde humana. Em 2003, o IAP de Cascavel registrou entre janeiro e outubro, em 19 municípios, 201 denúncias contra as aplicações irregulares de agrotóxicos. Mas o IAP reconhece que os números não representam a realidade do problema, que é maior.

Cascavel, Toledo, Corbélia, Guaraniaçu e Catanduvas são algumas das cidades com os maiores índices de irregularidades. Segundo Jussara Hickson, bióloga do IAP, os casos são relacionados à pulverização aérea indevida e o abastecimento de pulverizadores em rios ou nascentes de água. Para ela, o desrespeito às leis ambientais é a cultura que ainda prevalece entre os produtores rurais. Conforme a lei, a aviação agrícola deve respeitar o limite de 500 metros de habitações ou das bacias hidrográficos.

Mas isso não acontece, segundo o IAP. A falta de fiscais é apontada como o principal fator para a manutenção desse quadro. O IAP de Cascavel conta com apenas cinco fiscais para atender aos 19 municípios sob sua jurisdição. Os valores das multas, para quem descumprir a lei, variam de R$ 500 a R$ 10 milhões. O IAP diz que tem dificuldade de punir os infratores. As autoridades ambientais consideram a situação grave, por isso a necessidade de mudança do comportamento dos produtores rurais.

"A aplicação indevida de agrotóxicos traz conseqüências danosas ao meio ambiente com a morte de peixes e a contaminação da flora e do solo", diz Jussara. Quem mora perto das plantações convive com o perigo a cada safra agrícola. A dona de casa Lídia Mendonça, de Cascavel, é vizinha a uma plantação de soja. No ano passado, ela ficou internada dois dias por causa da intoxicação sofrida pelo veneno aplicado na lavoura.

Além da alergia do veneno, Lídia é obrigada a sair da sua própria casa sempre que os agricultores aplicam os herbicidas. A dona de casa Selma Gonçalves da Rosa disse que o maior incômodo é conviver com o mau cheiro do veneno agrícola. A recomendação dos técnicos, além de respeitar a lei, é evitar a aplicação de agrotóxicos em dia de fortes ventos.

fonte:Gazeta do Povo - 22/01/2004 - Miguel Portela


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