Embrapa comprova prejuízos aos recursos hídricos por defensivos

AGROTÓXICOS - fontes de contaminação


Embrapa comprova prejuízos aos recursos hídricos por defensivos e pesquisa opções de menor impacto no meio ambiente

Evandro Bittencourt

O uso indiscriminado de agrotóxicos ao longo dos anos tem provocado o acúmulo de resíduos de compostos químicos nocivos na água, no solo e no ar. É esse o resultado da alta dependência de insumos químicos usados no controle de pragas, doenças e invasoras nas lavouras para garantir índices de produtividade que proporcionem retorno econômico à atividade.

Sexto maior consumidor de agrotóxicos do País, o Estado de Goiás tem a sua frente Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, e São Paulo na primeira posição. O Brasil aplica aproximadamente 3,2 kg de ingredientes ativos de defensivos por hectare, o que o faz ocupar a décima posição em um ranking liderado pela Holanda, que consome aproximadamente 10 kg de agroquímicos por hectare.

A intensa e contínua contaminação dos recursos naturais e os riscos que as aplicações de agrotóxicos geram para a saúde humana e para a biodiversidade demandam a implementação de estratégias de conscientização da população e em especial dos agricultores sobre o perigo ambiental do uso indiscriminado de defensivos, defende Rômulo Penna Scorza Júnior, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste. O técnico ressalta a contaminação dos recursos hídricos, a cada dia mais escassos, como uma das faces mais preocupantes do problema.

Os impactos resultantes do uso de defensivos nos mananciais vêm sendo estudados pela Embrapa, segundo Rômulo Pena, em linhas de pesquisas específicas, a exemplo da aplicação de programas computacionais que simulam o destino de um pesticida no solo mesmo antes de sua aplicação. Dessa forma, explica o pesquisador, é possível prever se haverá contaminação dos recursos hídricos e como ocorre o processo, o que possibilita a definição de estratégias que minimizem a poluição.

Outra linha de trabalho que vem sendo desenvolvida pela Embrapa, destaca o pesquisador, é o desenvolvimento de tecnologias de produção menos dependentes dos agrotóxicos, para a composição de sistemas de produção sustentáveis, com menor impacto ao meio ambiente. O pesquisador defende a intensificação dos estudos de monitoramento de operações envolvendo agroquímicos potencialmente poluentes para que se estabeleçam estratégias de redução dos riscos de contaminação.

Resíduos
As culturas de soja, milho, citros e cana de açúcar consomem cerca de 66% do total de defensivos vendidos no País. A primeira é a responsável por 33% desse montante, informa Rômulo Penna.

Os pesticidas são aplicados sobre as plantas ou diretamente no solo e mesmo quando direcionados aos vegetais cerca de 50% da dose utilizada pode ter como destino final o solo, em três formas principais de transporte: a volatização, a lixiviação e o escoamento superficial.

Estudo publicado no ano de 2000, envolvendo 10 países europeus, comprovou que de um total de 99 pesticidas monitorados, 48 estavam presentes na água da chuva. “Chamou atenção, em especial, o fato de que alguns desses agroquímicos detectados não eram utilizados nas áreas em que as amostras foram coletadas, revelando que esses compostos são transportados a grandes distâncias.”

O transporte vertical dos pesticidas no perfil do solo (lixiviação) tem sido apontado como a principal forma de contaminação do lençol freático (águas subterrâneas), juntamente com a água das chuvas ou de irrigação que desce pelo solo.

A contaminação de rios e lagos ocorre, em grande parte, pelo escoamento superficial (água de enxurrada). Uma única chuva pode gerar perdas de até 2% da dose de agrotóxicos aplicada, segundo o pesquisador. A adoção do plantio direto na palha, em que há permanência constante de cobertura vegetal, reduz significativamente as enxurradas, mas o sistema é também altamente dependentes do uso de herbicidas.

fonte: O Popular


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