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Pesquisa no Centro-Oeste monitora impacto do agrotóxico no meio ambiente e na saúde


Brasília - Instituições de pesquisa monitoram o uso de agrotóxicos nos estados do Centro-Oeste - local de alta atividade agrícola -  para avaliar o impacto desses produtos na vida das pessoas e no meio ambiente. Há dois meses, amostras de água, do solo e de hortifrutigranjeiros, por exemplo, são colhidas e analisadas por pesquisadores das universidades federais de Mato Grosso (UFMT), Mato Grosso do Sul (UFMS) e de Brasília (UnB), sob a coordenação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa também vai analisar indicadores de saúde coletados pelas secretarias estaduais e municipais. De acordo com o mestre em saúde pública da UFMT, Wanderley Pignati, um dos pesquisadores, a idéia é verificar a relação entre o uso de agrotóxicos e casos de intoxicação na população, câncer e má formação congênita, por exemplo. Exames também serão solicitados a pessoas que moram perto de plantações ou trabalham diretamente com o produto.

De acordo com Pignati, o monitoramento levará dois anos, período que compreende uma safra. “Desde o plantio, a entressafra e a colheita”, disse. Com os resultados, a expectativa é orientar a utilização adequada dos agrotóxicos, diminuir os impactos na saúde e remediar possíveis danos. Além disso, verificar a percepção dos trabalhadores sobre o produto, “o que envolve carga horária, as práticas cotidianas e o uso correto”, completou.

No Mato Grosso, a pesquisa é realizada nas cidades de Campo Verde, a maior produtora de algodão do país, e Lucas do Rio Verde, a maior produtora de milho. Essa última sofreu, no ano passado, uma pulverização que se espalhou pela área urbana e provocou prejuízos a produtores rurais e problemas na saúde da população. Até hoje, o veneno usado sobre a cidade não foi identificado.

Um dos agricultores de Lucas do Rio Verde e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, Nilfo Wandscheer, disse com os dados ficará mais fácil identificar os problemas de saúde da população.“Muitas vezes se diz que é uma virose, uma dengue, mas será que não é intoxicação? Queremos ter certeza de que estamos respirando ar puro, alimentando-nos de verduras e frutas que não estão contaminadas”, ressaltou.

Ele afirmou que está ansioso pelos resultados. “É preciso que a população tenha acesso aos dados para saber se é atingida e  para o produtor ter consciência de como aplicar o produto corretamente, levando em conta os cuidados para evitar que o veneno se espalhe pela cidade”.

Fonte: Radiobrás, Agência Brasil, 3 de Novembro de 2007 - 16h21 por Isabela Vieira, Repórter da Agência Brasil

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