Restrições dinamarquesas ao glifosato
geram protestos
O ministro dinamarquês do meio ambiente Hans Christian
Schmidt anunciou restrições nunca antes vistas ao glifosato
(princípio ativo do Roundup, da Monsanto), o herbicida mais usado no
país e na Europa. A medida foi tomada após a publicação
de uma pesquisa mostrando a presença do glifosato na água de
subsolo, de onde a Dinamarca obtém a maior parte de sua água
potável.
Apesar das concentrações não terem excedido
os limites permitidos, foi preocupante o fato de quantidades inaceitáveis
de glifosato e de seu subproduto AMPA poderem atingir, via drenagem, níveis
mais elevados da água subterrânea, disse o Sr. Schmidt. "Os
dinamarqueses devem poder tomar seu café de manhã sem se preocupar
com pesticidas", adicionou.
A partir de 15 de setembro, as aplicações de
outono de glifosato serão banidas nos lugares "onde a lixiviação
é intensa devido às chuvas pesadas". Há exceções
às novas restrições, que serão revistas depois
de um período de consultas.
Numa resposta conjunta, Cheminova, Syngenta e Monsanto, que
produzem ou vendem glifosato na Dinamarca, condenaram a atitude do governo
como "inaceitável" para os produtores ou fazendeiros dinamarqueses.
O glifosato só pode ser identificado como perigo se "ignorarmos
os conhecimentos científicos", disseram as empresas.
De acordo com as firmas, as restrições parecem
basear-se na descoberta de glifosato a um metro de profundidade. Isto "dificilmente
pode ser considerado como água subterrânea - a não ser
que seja com intenções políticas - e certamente não
como água potável", queixaram-se as empresas.
A atitude dinamarquesa certamente irá reiniciar o
debate na Europa sobre o uso de pesticidas coordenado pela Comissão
Européia, que está incumbida de estabelecer firmes propósitos
estratégicos para o próximo ano. Organizações
não-governamentais européias estão fazendo campanha para
suspender o uso de pesticidas em 10 anos.
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