Cientistas descobrem ligação entre pesticidas e Mal de Parkinson

Cérebro de pacientes sofre alterações.

Cientistas publicaram uma pesquisa mostrando que um pesticida orgânico de uso corriqueiro administrado em pequenas doses em ratos de laboratório produziu sintomas semelhantes aos do Mal de Parkinson.

A pesquisa, publicada no boletim Nature Neuroscience, reforça teorias de que a exposição constante a pequenas quantidades do pesticida Rotenone, usado para matar insetos e peixes, vai danificando o cérebro gradativamente.

O Rotenone é considerado menos nocivo do que outros produtos similares à venda no mercado, mas os cientistas acreditam que ele interfere nas células do cérebro que produzem a dopamina, cuja falta leva a sintomas como tremores e dificuldade de movimento, que são característicos do Mal de Parkinson. A destruição dessas células é irreversível e vai piorando ao longo do tempo, levando à morte.

As causas do Mal de Parkinson ainda são desconhecidas, com alguns casos aparecendo de maneira esporádica e aleatória. O único fator de risco conhecido é a idade: a doença atinge cerca de 1% da população com mais de 65 anos.

Predisposição genética

O teste de laboratório feito pelo Dr. Tim Greenamyre, na Universidade de Emory, no estado norte-americano da Geórgia, revelou que os ratos não apenas desenvolveram alguns dos sintomas físicos do Mal de Parkinson mas também sofreram alterações no cérebro características da doença.

A equipe do Dr. Greenamyre acredita que o pesticida Rotenone pode estar levando uma estrutura das células chamada mitocôndria a liberar moléculas com radicais livres, que vão afetar as células do cérebro que produzem a dopamina.

O Professor Adrian Williams, presidente do grupo de aconselhamento médico da Sociedade para o Estudo do Mal de Parkinson, disse que é possível que os pesticidas provoquem a doença em alguns pacientes, mas que isso provavelmente é uma minoria.

Segundo ele, é possível que uma minoria de pacientes tenha uma predisposição genética que os torne mais suscetíveis aos efeitos de pesticidas. "Talvez um ou dois casos em cada cem", disse o Professor Williams, "mas é errôneo pensar que uma doença como o Mal de Parkinson tenha apenas uma causa

Fonte:BBC em 06 de novembro, 2005

 


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