Veneno em Itapuã sem solução

 

Municípios se negam a receber as cem toneladas de resíduos


Perigo: técnicos reembalaram agrotóxico em Itapuã

A presença de 10 toneladas de agrotóxicos em uma área verde de Itapuã, no limite de Viamão com Porto Alegre, permanece sem solução.

O veneno armazenado no local desde 1982 foi reembalado pelo governo do Estado, mas ainda não há previsão de quando será retirado para local mais adequado.

A presença do veneno junto ao Hospital Colônia Itapuã, numa área verde, foi denunciada por Zero Hora em janeiro de 2001. A promessa de remoção foi feita em outubro, mas nenhum município aceita a presença do pesticida em sua área ­ e o defensivo continua no mesmo local.

O material estava acondicionado de forma precária em uma antiga olaria. Faz parte de um lote recolhido pelo governo do Estado em 1982, quando uma lei proibiu a venda de 800 toneladas de determinados tipos de defensivos (como organoclorados e mercuriais, ambos presentes na carga de Itapuã).

Itapuã está longe de ser uma exceção. Mais de 55 toneladas de agrotóxicos proibidos na década de 80 estavam armazenadas “em condições precárias”, conforme relatório da Secretaria Estadual de Agricultura elaborado em 1999. ZH denunciou outros dois casos, em Augusto Pestana e Passo Fundo.

Para o caso específico de Itapuã, o governo do Estado contratou a empresa paulista Recilix, que providenciou a destruição da antiga olaria e reembalou o veneno. A operação resultou em cem toneladas de resíduos embalados ­ 10 de agrotóxicos e o restante composto por tijolos e terra moídos, para evitar qualquer risco de contaminação. O problema é que ninguém quer ficar com esse material. Em dezembro, a prefeitura de Gravataí recusou-se a receber os agrotóxicos numa central de resíduos de que dispõe.


NO INTERIOR


• Augusto Pestana ­ Não houve solução para as 34 toneladas do agrotóxico BHC ­ conhecido como pó-de-gafanhoto ­ armazenadas na sede do Instituto Regional de Desenvolvimento Rural (Irder), na localidade de Boca da Picada, em Augusto Pestana. O depósito se situa em uma área do Ministério da Agricultura, cedida em comodato à Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado (Fidene), mantenedora do Irder. O efensivo agrícola já estava guardado no local antes de 1994, quando o contrato foi firmado.

Segundo o gerente administrativo do Irder, Jorge Zambra, os tonéis plásticos e metálicos, onde estão estocados os produtos, podem se deteriorar e provocar o vazamento do inseticida. A última fiscalização realizada por técnicos da Secretaria da Agricultura ocorreu no ano passado.

• Passo Fundo ­ Em janeiro deste ano, a Secretaria do Meio Ambiente executou medidas para estancar a contaminação provocada pelos 200 quilos de Busan. Por aproximadamente 10 anos, o produto ficou armazenado de forma imprópria na Cooperativa Agrícola Passo Fundo Ltda (Coopasso). Segundo relatório encaminhado pela Secretaria Estadual da Agricultura ao Ministério Público Federal, em 1999, os produtos ficavam encostados em uma parede, protegidos por uma camada de calcário, com acesso fácil a animais.

Os químicos foram acondicionados em tonéis forrados com sacos de Polietileno de Alta Densidade (PAD). Os recipientes que guardavam o agrotóxico foram picotados e armazenados da mesma forma. As paredes do armazém, visivelmente contaminadas, foram quebradas, o concreto do chão, raspado, e o solo, retirado e armazenado em tonéis. O chão onde estão os compartimentos foi revestido com PAD e Pallets (pedaços de madeira). Uma manta de PAD foi colocada sobre os tonéis. Foram construídos diques e muretas de 20 centímetros de altura, com tijolos. Segundo o chefe de gabinete da Secretaria do Meio Ambiente, Fabrício Barreto, o produto terá a destinação adequada. Talvez seja incinerado.

CONTRAPONTO

O que diz a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema):

O governo prometeu para dezembro uma lista de locais passíveis de armazenar o produto, mas o prazo teve de ser dilatado, diante da recusa de diversos municípios em receber os detritos. A permanência dos produtos em Itapuã implica uma multa diária de R$ 10 mil ao Estado, imposta pela Justiça Federal. A assessoria de imprensa da Sema informa que o governo do Estado contesta a multa, argumentando que fez o possível para transferir os resíduos. E que uma lista de locais será elaborada. Em outros municípios, como Passo Fundo, o agrotóxico recebeu melhores condições de armazenamento.

fonte: Jornal Zero Hora, Porto Alegre, 05/05/2002, Cardeno Ambiente


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