Agrotóxicos devastam na África

Agrotóxicos devastam espécies e ameaçam consumidores na África


Agrotóxicos, queimadas e armas automáticas substituíram os métodos tradicionais de caça, em Gana, na África, aumentando significativamente a quantidade de presas e tornando a atividade insalubre para os consumidores e altamente insustentável.

Estudos do Conselho de Padrões de Gana, uma instituição governamental, mostram que 30 por cento da carne de animais selvagens colocada no mercado contém agrotóxicos, incluindo organoclorados, carbamatos e organofosforados, pesticidas de longa e média persistência no ambiente.

Outro levantamento, realizado pela entidade ambientalista Conservation International (CI) obteve o mesmo resultado: 32,5% de contaminação na carne de caça encontrada nos mercados locais. Entre as espécies mais afetadas estão vários tipos de antílopes e macacos. Muitas vezes os animais são vendidos praticamente inteiros, depois de retiradas as entranhas e defumados em fogueiras precárias.

O controle desse comércio para proteger a saúde do consumidor e diminuir a pressão sobre as espécies caçadas foi discutido por mais de 200 especialistas; incluindo oficiais do governo, líderes tradicionais, ambientalistas, comerciantes de carne de animais silvestres e caçadores, reunidos em Acra, na África Ocidental, durante esta semana.

Eles aprovaram uma "Declaração de Acra Sobre a Crise de Bushmeat", com medidas urgentes e alterações de leis sobre a caça de animais silvestres, proibindo o uso de técnicas indiscriminadas e propondo uma moratória na exportação.

A reunião é parte de uma campanha de conscientização, organizada pela CI, governo e ONGs locais, que ressalta os problemas ambientais e sanitários associados ao consumo da carne de animais selvagens.

Gana já tem 59 espécies de mamíferos na lista de ameaçados de extinção, incluindo três macacos que estão entre os 25 mais ameaçados do mundo: o colobus vermelho de Miss Waldron, o mangabê de cabeça branca e o guenon de Roloway. A grande maioria (98%) dos animais considerados totens, símbolos de diferentes etnias e clãs, já não são encontrados em seu território original.

Por serem menos eficientes, os métodos tradicionais de caça permitiam um certo equilíbrio entre as quantidades de animais mortos e a capacidade de reposição natural das espécies.

Aliada a esta ineficiência providencial, havia a autoridade dos antigos líderes, que desempenhavam um papel importante na conservação de espécies com suas normas, tabus e sanções sociais.

Agora, os líderes tradicionais já não têm a mesma autoridade e o excesso de caça ameaça seriamente a rica fauna da região, onde vivem 551 espécies de mamíferos, a maior diversidade mundial, segundo o estudo "Hotspots de Biodiversidade", da CI.

Gana faz parte do hotspot Floresta da Guiné, da África Ocidental, que atravessa 9 países, da Guiné a Camarões. "A vida de muitas comunidades de Gana está intrinsecamente conectada aos animais selvagens", declara o diretor da CI em Gana, Okyeame Ampadu-Agyei. "Alguns desses animais são nossos totens, mas mesmo assim são caçados impunemente, a ponto de várias florestas estarem atualmente vazias, sem nenhum animal. Nossa história, nossa cultura e nosso meio ambiente estão seriamente ameaçados".

fonte: Tribuna da imprensa - Rio de janeiro, sábado e domingo, 07 e 08 de setembro de 2002
http://www.tribuna.inf.br/noticia.asp?noticia=ciência02


Leia Mais:


Rede de Agricultura Sustentável
É um serviço de Cristiano Cardoso e L&C Soluções Socioambientais.

Siga-nos Twiiter rss Facebook "Whatsapp 88 9700 9062" Google+