Uso incorreto de agrotóxicos é a principal causa da morte de abelhas


abelhaPesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) divulgaram o primeiro resultado do mapeamento sobre mortandade de abelhas no Estado de São Paulo.

De junho de 2015 até maio deste ano, as equipes analisaram 13 apiários em cidades como Araras, Rio Claro, Leme, Mogi-Mirim, Artur Nogueira e Santa Rosa de Viterbo e concluíram que a principal causa da morte desses insetos é o uso incorreto de agrotóxicos.

"Nós observamos que 70% dos casos estavam relacionados com os defensivos agrícolas. Eles usam, por exemplo, acima do recomendado, eles usam em locais em que não deveria ser usado, eles misturam muito os produtos e toda vez que você vai fazer uma aplicação você não pode misturar o produto", explicou o biólogo Osmar Malaspina, que integra o estudo financiado pelo Sindicato Nacional dos Produtores de Defensivos Agrícolas

 

Perdas

De seis anos para cá, os relatos de perda de colmeias se tornaram mais comuns. Há 4 anos, 5 milhões de abelhas morreram em Santa Cruz da Conceição. Entre 2012 e 2013, o mesmo aconteceu em Gavião Peixoto e, em 2014, dez apicultores de Leme perderam centenas de colmeias.

Neste ano, em Araras, mais de cem mil insetos do apicultor João Franco morreram. Agora, só 14 das 30 colmeias continuam ativas.

"Eu calculo [um prejuízo] de R$ 3 mil a R$ 4 mil entre as abelhas que morreram, material que eu perdi e não posso por mais abelha nesse material porque ficou contaminado e o preço do mel todo que eu deixei de tirar por causa da mortalidade", disse Franco.

A morte das abelhas não traz prejuízo só para apicultores. Segundo o pesquisador, esses insetos são responsáveis por mais de 70% da polinização de várias culturas e garantem quase a metade da produção de alimentos no mundo.

Nova fase

A conclusão final do estudo vai ser divulgada em 2018 e agora que a primeira fase do mapeamento está pronta, Malaspina diz que a ideia é conscientizar apicultores e agricultores.

"Se ele começar a usar mais corretamente, nós vamos evitar outros tipos de contaminação também, não só para as abelhas como outras espécies e a própria saúde do homem", afirmou.

É o que também espera Franco. "Se o pessoal respeitasse as regras do agrotóxico, acho que dava para a gente trabalhar com a abelha e eles com a lavoura".

Contato 

Apicultores e agricultores que encontrarem abelhas mortas podem ligar para o telefone 0800 771 8000. Uma equipe de pesquisadores vai ao local indicado para obter amostras e os insetos recolhidos ajudarão no mapeamento.

 

São Carlos

Além das perdas no campo analisadas pelos pesquisadores, apicultores de São Carlos relataram neste ano perdas na área urbana. Nesses casos, como os insetor morreram após ações de nebulização, os produtores acreditam que o problema está no produto usado para pulverizar o ambiente e combater o Aedes aegypti.

O veterinário e apicultor Eduardo Constantino Perez contou que não foi orientado a retirar as abelhas que mantinha em sua clínica antes da pulverização e cerca de 90% dos insetos morreram.

Finte: G1 em 15/10/2016

 


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