Grave contaminação com agrotóxicos em pleno centro da cidade

Adital - Assunção - Paraguai - Susana Oviedo* para Adital – Uma grave contaminação por agrotóxico afetou 400 pessoas, a maioria delas de bairros pobres, em pleno centro da Capital. A negligência e lentidão em acionar os organismos estaduais aumentaram o quadro de emergência sanitária.

Por causas ainda desconhecidas, na madrugada da segunda-feira, começou um grande incêndio num depósito da Oficina Fiscalizadora de Algodão e Tabaco do Ministério da Agricultura, situado a um quilômetro do centro histórico da cidade. As chamas consumiram tratores e outras ferramentas agrícolas que faziam parte de uma doação que iria ser distribuída entre camponeses.

Ao amanhecer desta segunda-feira, logo que vizinhos e bombeiros estiveram expostos por mais de 10 horas aos efeitos das chamas, as autoridades perceberam que, no incidente, também, foram consumidos 10 mil litros de herbicidas e inseticidas altamente tóxicos. Cedo começaram os primeiros sintomas de intoxicação, a maioria em menores de idade, que estiveram presenciando os restos do incêndio como um espetáculo, mas que foram advertidos sobre os perigos.

Quando o número de enfermos foi aumentando, logo apareceram medidas para afastar as pessoas, muitas delas, das ruas, se negaram a abandonar suas precárias moradias. Os últimos informes sanitários falam que foram contaminadas 400 pessoas, e 70 delas ficaram internadas em situação mais delicada.

Cerca de 18 horas depois de controlado o incêndio, ocorreu o isolamento da área, em um raio de 300 metros. Assim mesmo, o trânsito de uma movimentada via, que une o centro administrativo e comercial à cidade com parte residencial, foi desviado. Nesta situação, uma série de anomalias ocorreu nos organismos estatais.

Em primeiro lugar, poucos ou nulas eram as medidas de controles e de prevenção contra o incêndio no depósito. Da mesma foram, estava permitido que produtos tóxicos fossem armazenados em uma área populosa. Houve o improviso, várias horas depois de começado o incêndio, de um plano de contingência para sanar a contaminação, colocando em perigo uma grande quantidade de pessoas. Os bombeiros, também, não puderam atuar com mais rapidez, pois não havia água corrente, serviço que estava cortado na área.

Dentro de todo este panorama, uma boa reação do Ministério da Saúde amenizou a série de erros. Independente de tudo isto, a situação pode trazer mais conseqüências. Os tóxicos não só estão se dispersando pelo ar, como estão indo, pelo arraste da água dos bombeiros, para o rio Paraguai, situado a 500 metros do depósito queimado.

Elvio Cardozo, diretor do Centro Nacional de Toxicologia, informou que os vizinhos contaminados estão com enjôos, vômitos e irritações diversas. Acrescentou que suas casas, roupas, utensílios e até seus alimentos estarão contaminados por um período de 30 dias, mas que em médio e longo prazo existem outras conseqüências negativas. Explicou que, com a exposição contínua, as vítimas terão graves problemas pulmonares, e as mulheres poderiam apresentar má formação fetal.

Mais uma vez, a improvisação e a irresponsabilidade de alguns funcionários estatais se aliaram para pôr, em risco, a saúde pública.

*Susana Oviedo é correspondente da Adital no Paraguai, jornalista do "Ultima Hora" e docente da Universidade Católica.

Fonte:Agência Adital em 09.07.03 - PARAGUAI, Solo Urbano- Especial:


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