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Pesquisa desenvolvida na UFTM em Uberaba constata vantagem no uso de biofertilizante para cultivo de plantas



Exemplares tratadas com biofertilizante feito com restos de alimentos e dejetos de animais reagiram melhor do que as que receberam fertilizante comum. Próximo passo da pesquisa é produzir biogás.

Um projeto de produção de biofertilizante a partir de material orgânico realizado na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba, mostrou mais uma vez que é possível unir uma ideia sustentável simples à prática, ajudando a comunidade e o meio ambiente.

Desenvolvido desde 2017 pelo Departamento de Engenharia Ambiental da UFTM, o projeto "Instalação e monitoramento de biodigestor de baixo custo empregando resíduos sólidos orgânicos" apresentou resultados favoráveis com aplicação de biofertilizante no cultivo de plantas se comparado aos fertilizantes comuns.

Na universidade, o biofertilizante foi produzido com 42 kg de sobras de alimentos – como verduras, legumes e frutas descartadas no preparo das refeições do Restaurante Universitário –, 150 litros de água de abastecimento e 8 kg de dejetos de animais – como equinos, bovinos ou suínos – coletados em fazendas e aras próximos a Uberaba.

Colocando esse material em um biodigestor de baixo custo, construído com materiais hidráulicos não utilizados em construções, o resultado foi a produção de cerca de 180 litros de biofertilizante, que foi aplicado em mudas de Ophiopogon japonicus, conhecida popularmente como grama preta.

Para comparar os resultados, foi aplicado em outras amostras da grama um fertilizante de uso padrão, que tem como base o melaço de cana e o ácido bórico.

“Dentro do Departamento de Engenharia Ambiental, buscamos cada vez mais trabalhar com a sustentabilidade, de retornar para o ambiente aquilo que ele nos deu. A gente quis substituir um fertilizante comum, que agride muito o meio ambiente, por um natural, e construir um biodigestor super fácil, que qualquer pessoa pode fazer com algo simples”, afirmou a coordenadora do projeto, Bruna Vieira Cabral.
A ideia também é que mais pequenos agricultores da região, além de construir os próprios biodigestores, possam reaproveitar os restos de alimentos e dejetos das próprias criações para produzirem biofertilizante. O grupo está aberto à comunidade para tirar dúvidas e explicar como funciona o biodigestor e a produção do biofertilizante.

Ainda segundo Bruna, os biodigestores já são utilizados em larga escala em vários locais do país para a produção de biogás. A maioria tem como matéria-prima dejetos suínos que, geralmente, dão melhores resultados.

Resultados
De acordo com os pesquisadores, as mudas tratadas com biofertilizante se desenvolveram visivelmente melhor do que as mudas tratadas com fertilizante químico e podem servir para outras plantações.

A coordenadora do projeto, Bruna Vieira Cabral, explicou que o fertilizante comum não forneceu à grama preta os nutrientes necessários para que ela se desenvolvesse, diferente das outras gramas tratadas com biofertilizante, que tiveram melhor desenvolvimento e maior massa seca.

A professora ressaltou que a análise conjunta com resultados evidenciou a aplicabilidade do biofertilizante estudado como um potencializador da nutrição de plantas e do solo, se mostrando uma alternativa viável de destinação final ambientalmente correta para os resíduos orgânicos.

Atualmente, o biofertilizante é utilizado para irrigar mudas plantadas por meio do projeto de extensão universitária "Arborização do Campus Univerdecidade".

Ideia, importância e futuro da pesquisa
A pesquisa começou em 2017, quando o aluno de Engenharia Ambiental Rafael Castelfranchi de Oliveira foi a uma pizzaria e percebeu que havia muito desperdício de bordas de pizza.

Provocado pela situação, Rafael deu a ideia no Departamento de Engenharia Ambiental da UFTM de reutilizar as bordas de massa como matéria-prima na produção de biofertilizante, sendo o primeiro material testado antes do material orgânico.

“Para mim, é extremamente gratificante quando o aluno, por si só, tem esse despertar. É isso que queremos, como professores, incentivar os alunos a terem as próprias ideias. Foi gratificante perceber que o aluno viu, na prática, algo que ele poderia melhorar o mundo em que ele vive. É um retorno que a gente sempre busca. Contribuir para melhorar o mundo, melhorar a qualidade de vida trabalhando com práticas sustentáveis é extremamente gratificante”, afirmou a professora Bruna.
Depois da produção com material orgânico e resultados em pesquisa, o trabalho foi apresentado no Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental e Sanitária, no Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica e no Simpósio de Tecnologia Ambiental e de Biocombustíveis.

Sob coordenação da professora Bruna, participaram dos estudos os alunos da graduação de Engenharia Ambiental Lucas Soares Fonseca (bolsista de iniciação científica do CNPq), Ana Flávia Bernardes, Betânia Naressi, Cristiano Cintra e Rafael Castelfranchi de Oliveira, além do professor Diego Andrade Lemos e a técnica Vanessa Melo.

Agora, o grupo tem como meta fazer com o que o biodigestor também produza biogás, segundo Bruna.

“A gente sabe que é possível fazer esse tipo de gás por causa da chama produzida e o odor emitido pelo biofertilizante. A ideia é encanar o biogás e aumentar o protótipo para ser utilizado no próprio Restaurante Universitário da UFTM"

Fonte: G1 por Mariana Dias em 01/03/2020

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